Arquivo de Gerontologia

Idosos que comem peixe têm menos risco de sofrer doença ocular

2/08/2010 - 8:00 Por: Wanda Patrocinio

Categoria(s): Gerontologia

 Da Reuters
Idosos que consomem peixes gordurosos pelo menos uma vez por semana podem ter um risco menor de perda severa da visão provocada pela degeneração macular relacionada à idade (DMRI), sugere um novo estudo novo. Os resultados, relatados na revista Ophthalmology, não provam que o hábito de comer peixe diminua o risco de desenvolver estágios avançados de degeneração macular relacionada à idade. Mas a pesquisa comprova evidências de estudos anteriores que mostram que quem come peixe tende a ter taxas mais baixas do problema do que pessoas que não comem esse alimento. Eles também apoiam a teoria de que os ácidos graxos ômega-3 -encontrados em abundância em peixes gordurosos como salmão, cavala e atum branco- podem afetar o desenvolvimento ou a progressão da degeneração.
A DMRI é causada pelo crescimento anormal dos vasos sanguíneos atrás da retina ou por uma avaria nas células sensíveis dentro da, o que pode causar deficiência visual grave. É a principal causa de cegueira nos adultos mais velhos. Não há cura para a doença, mas certos tratamentos podem prevenir ou retardar a perda visual grave. Um teste clínico do governo norte-americano descobriu que uma combinação específica de altas doses de antioxidantes -vitaminas C e E, betacaroteno e zinco- podem retardar a progressão da DMRI em fase intermediária. Ainda não está claro se o peixe ou suplementos como ômega-3 podem impedir a progressão da doença. Mas um teste nos EUA está levantando se adicionar óleo de peixe e os antioxidantes luteína e zeaxantina ao regime original traz benefícios adicionais.
Para o estudo atual, Bonnielin K. Swenor e colegas da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, analisaram dados de 2.520 adultos com idades entre 65 e 84 anos, que se submeteram a exames oftalmológicos e completaram questionários detalhados sobre sua dieta. Entre eles, 15% mostraram DMRI na fase inicial ou intermediária, enquanto pouco menos de 3% estavam em estágio avançado da doença. A equipe de Swenor levantou que não houve relação clara entre o consumo dos participantes que relataram comer peixe e o risco do problema. No entanto, havia uma ligação entre a maior ingestão de peixes ricos em ômega-3 e as chances de DMRI avançada. Os participantes do estudo que consumiram uma ou mais porções desses peixes a cada semana estavam 60% menos propensos a ter degeneração macular avançada do que aqueles que comeram, em média, menos de uma porção por semana.
Ainda assim, os resultados não provam que os peixes ricos em ômega-3 concederam o benefício. “Embora a pesquisa atual indique que uma dieta rica em ácidos graxos ômega-3 pode reduzir o risco de DMRI tardia em alguns pacientes, ainda é necessário pesquisar mais”, disse Swenor à reportagem por e-mail. Ela salientou que este estudo foi ‘transversal” -o que significa que os participantes foram avaliados em uma determinada época, ao invés de serem acompanhados ao longo do tempo, para ver se os consumidores de peixe estão menos propensos a desenvolver a doença. Portanto, não é claro se os hábitos relatados dos participantes têm relação com o desenvolvimento da doença ocular. Em geral, comer peixe regularmente é um hábito considerado saudável. A American Heart Association, por exemplo, recomenda que todos os adultos devem comer peixe, de preferência variedades gordurosos, pelo menos duas vezes por semana, para potenciais benefícios para a saúde do coração.
20/07/2010
http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/769384-idosos-que-comem-peixe-tem-menos-risco-de-sofrer-doenca-ocular-sugere-estudo.shtml

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Assistencia Ambulatorial ao Idoso

28/07/2010 - 8:00 Por: Wanda Patrocinio

Categoria(s): Gerontologia, Sugestão de leituras

Sugestão de leitura 130
“Assistencia Ambulatorial ao Idoso”, organizado por Anita Liberalesso Neri e Maria Elena Guariento. Editora Alínea, 2010.
Este livro oferece um enfoque das manifestações clínicas típicas do paciente geriátrico, das principais formas de avaliação e alternativas de tratamento e cuidado considerando os vários níveis de atenção à saúde, sob um ponto de vista multiprofissional. Especialistas das áreas médica, fisioterápica, de enfermagem, fonoaudiológica, odontológica, psicológica e sociológica apresentam conceitos e alternativas de diagnóstico, prevenção e tratamento a profissionais e estudantes das várias áreas da Geriatria e da Gerontologia.

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O “velho” como contador de história: um benefício para todos

25/07/2010 - 8:00 Por: Wanda Patrocinio

Categoria(s): Gerontologia

 Por Eneida Souza Cintra
Embora querendo me dirigir à terceira idade, começo fazendo uma retrospectiva e um paralelo entre os atuais “sessentões” e os “trintões”. Existem verdades irrefutáveis:
- aos mais velhos: todos fomos bonitinhos, mocinhos, “durinhos”, magrinhos.
- aos mais jovens: todos chegarão às rugas, à calvície ou ao cabelo branco.
Durante este processo, todos passamos do riso infantil à contestação da adolescência, enfrentando o famoso conflito de gerações. Atingindo a fase adulta definimos com um pouco mais de clareza nossos valores buscando dirigir a vida com maior independência. Ultrapassada estas fases, há o preparo para a vida prática. Nesta época, é comum já estar-se em companhia de alguém que, tendo feito um trajeto semelhante conseguiu sequestrar sentimentos afetivos, surgindo o desejo do compartilhar, inerente ao ser humano tanto biologicamente como psicologicamente.
No entanto, embora todos tenhamos passado por estas etapas e outros ainda o farão, noto uma grande diferença entre estas duas gerações enquanto esforço para ultrapassar estas fases que devem ser sempre muito lembradas, até exaltadas pelos mais velhos: – as faculdades em menor número exigiam do candidato dedicação plena: não havia férias, feriados e fins de semana – em sendo a classe média extremamente diminuta nem todos conseguiam atingir o patamar do  nível universitário; assim, a luta pela sobrevivência começava mais cedo: antes dos dezoito anos já se trabalhava de estafeta, de vendedor, optava-se pelo funcionalismo público para ser “ escriturário”, pequeno comerciante, etc. Absolutamente não quero dizer que tenham desaparecido estas funções; quero dizer apenas que as opções da época estavam mais voltadas a este perfil quando viam inviabilidade de uma formação universitária. Não havia a possibilidade de “esticar” a adolescência. Com todo este preâmbulo, o que quero dizer é que a responsabilidade sobre a própria vida, a busca para sair do ovo materno, a luta pela independência me parece ser mais pertinente à geração mais velha do que a atual, pois não se tinha possibilidade de escolha: ou ingressava-se rapidinho no terceiro nível ou ia-se trabalhar para ajudar tanto a família como a si próprio constituindo novo núcleo.
Sobressaio isto porque não é incomum a tendência do mais velho olhar para trás e pensar naquilo que poderia ter feito e não naquilo que de fato produziu, fez, lutou. O fato de estar, algumas vezes aposentado, leva-o a viver e sentir apenas o presente ajuizando-se sem utilidade, rejeitado por não mais produzir, empurrando-o à um estado deprimido. Não quero diminuir o jovem atual, mas gostaria de lembrar aos mais velhos o quanto se sobressaíram no decorrer da vida, o quanto se doaram para chegar ao sustento da família, o quanto valor existiu na luta, quantas passagens difíceis foram superadas, com que orgulho devem olhar para os descendentes sabendo-se colaboradores maiores desta juventude, mesmo estando os filhos entre aqueles que não tendo obtido o êxito esperado, mantém os pais como provedores.
Meu convite é para que todos pensem nas suas vitórias, nas suas origens, nas transformações que propiciaram na vida dos outros, na própria vida e a grande colaboração que fizeram junto à sociedade. Colaborando com este quadro, a sociedade esquece que os benefícios que vivem no presente, deve-se ao passado construído por aqueles que estão com idade mais avançada. Ao invés de colherem informações, de exaltarem as construções feitas nos mais diversos setores e transformarem o “velho” numa escola de aprendizes, além de ignorá-los, não é incomum imprimir-se um tom de menosprezo. A pouca valorização é injusta principalmente por ser regra da natureza a passagem por todas estas etapas.
Não querendo absolutamente diminuir o trabalho de historiadores (pelo contrário, exalto-os), é muito interessante ouvir as experiências vividas, é muito rico tomar conhecimento por meio de depoimentos de quem viveu a história com os detalhes que envolvia família, preocupações, atitudes tomadas, mudanças que precisaram acontecer mediante algum fato significativo (política, revoluções, o aparecimento da tecnologia, as transformações de hábitos sociais, etc). Poderíamos dizer que o que estudamos nos livros seriam completados com o relato oral ou com um registro “caseiro” que vem, com certeza carregado de emoção. Treinar o ouvido atentando às informações que o idoso tem a ofertar é, não só benefício para ele que se sentirá sustentado e apoiado como também fonte riquíssima de aprendizagem podendo-se fazer paralelos entre o hoje e o ontem.
Se faz necessário enaltecer-se em relação aos anos que ultrapassaram, relembrar com satisfação do que fizeram, imprimir alegria nas conquistas, olhar o que passou carregado de satisfação. Façamos do “velho” um grande contador de histórias! Todos teremos muito a ganhar!
Eneida Souza Cintra – Psicóloga – CRP: 06/23038-7
eneidasouza@uol.com.br

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Duas importantes figuras: Meu vô e meu vô

20/07/2010 - 8:00 Por: Wanda Patrocinio

Categoria(s): Gerontologia

 Por Eneida Souza Cintra
Sinto-me uma privilegiada: neta de duas pessoas especiais e ao mesmo tempo diametralmente opostas – ambos da mesma cidade do interior paulista.
Enquanto um deles esbanjava inteligência e distribuía conhecimento, o outro era todo carinho e dengo.
Enquanto um registrava suas ideias no jornal da cidade, o outro se atinha ao sabor da leitura.
Enquanto um, com sua sagacidade coloria seu pensamento com ironia e irreverência, o outro era cúmplice de sua própria vida com sincera intimidade.
Enquanto um deles “pulava” de cidade em cidade com mulher e filhos, o outro aprofundava raízes na terra onde nascera. O “pulador”, irrequieto buscava experimentar sensações novas; o “assentado” necessitava de uma plateia para demonstrar seus dotes intelectuais conquistada no curso dos anos. Um satisfazia-se com as emoções vividas que surgiam pela exploração do desconhecido (troca de emprego, aventuras amorosas); o outro agarrava-se à rotina.
Enquanto a sisudez e seriedade acompanhavam o semblante de um, o outro me ensinava a sorrir, a brincar, a amar. Eu tinha de um lado a frieza racional acompanhando um modelo de inteligência impecável, cultura exacerbada advinda de uma atitude autodidata e de outro lado, o calor extremado, pois assim se colocava no mundo – bastava-lhe alimentar-se de afeto e doar ternura.
Revendo o quadro numa distância de 50 anos, sinto o quão forte foram estas referências para mim; permitiram que vivenciasse simbolicamente o binômio razão/emoção: pensar e sentir. Estas comparações levaram-me a crer ainda mais no dito da psicologia – o homem é muito mais emoção do que razão, pois enquanto meu vô materno era transparente permitindo-se ser natural e espontâneo, desejando e sendo desejável, o vô paterno com seu pseudo distanciamento, lidando aparentemente só com a razão como única fonte de vida, era movido pela vaidade que pertence ao campo emocional.
Sou privilegiada por terem sido fortes modelos durante o decorrer da minha vida cada qual a seu modo. Como somos em parte, fruto do ambiente externo, penso no quanto colaboraram para a minha formação. Causa-me tristeza ao saber o quão pouco a sociedade atual valoriza a velhice, o pouco espaço que têm dentro da própria família. O falecer, através do olhar médico muitas vezes significa soro, sangue, UTI, alimentação artificial, o prolongar de algumas horas e/ou dias. Até que ponto é benéfico? Não sei … apenas reflito … Meus vôs foram respeitados: morreram nas próprias camas, em suas casas; o mais racional, de acordo com a vida que escolheu para si, faleceu só; os ouvintes que o sustentavam não faziam parte de sua intimidade. O outro foi-se, rodeado das sementes que plantou: filhos e netos. Ambos puderam escolher.
Eneida Souza Cintra – Psicóloga
eneidasouza@uol.com.br

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Ao Idoso, minha deferência

18/07/2010 - 8:00 Por: Wanda Patrocinio

Categoria(s): Gerontologia

 Por Eneida Souza Cintra
 
Deferência não só pelo que foi, pelo que constatou, como pelo que é.
Deferência pela construção histórica que lhe faz personagem.
Deferência pelas vidas que semeou, pelas marcas que deixou, pela cultura absorvida e devolvida para aqueles que com eles conviveram.
Deferência pelo privilégio que apenas alguns têm de conviver com um idoso.
Temos: verdadeiros arquivos vivos precisando ser resgatados e… desprezamos.
Temos: relatos vivos de episódios históricos vividos e… desconsideramos.
Temos: uma sabedoria de vida querendo ser passada e… desvalorizamos.
Constato que o desprezo pela experiência, que o desprezo pela história de cada um, (esquecendo-se de vê-los como fragmento extremamente importante para a construção da cultura), está sendo impresso nos nossos valores morais.

 Valoriza-se:
- a ansiedade que, antes de levar ao estresse, desperta um comportamento competitivo, extremamente ágil – aprovado pelo atual modus vivendi.
- o descartável porque vai rapidamente desocupar o lugar para outra conquista gerando alta rotatividade – aprovado pela política de consumo.
- o poder do mais forte, daquele que tem mais, daquele que ganha – aprovado pela sociedade capitalista.              
Isto posto enquanto crença pessoal, trabalho sobre a possibilidade deste indivíduo se colocar novamente na sociedade como forte colaborador. Opto por esta postura tendo em vista enxergá-la como mais saudável no lugar da tentativa inocente de fazer os mais jovens modificarem suas crenças. Primeiro há que se fazer presente; a valorização virá como consequência. 
Eneida Souza Cintra – Psicóloga – CRP: 06/23038-7
eneidasouza@uol.com.br

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Viva bem a velhice

7/07/2010 - 8:00 Por: Wanda Patrocinio

Categoria(s): Gerontologia, Sugestão de leituras

Sugestão de leitura 127

“Viva bem a velhice”, de B.F. Skinner e M. E. Vaughan, Summus Editorial, 1985.

Resenha escrita por Anita Liberalesso Neri em Psicol. cienc. prof. vol.7 no.2 Brasília 1987

Diversamente do que se possa pensar, Viva bem a velhice não é um livro só para velhos; nem mais uma obra que realça as glórias ou as desgraças da velhice; nem mesmo um receituário para suplantar os problemas dessa quadra da vida, muito embora tanto a edição norte-americana como a brasileira sejam em tipos grandes, de fácil leitura. Ele destina-se, sim, a leitores de todas as idades, desde que interessados em compreender melhor e/ou preparar-se para a velhice.

Neste campo, ao que parece, a prática desmente o provérbio: “A vida não começa aos 40″, a menos que se tenha a sabedoria de vivê-la. Como o “Savoir-Vivre”, entre outras coisas, não emerge de uma hora para outra, sob o efeito mágico da chegada da idade, é melhor começar a preparar-se com antecedência. O segredo consiste em aprender a construir um mundo que nos permita, quando velhos, viver uma vida tranqüila, digna e agradável. Algo como reescrever o último ato de uma peça de teatro, para nela podermos atuar tão magistralmente, a ponto de podermos ser aplaudidos tanto pelo “script” como pela nossa atuação. Se existe sabedoria na velhice, eis aí seu significado, diz Skinner.

Perspicácia? Ironia? Talvez, e nisso o autor confirma seu estilo, evidente em escritos anteriores. Confirma também o cerne de seu pensamento psicológico, embora num texto de natureza não técnica, e com pauta provavelmente sugerida pela co-autora, a gerontóloga M.E. Vaghan.

Viva bem a velhice não tem um sentido de desfrute ou fruição, mas de conquista. É um texto pequeno, bem escrito, elegante, onde o bom humor, o tom positivo, as habituais citações literárias, tão características da produção skinneriana, mesclam-se num estilo saboroso e refinado. Seu sentido básico, ao que tudo indica, é o cumprimento de um objetivo ético, um projeto pessoal de Skinner, que já passou dos 80: o de revelar a seus semelhantes, o próprio segredo sobre como viver a velhice com dignidade, a despeito de suas imperfeições. É assim que são tratados temas como a convivência com limitações sensoriais e cognitivas, as dificuldades de relacionamento com os mais jovens e com outros velhos, as ocupações, o lidar com os sentimentos e o enfrentamento do medo da morte, dentre outros.

O texto reflete uma realidade diferente daquela da grande maioria dos velhos brasileiros, e mesmo norte-americanos, quanto a bem-estar, saúde, habitação, dinheiro, independência, direitos, liberdade e dignidade.

Os valores, recursos e práticas veiculados, em muitos casos são distantes de nossa realidade, em que ninguém, nem velhos nem moços, parece cogitar dessas questões.

Nem se cogita, principalmente das ideologias e das práticas sociais que, ao vincularem trabalho, produtividade, juventude, independência e aceitabilidade social determinam não só a selvageria nas relações sociais que se vive durante o período produtivo da vida, como o insólito destino de marginalidade social reservado aos velhos.

Skinner escreve para um leitor diferenciado, talvez seus pares, e nesse sentido o livro difere de outros destinados à grande classe média norte-americana de “middle aged” ou “senior citizens”, por não ser nem superficial nem prescritivo.

Em suma, o livro é interessante e com suficiente generalidade para ser aproveitado por leitores brasileiros.

Destinado a leigos, é escrito em linguagem não técnica. No entanto, não se sabe se numa manifestação de rigor ou de humor, Skinner apresenta, ao final do livro, um glossário peculiar, em que os termos e expressões de linguagem cotidiana são cotejados com seus correspondentes do discurso científico da Análise Experimental do Comportamento. Em alguns pontos a tradutora introduziu notas de rodapé contendo informações sobre a realidade brasileira.

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Criatividade na terceira idade

6/07/2010 - 12:18 Por: Wanda Patrocinio

Categoria(s): Gerontologia

 Qual o impacto do envelhecimento sobre nosso potencial criativo? Esta é uma questão que tem sido objeto de investigações por vários cientistas. No livro Psicologia da Criatividade (Artmed Editora), Todd Lubart, da Universidade René Descartes, apresenta algumas interessantes conclusões de investigações feitas sob diferentes perspectivas. Lubart conclui que a performance criativa durante a vida adulta apresenta mudanças importantes em termos de quantidade, qualidade e de forma de expressão. Conclui também que o desempenho criativo na fase adulta varia significativamente entre os diversos campos de expressão e de individuo para individuo num mesmo campo.
Mudanças na quantidade das produções criativas: De um modo geral, a produtividade das pessoas criativas tem o seu auge em redor dos 40 anos, quando começa a declinar. A lentidão no tratamento das informações parece ser uma das principais razões da queda. No entanto, este ponto de pico depende muito do campo de expressão. Em certas áreas, como a pesquisa em matemática, o auge criativo ocorre por volta dos 30 anos e decresce rapidamente. Em outras áreas, como história e filosofia, o ápice ocorre por volta dos 50 anos e a queda é mais tênue. Individualmente, há grandes variações, com algumas pessoas se mantendo bastantes produtivas após os 50 ou 60 anos. Podemos citar Leonardo da Vinci, Léon Tostoi e Louis Pasteur entre muitos.
Mudanças na qualidade das produções criativas: As pesquisas sobre a qualidade da produção criativa concluíram que sua evolução independe do campo de expressão. A qualidade está mais ligada à quantidade, isto é, quanto mais o criador produz, maior a probabilidade de ocorrência de obras qualitativamente significativas. Do lado positivo, as pesquisas mostraram que processos como a definição do problema, a seleção de estratégias, a codificação, a comparação e a combinação seletiva e a dialética se tornam mais eficazes com a idade.
Mudanças na forma das produções criativas: A análise das produções criativas sugere uma variação de forma e substância conforme a idade. Nos primeiros anos de vida adulta, a criatividade seria mais intensa e objetiva, marcada pela espontaneidade e questionamentos. Acima dos 40 anos, seria mais elaborada, subjetiva e reflexiva, marcada pela procura de sintetização dos valores tradicionais. Observa-se, no entanto, grandes diferenças individuais no estilo criativo da terceira idade, marcado por uma procura de harmonia e de integração de ideias e valores.
Como explicar as variações da criatividade do adulto? Embora a condição geral de saúde possa explicar algumas variações individuais, as diferenças na quantidade e na qualidade criativa da terceira idade podem também ser explicadas por diversos fatores cognitivos, comportamentais e ambientais. Os conhecimentos têm um lugar central nas atividades criativas. Em geral, ter mais idade significa ter mais amplos conhecimentos e experiência. Uma base de conhecimentos mais ampla pode ajudar a compensar o declínio na velocidade de tratamento das informações. Assim, aqueles que marcaram suas vidas por um aprendizado permanente e se mantiveram atualizados no seu campo de expressão têm mais condições de se manterem criativos e produtivos. Por outro lado, a especialização excessiva tende a criar fortes bloqueios mentais e a defesa intrangisente de realizações passadas.
Os traços de personalidade, como a tolerância à ambiguidade, a perseverança, o conformismo e a tendência a assumir riscos desempenham um papel importante na qualidade e produtividade em todas as faixas etárias. Na velhice, as pessoas tendem a ser menos tolerantes, a perderem o vigor e a combatividade e de se tornarem mais conformistas e prudentes. No entanto, algumas pessoas idosas conseguem controlar e neutralizar estas tendências e se manterem muito criativas. Neste processo, pesa muito o apoio de amigos, de familiares e da sociedade. Outro fator importante é a situação financeira do idoso, pois as preocupações com a subsistência minam as atividades intelectuais. Podemos concluir que há um natural declínio da capacidade criativa, mas não somente por razões ligadas a saúde. Há importantes fatores cognitivos, comportamentais e ambientais que podem ser administrados e neutralizados. O primeiro passo é o autoconhecimento e uma ação firme e disciplinada para combater as tendências à rigidez mental. O segundo é o reconhecimento de que na idade madura a criatividade toma contornos e formas diferentes da criatividade na juventude. Finalmente, não esquecer que, como qualquer outra parte de nosso corpo, se não for usado, o cérebro perde seu vigor e enrijece. A criatividade declina quando deixa de ser cultivada.
31 de janeiro de 2008
Fonte:  http://criatividadeaplicada.com/2008/01/31/criatividade-na-terceira-idade/

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Sabedoria é indicador de envelhecimento bem-sucedido? (Parte 2 de 2)

6/07/2010 - 12:02 Por: Wanda Patrocinio

Categoria(s): Gerontologia

 Por Elisandra Vilella G. Sé
O funcionamento intelectual depende da integração entre dois conjuntos de capacidades: as determinadas pela biologia e pela cultura básica e as determinadas pela experiência sócio-cultural. A experiência é associada com um aumento no estoque de conhecimentos que podem facilitar o desempenho intelectual. Especialistas em um domínio particular podem ser diferenciados de novatos em quantidade de conhecimento, mas, sobretudo, na organização e na flexibilidade em usar esse conhecimento.
Os aspectos qualitativos, em particular, as estratégias, o uso da intuição, ajuda a distinguir melhor os maiores especialistas em domínios em que muitas pessoas são capazes de se especializar ou de adquirir conhecimento através da educação formal. Tais conhecimentos podem caracterizar desde a alta especialização profissional, artística, política ou outra. O conjunto de capacidades determinadas pela experiência sócio-cultural refere-se a um conjunto de conhecimentos relativos a fatos ricos que a pessoa armazena em sua memória de longo prazo, conhecimentos de assuntos da vida, como se fosse uma enciclopédia de múltiplas referências.
Esse conhecimento permite a pessoa entender e interpretar as ações de outra pessoa, ter menos dúvidas e agir mais diretamente em eventos frequentemente experenciados. Possibilitando assim a pessoa utilizar melhor seu repertório de procedimentos mentais para selecionar, ordenar e manipular informações para tomar decisões e planejar ações. Assim espera-se que uma pessoa com acúmulos de conhecimentos determinados tanto pela educação formal ou pela experiência na pragmática fundamental da vida mostre suficiente flexibilidade de valores ao interpretar histórias de vida e decisões de vida dos outros. São capazes de reconhecer que existem inúmeras interpretações e soluções diferentes. Um conhecimento sábio implica num potencial para julgar qual interpretação ou solução é mais apropriada a uma situação particular, perspectiva ou valor.
Com relação à incerteza ou melhor aquilo que é imprevisível, uma vez que sabemos que nunca se pode saber tudo sobre um problema ou sobre a vida e o futuro não é totalmente previsível; estudos sugerem que pessoas sábias destacam-se no questionamento, porque têm mais insights sobre as incertezas e as dúvidas que cercam os assuntos vitais e as áreas de conhecimento sobre as quais não têm informação. Uma medida de sabedoria pode ser a capacidade de admitir não saber. Adultos mais velhos e idosos podem apresentar padrões de comportamento apontados como sábios, graças à sua capacidade de se lembrar e de falar de fatos e procedimentos, de fazer novas associações, de aventar hipóteses explicativas, de fazer análises éticas e morais e de oferecer alternativas de solução de problemas baseadas na experiência acumulada.
É importante ressaltar que a idade avançada e a velhice não é fator que desencadeie a sabedoria. A sabedoria depende de uma vida rica em experiências em associação com motivação, fatores sociais, de personalidade, e de oportunidades sócioculturais. De acordo com várias pesquisas, espera-se que o início da sabedoria ocorre bem tarde na vida. Ela representa algo similar a um objetivo do desenvolvimento, que direciona o funcionamento intelectual e da personalidade para o envelhecimento.
O processo de envelhecimento não significa uma descontinuidade do desempenho intelectual e declínio na capacidade de se adaptar às exigências do ambiente.
As reservas de experiências podem ser ativadas e otimizadas pelos mais velhos, de modo a compensar as mudanças advindas com o avançar da idade, como perdas auditivas ou visuais que podem prejudicar o processamento de informação. O envelhecimento intelectual é heterogêneo, isto é, ocorre de modo diferente para cada pessoa, em contextos históricos e sociais diferentes. A sabedoria na velhice é largamente influenciada pelo autoconhecimento, pelas crenças sobre as próprias capacidades, pelas metas pessoais e pelas emoções.
Fonte: http://www2.uol.com.br/vyaestelar/sabedoria.htm

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Sabedoria é indicador de envelhecimento bem-sucedido? (Parte 1 de 2)

6/07/2010 - 11:58 Por: Wanda Patrocinio

Categoria(s): Gerontologia

 Por Elisandra Vilella G. Sé
Desde a antiga filosofia grega e através dos tempos modernos, a sabedoria tem sido considerada como o pico, o topo do conhecimento sobre a condição humana. A sabedoria (sapientia) é frequentemente considerada como um desempenho de alto nível de conhecimento e é um fenômeno de grande interesse para qualquer área. Sabedoria é conceituada como um sistema de conhecimento especializado, um sistema altamente desenvolvido de conhecimento relativo a procedimentos e relativo a fatos e de julgamento para lidar com o que chamamos de pragmática da vida, isto é, aos assuntos de vida importantes, circunstâncias do dia-a-dia, resolução de problemas, aspectos morais, dinâmicas e conflitos da vida, desafios e eventos estressores ou não, capacidade de entender e lidar com incertezas, fazer inferências e aventar hipótese. Envolve conhecimento, julgamento e aconselhamento sobre o curso de vida, variações, condições, valores, conduta e significado da vida.
A sabedoria tem se destacado como o principal exemplo de uma forma de conhecimento avançado, típico da vida adulta. Isso não significa caracterizar a sabedoria como estágio final da aquisição de conhecimento ao longo do desenvolvimento humano no sentido absoluto da palavra. A ênfase aqui é que a sabedoria é um corpo ou um sistema de conhecimento, e não uma descrição de indivíduos que possam ser chamados de sábios, ou portadores de sabedoria. Pesquisadores têm se esforçado em investigar temas e metas evolutivas que possam servir como organizadores para o progresso evolutivo durante a segunda metade da vida, que é a maturidade. A sabedoria tem sido mencionada como o nível máximo, o pico do conhecimento humano. A árvore da sabedoria, uma famosa peça de arte da Idade Média, era uma expressão concreta dessa visão do mundo ocidental.
Na árvore, as sete artes liberais (astronomia, geometria, música, aritmética, gramática, retórica e dialética) figuravam como galhos de uma árvore em cujo topo aparecia a sabedoria. A reunião das artes liberais numa totalidade de conhecimento constituía a sabedoria. Não é de se espantar, então que a aquisição da sabedoria levava toda uma vida e que era reservada apenas a alguns. No contexto gerontológico, o interesse é compreender a relação entre sabedoria e o envelhecimento humano. A sabedoria é um indicador de um envelhecimento bem-sucedido? Esta pergunta já foi feita na obra “De Senectude” do filósofo romano Cícero escrito por volta do ano 50 a.C.
O autor Torres Pastorino em “Minutos de Sabedoria” afirma que nosso verdadeiro destino é a Sabedoria. Todos nós caminhamos para ela. Durante a segunda metade do século XX, muitos outros teóricos propuseram estágios ou estados de alto nível para as últimas fases da vida. Além disso, tem havido muito discussão sobre as tarefas e o contexto da vida adulta. O envelhecimento humano pode sim preservar a possibilidade de desenvolvimento e mesmo o alcance de picos de desempenhos intelectuais.
Sabemos que alguns aspectos da inteligência cristalizada, isto é, processos intelectuais como a compreensão oral, a capacidade de resolução de problemas do dia-a-dia, raciocínio, formação de conceitos, aprendidos com a influência da cultura, não declinam com os processos de envelhecimento e podem apresentar progressos, desde que existam oportunidades culturais. Por isso é que muito idosos, se não portadores de doenças cerebrais, possuem a capacidade de se engajar em esforços direcionados ao seu próprio desenvolvimento, de adquirir novas capacidades, aprender coisas novas, se beneficiar de treinamento da memória ou de fortalecer antigos potenciais. Carreiras de grandes artistas e especialistas em diversos campos profissionais é uma prova de que as habilidades podem ser mantidas e ampliadas na velhice. Além disso, existem evidências de que os idosos podem ser superiores em algumas tarefas de raciocínio associado a questões de inteligência social e prática e à integração entre o afeto e o conhecimento. Dados de pesquisas mostram que idosos se saíram tão bem ou eventualmente melhor que adultos jovens, em tarefas cognitivas.

Fonte: http://www2.uol.com.br/vyaestelar/sabedoria.htm

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Úlcera de Pressão/ Escaras/ Feridas

28/06/2010 - 8:00 Por: Wanda Patrocinio

Categoria(s): Gerontologia

As escaras são feridas que surgem na pele quando a pessoa que permanece muito tempo numa mesma posição. É causada pela diminuição da circulação do sangue nas áreas do corpo que ficam em contato com a cama ou com a cadeira. Os locais mais comuns onde se formam as escaras são: região final da coluna, calcanhares, quadril, tornozelos, entre outros.
Como prevenir as escaras
- Estimule a pessoa cuidada a mudar de posição pelo menos a cada 2 horas. À noite, o cuidador pode mudar a pessoa de posição quando acordar a pessoa cuidada para dar medicação, ou fazer outro cuidado.
- Ao mudar a pessoa de lugar ou de posição, faça isso com muito cuidado, evitando que a pele roce no lençol ou na cadeira, pois a pele está muito fina e frágil e pode se ferir. Mantenha a roupa da cama e da pessoa bem esticada, pois as rugas e dobras da roupa podem ferir a pele.
- Cuidador, se a pessoa cuidada fica a maior parte do tempo em cadeira de rodas ou poltrona, é preciso ajudá-la a aliviar o peso do corpo sobre as nádegas, da seguinte maneira:
- Se a pessoa tem força nos braços: oriente a pessoa cuidada a sustentar o peso do corpo ora sobre uma nádega, ora sobre a outra.
- Se a pessoa não consegue se apoiar nos braços: o cuidador deve ajudá-la a se movimentar. Procure orientações da equipe de saúde como auxiliar a pessoa cuidada nessa movimentação.
- Alguns apoios podem ajudar a pessoa a se segurar e mudar de posição sozinha, podem ser comprados ou improvisados em casa: barras de apoio para cabeceiras da cama, faixas de pano amarradas na cabeceira, nas laterais ou nos pés da cama ajudam a pessoa a levantar ou mudar de posição na cama.
- O colchão de espuma tipo “caixa de ovo” ou piramidal ajuda a prevenir as escaras, pois protege os locais do corpo onde os ossos são mais salientes e ficam em contato com o colchão ou a cadeira. Quando a pessoa não consegue controlar a saída de urina e/ou fezes, é necessário proteger o colchão com plástico, apenas na região das nádegas, e por cima do plástico colocar um lençol de algodão. A pele não deve ficar em contato com o plástico.
- Proteja os locais do corpo onde os ossos são mais salientes com travesseiros, almofadas, lençois ou toalhas dobradas em forma de rolo, entre outros.
- Leve a pessoa a um local onde possa tomar sol por 15 a 30 minutos, de preferência antes das 10 e depois das 16 horas, com a pele protegida por filtro solar. O sol fortalece a pele, fixa as vitaminas no corpo e ajuda na cicatrização das escaras.
- Ao colocar a comadre, peça ajuda a outra pessoa e cuide para não roçar a pele da pessoa na comadre.
- A pele da pessoa cuidada precisa ser frequentemente avaliada e bem hidratada.
Para manter a hidratação da pele é preciso:
- Oferecer líquidos em pequenas quantidades na forma de água, sucos e chás várias vezes ao dia, mesmo que a pessoa cuidada não demonstre sentir sede. Esse cuidado é importante, principalmente para crianças e idosos, pois esses podem rapidamente ficar desidratados.
- Após o banho, massagear a pele da pessoa cuidada com creme ou óleo apropriado, esse cuidado além de hidratar a pele melhora a circulação do sangue.
- Se a pessoa cuidada utilizar fraldas, é necessário trocá-las cada vez que urinar e evacuar, para evitar que a pele fique úmida.
- Procure alimentar a pessoa fora da cama para evitar que os resíduos de alimentos caídos no lençol machuquem a pele e possam provocar escaras. Caso seja necessário alimentar a pessoa na cama, é preciso catar todos os farelos e resíduos de alimentos que possam ter caído.
Fique Atento: Ao fazer a higiene corporal, evite esfregar a pele com força, pois isso pode romper a pele. Faça movimentos suaves, use pouca quantidade de sabonete e enxágue bem, para que a pele da pessoa não fique ressecada.
Fique Atento: A escara surge de uma hora para outra e pode levar meses para cicatrizar.
Fonte: Guia do Cuidador. Ministério da Saúde. Brasília, DF, 2008

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