O envelhecimento e a sexualidade

24/08/2016 - 13:52 Por:

Categoria(s): Gerontologia

essenciaO envelhecimento √© um processo heterog√™neo e, por isso, dever ser compreendido a partir das diferen√ßas biol√≥gicas, culturais, hist√≥ricas, psicol√≥gicas e, at√© mesmo sexuais do indiv√≠duo em cada sociedade. A velhice, tal qual as demais fases da vida (inf√Ęncia, juventude, idade adulta) √© circunscrita por transforma√ß√Ķes corporais, emocionais, sociais e econ√īmicas. Enquanto categoria, a velhice n√£o a pessoa em si, ou seja, a idade cronol√≥gica n√£o determina as experi√™ncias vividas, pois a forma como cada pessoa envelhece √© um somat√≥rio de diversas condi√ß√Ķes percorridas ao longo da vida.
A sexualidade √© um tema que deve ser refletido em todas as etapas do envelhecimento. Durante esse processo h√° ressignifica√ß√Ķes imagin√°rias e simb√≥licas, em que as manifesta√ß√Ķes, fantasias, sonhos e desejos est√£o sempre abertos para as possibilidades de realiza√ß√£o sexual. Nesse sentido, a sexualidade vai al√©m da constituinte biol√≥gica do ser humano, √© determinada por elementos psicossexuais.
A sexualidade está nas experiências amorosas que permitirão a cada um, em sua singularidade, construir formas preferenciais de satisfação. Para além do biológico, a sexualidade pode se transformar em outros meios de expressão sublimatória, vias atividades criativas, artísticas ou na convivência com grupos de amigos e familiares, em que a ternura, o toque e as fantasias dão vazão ao prazer, ao simbólico, ao significativo.
Quando, por ventura, as fun√ß√Ķes org√Ęnicas alteram o desempenho sexual, decorrente de mudan√ßas hormonais ou alguma doen√ßa espec√≠fica, a libido, ou seja, a energia sexual que privilegia o aparelho genital para sua realiza√ß√£o, retorna seu investimento a outras zonas do corpo, ressignificando o prazer, encontrado em outras formas er√≥genas, como o toque, a delicadeza de toda sensibilidade.
Desse modo, resgatar o direito da pessoa a uma vida sexual é essencial e implica pensar o amor em suas formas de transformação libidinal, ou seja, outras formas de amor, que passam pela ternura, pelos contatos físicos que erogenizam o corpo, ou seja, despertam o erótico no corpo como o olhar, o cheiro, o toque, a voz.
O idoso n√£o deixa de amar, mas reinventa formas amorosas, re-engendrando a vida em suas infinitas possibilidades. Uma vez que o amor pode ser compreendido em suas manifesta√ß√Ķes er√≥ticas, podendo ser ligado ao afeto ou outras express√Ķes. As fun√ß√Ķes org√Ęnicas e vitais, por vezes perdidas encontram formas compensat√≥rias e sublimat√≥rias de realiza√ß√£o, o que implica a rela√ß√£o com um outro.
O que interfere na vida sexual do idoso est√° al√©m das limita√ß√Ķes org√Ęnicas; √© de ordem psicol√≥gica e social. As cren√ßas, os condicionamentos, os preconceitos existentes sobre a sexualidade, como a chamada andropausa no homem e a menopausa na mulher, tamb√©m s√£o respons√°veis pelas dificuldades existentes que podem aparecer.
Lembre-se de que a sexualidade está para além da relação sexual e o amor não têm limite de idade.

Referência:
Sueli Souza dos Santos. Sexualidade e Velhice. In: FREITAS, E. V. Tratado de Geriatria e Gerontologia, 3 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, cap.138, pp.1542-1546, 2011.

Por: Roberta dos Santos Tarallo.

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