Idoso no trânsito.

24/03/2008 - 11:43 Por: Wanda Patrocinio

Categoria(s): Curiosidades, Gerontologia

direcao.jpgEntrevista WebMotors

Por Elisandra Villela Gasparetto Sé (Fonoaudióloga, Mestre em Gerontologia pela Unicamp, Doutoranda em Neurolingüística pela Unicamp)

1 – Que doenças típicas da velhice (física e mental) podem representar um risco ao motorista idoso e à segurança no trânsito? Como reconhecer os sintomas dessas doenças?

As doenças mais comuns típicas do avanço da idade que podem causar riscos e insegurança no trânsito são as deficiências sensoriais, a presbiacusia (perda auditiva relacionada ao processo de envelhecimento) e presbiopia (perda visual). A deficiência auditiva pode causar riscos de acidentes, uma vez que a audição é uma função importante na direção defensiva, o motorista deve estar atento aos sons do seu próprio veículo e dos demais, sons do ambiente urbano, buzina, motocicletas, etc…. para ficar atento e poder reagir em situações adversas e à ações incorretas de outras pessoas. Dentre as habilidades primordiais na avaliação para a renovação de carteira de habilitação, além da função visual, deve-se incluir a avaliação da audição e a verificação da necessidade do uso de prótese auditiva. O mesmo ocorre com a visão, uma pessoa com a baixa acuidade visual pode oferecer riscos e perigos para ele próprio e demais pessoas. A visibilidade no trânsito é importante na identificação das placas, na orientação espacial, cuidado com bicicletas, faixas, na definição e contraste claro-escuro, dirigir à noite, quando há neblina, referências no trajeto e coordenação visuo-espacial, principalmente nas avenidas muito movimentadas e estradas.

Entre as doenças mais graves que representam fortemente a insegurança viária de idosos são as demências. A principal é a doença de Alzheimer que é bastante prevalente na população acima de 70 anos cujos sintomas principais são a perda de memória entre outras funções mentais, o que dificulta a pessoa de realizar de forma adaptativa algumas tarefas do dia-a-dia. A doença de Alzheimer é uma doença neuropsiquiátrica degenerativa e progressiva, cuja causa ainda não é completamente conhecida. As alterações na memória, na atenção dirigida, no controle mental, desorientação temporal e espacial e dificuldades em funções executivas (planejamento de ações), são sintomas da doença que contribuem para um comportamento inseguro no trânsito, pois faz parte do quadro demencial a diminuição no processamento das informações, no tempo de reação e na velocidade de decodificação dos estímulos. O indivíduo pode apresentar dificuldades em se orientar na via, nas curvas, na ultrapassagem, estacionar, esperar o momento de atravessar o sinal, visualizar os retrovisores, sinalização, ler e entender o que uma placa significa, coordenar os movimentos e a visão, obedecer à quilometragem, tomada de decisão e utilizar os reflexos para reagir de forma rápida e adequada no trânsito (frear, acelerar, desviar). Nestes casos os riscos mais graves para o idoso motorista e que não percebe suas dificuldades devido ao processo de início de um quadro demencial é ele perder o controle do volante, sair da estrada, ficar confuso no trajeto, ziguezaguear ou trafegar na contramão. Outro quadro que também acarreta riscos para o idoso no trânsito é a doença de Parkinson. Uma doença que causa alterações motoras e também podem surgir declínio cognitivo

Os sintomas de demência na maioria dos casos são percebidos pelos familiares, quando o idoso apresenta dificuldades de memória, de linguagem e de realizar tarefas básicas do cotidiano. Os problemas de memória vão se agravando e interferindo de forma significativa nas atividades diárias. O processo de declínio cognitivo é acompanhado às vezes de dificuldade em autocrítica. A pessoa demora a reconhecer seu próprio estado de saúde mental, suas dificuldades e erros cometidos ao dirigir, negando tais situações, o que é difícil para a família manejar. Muitos idosos que apresentam tais dificuldades e não a reconhecem, não querem deixar de dirigir, pois implicam na perda da autonomia, independência, liberdade e privacidade.

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