Exercício físico: defesas e limites

9/01/2013 - 17:00 Por:

Categoria(s): Dicas, Doen√ßas e problemas de sa√ļde, Qualidade de Vida

Quando o exercício derruba nossas defesas

Contribuição enviada por Daliane Batista Cardoso*

O porte e, acima de tudo, a capacidade para superar prova√ß√Ķes f√≠sicas d√£o a impress√£o de que um atleta n√£o teria problema para sobrepujar v√≠rus e bact√©rias que o desafiem. Esse senso comum ganha mais for√ßa com as claras evid√™ncias cient√≠ficas de que a pr√°tica regular de atividade f√≠sica fortalece o ex√©rcito que combate microorganismos oportunistas. “Por√©m, dados epidemiol√≥gicos mostram que esportistas profissionais s√£o tr√™s vezes mais suscet√≠veis a doen√ßas infecciosas, principalmente as do trato respirat√≥rio”, revela T√Ęnia Pithon-Curi, educadora f√≠sica da Universidade Cruzeira do Sul, em S√£o Paulo.

Em busca de respostas ao enigma acima, T√Ęnia fez ratinhos correrem em uma esteira at√© a exaust√£o. Depois, analisou os chamados neutr√≥filos, c√©lulas brancas com a habilidade de englobar e, assim, neutralizar invasores mal√©ficos. A descoberta √© surpreendente: uma √ļnica sess√£o de treino intenso foi capaz de estimular a apoptose, uma esp√©cie de suic√≠dio, desses pequenos soldados. “Normalmente, esse mecanismo serve para reciclar as defesas. S√≥ que, quando ele √© acelerado, o organismo fica em d√©ficit por n√£o conseguir produzir novas c√©lulas na mesma velocidade”, explica a pesquisadora. Resumindo, esfor√ßo f√≠sico demasiado diminui a resist√™ncia contra gripes, resfriados e companhia. Quando falamos em exagero, n√£o abordamos apenas quem v√™ a atividade f√≠sica como profiss√£o. Indiv√≠duos que acabaram de trocar o sof√° pela academia podem causar danos a si pr√≥prios com cargas que n√£o fariam mal a outros mais condicionados. “O limite depende de fatores como o preparo f√≠sico, a idade, o sexo e at√© a alimenta√ß√£o do dia. Por isso o acompanhamento de especialistas √© t√£o importante”, relata o fisiologista Orlando Laitano, da Universidade Federal do Vale do S√£o Francisco, em Pernambuco.

Cruzar a linha individual entre uma pr√°tica f√≠sica moderada e outra extenuante tamb√©m eleva a concentra√ß√£o dos radicais livres, mol√©culas que, em altas doses, s√£o nefastas ao sistema imune. “Al√©m disso, eles aumentam as inflama√ß√Ķes e o risco cardiovascular”, afirma Cl√°udia Cavaglieri, fisiologista da Universidade Estadual de Campinas, no interior paulista. Isso sem contar que contribuem para o aparecimento de tumores. J√° est√° claro que n√£o faltam motivos para evitar um abuso. As quest√Ķes que ficam, no entanto, s√£o se cada estrutura do corpo teria limites diferentes e se alguns deles poderiam ser extrapolados sem percebermos. Em outras palavras, nossa defesa contra v√≠rus e bact√©rias pode se cansar antes do cora√ß√£o e, a partir da√≠, come√ßar a sofrer silenciosamente? “O tema √© controverso, mas h√° uma nova teoria de que, quando uma parte espec√≠fica do organismo apresenta sobrecarga intensa, o sistema nervoso central sinaliza com fadiga generalizada”, informa Laitano. Acreditando ou n√£o nessa hip√≥tese inusitada, os especialistas s√£o un√Ęnimes em afirmar que dificilmente a exaust√£o e os problemas decorrentes dela afetem qualquer √°rea ou fun√ß√£o corporal antes do surgimento de sinais como dificuldade para respirar e cansa√ßo da musculatura.

Avance no treinamento sem correr riscos. Por um lado, o limiar da modera√ß√£o precisa ser respeitado. Por outro, ele deve ser, aos poucos e com orienta√ß√£o, empurrado para frente. “Se a intensidade ou a dura√ß√£o do exerc√≠cio n√£o s√£o modificadas ao longo dos meses, ocorre uma adapta√ß√£o do organismo. O que antes era adequado pode se tornar leve demais e, com isso, menos ben√©fico ao corpo”, esclarece a educadora f√≠sica T√Ęnia Pithon-Curi.

Logo ap√≥s deixar o sedentarismo, o correto √© investir em pr√°ticas brandas. “Nessa etapa, √© prefer√≠vel focar no tempo de exerc√≠cio a sua intensidade”, complementa P√°blius Braga, m√©dico do esporte do Hospital Nove de Julho, em S√£o Paulo. Em vez de correr por 15 minutos, tente caminhar por meia hora, por exemplo. Isso, al√©m de promover melhoras expressivas, ainda diminui a incid√™ncia de les√Ķes. √Č essencial que o ajuste do treino seja constante nos primeiros 60 dias de rala√ß√£o ‚ÄĒ de prefer√™ncia, o educador f√≠sico precisa verificar o progresso da pessoa quinzenalmente. Durante esse per√≠odo inicial, o ganho de for√ßa e de resist√™ncia √© r√°pido gra√ßas a adapta√ß√Ķes dos pr√≥prios nervos que se localizam nos m√ļsculos, inclusive no card√≠aco. Depois disso, vale consultar quem est√° prescrevendo a malha√ß√£o pelo menos a cada quatro meses. O m√©dico tamb√©m faz parte dessa hist√≥ria: o ideal √© realizar um check-up completo anualmente para verificar eventuais anomalias. Com supervis√£o profissional e um pouco de calma, voc√™ chega l√° ‚ÄĒ sem trope√ßos, tosses e espirros pelo caminho.

Na medida certa

Só os experts podem prescrever o exercício ideal para cada um. Contudo, há sinais que indicam quando o esforço está aquém ou além do desejado.

Nem de menos: se durante uma atividade física o corpo não mostra nenhum sinal de cansaço, talvez seja bom apertar ligeiramente o passo. Ausência de suor ou da sensação de relaxamento após a prática também indicam uma intensidade leve demais.

Nem a mais: Fique esperto com taquicardias, dificuldades para respirar, tonturas, ins√īnia… “Incha√ßo, dores insistentes e vermelhid√£o nas articula√ß√Ķes s√£o outras mostras de que o ritmo est√° elevado”, acrescenta o ortopedista Lafayette Lage, de S√£o Paulo.

Fique de olho

Entenda por que certas condi√ß√Ķes exigem um cuidado especial com a atividade f√≠sica.
Obesidade: a uni√£o entre gordura de sobra e passadas vigorosas demais pesa nas articula√ß√Ķes e ainda gera processos inflamat√≥rios.

Diabetes: os medicamentos usados para controlar os n√≠veis de a√ß√ļcar no sangue, associados ao alto consumo de glicose de uma pr√°tica extenuante, podem culminar em hipoglicemia.

Asma: se o pulmão trabalha em excesso para garantir oxigênio, o risco de uma crise sobe. O asmático sempre deve carregar sua bombinha durante o exercício.

Problemas cardíacos: um coração fragilizado, quando exigido além da conta, pode falhar. Nesses casos se recomendam exercícios pouco intensos e prolongados.

Na dose ideal… …os esportes asseguram benesses do √ļltimo fio de cabelo at√© a ponta dos p√©s

Cabe√ßa: eles incrementam a circula√ß√£o sangu√≠nea no c√©rebro, diminuindo o risco de derrames, e ainda ajudam a criar neur√īnios, o que garante uma maior capacidade cognitiva.
Cora√ß√£o: os exerc√≠cios mant√™m todos os vasos em forma. Isso evita que o m√ļsculo card√≠aco trabalhe arduamente para conseguir bombear sangue para todo o corpo.

C√Ęncer: a modalidade esportiva favorita de um indiv√≠duo, al√©m de aplacar o estresse, fator de risco para o mal, controla horm√īnios que favorecem os tumores.

Diabetes: o próprio emagrecimento já diminui a resistência à insulina. De quebra, a atividade física regular facilita a entrada de glicose nas células.

Ossos: eles s√£o ativados pela movimenta√ß√£o muscular. Para ag√ľentar a ligeira sobrecarga, tornam-se densos e fortes, o que afasta a osteoporose.

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Cabe√ßa: a grande presen√ßa de horm√īnios do estresse decorrentes do exagero provoca dores e dificuldade para raciocinar. Em casos extremos, podem favorecer um acidente vascular.

Cora√ß√£o: se sua frequ√™ncia fica para l√° de alta por muito tempo, o m√ļsculo card√≠aco se desgasta de tal forma que pode se degenerar ‚ÄĒ √© o processo de um infarto.

C√Ęncer: ao consumir toda a energia do corpo, faltam for√ßas para combater a doen√ßa. Isso sem contar que um sistema imune fraco n√£o lida com o tumor adequadamente.

Diabetes: o diabético tem um risco aumentado de desenvolver transtornos cardíacos. A probabilidade sobe mais ainda quando ele extrapola no exercício.

Ossos: um esfor√ßo hom√©rico altera o equil√≠brio de horm√īnios respons√°veis pela produ√ß√£o de massa √≥ssea. Com isso, a ossatura fica fr√°gil e propensa a fraturas.

Fonte: Uol.com.br

* Educadora física, parceira da GeroVida no envio de artigos para o blog.

 

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