Arquivo de Educação

E aí, o quê você pode fazer?

13/02/2008 - 5:49 Por:

Categoria(s): Educação, Gerontologia, Reflexão

Enquanto a ótica capitalista de nossa sociedade não mudar, nossos velhos não terão um lugar próprio e significativo. E o que fazer? Ficaremos parados esperando um milagre acontecer? É claro que não, a mudança pode começar através de nós mesmos e do conceito que nós temos de mundo, através daquilo que acreditamos e exteriorizamos, em relação a nós e aos outros com os quais construímos a vida.

Não adianta nada termos um belo discurso em prol de nossos velhos, se lá no fundo de nossos corações não é isto que acreditamos, pois o que acaba demonstrado por nossas ações e práticas sociais é o que está dentro de nós e não nas palavras. Nesse sentido, o amor torna-se uma ferramenta – chave na construção de uma sociedade mais justa e igualitária, na qual possamos agir com solidariedade e cumplicidade, não mais com egoísmo e competitividade, lutando pelos direitos dos idosos e exigindo políticas públicas para a categoria em discussão.

Segundo DUARTE JR (2001) ao discutir a necessidade de uma educação que valorize o sensível e não somente o racional, para atravessarmos os novos desafios do mundo moderno – podemos entender a questão do envelhecimento populacional como um novo desafio – as pessoas não podem mais ser entendidas como aquelas preconizadas pelo iluminismo, com toda a ênfase recaindo sobre a sua capacidade racionalizante e produtiva, para este autor, deve-se ser de forma diferente: “… necessita-se primordialmente de um sujeito antes de tudo sensível, aberto às particularidades do mundo que possui à sua volta, o qual sem dúvida nenhuma, deve ser articulado a humana cultura planetária” (p. 172)

Escrito por Wanda Patrocinio


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Mundo: representação e mudança.

11/02/2008 - 12:43 Por:

Categoria(s): Educação, Gerontologia

O filme “Amor, eterno amor” mostra várias representações da velhice: a primeira enxerga no velho aquela pessoa que vai seguindo suas atividades rotineiramente, sem novidades, mostrada nas relações de John e Claire.

Já nas relações do antigo casal de adolescentes, vemos a vida fluindo, brilhando, mesmo na iminência da morte (pois Andreas estava com câncer e com os dias contados). Mesmo assim, vivem momentos de plenitude, vemos a vida sendo representada como uma benção que é regada e aproveitada da melhor maneira possível.

De forma inesperada, mas ao mesmo tempo alegre, Claire falece e, ao morrer deixa uma carta, na qual descreve a simplicidade em que viveu e as formas diferentes de amor que ela encontrou. Ao final, não diz que amou um mais que o outro (John e Andreas), simplesmente amou-os de maneiras diferentes. Com este ato ela foi capaz de causar mudanças nas relações e nas representações de mundo dos dois homens que permaneceram vivos e mudados pela experiência e lição de vida de uma velha senhora.

Se considerarmos a relação de John e Claire, eles estavam casados, mas viviam de acordo com as “normas” ditadas pela cultura que faziam parte, um universo em que o amor num casal de velhos é apenas afeto, de que não é mais necessário intimidade, ou seja, a sociedade privando tudo e invadindo a vida das pessoas, as quais mantêm uma relação inteiramente subsumida pela ideologia existente, é como diz DURHAM (1984) “…tudo sendo ideológico e político, constrói-se um universo asfixiante de opressão, onde o poder permeia tudo e é tudo. Não há mais graus de dominação nem critérios de relevância” (p.81).

Nesse sentido, a situação que emerge do encontro com o passado, reconstrói o presente a partir de Claire, pelo que ela resgata da realidade social e pelo muito que ressignifica para si e para os seus – marido, filho e amante. Mostra o que a vida de cada um e de todos pode ser, enquanto liberdade e libertação. Seus atos, atos de amor, são, sobretudo atos de criação e mudança, nos quais a vida e a velhice são descobertas em nova dimensão.

Imaginemos, então, se o amor estivesse presente em cada um de nós e num novo mundo a ser criado, o quanto de mudança teríamos como força propulsora para uma nova realidade.

Escrito por Wanda Patrocinio


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A vida em acontecimento…

11/02/2008 - 12:30 Por:

Categoria(s): Educação, Gerontologia

Quem poderia dizer que viver a vida na velhice poderia ser tão efervescente e inovadora? Caros leitores, estou tratando da vida dos velhos do filme, Amor, eterno amor.

Aquele casal que foi separado na adolescência volta a se encontrar na velhice. Ele viúvo há trinta anos, ela mantendo um casamento cheio de afeto, mas ausente de toda paixão. A princípio, Claire renega um pouco o contato com Andreas, pois não acha justo tal atitude em relação ao marido, por outro lado, há mais de vinte anos que eles vivem como “amigos”. Apesar da resistência, não adiantou, o amor que estava guardado dentro de ambos volta agora com muito mais fervor e eles fazem amor como nos tempos de adolescência.

No outro dia, ela resolve contar para o marido John, mas este não acredita, acha que ela está ficando esclerosada, por simplesmente ter feito o que seu coração pediu, aliás, o que muitos de nós deveríamos fazer. Ficamos tão presos aos nossos compromissos, a nossa correria da sociedade moderna e nos esquecemos de viver com o coração, com a alma.

E esta é uma das lindas mensagens que o filme traz, mesmo na velhice, o casal (John e Claire) continua com seus afazeres, porém vão levando a vida à espera da morte e quando o antigo casal de adolescentes se redescobrem amando, parece que ambos renascem, começam a viver a vida com maior significado e plenitude.

Até mesmo a vida do marido abandonado se transforma, John começa a demonstrar sentimentos, a fazer atividades e ter atitudes imperceptíveis há mais de vinte anos, mas para tudo isto acontecer foi necessário uma perda muito grande, a da própria esposa.

Se, como eles, não deixarmos a vida passar com toda sua beleza, seremos capazes de olhar com mais profundidade e atenção para os fatos, neste sentido, cabe a cada um de nós agir com sinceridade perante nós mesmos, buscando “Aprender o que somos, o que nos estamos tornando agora e o que podemos fazer, mediante um conhecimento histórico – comparativo denso e justo” (BOSI, 1987:15) (grifo meu).

Escrito por Wanda Patrocinio


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Envelhecer: cultura e vida.

11/02/2008 - 12:15 Por:

Categoria(s): Educação, Gerontologia

O tratamento que é dado ao velho é muito forte em termos de idade e papel social. Partindo da ótica da produtividade que permeia nossa sociedade, GUSMÃO (2001) coloca que “…o caráter do mundo moderno em sua natureza capitalista está dado pela ordem produtiva que toma o jovem e o adulto como produtores e compreende o velho e a velhice como uma irrupção perigosa da ordem, posto que já não produtivos para o capital” (p. 117) e, por isto, o velho pode ser considerado como um “ser descartável”.

Infelizmente, é nesta cultura que estamos inseridos, a qual valoriza aqueles que produzem algo para a sociedade capitalista, mas o que é preciso fazer para que nossa cultura política seja mais solidária? Ou melhor, para que nossos velhos não sejam “seres descartáveis”? Acredito que se aproveitarmos os Programas e Atividades direcionados a esta faixa etária e neles engendrarmos, além do que já ocorre, discussões, trocas de experiências, explanações sobre a problemática do envelhecimento e o que podemos fazer para influenciar na mudança de paradigmas, estaríamos começando a dar um pequeno passo para a construção de uma forma de viver mais humana.

Por outro lado, cabe ressaltar que o velho não é tratado dessa forma (descartável) em todos os lugares. Se percorrermos nosso país, vamos encontrar formas diferenciadas de cuidado e atenção ao velho. Alguns respeitando, se sociabilizando, outros negando, rejeitando, talvez seja o que Bosi (1987) chama de cultura plural, “… não existe uma cultura brasileira homogênea, matriz dos nossos comportamentos e dos nossos discursos. Ao contrário: a dimensão do seu caráter plural é um passo decisivo para compreendê-la como um ‘efeito de sentido’, resultado de um processo de múltiplas interações e oposições no tempo e no espaço” (p. 7).

Escrito por Wanda Patrocinio


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Velho, Idoso, Terceira Idade, o quê é?

8/02/2008 - 5:30 Por:

Categoria(s): Educação, Gerontologia

Nossa sociedade está imbricada em torno da idade que carregamos, idades estas que precisam seguir alguns papéis sociais, é o que nos faz sermos socialmente velhos, ou jovens, ou adolescentes, ou crianças etc. Assim, por que as pessoas mais velhas, atualmente, não aceitam serem chamadas de velhas? Por que a utilização de outros conceitos como idosos, terceira idade?

A palavra velho traz uma conotação um tanto pejorativa e desvalorizada, sendo que a associação entre velhice e decadência, segundo PEIXOTO (1998) atinge todos os domínios da sociedade brasileira. É velho aquele que está decrépito, que não presta para nada, como um objeto mesmo; quando nos referimos a um objeto como velho é porque ele está estragado e quase não dá mais para ser usado.

Por outro lado, podemos perceber que a utilização de outros conceitos parece ser mais fácil do que voltarmos a valorizar o velho com um significado belo e essencial, do que realmente é ser velho: é estar vivendo e já ter passado por uma porção de experiências que nos permitem ver o mundo de uma outra forma, talvez mais humana, amorosa e menos competitiva.

Segundo PEIXOTO (1998), o termo velho era usado para a população pobre, já o termo idoso era usado para uma classe social mais abastada, então isto significa que usar o termo idoso hoje, igualmente para todos, passa uma noção de maior respeito com a categoria de pessoas que estão na velhice.

Segundo a mesma autora, a Terceira Idade é um termo que vem a fazer um corte na velhice, separando os jovens velhos dos mais velhos, ou seja, aquele recém aposentado, que continua em atividade é considerado pertencente à Terceira Idade e aqueles que já avançam um pouco mais na idade, que começam a ter mais problemas de saúde, estes são considerados Idosos.

Escrito por Wanda Patrocinio


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Envelhecer com amor – 1

3/02/2008 - 17:47 Por:

Categoria(s): Educação, Gerontologia, Qualidade de Vida

Amor, eterno amor e a problemática do envelhecimento.

Atualmente, nossa sociedade ainda não sabe lidar com a categoria social que é a velhice, desta forma, a proposta desta leitura é instigar os leitores para uma reflexão sobre o envelhecimento no âmbito de afetos mais ausentes em nosso cotidiano. Mais particularmente, este ensaio versa sobre o amor no contexto do envelhecer. O conceito de amor aqui enfocado não é apenas o amor como um simples sentimento, mas também aquilo que gera movimento e mudança, o amor num sentido mais amplo, complexo, cheio de plenitude, capaz de fazer a vida girar.

Talvez, tenha sido ao assistir um filme sobre esse amor é que colhi reflexões que permitem a compreensão do mundo circundante. O filme “Amor, eterno amor”, de Paul Cox, foi a película que permeou o caminhar de tais reflexões compartilhadas daqui em diante. Assim, esta leitura pode apresentar-se como um momento de prazer, descobertas, reflexões, amor… não deixe chegar na velhice para se preocupar como a qualidade de vida que você leva. Aproveite cada momento como se fosse único e sigamos em frente.

Faça um exercício… de hoje para amanhã, quando será publicada a continuidade deste texto, pense sobre o seu processo de educação para o amor. Como você tem se educado para amar as pessoas, amar a si mesmo, amar a vida?

Escrito por Wanda Patrocinio


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Palavras-chave em gerontologia

22/01/2008 - 12:30 Por:

Categoria(s): Educação, Gerontologia, Sugestão de leituras

Semanalmente, disponibilizaremos sugestões de leituras para aquelas pessoas que queiram se aprofundar nas áreas relativas ao blog GeroVida: arte, educação, gerontologia, qualidade de vida e terapias alternativas.

Sugestão de leitura 1

Para quem quiser compreender um pouco mais os conceitos gerontológicos, sugerimos a leitura do livro “Palavras-chave em Gerontologia”, organizado pela maravilhosa professora Anita Liberalesso Neri, editora Alínea, 2ª ed. Revisada e ampliada, Campinas, 2005.


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Arte, Educação e Envelhecimento…

20/01/2008 - 11:37 Por:

Categoria(s): Arte, Educação, Gerontologia

Este texto trata de um assunto emergente em nossa sociedade: o envelhecimento populacional, em que apresento informação teórica sobre a gerontologia (campo multidisciplinar que estuda os idosos e os processos de envelhecimento) e a velhice, bem como atividades práticas de como chegar a esta fase da vida de maneira saudável. Mas quem deve lê-lo?

Qualquer pessoa, de qualquer idade, que queira viver uma vida melhor, cuidar do seu próprio processo de envelhecimento, pessoas que trabalham com idosos ou se preocupem com a questão da velhice em sua família ou comunidade.

De acordo com a literatura, a população brasileira tem aumentado sua longevidade nas últimas décadas. Atualmente, a população com idade igual ou superior a 60 anos é da ordem de 15 milhões de habitantes. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as estimativas para 2020 indicam que a população idosa poderá exceder 30 milhões de pessoas ao final deste período, chegando a representar quase 13% da população. Atrelado a este crescimento temos o aumento na longevidade dos brasileiros, de acordo com a pesquisa Tábua da Vida 2005, a expectativa de vida ao nascer atingiu a marca de 71,9 anos.
O aumento da população de idosos se deu devido a duas causas principais: ao aumento da qualidade de vida da população (aumento da renda média, melhoria nas condições de educação, evolução da qualidade sanitária, inovações na medicina geriátrica, etc) e, também, devido à diminuição da mortalidade infantil.

Ainda que o envelhecimento não seja sinônimo de doença, com o crescimento da longevidade e do número de idosos na população ampliam-se também as chances de desenvolvimento de doenças cuja prevalência aumenta com a idade e, também, de situação de dependência na velhice. Veja abaixo as doenças mais comuns que podem acometer as pessoas nesta fase da vida: hipertensão, derrame, diabetes, câncer, artrite, osteoporose, doenças mentais (demência – Mal de Alzheimer, depressão), cegueira e diminuição da visão.

Não se assustem, o envelhecimento não possui apenas aspectos negativos, veja só o que podemos fazer para mudar a nossa própria realidade de envelhecimento.
Atentar para o fato de que os fatores de risco para doenças são os mesmos que os fatores protetores, dependerá de como cada um de nós os utiliza. Avaliar nossos hábitos nutricionais e a nossa atividade física (é comprovado que 30 minutos diários de caminhada, três vezes por semana diminui em 30% a chance de ter o Mal de Alzheimer. Quanto mais atividade física, menos chance de desenvolver a doença).

Refletirmos sobre nosso estilo de vida: o tempo que dedicamos para trabalho, descanso, lazer; se fumamos, se ingerimos álcool com muita freqüência; como anda nosso nível de estresse, se nossa renda nos permite mudanças estruturais. Se já somos predispostos ao desenvolvimento das doenças anteriormente apresentadas, como nos cuidar? Como utilizar os medicamentos a nosso favor?

Em geral, acredito em uma educação para um envelhecimento saudável, em que precisamos:
– Tomar consciência da nova realidade de que nosso país está caminhando para ser considerado um país de velhos.

– Ter conhecimento sobre as possíveis perdas biológicas que o envelhecimento pode trazer.
– Refletir sobre sua vida hoje, pois envelhecemos conforme nós vivemos e se preciso for, mudar padrões de vida.

– Buscar sempre objetivos em sua caminhada, jamais deixando a vida apenas nos levar. Que tenhamos o controle do que queremos viver.

– Continuar sempre criando, produzindo, vivendo de forma ativa naquilo que gostamos.
– Continuar exercitando a memória e o pensamento.

Além da educação, a arte vem como uma aliada no processo de envelhecimento saudável, pois cria condições de oportunizar espaços de sensibilização e expressão para idosos por meio de linguagens artísticas. Propomos a arte como elemento para o desenvolvimento humano. Nossa estratégia é utilizar o conhecimento em benefício da arte e a arte em benefício do ser humano, no sentido de ampliar as possibilidades pessoais e profissionais dos seres humanos. A arte como minimizadora dos efeitos negativos do envelhecimento, a arte como instrumento para se vivenciar a velhice de maneira mais leve e positiva.

Escrito por Wanda Patrocinio


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