Mundo: representação e mudança.

11/02/2008 - 12:43 Por: Wanda Patrocinio

Categoria(s): Educação, Gerontologia

 O filme “Amor, eterno amor” mostra várias representações da velhice: a primeira enxerga no velho aquela pessoa que vai seguindo suas atividades rotineiramente, sem novidades, mostrada nas relações de John e Claire.

Já nas relações do antigo casal de adolescentes, vemos a vida fluindo, brilhando, mesmo na iminência da morte (pois Andreas estava com câncer e com os dias contados). Mesmo assim, vivem momentos de plenitude, vemos a vida sendo representada como uma benção que é regada e aproveitada da melhor maneira possível.

De forma inesperada, mas ao mesmo tempo alegre, Claire falece e, ao morrer deixa uma carta, na qual descreve a simplicidade em que viveu e as formas diferentes de amor que ela encontrou. Ao final, não diz que amou um mais que o outro (John e Andreas), simplesmente amou-os de maneiras diferentes. Com este ato ela foi capaz de causar mudanças nas relações e nas representações de mundo dos dois homens que permaneceram vivos e mudados pela experiência e lição de vida de uma velha senhora.

Se considerarmos a relação de John e Claire, eles estavam casados, mas viviam de acordo com as “normas” ditadas pela cultura que faziam parte, um universo em que o amor num casal de velhos é apenas afeto, de que não é mais necessário intimidade, ou seja, a sociedade privando tudo e invadindo a vida das pessoas, as quais mantêm uma relação inteiramente subsumida pela ideologia existente, é como diz DURHAM (1984) “…tudo sendo ideológico e político, constrói-se um universo asfixiante de opressão, onde o poder permeia tudo e é tudo. Não há mais graus de dominação nem critérios de relevância” (p.81).

Nesse sentido, a situação que emerge do encontro com o passado, reconstrói o presente a partir de Claire, pelo que ela resgata da realidade social e pelo muito que ressignifica para si e para os seus – marido, filho e amante. Mostra o que a vida de cada um e de todos pode ser, enquanto liberdade e libertação. Seus atos, atos de amor, são, sobretudo atos de criação e mudança, nos quais a vida e a velhice são descobertas em nova dimensão.

Imaginemos, então, se o amor estivesse presente em cada um de nós e num novo mundo a ser criado, o quanto de mudança teríamos como força propulsora para uma nova realidade.

Escrito por Wanda Patrocinio

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