Sabedoria é indicador de envelhecimento bem-sucedido? (Parte 1 de 2)

6/07/2010 - 11:58 Por: Wanda Patrocinio

Categoria(s): Gerontologia

 Por Elisandra Vilella G. Sé
Desde a antiga filosofia grega e através dos tempos modernos, a sabedoria tem sido considerada como o pico, o topo do conhecimento sobre a condição humana. A sabedoria (sapientia) é frequentemente considerada como um desempenho de alto nível de conhecimento e é um fenômeno de grande interesse para qualquer área. Sabedoria é conceituada como um sistema de conhecimento especializado, um sistema altamente desenvolvido de conhecimento relativo a procedimentos e relativo a fatos e de julgamento para lidar com o que chamamos de pragmática da vida, isto é, aos assuntos de vida importantes, circunstâncias do dia-a-dia, resolução de problemas, aspectos morais, dinâmicas e conflitos da vida, desafios e eventos estressores ou não, capacidade de entender e lidar com incertezas, fazer inferências e aventar hipótese. Envolve conhecimento, julgamento e aconselhamento sobre o curso de vida, variações, condições, valores, conduta e significado da vida.
A sabedoria tem se destacado como o principal exemplo de uma forma de conhecimento avançado, típico da vida adulta. Isso não significa caracterizar a sabedoria como estágio final da aquisição de conhecimento ao longo do desenvolvimento humano no sentido absoluto da palavra. A ênfase aqui é que a sabedoria é um corpo ou um sistema de conhecimento, e não uma descrição de indivíduos que possam ser chamados de sábios, ou portadores de sabedoria. Pesquisadores têm se esforçado em investigar temas e metas evolutivas que possam servir como organizadores para o progresso evolutivo durante a segunda metade da vida, que é a maturidade. A sabedoria tem sido mencionada como o nível máximo, o pico do conhecimento humano. A árvore da sabedoria, uma famosa peça de arte da Idade Média, era uma expressão concreta dessa visão do mundo ocidental.
Na árvore, as sete artes liberais (astronomia, geometria, música, aritmética, gramática, retórica e dialética) figuravam como galhos de uma árvore em cujo topo aparecia a sabedoria. A reunião das artes liberais numa totalidade de conhecimento constituía a sabedoria. Não é de se espantar, então que a aquisição da sabedoria levava toda uma vida e que era reservada apenas a alguns. No contexto gerontológico, o interesse é compreender a relação entre sabedoria e o envelhecimento humano. A sabedoria é um indicador de um envelhecimento bem-sucedido? Esta pergunta já foi feita na obra “De Senectude” do filósofo romano Cícero escrito por volta do ano 50 a.C.
O autor Torres Pastorino em “Minutos de Sabedoria” afirma que nosso verdadeiro destino é a Sabedoria. Todos nós caminhamos para ela. Durante a segunda metade do século XX, muitos outros teóricos propuseram estágios ou estados de alto nível para as últimas fases da vida. Além disso, tem havido muito discussão sobre as tarefas e o contexto da vida adulta. O envelhecimento humano pode sim preservar a possibilidade de desenvolvimento e mesmo o alcance de picos de desempenhos intelectuais.
Sabemos que alguns aspectos da inteligência cristalizada, isto é, processos intelectuais como a compreensão oral, a capacidade de resolução de problemas do dia-a-dia, raciocínio, formação de conceitos, aprendidos com a influência da cultura, não declinam com os processos de envelhecimento e podem apresentar progressos, desde que existam oportunidades culturais. Por isso é que muito idosos, se não portadores de doenças cerebrais, possuem a capacidade de se engajar em esforços direcionados ao seu próprio desenvolvimento, de adquirir novas capacidades, aprender coisas novas, se beneficiar de treinamento da memória ou de fortalecer antigos potenciais. Carreiras de grandes artistas e especialistas em diversos campos profissionais é uma prova de que as habilidades podem ser mantidas e ampliadas na velhice. Além disso, existem evidências de que os idosos podem ser superiores em algumas tarefas de raciocínio associado a questões de inteligência social e prática e à integração entre o afeto e o conhecimento. Dados de pesquisas mostram que idosos se saíram tão bem ou eventualmente melhor que adultos jovens, em tarefas cognitivas.

Fonte: http://www2.uol.com.br/vyaestelar/sabedoria.htm

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