Andar de ônibus evita infarto
| 8/12/2008 - 15:31 Por: Wanda Patrocinio |
Categoria(s): Dicas, Qualidade de Vida |
Contribuição enviada por Daliane Batista Cardoso
Pessoas que andam de ônibus e fazem pequenas atividades físicas têm menos chance de morrer de infarto do que aquelas que andam sempre de carro e são sedentárias. Hipertensão, histórico familiar, tabagismo e estresse são fatores de risco para essa doença do coração, sendo que a diabetes aumenta em até três vezes a chance de um infarto. As conclusões são do estudo do endocrinologista Davidson Pires de Lima, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais. O levantamento feito com a população de Belo Horizonte confirma os dados da literatura médica internacional. A pesquisa foi feita com 200 pacientes que sofreram infarto e foram atendidos pelo Hospital Governador Israel Pinheiro do Instituto de Previdência dos Servidores de Minas Gerais (Ipsemg) e Santa Casa, no período de maio de 2006 a fevereiro de 2007. O estudo faz parte da tese de mestrado “Fatores de risco convencionais e emergentes para infarto agudo do miocárdio entre diabéticos e não diabéticos”, defendida, neste ano, na UFMG. Foram também entrevistados 80 diabéticos que não haviam sofrido essa doença cardíaca. “Este foi o primeiro estudo mineiro sobre fatores de risco para o infarto. Nem sempre as constatações feitas na literatura internacional podem ser aplicadas. Mas na avaliação confirmamos esses dados e identificamos as principais causas do problema cardíaco na população da capital”, afirma o endocrinologista.
Segundo o estudo, os diabéticos que andam somente de carro e adotam hábitos sedentários têm três vezes mais chance de ter um infarto do que aqueles que se movimentam para pegar um ônibus. “Os pacientes que pegam ônibus ou têm habito de andar a pé se movimentam mais, pois caminham pelo menos até o ponto. O importante é fazer algum tipo de movimento e não ser sedentário”, alerta o pesquisador Davidson Pires. A pesquisa também identificou que dos diabéticos infartados 60% eram hipertensos, 30% eram fumantes, 35% já haviam sido tabagistas, 40% tinham pessoas na família com a doença e metade deles eram estressados. “O estresse é um fator de risco para infarto, e isso já foi confirmado em estudos populacionais de até 11 mil pessoas”, diz o pesquisador.
De acordo com o professor e vice-diretor-geral do Hospital das Clínicas da UFMG – referência no atendimento cardiológico –, Antônio Ribeiro, o estudo reforça as evidências internacionais de que qualquer tipo de atividade pode salvar vidas. “O ideal é que ó exercício seja feito de forma regular, mas algum tipo de atividade física, ainda que seja subir escadas ou caminhar até o ponto de ônibus, é melhor do que manter o sedentarismo”, afirma. Preocupado com a saúde do coração, o aposentado Ângelo Flores, de 67 anos, contratou uma professora para acompanhá-lo nas atividades físicas. Ele faz caminhadas na Praça da Liberdade, na Região Centro-Sul, três vezes por semana, além de exercícios de alongamento. “Na hora de começar eu reclamo, mas a companhia dela me motiva. Com a idade, é preciso cuidar do condicionamento físico para não enferrujar”, afirma Ângelo. A aposentada Maria de Castro da Costa, de 71 anos, anda de ônibus e faz caminhada, mas sofreu um infarto há dez anos por causa de estresse. “Meu pai teve câncer e fiquei muito preocupada com seu estado de saúde. Ele viveu até os 105 anos, mas eu fiquei pior do que ele com o infarto que tive. Não me descuido e faço atividades físicas diárias, além de dispensar o carro e o ônibus sempre que posso”, conta.
Uai.Com – Saúde – 15/09/2008
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