Não acreditar nem amar facilmente
| 29/07/2010 - 8:00 Por: Wanda Patrocinio |
Categoria(s): Reflexão |
Conhece-se o bom senso pela demora em acreditar.
Como mentir é muito comum, é melhor que o acreditar seja algo extraordinário.
Quem tira conclusões apressadas depois se envergonha.
Não se deve pôr em dúvida as palavras do outro.
Mais que descortesia, é um insulto, pois se chama o interlocutor de enganado ou de enganador.
Este, entretanto, não é o maior inconveniente.
Não acreditar é indício de mentir, porque o mentiroso tem dois problemas: não acredita nem é acreditado.
O homem sensato não julga de imediato aquilo que ouve.
E também não tem pressa no querer.
Um autor diz que amar com facilidade é uma forma de imprudência*.
Mente-se com palavras e com atos, mas o último tipo de engano é o mais prejudicial.
Do livro A Arte da Prudência, de Baltasar Gracián, 2003
* Alusão a Cícero, que em De Amiticia (Sobre a amizade) aconheselha a conhecer uma pessoa antes de amá-la.
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