Aids na Terceira Idade
| 28/07/2008 - 11:50 Por: Wanda Patrocinio |
Categoria(s): Educação, Gerontologia |
Todo domingo, Maria (nome fictício), 60 anos, reúne os quatro filhos, os seis netos, as noras e os genros. Prepara o almoço, aflita com os assuntos que vão surgir. Se alguém falar de aids, ela sabe os comentários: doença de gente promíscua, que usa droga, que não respeita Deus. “Meus familiares falam isso na minha cara, sem nem imaginar que eu sofro em segredo por ser portadora do vírus HIV”, desabafa. Ela não é a única. No ambulatório especial do Hospital Estadual Emílio Ribas, único do País exclusivo para tratar idosos infectados, o número de pacientes aumentou 400% em três anos.
Em 2004, quando a unidade foi criada, eram 20 pessoas atendidas por mês. Agora, a quantidade saltou para 100 consultas mensais. O espaço da sala de espera é dividido por avós como Maria, apaixonadas por crochê, jogadores de dominós, viúvos já calvos e senhoras que disfarçam os grisalhos com tintura. “É uma população que, na última década, foi incentivada a passear, freqüentar bailes, se divertir. Mas as campanhas pela qualidade de vida esqueceram de falar da camisinha”, aponta o diretor do ambulatório do Ribas, Jean Gorinchteyn, como motivos para a incidência de aids na terceira idade.
Esqueceram do preservativo, mas o sexo ganhou destaque na vida dos idosos. As pílulas contra a impotência invadiram o mercado, hoje lideram as vendas e revolucionaram as relações sexuais das pessoas com idade mais avançada. “Os medicamentos, em hipótese alguma, são culpados pelo aumento do contágio. Mas não se pode mais ignorar os idosos nas campanhas preventivas”, diz Gilberto Turcato, infectologista da Unifesp.
No Estado, o último balanço mostra que, em um ano, cresceram 16% os casos novos de aids em maiores de 60 anos, saindo de 158 registros em 2005, para 184 no ano passado. “O vírus não escolhe cor, classe ou idade. Mas os idosos ainda não fizeram da camisinha um hábito e nem se sentem vulneráveis à doença”, diz a diretora do Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids, Mariliza Henrique da Silva.
Visíveis na epidemia
Na Capital, os maiores de 60 também estão mais visíveis na epidemia. No ano passado, o grupo representou 3,43% do total de casos novos, contra 2,41% em 2005. “São vários fatores. Por exemplo, nessa faixa etária as mulheres não menstruam mais. Livres de uma gravidez indesejada, acreditam que a camisinha é dispensável”, ressalta Cristina Abbate, coordenadora do Programa Municipal de Aids, que criou uma campanha para comunidades onde há mais idosos, com o slogan “Idade não traz imunidade”. Foi só depois da viuvez que Geraldo (nome fictício), 70 anos, descobriu não ser imune. Contraiu sífilis e o tão temido HIV. “Nunca tinha usado camisinha na vida. Achava que era coisa só para jovem”.
O IBGE, semana passada, alertou que a população está envelhecendo – a expectativa de vida subiu de 54 para 72 anos. Geraldo espera que o coquetel e “as orações” o ajudem a superar essa marca. E aprendeu que o silêncio só aumenta o risco. Não perde uma oportunidade de falar sobre aids com as netas e os amigos sessentões.
fernanda.aranda@grupoestado.com.br
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Jaciara Santos dá seu palpite,
junho 26, 2009 @ 15:58
gostei muito pois encontrei alguma coisa que eu estava pesquisando sobre sexo na terceira idade,gostaria que voce me enviasse mais sobre o assunto pois estou no plano do meu TCC,obrigada
Wanda Patrocinio dá seu palpite,
junho 27, 2009 @ 9:07
Bom dia Jaciara!
Segue alguns artigos sobre o assunto para seu plano de TCC:
– http://gerontologia.casas.blog.br/2008/06/23/sexo-na-terceira-idade/
– http://gerontologia.casas.blog.br/2008/06/30/as-doencas-e-o-sexo/
– http://gerontologia.casas.blog.br/2008/06/30/como-melhorar-a-vida-sexual/
Abraço,
Wanda.