Instabilidades Motoras e Emocionais do Paciente de Parkinson – Parte II

12/10/2009 - 19:18 Por: Wanda Patrocinio

Categoria(s): Dicas, Gerontologia

Por Simplesmente Tetê – Tenho 48 anos e sou pk [portadora de Parkinson] há 11 anos, estive muito mal nos dois primeiros anos de tratamento, pela falta de informação. No início do tratamento os médicos iam aumentando a dosagem de remédios e não davam nenhuma outra informação. Em 2006 iniciei um tratamento com um especialista em nutrologia e medicina biomolecular, e ele trata-me como “pessoaâ€, não como “doenteâ€. O resgate da minha autoestima, confiança e dignidade foram determinantes para minha recuperação, aliando saúde com qualidade de vida. Há oito anos estudo e pesquiso sobre a DP. O tratamento MULTIDISCIPLINAR é fundamental. Cuidados diários são necessários, não se pode desistir. Tem que haver um comprometimento muito grande consigo mesmo e seriedade com o tratamento:
1 - Atividades físicas para fortalecer a musculatura do corpo. [natação, hidroginástica, tai-chi-chuan, pilates, teatro, expressão corporal, caminhadas, musculação com carga leve, dança].
2 - Alongamentos diários para melhorar a amplitude de movimentos.
3 - Exercícios de memória são itens fundamentais para manter o cérebro estimulado
. [Palavras cruzadas, quebra-cabeças, canto, teatro, jogos de tabuleiro, leitura].
4 - Ginástica facial [para manter uma boa expressão facial e evitar o “olhar parado†que muitas vezes ocorre ao portador de DP].
5 - Exercícios de fonoaudiologia para evitar problemas da fala e deglutição [exercícios específicos, exercícios de respiração, canto, coral, leitura em voz alta].
6 - Cuidados com a alimentação [para manter boa saúde geral]. Reduzir ou evitar consumo de carne vermelha; dar preferência aos grelhados; ingestão diária de frutas, verduras, legumes e fibras; beber água [+/- 2 litros por dia], não abusar de açúcar, chocolate, evitar gordura e fritura, abolir álcool.
7 - Acompanhamento psicológico, quando necessário, para evitar transtornos emocionais, insônia, depressão.
8 - Fisioterapia e/ou atividade física,
que auxilia a manter o equilíbrio, evitar quedas, melhorar o condicionamento físico.
9 - Manter vida social ativa: a inclusão social é importantíssima para manter a dignidade e autoestima do portador de DP [atividades em grupo como coral, teatro, caminhadas, atividades manuais, aulas de pintura, artesanato].
10 - SER FELIZ É REGRA FUNDAMENTAL. É possível sim ser feliz com a DP e apesar dela, o que exige a aceitação das limitações que surgem e a consciência de um comprometimento verdadeiro com a própria saúde e tratamento adequado.
Para um tratamento adequado é importante manter a motivação do doente e estabelecer um elo de confiança com o seu médico. Muitas vezes, os sinais são menos graves no consultório que em casa e os familiares do doente não compreendem; ouve-se com frequência dizer que se o paciente estivesse todos os dias em casa, como está no consultório seria muito bom. Com a ajuda destas informações, é possível aprender a conhecer e a “gerir o seu stress”, bem como elaborar plano de controle.
É necessário fazer um plano semanal e organizar todas essas atividades. Entendo que esta tarefa exige muito empenho, mas posso afirmar por experiência própria que o esforço é válido e os resultados são realmente positivos. Apesar de uma aparente complexidade no tratamento da DP, existem algumas regras:
1 - A uma noite mal dormida sucede normalmente um dia ruim.
2 - O humor tem um papel importante: em caso de depressão, os sintomas motores da doença podem aumentar entre 20 a 30%.
3 - Após uma atividade física excessiva (jardinagem, caminhada muito longa), o doente arrisca-se a sentir no dia seguinte uma acentuação transitória dos sintomas: aumento do tremor, aparecimento de cãibras ou cansaço. Nesta doença é necessário manter atividades ligeiras, sem fixar um objetivo rigoroso, fazer as coisas ao seu ritmo, pois há dias em que é possível caminhar uma hora, outros dias em que meia hora já causa maior cansaço. É IMPORTANTE RECONHECER, RESPEITAR E ACEITAR OS LIMITES DIÃRIOS.
Aos 46 anos reiniciei minha vida profissional, voltei a estudar e hoje mantenho minha autonomia com algumas limitações físicas [como dirigir, por exemplo], mas tenho uma vida normal, tenho equilíbrio emocional, depois de ter superado depressão e TOC. Faço 15 minutos diários de alongamentos ainda na cama, para aquecer as articulações e evitar câimbras e outras lesões, aliás esta prática é indicada para todas as pessoas, de todas as idades. Tenho atividades físicas como pilates, tai-chi e dança do ventre, que pratico pela manhã, em casa com orientação de DVD, [o ideal seria manter um fisioterapeuta, personal trainer, ou academia, mas a realidade financeira não me permite essa prática]. Tenho encontros semanais de expressão corporal e coral. Leio muito, canto o dia todo, tomo 2 litros de água por dia, tenho boa alimentação, faço ginástica facial durante o dia enquanto cozinho, arrumo a casa e quando me deito. Entendo que a realidade financeira da maioria da população é deficiente, mas é possível encontrar uma ou outra associação de apoio à DP ou de 3ª. Idade, serviço social das prefeituras que mantém atividades em grupos, como coral, teatro, em atividades gratuitas, até mesmo medicação grátis ou bem abaixo do custo em entidades, postos de saúde ou hospitais da rede pública. Importante é informar-se nas prefeituras de sua cidade, às vezes algumas comunidades cristãs mantêm grupos de apoio com atividades que podem ser úteis [artesanato, pintura].
Sempre reforço minha afirmação de que o apoio familiar é imprescindível. As pessoas que rodeiam o doente devem ter interesse em compreender a origem e os efeitos destas variações motoras ou psíquicas. O médico, com quem me trato, Dr. Abib Maldaun Neto, especialista em nutrologia e medicina biomolecular, afirma que “É POSSÃVEL, COM MEDIDAS PREVENTIVAS E COM UM MODO MAIS OTIMISTA DE ENCARAR A VIDA, CONQUISTAR O EQUILÃBRIO FÃSICO E EMOCIONAL EM TODAS AS IDADESâ€. Com relação à DP essa afirmação também é válida.
Os avanços na medicina permitem que os pacientes possam levar uma vida praticamente normal e retardar a progressão da doença, quando tratados e medicados corretamente. A atitude positiva e aceitação da doença é o primeiro passo para buscar dignidade e boa qualidade de vida.
A NOSSA LUTA CONTINUA! Abraços, *TT

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4 Comentários »

  1. Elaine dá seu palpite,

    janeiro 27, 2010 @ 5:20

    Querida TT

    Acabei de ler o seu artigo e achei muito interessante. Tenho um namorido de 40 anos e que soube a alguns meses que é portador do mal de Parkinson. Ele começou o tratamento em novembro/09.
    No ínicio aceitar a doença e passar a conviver com ela, não foi nada fácil para ele. Aliás poucas pessoas da família dele, sabe a respeito da doença assim como na empresa que trabalha.
    Hoje ele foi ao médico, está preocupado como as crises e sentí também uma certa suscetibilidade vindo dele.
    Conversamos um dia desses e ele disse que não quer que eu o veja. Quando a doença começar a se manifestar de vez. Nesse exato momento o meu coração esta angústiado.
    Bom… esse foi o meu desabafo! E para ser sincera vim em busca de informações de como devo manifestar o meu carinho, amor e compreenção com ele. E diante de tantos links sobre o mal de Parkinson. Cliquei nesse e ntão me deparei com o seu artigo. Que alías foi bastante esclarecedor.
    Kisses
    ;)

  2. Wanda Patrocinio dá seu palpite,

    janeiro 28, 2010 @ 14:58

    Boa tarde Elaine!

    Obrigada por seu comentário.
    Escrevi no seu email com cópia para a TT, autora deste artigo.

    Abraço,
    Wanda.
    Responsável pelo blog

  3. Mara dá seu palpite,

    março 1, 2010 @ 17:59

    Oi TT
    Parabéns por suas vitórias e continuação da luta. Tenho um pai de 83 anos que, depois de um avc isquêmico, que deixou sequelas do lado esquerdo, vem enfrentando um diagnóstico de Parkinson, ainda no começo. O andar modificou-se, o enrijecimento quando deita e quando senta é grande mas ele é corajoso e combatente. Não se entrega. Ainda não consegui encontrar um médico que o trate corretamente, evitando a depressão que às vezes se aproxima ao lembrar como era uma pessoa ágil até 2007. Faz fisioterapia e só. É difícil sair do isolamento que a esposa, que cuida dele impõe. Ela também já está começando a perder um pouco da noção de tempo e lugar e muitas vezes esquece de ministrar os remédios necessários (83 anos). Como não posso tirá-lo de onde mora, faço questão de quando nos encontramos ser momentos de muito amor, calma e tranquilidade.
    Moro longe dele e procuro todo dia falar com ele, animá-lo e encorajá-lo a tomar suas próprias decisões, como antes.
    Assim como vc pode, ele também pode ter as rédeas da vida nas mãos.
    Abraços e muuuuuuuuuuito amor e paz para você.

  4. Wanda Patrocinio dá seu palpite,

    março 2, 2010 @ 13:12

    Boa tarde Mara!

    Obrigada pelo seu comentário e por compartilhar no blog a sua experiência.
    Vou encaminhar sua mensagem para a TT.

    Abraço,
    Wanda (responsável pelo blog)

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