HPV Papilomavírus humano

16/06/2012 - 10:50 Por:

Categoria(s): Doenças e problemas de saúde

Retirado do site do dr. Dráuzio Varella em entrevista com a dra. Maricy Tacla (médica ginecologista, professora do Departamento de Ginecologia do Hospital das Clínicas de São Paulo e trabalha no Laboratório Fleury de São Paulo).

O vírus do papiloma pode ser responsável por vários problemas no corpo humano. Essas verrugas comuns que acometem as crianças, por exemplo, são provocadas por ele que também pode instalar-se nas cordas vocais e provocar o aparecimento de papilomas que causam um quadro de rouquidão progressiva exigindo, às vezes, intervenção cirúrgica para a sua retirada. Do ponto de vista humano, porém, a doença mais importante provocada pelo papilomavírus são as infecções genitais, porque esse micro-organismo é transmitido predominantemente por via sexual. As características anatômicas dos órgãos sexuais masculinos permitem que as lesões sejam mais facilmente reconhecíveis. Nas mulheres, porém, elas podem espalhar-se por todo o trato genital e alcançar o colo do útero, uma vez que, na maior parte dos casos, só são diagnosticáveis por exames especializados. Quando o papilomavírus entra em contato com o aparelho reprodutivo humano, as reações são diversas. A mais comum é a pessoa infectar-se e nunca desenvolver qualquer patologia, pois elimina o vírus espontaneamente. Em situações um pouco mais sérias, especialmente nas mulheres, o HPV pode provocar uma alteração discreta, perceptível apenas no exame de Papanicolaou, um teste de rotina para controle ginecológico. Se as alterações forem mais graves, as células atingidas pelo vírus começam a ficar bizarras indicando que não se trata de uma infecção simples. Alguns desses casos, felizmente muito poucos, acabam evoluindo para um comportamento mais agressivo. As células perdem os controles naturais sobre o processo de multiplicação, invadem os tecidos vizinhos, formando um tumor maligno: o câncer do colo do útero. Muitas mulheres, quando recebem o diagnóstico de papilomavírus, ficam assustadíssimas, imaginando que vão ter esse tipo de câncer, o que não é verdade. Apenas um pequeno grupo corre o risco de desenvolver essa doença maligna.

TRANSMISSÃO DO PAPILOMAVÍRUS HUMANO
Drauzio – Existe uma estimativa sobre quantas mulheres poderiam estar infectadas pelo papilomavírus atualmente?
Maricy Tacla – Considero importante divulgar alguns dados sobre esse tema polêmico para não assustar as pessoas nem minimizar a importância da infecção. Do ponto de vista epidemiológico, a Organização Mundial de Saúde fala que até 40% das mulheres sexualmente ativas podem estar infectadas pelo HPV no trato genital e é bom lembrar que os homens não estão livres do problema. Esse número pode perecer assustador, se considerarmos que, em cada dez mulheres, quatro estariam infectadas. No entanto, é preciso ressaltar que esse índice diz apenas que 40% das mulheres tiveram contato com o papilomavírus. Não quer dizer, porém, que todas vão evoluir para um quadro de câncer. A importância desse dado reside no fato de que a presença do vírus vem sendo relacionada, como fator etiológico (causal), ao desenvolvimento de câncer do trato genital inferior, isto é, do colo uterino, vagina, vulva e ânus.

Drauzio – Como se processa a transmissão do HPV?
Maricy Tacla – A principal via de transmissão é a sexual. Não se pode afirmar categoricamente que seja a exclusiva, mas ninguém duvida de que seja a predominante. Existe também a possibilidade de transmissão vertical, ou seja, a transmissão da mãe para o feto durante a gravidez ou da mãe para o recém-nascido através do canal de parto, o que justificaria a eventual contaminação das cordas vocais da criança no futuro. Não se descartam, ainda, a autoinoculação – a própria pessoa contamina seus genitais quando manipula lesões localizadas em outras regiões do corpo – e a inoculação através de toalhas ou objetos alheios que poderiam albergar o vírus e infectar quem os usasse inadequadamente.

Drauzio – Relações orogenitais pode transmitir o vírus?
Maricy Tacla – Podem, uma vez que as mucosas são muito suscetíveis à contaminação. Estudos epidemiológicos reconhecem que o papilomavírus humano (HPV) constitui um grupo formado por mais de 100 subtipos diferentes. Alguns contaminam com facilidade a pele, as mãos, os pés. Outros contaminam preferencialmente as mucosas, por isso o ginecologista deve estar atento à parte oral das pacientes, porque sexo oral pode transmitir o HPV.

Fonte: http://drauziovarella.com.br/doencas-e-sintomas/hpv-papilomavirus-humano-3/

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