Conversando sobre odontogeriatria no Brasil 4

12/05/2008 - 10:09 Por: Wanda Patrocinio

Categoria(s): Gerontologia

odonto3.jpgValter Salton Vieira, chefe da Editora Limay, entrevista o pesquisador mentor Fernando Luiz Brunetti Montenegro.

Os planos de saúde cobrem as despesas com a odontogeriatria? Você pode comentar este fato?

R: A grande maioria dos Planos de Saúde (Convênios) não cobrem a Odontogeriatria ainda, por ela ser muito recente, mas deveriam começar a pensar neste importante segmento, que pode render muitos clientes entre os funcionários antigos e aposentados das empresas a que dão cobertura médica/odontológica aos mais jovens. Mas capacidade comprovada, titulação e disposição REAL dos profissionais credenciados devem ser checadas antes de serem credenciados. Também uma tabela de procedimentos e valores de repasses que contemplem a realidade da Especialidade devem ser postas na mesa de discussões e não simplesmente transferir a tabela de outras faixas etárias para os dentistas que queiram atender aos idosos filiados. Especialmente uma atenção com todos os procedimentos de prótese, para que os credenciados em Odontogeriatria possam usar bons protéticos, com conseqüente, satisfação maior dos CDs e dos pacientes idosos. Mas todas as áreas de Clínicas Odontológicas devem se fazer presentes também, para chegar a bom termo de um plano de tratamento abrangente para a 3a Idade.

Vejo que o Sr. se preocupa muito com a higiene da língua e o limpador lingual está sendo bem aceito pelos idosos?

R: O limpador lingual é um importantíssimo meio de higiene bucal na 3a idade e deve ser aplicada em todos os idosos (a não ser daqueles muito debilitados em hospitais, para os quais existem outras opções, como o higienizador lingual). Ele ajuda indiretamente, mas seu poder não pode ser desprezado, em 3 pontos vitais entre os idosos: Controle da Hipertensão: como ele chega mais longe e sem a ânsia das escovas de dentes tradicionais, limpa as papilas gustativas melhor, permitindo que evitem colocar sal em excesso na sua dieta; na Diabetes, pelo mesmo motivo, só que pelo açúcar ingerido e na eliminação da saburra lingual, um verdadeiro criadouro de bactérias patogênicas para o pulmão, agindo na prevenção de pneumonias, que é uma das maiores causas de óbitos em idosos acamados (bem como as duas doenças acima). E por fim, mas não menos importante, ajuda a diminuir as bactérias bucais causadoras do mau hálito, que levam a um embotamento social do idoso (e depressão com o passar do tempo). São motivos de sobra para se usar os limpadores/ higienizadores linguais nos idosos! (e nas outras faixas etárias também…). Como diversos outros meios de higiene bucal complementares, ele é pouco conhecido e usado pelos idosos – normalmente é indicado por poucos CDs-, mas uma crescente indústria (mais de 15 empresas no Brasil) vem buscando colocar seus produtos nos pontos de venda e um dia os higienizadores bucais vão assumir seu papel junto à escova de dentes e o fio dental, na tarefa comunitária mais nobre que a Profissão tem que é a Prevenção!

*Valter Salton Vieira – Editor-Chefe da Editora Limay. editora@limay.com.br

**Fernando Luiz Brunetti Montenegro – Mestre e Doutor pela FOUSP. Coordenador de Cursos de Especialização em Odontogeriatria. Membro da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia-SBGG. fbrunetti@terra.com.br

Para saber mais: www.portaldoenvelhecimento.net Coluna de Odontogeriatria.

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