Tai chi chuan
| 22/12/2009 - 15:14 Por: Wanda Patrocinio |
Categoria(s): Dicas, Qualidade de Vida |
Contribuição enviada por Daliane Batista Cardoso*
Movimentos lentos, respiração suave e profunda. Para quem está de fora, o tai chi chuan parece fácil, afinal, em nada tem a ver com as modalidades de ginástica que exigem dos músculos e estressam o corpo. Porém, combinar arte marcial com técnica de concentração é tarefa árdua, que exige calma, atenção e flexibilidade. O empenho compensa. Com disciplina, em cerca de um mês, já se sente o ganho em energia e disposição para o dia-a-dia, garantem os professores.
“Além disso, os movimentos do tai chi fortalecem os músculos, melhoram a renovação do ar no organismo e as trocas dos fluidos, o que melhora os sistemas cardiovascular, renal e digestivo, ou seja, a saúde como um todo”, afirma Elizabeth Franco, professora da Sociedade Taoísta do Brasil.
O Tai Chi consiste na repetição lenta de uma cadeia de exercícios que se assemelham a golpes marciais, mantendo a inspiração e a expiração no mesmo ritmo dos movimentos dos braços e das pernas. A sequência é longa e deve ser memorizada pelo praticante.
Coordenar a cadência de movimentos de braços, pernas e respiração com graça e postura implica no desenvolvimento de um mecanismo do sistema nervoso central que promove a integração da mente com os movimentos corporais. Esse processo desencadeia a memória corporal e, às vezes, mais de uma centena de exercícios são realizados sequencialmente, sem prestar atenção. “Após decorar a sequência, a mente aprende a se concentrar nos movimentos e estar em sintonia com o que o corpo executa, sem precisar pensar antecipadamente qual exercício deve fazer”, explica Marcio Lacerda, representante do Yang Chen Fu Center do Rio de Janeiro.
Mas não é fácil decorar a sequência. Na modalidade ensinada por Márcio, discípulo do estilo Yang de Tai Chi, são 103 movimentos seguidos. Alguns professores ensinam os alunos a imitarem os mais antigos até aprenderem os movimentos. Só mais tarde corrigem as possíveis imperfeições. Outros preferem ensinar passo-a-passo e corrigir já no processo de aprendizagem.
Bruno Kelson, da Sociedade Taoísta do Brasil, diz ainda que o tempo em que são feitos os movimentos sequenciais varia de acordo com a linha do professor. “Com meus alunos, levo de 20 a 25 minutos para completar três sequências. Alguns mestres fazem o mesmo em 40 minutos, outros preferem realizá-lo em dez”, explica.
Não importa o ritmo, é a concentração que interessa. “Se o praticante olhar para os lados ou pensar em como executar os próximos movimentos, ele se desconcentra e o equilíbrio entre movimento de braços, pernas e respiração vai por água abaixo”, explica Bruno. Com esse constante exercício de disciplina, ganha-se maior concentração no dia-a-dia, disposição e energia para o trabalho, tranquilidade para a mente e muita saúde. “A prática silencia a mente, medita-se em movimento”, resume Elizabeth Franco.
Fonte: Saúde e Movimento (12/11/2009)
* Educadora Física e Colaboradora / Parceira da GeroVida
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