Autoeficácia
| 23/12/2008 - 14:44 Por: Wanda Patrocinio |
Categoria(s): Gerontologia |
O conceito de autoeficácia foi introduzido por Bandura em 1977 no contexto da teoria social cognitiva do desenvolvimento, com o significado de crenças que as pessoas têm em sua própria capacidade de organizar e executar os cursos de ação requeridos para alcançar determinados resultados. Em essência, autoeficácia é o senso combinado de competência e confiança nas próprias habilidades para uma dada tarefa em um dado domínio (Barry e West, 1993). O cerne desse conceito diz respeito às maneiras pelas quais as autocrenças das pessoas em suas capacidades permitem que elas exerçam controle sobre os eventos que afetam suas vidas e a como essas crenças traduzem em realização e motivação.
As crenças de autoeficácia são elementos da agência humana uma vez que são fortes preditores do nível de realizações que os indivíduos atingem e têm forte impacto no pensamento, no afeto, na motivação e na ação. Nenhum mecanismo é mais central à personalidade do que as crenças pessoais sobre as capacidades de exercer controle sobre o próprio nível de funcionamento e sobre os eventos que afetam a própria vida. Autocrenças de eficácia influenciam as causas percebidas de sucesso e fracasso. Pessoas que se consideram altamente eficazes tendem a atribuir seu fracasso ao esforço insuficiente e não à falta de habilidade. As crenças de autoeficácia variam quanto ao nível de exigência para a realização em cada domínio, quanto à força da crença pessoal na capacidade de desempenhar funções nos vários níveis de competência requeridos e na generalidade. Quanto mais intimamente os desempenhos corresponderem às crenças de eficácia, maior o poder preditivo de tais crenças (Bandura, 1993).
Ao longo da vida, as percepções de autoeficácia podem aumentar, diminuir ou permanecer estáveis, à medida que o indivíduo se move por meio dos vários contextos sociais. As pessoas mudam em relação a suas aspirações e perspectivas e a seus arranjos sociais. Também mudam quanto à forma como estruturam, regulam e avaliam suas vidas. As consequências da autoeficácia para as pessoas mais velhas centram-se na reavaliação e na avaliação incorreta de suas capacidades. De fato, muitas capacidades físicas podem declinar na velhice, requerendo constantes reavaliações da eficácia pessoal. Muitos idosos tendem a avaliar incorretamente suas capacidades, principalmente as que dizem respeito ao funcionamento físico, à saúde e ao funcionamento cognitivo. Isso ocorre por causa de uma incorreta compreensão do envelhecimento biológico, de atitudes sociais e de práticas institucionais.
Dada a grande heterogeneidade de funcionamento na velhice, a análise das crenças de atuoeficácia em função da idade requer avaliação em domínios selecionados. Os idosos tendem a exercer controle pessoal sobre domínios que estão preservados e a buscar ajuda para o exercício daquelas habilidades cujo domínio esteja limitado. Existem muitos mecanismo pelos quais os idosos podem sustentar o senso de autoeficácia, apesar da diminuição de algumas de suas capacidades. Estão envolvidos nesses processos as estratégias de comparação social, o uso seletivo de informações baseado nas múltiplas experiências acumuladas, a valorização dos domínios do funcionamento no qual eles se sobressaem e a minimização daqueles em que têm menor domínio. Uma vez que os indivíduos tendem a esforçar-se em vencer os obstáculos, a autoeficácia não é menos funcional na velhice do que em períodos anteriores da vida (Bandura, 1997).
Reprodução parcial do texto escrito por Dóris Firmino Rabelo
Retirado de Neri, Anita L. Palavras-chave em gerontologia. Campinas, SP: Editora Alínea, 2005. pág. 19-22
Veja Também: Autoeficácia (Parte 2)Autoeficácia (Parte 1)Autoeficácia (Parte 3)Uma política para o bem-envelhecer (Parte 6/6)Controle percebidoAtividade física: nunca é tarde para começar! (Parte 2)
