Conversando sobre Odontogeriatria no Brasil 2
| 28/04/2008 - 11:15 Por: Wanda Patrocinio |
Categoria(s): Gerontologia |
Valter Salton Vieira, chefe da Editora Limay, entrevista o pesquisador mentor Fernando Luiz Brunetti Montenegro.
A interação medicamentosa é um dos problemas mais sérios no atendimento destes pacientes? O Cirurgião-Dentista (CD) está preparado para enfrentar esta situação? Quais as dicas que o senhor daria?
R: Cerca de 70% dos medicamentos normalmente ingeridos pelos idosos – e que têm, em média, cerca de 4 a 5 patologias diferentes na sua saúde geral – causam repercussões por toda a boca destes, que vão desde maior números de cáries (e não só as de raiz), como maior incidência de problemas periodontais, incômodo (e abandono) do uso de próteses, associação com controle da diabetes, hipertensão, pneumonias aspirativas para pacientes acamados ou debilitados e participação ativa em quadros de desnutrição só para citar alguns dos problemas da interação dos medicamentos na 3ª Idade e seus graves efeitos colaterais. O CD, não afeito à área, não está muito preparado para ir ao fundo da questão (pois não teve informes especÃficos sobre isto nos bancos universitários), só tratando das conseqüências clÃnicas de maior incidência que são as cáries e doença nas gengivas, mas sem se ater à s verdadeiras causas do que está tratando clinicamente. Relacionar os medicamentos ingeridos pelo paciente, discuti-los com seus médicos, estabelecimento de medidas preventivas odontológicas eficientes (e que o paciente ou cuidador possa realizá-las com sucesso) podem ajudar a minimizar os destacados quadros clÃnicos odontológicos observados na 3ª idade. Mas são medidas que o CD clÃnico geral conhece desde a Faculdade, só que devem ser mais incisivos na aplicação prática pelos pacientes nesta faixa etária.
O odontogeriatra deve conversar com o geriatra / os médicos dos pacientes?
R: Com certeza absoluta SIM! Este intercâmbio é fundamental para solucionar os casos de ambos os profissionais e deve envolver também todo o corpo de Enfermagem e cuidadores no ambiente hospitalar, asilar e domiciliar. Dr. Wilson Jacob Filho, Prof. Titular da Faculdade de Medicina da USP, deixa isto muito claro: â€Na Terceira Idade, nenhum profissional tem destaque sobre os demais: todos devem estar irmanados no auxÃlio aos pacientes†e não deixa de incluir os dentistas entre estes profissionais….. O CD precisa se acostumar a este contato interdisciplinar, que é muito mais profundo que a famosa cartinha “favor usar anestésico sem vasoconstrictor†que vemos adentrar costumeiramente junto com os pacientes em nossos consultórios. O diálogo interprofissional é primordial na 3ª Idade!
*Valter Salton Vieira – Editor-Chefe da Editora Limay. editora@limay.com.br
**Fernando Luiz Brunetti Montenegro – Mestre e Doutor pela FOUSP. Coordenador de Cursos de Especialização em Odontogeriatria. Membro da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia-SBGG. fbrunetti@terra.com.br
Para saber mais: www.portaldoenvelhecimento.net Coluna de Odontogeriatria.
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