Judô x epilepsia

27/09/2008 - 19:31 Por: Wanda Patrocinio

Categoria(s): Dicas, Qualidade de Vida

Contribuição enviada por Daliane Batista Cardoso

(Continuação do artigo do dia 27/09) Arida e Scorza explicam que, até o momento, nenhum estudo na literatura abordou com exatidão a relação entre epilepsia e a prática de esportes de contato, entre eles o judô. “Assim como outros esportes, o judô possui técnicas que possibilitam a integridade física dos atletas, principalmente nas quedas, com diminuição ou anulação dos seus efeitos sobre o solo, graças à projeção das mãos e dos braços para atenuar o choque do corpo contra o tatame”, dizem. “A prática do judô, além de melhorar a condição física do indivíduo, inclusive no equilíbrio e coordenação, também desenvolve habilidades como autocontrole e autoconfiança e atitude moral autêntica, como respeito, humildade social, perseverança, tolerância, cooperação e generosidade”. Segundo os neurocientistas, o judô era um esporte contra-indicado porque os especialistas acreditavam que o trauma de cabeça poderia desencadear ou aumentar as crises epilépticas. Entretanto, ainda de acordo com eles, sabe-se que o trauma de cabeça que ocorre na maioria dos esportes não provoca crises e, ao contrário de esportes como os de velocidade, de altitude e aquáticos, o risco de lesão é pequeno, pois o esportista luta em pé ou deitado no tatame.

Para Douglas Vieira, professor de judô e medalha de prata nas Olimpíadas de Los Angeles, em 1984, ainda é grande a falta de informações entre os professores de Educação Física a respeito dos portadores de epilepsia e das restrições em relação às atividades físicas. “A maior deficiência nesse meio é saber como prestar os primeiros socorros diante de uma crise e a proteção excessiva que é dada a esses alunos”, explica. “Numa pesquisa de mestrado que estou realizando na Unifesp com estudantes de Educação Física, ficou claro que muitos já tiveram contato com a epilepsia, mas não conhecem a doença e não sabem como agir diante de uma pessoa com convulsões ou quais exercícios indicar”.

Benefícios dentro e fora dos laboratórios

Estudos experimentais com modelos animais de epilepsia realizados na Unifesp demonstraram que um programa de treinamento físico foi capaz de diminuir o número de crises epiléticas. Outros, internacionais e com seres humanos, não notaram diferenças significativas na freqüência de crises antes, durante e após um período de quatro semanas de exercícios físicos. Segundo os autores desse estudo, as crises ocorreram durante os períodos de repouso, após ou entre as sessões de exercícios. Em 1978, um estudo não registrou nenhum caso de crise epilética durante a prática de atividade física em 15 mil jovens com a doença, avaliados por um período de 36 anos.

Saúde em Movimento – 16/08/2008

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