Estratégias preventivas em odontogeriatria (Parte 3/5)
| 31/05/2009 - 11:01 Por: Wanda Patrocinio |
Categoria(s): Gerontologia |
Â
 Marco Tulio Pettinato Pereira – Especialista em Saúde Coletiva (SL Mandic), Saúde Pública (UNAERP) e Saúde da FamÃlia (UCAM)
Fernando Luiz Brunetti Montenegro – Mestre e Doutor FOUSP, Prof. Adjunto na UnG, Coordenador Saúde Bucal CEDPES e Casa Ondina Lobo
Flávia Martão Flório – Mestre e Doutora FOP/UNICAMP, Profa. Fac. Uniararas, Especialista Saúde Coletiva (SL Mandic).Â
Devido ao aumento da população de idosos com complicações múltiplas e a necessidade da realização de uma odontologia com ênfase no tratamento como um todo, o conhecimento das doenças crônicas presentes torna-se de fundamental importância. As doenças crônicas mais comuns em idosos são as respiratórias, condições coronárias avançadas, debilidade renal, doenças cardiovasculares, artrite, distúrbios emocionais ou psicológicos como ansiedade ou depressão e endócrinas como a diabetes tipo dois.17 Então, é de extrema importância considerar os eventuais distúrbios sistêmicos que podem envolver a cavidade bucal na sua apresentação clÃnica, como por exemplo, um paciente diabético não controlado pode ter os tecidos bucais edemaciados19, sendo válido sinalizar que o diabetes favorece o aparecimento da doença gengival. Além disso, o diabetes produz halitose e dificulta a cicatrização.22Â
Não é incomum pacientes apresentarem gengivites e periodontites de difÃcil controle em função de glicemia elevada. Além disso, a infecção gengival dificulta o tratamento do diabético.19 Mas é importante mencionar que os pacientes diabéticos frequentemente apresentam doenças cardiovasculares e estão mais susceptÃveis a processos infecciosos se a doença não está sendo adequadamente controlada.1 As doenças cardiovasculares e o tratamento médico dispensado a pacientes cardÃacos podem levar a emergências durante o tratamento dentário. O controle constante da pressão arterial e da terapia com anticoagulantes é indispensável.1 No caso dos pacientes com Endocardite infecciosa é aconselhável a prescrição de antimicrobianos para prevenir bacteriemias, antes dos procedimentos odontológicos.1, 13 Em relação à artrite, recomenda-se o posicionamento e o conforto nas atividades gerais destes pacientes, além de executar as atividades com suavidade, respeitando a dor e a tolerância, e evitar atividades que envolvam apreensão forte. A higienização bucal pode se tornar difÃcil para os pacientes com artrite e outras doenças reumáticas deformantes1 e então recomenda-se engrossar o cabo das escovas dentais e também apertar o tubo do creme dental com as palmas das mãos, para que a força possa ser mais bem direcionada. A escova elétrica pode ser também utilizada pelo paciente portador de artrite, embora a escova manual utilizada com movimentos circulares e suaves permita maior estÃmulo articular. Para uma higiene bucal satisfatória de pacientes idosos portadores ou não de artrite, mas que apresentem menor capacidade funcional ou cognitiva, deve-se contar com o apoio de um cuidador para complementação da higiene, com escova elétrica, além também de dispositivos em forma de “y” para utilização do fio dental (ou suportes para fio dental) ou escovas interdentais, realizando o enxágue, em caso de paciente acamado, com o auxÃlio de seringa descartável e cuba do tipo rim.13 Â
Algumas doenças especÃficas associadas ao processo de envelhecimento, além do diabetes e das doenças cardiovasculares, são a doença de Alzheimer/demência e a osteoporose.1 A doença de Alzheimer e a demência vascular, além de outras doenças debilitantes e progressivas como o Parkinson, podem levar à dependência total em estágios avançados.13 Os pacientes com doença de Alzheimer/demência podem apresentar diferentes nÃveis de dificuldade de comunicação e de comportamento,1 são casos tÃpicos de pacientes que precisam de tratamentos em casa4, onde o direcionamento da atenção odontológica deve ser baseado na fase em que se encontra a doença com o estabelecimento de uma rotina eficaz de cuidados que poderá incluir flúor, educação preventiva e a utilização de digluconato de clorexidina.13 Já a osteoporose pode levar à perda acentuada de osso alveolar e mais facilmente à fratura mandibular no caso de quedas ou de tentativas intempestivas de exodontias feitas por profissionais que não levam este ponto em consideração.1
Os pacientes idosos ainda podem estar sujeitos a outras complicações próprias da terceira idade, como a depressão, perda da memória, estresse, aterosclerose, obesidade, incontinência urinária25, alergias17, anemia13 e lesões da mucosa bucal.15 Diante de um paciente com anemia ou hipossalivação, como na SÃndrome de Sjögren, é importante que a escova dental tenha cerdas extramacias para menor risco de lesão do tecido gengival.13 No que se refere a lesões de mucosas, em uma revisão de literatura, as lesões mais frequentes relatadas em idosos institucionalizados foram as seguintes: hiperplasias fibrosas inflamatórias, estomatites, candidÃases, queilite angular, associadas ao uso de próteses, além da presença de extensas hiperplasias de palato (causadas pelo uso de prótese total superior com câmara de sucção), e em menor número foram relatados leucoplasias e carcinomas.15 Como medida preventiva no caso de portadores de próteses, deve-se aconselhar os idosos a não dormirem com as mesmas, pois como os idosos são mais propensos a infecções o que facilitaria a contaminação por fungos, como a Cândida albicans, além de aumentar o risco de surgimento de lesões de tecido mole, oriundas de traumas ou mesmo devido em relação à halitose.23
Veja Também: Estratégias preventivas em odontogeriatria (Parte 1/5)Prevenção em OdontogeriatriaEstratégias preventivas em odontogeriatria (Parte 4/5)Estratégias preventivas em odontogeriatria (Parte 5/5)Conversando sobre Odontogeriatria no Brasil 2Trabalho didático na universidade: estratégias de formaçãoEstratégias preventivas em odontogeriatria (Parte 2/5)Conversando sobre odontogeriatria no Brasil 3Conversando sobre Odontogeriatria no Brasil 1Conversando sobre odontogeriatria no Brasil 4
