Conversando sobre odontogeriatria no Brasil 5
| 12/05/2008 - 10:18 Por: Wanda Patrocinio |
Categoria(s): Gerontologia |
Valter Salton Vieira, chefe da Editora Limay, entrevista o pesquisador mentor Fernando Luiz Brunetti Montenegro.
Por conversas prévias a esta matéria, soube que muitas são as opções protéticas para se reabilitar um paciente idoso, mas gostaria que o sr. falasse agora sobre os implantes em particular: o implante dentário é uma boa solução para os pacientes idosos? Podemos fazer próteses que se apóiem em dentes naturais e implantes numa peça única?
R: Os implantes são uma ótima opção restauradora das funções bucais, mas seu custo ainda é proibitivo para grande parte dos brasileiros. Mas como existem muitos cursos de implantes, uma boa parcela da população tem sido atendida neles. Na 3a Idade são um excelente meio reabilitador, mas tendem a estar associados às próteses totais, na forma de sobredentaduras, de custo bem mais acessível. Mas um grande problema em sua aplicação nos idosos está relacionada às condições de saúde atuais deles que podem impossibilitar uma boa técnica cirúrgica e uma previsibilidade de sucesso como o alcançado em outras faixas etárias. Este é um ponto VITAL na indicação dos implantes na 3a idade e tudo passa pela profunda anamnese com destaque para o real histórico médico dos pacientes. Conversar com os médicos deles é mais importante ainda. Sobre unir implantes aos dentes naturais devo salientar: os implantes têm um sistema de fixação ao osso semelhante a uma anquilose, que não permite qualquer movimentação (entenda-se amortecimento) quando se mastiga um alimento. Os dentes naturais não são assim tão rigidamente fixados ao osso – e sim presos por inúmeras fibras colágenas / elásticas à ele – por isto cedem até 0,2mm quando sofrem uma carga de mordida. Por isso, unir implantes aos dentes naturais em peça única, não é adequado, pois com o passar do tempo, um dos 2 suportes vai se perder (ou ambos) pois um sofre flexão (dente) enquanto o outro é rígido (implante). A regra deve ser sempre: “dente é dente, implante é implante” e não podem se misturar. Num primeiro momento tudo parece que deu certo, mas com o passar dos anos a frustação do CD e ainda mais do paciente idoso poderão ser enormes. E como as pessoas estão vivendo mais, a chance disto acontecer é bem factível e aí o paciente pode não ter condições de saúde geral para fazer os enxertos para repor o osso perdido e não poder receber qualquer prótese convencional ou implanto-suportada, com profundas repercussões na sua nutrição, inserção social, qualidade de vida e até sobrevida….
Quantos pacientes que o senhor atende e este atendimento demora, em média, mais do que os outros?
R: Para um bom atendimento aos idosos, cerca de 4 pacientes/dia seria uma média razoável, intercalando-os com outros adultos e jovens, para que pudéssemos manter uma produtividade semanal adequada aos nossos significativos e crescentes custos fixos. Como dito anteriormente, é preciso dar carinho, atenção maior aos idosos, mas tratando-os com o respeito que merecem e isto, com certeza, torna o atendimento mais longo em duração horária, mas extremamente prazeiroso e também no ponto de vista de ganho humano para o profissional.
Certamente sinto que o Sr. teria muito mais a expor, mas como, infelizmente, temos um limite de espaço, gostaria que tecesse seus comentários finais, deixando o assunto em aberto para outros gostosos “papos” nossos, como foi este de agora.
R: Caro Walter, concordo contigo que muito há para se falar sobre a Odontogeriatria, e suas inúmeras nuances, pois é o quê respiro no dia-a-dia de consultório e científico. Mas há muito o quê aprender e talvez só consiga chegar lá no dia do meu passamento, pois cada dia que vivemos é de uma riqueza única e acumulativa….. A Odontogeriatria é uma atividade nova e de grande potencial no nosso País e a convivência com profissionais de outras áreas de saúde, seja no ambiente clínico, hospitalar, asilar ou domiciliar gera uma guinada muito positiva em nossas crenças profissionais e pessoais.
OBS: Um resumo desta matéria foi publicado no Canal Arcoxia, periódico patrocinado pela Merck, Sharp & Dohme, na edição que circulou em Julho de 2006.
*Valter Salton Vieira – Editor-Chefe da Editora Limay. editora@limay.com.br
**Fernando Luiz Brunetti Montenegro – Mestre e Doutor pela FOUSP. Coordenador de Cursos de Especialização em Odontogeriatria. Membro da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia-SBGG. fbrunetti@terra.com.br
Para saber mais: www.portaldoenvelhecimento.net Coluna de Odontogeriatria.
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