Arquivo de Gerontologia

Úlcera de Pressão/ Escaras/ Feridas

28/06/2010 - 8:00 Por:

Categoria(s): Gerontologia

As escaras são feridas que surgem na pele quando a pessoa que permanece muito tempo numa mesma posição. É causada pela diminuição da circulação do sangue nas áreas do corpo que ficam em contato com a cama ou com a cadeira. Os locais mais comuns onde se formam as escaras são: região final da coluna, calcanhares, quadril, tornozelos, entre outros.
Como prevenir as escaras
- Estimule a pessoa cuidada a mudar de posição pelo menos a cada 2 horas. À noite, o cuidador pode mudar a pessoa de posição quando acordar a pessoa cuidada para dar medicação, ou fazer outro cuidado.
- Ao mudar a pessoa de lugar ou de posição, faça isso com muito cuidado, evitando que a pele roce no lençol ou na cadeira, pois a pele está muito fina e frágil e pode se ferir. Mantenha a roupa da cama e da pessoa bem esticada, pois as rugas e dobras da roupa podem ferir a pele.
- Cuidador, se a pessoa cuidada fica a maior parte do tempo em cadeira de rodas ou poltrona, é preciso ajudá-la a aliviar o peso do corpo sobre as nádegas, da seguinte maneira:
- Se a pessoa tem força nos braços: oriente a pessoa cuidada a sustentar o peso do corpo ora sobre uma nádega, ora sobre a outra.
- Se a pessoa não consegue se apoiar nos braços: o cuidador deve ajudá-la a se movimentar. Procure orientações da equipe de saúde como auxiliar a pessoa cuidada nessa movimentação.
- Alguns apoios podem ajudar a pessoa a se segurar e mudar de posição sozinha, podem ser comprados ou improvisados em casa: barras de apoio para cabeceiras da cama, faixas de pano amarradas na cabeceira, nas laterais ou nos pés da cama ajudam a pessoa a levantar ou mudar de posição na cama.
- O colchão de espuma tipo “caixa de ovo” ou piramidal ajuda a prevenir as escaras, pois protege os locais do corpo onde os ossos são mais salientes e ficam em contato com o colchão ou a cadeira. Quando a pessoa não consegue controlar a saída de urina e/ou fezes, é necessário proteger o colchão com plástico, apenas na região das nádegas, e por cima do plástico colocar um lençol de algodão. A pele não deve ficar em contato com o plástico.
- Proteja os locais do corpo onde os ossos são mais salientes com travesseiros, almofadas, lençois ou toalhas dobradas em forma de rolo, entre outros.
- Leve a pessoa a um local onde possa tomar sol por 15 a 30 minutos, de preferência antes das 10 e depois das 16 horas, com a pele protegida por filtro solar. O sol fortalece a pele, fixa as vitaminas no corpo e ajuda na cicatrização das escaras.
- Ao colocar a comadre, peça ajuda a outra pessoa e cuide para não roçar a pele da pessoa na comadre.
- A pele da pessoa cuidada precisa ser frequentemente avaliada e bem hidratada.
Para manter a hidratação da pele é preciso:
- Oferecer líquidos em pequenas quantidades na forma de água, sucos e chás várias vezes ao dia, mesmo que a pessoa cuidada não demonstre sentir sede. Esse cuidado é importante, principalmente para crianças e idosos, pois esses podem rapidamente ficar desidratados.
- Após o banho, massagear a pele da pessoa cuidada com creme ou óleo apropriado, esse cuidado além de hidratar a pele melhora a circulação do sangue.
- Se a pessoa cuidada utilizar fraldas, é necessário trocá-las cada vez que urinar e evacuar, para evitar que a pele fique úmida.
- Procure alimentar a pessoa fora da cama para evitar que os resíduos de alimentos caídos no lençol machuquem a pele e possam provocar escaras. Caso seja necessário alimentar a pessoa na cama, é preciso catar todos os farelos e resíduos de alimentos que possam ter caído.
Fique Atento: Ao fazer a higiene corporal, evite esfregar a pele com força, pois isso pode romper a pele. Faça movimentos suaves, use pouca quantidade de sabonete e enxágue bem, para que a pele da pessoa não fique ressecada.
Fique Atento: A escara surge de uma hora para outra e pode levar meses para cicatrizar.
Fonte: Guia do Cuidador. Ministério da Saúde. Brasília, DF, 2008

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Proteção à pessoa cuidada

27/06/2010 - 8:00 Por:

Categoria(s): Gerontologia

 Pessoas com limitações físicas ou que estejam confusas, desorientadas no tempo ou no lugar não podem ser deixadas sozinhas, pois podem se envolver em acidentes, dentro ou fora de casa.
O cuidador e a família devem organizar o ambiente da casa de forma a prevenir os acidentes:
• Objetos pontiagudos, cortantes, quebráveis, pesados ou aqueles muito pequenos devem ser removidos do ambiente ou guardados em local seguro.
• A pessoa cuidada não deve executar sozinha atividades na cozinha, pois esse é o local da casa onde mais ocorrem acidentes.
• Os produtos de limpeza devem ser mantidos em armários fechados.
• O piso da casa deve ser, preferencialmente, antiderrapante e não deve ser encerado.
• No armário do banheiro devem ser guardados apenas os objetos de higiene de uso diário, como pente, escova de dente, sabonete.
• A cama deve estar encostada na parede e se possível ter uma proteção lateral.
• Mantenha no mesmo lugar os objetos de uso frequente, assim é mais fácil encontrá-los quando precisar.
Fonte: Guia do Cuidador. Ministério da Saúde. Brasília, DF, 2008

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Dificuldade na memória: como enfrentá-la?

21/06/2010 - 8:00 Por:

Categoria(s): Gerontologia

 Esquecimentos ocasionais, dificuldades de concentração, confundir datas e coisas são situações que podem ocorrer com qualquer pessoa, principalmente quando se está sob pressão ou cansada, ou quando faz-se muitas coisas ao mesmo tempo. Essas situações passam a ser mais frequentes à medida que a pessoa envelhece, causando estresse tanto na pessoa cuidada quanto na família e no cuidador.
Perdas severas de memória podem estar relacionadas com traumatismos, doenças no cérebro, depressão ou outros transtornos de humor.
Algumas dicas para ajudar na memória:
• Incentive a pessoa cuidada a registrar em papel e fazer listas das coisas que pode esquecer, isso ajuda a organizar as atividades do dia-a-dia e a não esquecer coisas importantes.
• Estimule a pessoa a desenvolver atividades que exercitam a memória, tais como: leitura, canto e palavras cruzadas.
Fonte: Guia do Cuidador. Ministério da Saúde. Brasília, DF, 2008

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Como detectar o envelhecimento

8/06/2010 - 11:54 Por:

Categoria(s): Gerontologia

 Fique atento às mudanças do corpo
Como detectar
Às vezes elas se instalam de forma silenciosa. É fundamental estar atento, pois podem ser tratadas e curadas quando detectadas precocemente. De acordo com os Indicadores de Fragilização na Velhice para o Estabelecimento de Medidas Preventivas, da profa. Yeda Aparecida de Oliveira Duarte (2006) devem ser observados cinco pontos:
1: Caminhar mais lento, passos menores, diminuição do equilíbrio
2: Perda do apetite e ou de peso (cerca de 5% em um ano)
3: Fadiga constante, ficar parado a maior parte do tempo
4: Diminuição da força muscular
5: Perda de interesse pelas atividades diárias, humor variável
Vitalidade emocional e mental
A saúde emocional e mental está intimamente relacionada à saúde física, já que a mente tem grande poder sobre o corpo. O estado físico também afeta o modo como nos sentimos e agimos. Por isso, o convívio social pode fazer grande diferença na forma como você se sente. Com o passar dos anos, é natural que você deixe de fazer algumas atividades. O importante é não ficar sem fazer nada e sim substituir as atividades. Se você corria e não tem mais pique para isso, busque outras formas de se exercitar: caminhe, ande de bicicleta, nade.
Atividade física
Proteja e melhore sua saúde emocional e cognitiva através de exercícios físicos regulares. Enquanto a prática de exercícios produz mudanças químicas no corpo que melhoram o humor e o estado geral das pessoas, o sedentarismo pode trazer ou ampliar problemas como depressão, ansiedade e estresse.
Atividade social
Mantenha com tanto com amigos e familiares. Procure sair de casa e fazer programas prazerosos com quem você gosta. Pessoas que têm uma boa rede de amigos e um convívio social ativo têm mais chances de terem sucesso quando passam por um problema de saúde do que aquelas que vivem isoladas.
Atividade mental
Proteja ou melhore sua memória e inteligência
- Desafie sua inteligência diariamente.
Leia, aprenda a tocar um instrumento ou a falar uma nova língua, faça palavras cruzadas, monte quebra-cabeças, jogue jogos de estratégia com seus amigos. Assim como o corpo, o cérebro precisa se manter ativo.
- Ajude sua memória. Escreva datas, nomes e outras informações importantes que você geralmente esquece.
- Coloque seus itens de uso diário, como óculos e chaves, sempre no mesmo local. Quando aprender um novo nome, repita-o para fixá-lo em sua memória.
- Previna o aparecimento da depressão. Faça exercícios físicos e mantenha o convívio social
- Não fume. Evite bebidas alcoolicas. Mantenha uma dieta saudável
Fonte: Minha Vida
Enviado por Simplesmente Tetê em 12/05/2010

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Musculosa, americana de 73 anos é a vovó mais forte do mundo

7/06/2010 - 19:04 Por:

Categoria(s): Curiosidades, Gerontologia

 Do G1, em São Paulo
(Foto: Reprodução/ABC News)
Aos 73 anos, a americana Ernestine Shepherd exibe músculos desenvolvidos e aparece no Guinness, livro dos recordes, como a fisiculturista mais velha do mundo. Ela faz musculação (ergue até 70 quilos) diariamente e chega a correr 130 quilômetros por semana, segundo a emissora de TV “ABC News”. “Me sinto melhor do que quando tinha 40 anos”, disse.
Ernestine até se ofereceu para treinar a primeira-dama dos EUA, Michele Obama. “Eu tenho tentado chegar até ela, mas é muito difícil”, afirmou a mulher, que mantém uma dieta com 1.700 calorias por dia, que inclui claras de ovos cozidos, frango e legumes.
04/05/2010
http://g1.globo.com/planeta-bizarro/noticia/2010/05/musculosa-americana-de-73-anos-e-vovo-mais-forte-do-mundo.html

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Acróstico Gerontologia

7/06/2010 - 16:21 Por:

Categoria(s): Gerontologia

Gerar força e

Esperança,

Risos e lágrimas

Onde a idade

Não tem

Tempo definido

Onde só existe a

Luta de buscar

O conhecimento e o

Gosto pela vida

Inspirando

Amor

Por Elisandra Villela Gasparetto Sé – 25/04/2010

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Uma política para o bem-envelhecer (Parte 6/6)

3/06/2010 - 16:57 Por:

Categoria(s): Gerontologia

Continuação da entrevista com Alexandre Kalache
A definição de idoso é de 60 ou mais. Ela não está superada quando vemos pessoas na faixa dos 60 anos ainda muito dispostas física e mentalmente?  — Essa é uma definição antiga da Organização das Nações Unidas. Os países mais pobres não querem que seja atualizada. Alguém que tenha sido um trabalhador braçal, carregado peso acima da sua capacidade, mal alimentado, com uma infância subnutrida e infecções repetidas, além de trabalhar 12 horas por dia, não vai chegar aos 60 anos, muito menos aos 75, tão bem disposto quanto um nova-iorquino.  
Isso comprovaria que o peso do ambiente é maior do que o da genética?
— Só de 20% a 25% da velhice bem-sucedida se deve a fatores hereditários ou genéticos. O que determina realmente o sucesso na velhice são o ambiente e o estilo de vida. Não só o estilo de vida como praticar esporte ou ter boa dieta. Há três outros fatores de personalidade que são muito importantes. São eles: otimismo, autoeficácia e autoestima. Ser otimista por natureza é importante. Ter autoeficácia também, ou seja, essas são aquelas pessoas que conseguem comandar bem os próprios recursos – pode-se ter poucos, mas deve-se usar com eficácia aquilo que se tem, inclusive a saúde. E uma boa autoestima, se querer bem. De alguma forma esses três fatores refletem no futuro e talvez sejam a chave para entender os determinantes sociais de saúde. Se alguém foi sempre maltratado pela sociedade, essa pessoa não terá autoeficácia e muito menos autoestima. Ser otimista nessa situação é duro. E isso acaba por influir não só no número de anos que se vai viver, mas também na forma e na qualidade de vida que se terá.  
O que existe hoje de procedimentos antienvelhecimento na área médica? 
— Durante os 13 anos em que dirigi o programa da OMS cada vez que chegava e-mail com o assunto anti-ageing ou antienvelhecimento, eu nem abria. Se viesse por carta, para o lixo.
Por quê?
— Não há nada provado, nada que tenha sido demonstrado, com base empírica e em dados e evidências, que evite o envelhecimento. Nada que tenha convencido a mim ou pesquisadores sérios, que respeito. Na verdade, é uma contradição de termos… Antienvelhecimento? Só existe uma alternativa a ele e eu com certeza prefiro envelhecer se a única escolha for morrer cedo. Coisas como esses tratamentos ortomoleculares, por exemplo. Dá muito lucro para quem vende essa ilusão e muita esperança para aqueles que acreditam. É muito mais fácil acreditar numa pílula mágica que se toma pela manhã do que caminhar uma hora todos os dias. 
Como vê o recente estudo internacional que mostrou que se as pessoas chegam aos 70 anos em boa forma física em média são tão felizes e saudáveis em termos mentais quanto alguém de 20 anos? 
— Não é de estranhar, porque o idoso que chega bem aos 70 anos normalmente tem boa alimentação e aproveita seus recursos da forma mais eficaz, ganha a tal da autoeficácia. Mas há muitos outros que não a têm.  
Por que tanto empenho em trabalhar com idosos? Isso não é uma tarefa para jovens?
— Eu tive velhos fantásticos na minha família. A parte do meu pai é sírio-libanesa, com aqueles valores intensos. A parte de mãe é italiano-portuguesa, bem mediterrânea. Quando era criança, não tinha televisão. Os idosos da família eram velhos apaixonados, que guardavam e contavam histórias, que vinham do Líbano, da Grécia, da Itália, em primeira mão, do povo. E eu ficava fascinado, gostava de estar entre eles. E fui muito mimado por eles. Só tive carinho, não recebi nada de mau. 
Sempre pensou em ser pesquisador?
— Sempre quis fazer saúde pública, sem estar necessariamente em hospital ou consultório. Foi muito interessante quando cheguei em Londres e vi aquela sociedade cheia de velhos, coisa que ainda não existia aqui, nem em Copacabana quanto mais no Brasil. Pensei, “Que incrível, deve ser ótimo envelhecer aqui, tem tantos serviços disponíveis”. Dois meses me peguei pensando, “Deve ser péssimo envelhecer aqui, não tem vida familiar como eu tive com aqueles velhos todos integrados, aqui tanta gente está isolada, deprimida…”
Por Neldson Marcolin/ Edição Impressa 145 – Março 2008
Fonte: FAPESP Pesquisa On Line, 14/03/2008. Disponível em: 
http://www.revistapesquisa.fapesp.br/?art=3469&bd=1&pg=1&lg=

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Uma política para o bem-envelhecer (Parte 5/6)

3/06/2010 - 15:57 Por:

Categoria(s): Gerontologia

Continuação da entrevista com Alexandre Kalache
A estimativa de um aumento da população idosa no mundo, de 11% em 2006 para 22% em 2050, era esperada?
— Depende para quem você pergunta. Os demógrafos, em geral, se surpreenderam. As pessoas estão vivendo mais. Quando eu nasci, em 1945, em Copacabana existia uma maternidade porque tinha muita criança e uma esperança de vida de 43 anos. No meu tempo de vida, ganhamos 30 anos de esperança de vida. Alguns países da América Latina, que podemos comparar com o Brasil, ganharam muito mais. Chile, Costa Rica, Cuba, além dos uruguaios e dos argentinos, estão com uma esperança de vida ainda maior. A do Chile e da Costa Rica era pior do que o Brasil nos anos 1940. E hoje estão com níveis europeus, por volta de 78 anos de esperança de vida, acima da nossa, que é de 73,2 anos. Estamos vivendo mais, mas isso tem um preço. Temos de nos preparar. Se não, condenamos essas pessoas. Viver mais passa a ser um prêmio vazio. Sobreviver em péssimo estado de saúde, sem qualidade de vida, não dá. A discussão, quando eu era estudante de medicina, era sobre o boom demográfico. A taxa de fecundidade total da brasileira em 1975 era de 5,8 filhos. Quase seis filhos na média. Hoje está em dois.
Inclusive nos estados mais pobres?
— A queda da fecundidade ocorreu em paralelo. Quando a da classe média caiu, em paralelo caíram as faixas mais pobres, nas zonas rurais, nas zonas urbanas e semi-urbanas, no Nordeste, no Amazonas, no Rio Grande do Sul, tudo em paralelo. Estamos falando de 1975. É muito pouco tempo para essa queda. Claro, houve o impacto dos métodos contraceptivos, que não existiam antes. Mas o que contribuiu para essa tremenda baixa na fecundidade é o fato de o Brasil ser um país muito aberto a mudanças de comportamento. Percebi em 1975 que o envelhecimento da população ocorreria mais rápido no Brasil do que vinha acontecendo no resto do mundo. Todos me perguntavam no exterior como é que tinha essa certeza e eu dizia que o país estava se modernizando. A mesma novela que era assistida em Copacabana era vista na periferia do Rio ou na zona rural do Maranhão. No final dos anos 1970 passou o seriado Malu Mulher, sobre uma mulher divorciada e emancipada, de grande sucesso, que virou mãe solteira e superava as dificuldades. Aquela heroína da classe média da Zona Sul do Rio teve seus valores disseminados. Era natural pensar, “Se a Malu tem um filho só, por que é que eu vou ter 3? Ou 6, como a minha mãe, ou 18 como a minha avó?”. Esses elementos que mudam comportamentos são importantes, mas não eram enxergados naquela época. A França levou 115 anos para dobrar a proporção de idosos de 7% para 14%. O Brasil vai dobrar de 9% para 18% em 17 anos, de 2005 ao início da década de 2020. Agora, a grande diferença é que os franceses levaram mais de 1 século para ir se adaptando ao envelhecimento, como outros países ricos. Para a França envelhecer foi necessário que a francesa do final do século XIX alcançasse um nível de educação mais alto, para poder fazer uso dos métodos rudimentares de controle da natalidade. Era difícil. Mas, pouco a pouco, de geração em geração, elas conseguiram controlar o número de crianças e aumentar a esperança de vida e, em 115 anos, dobrou a proporção de idosos. No Brasil isso tudo foi comprimido em uma geração. 
Como vencer esse desafio?
— Para nós, profissionais e pesquisadores da saúde, para os responsáveis pelo desenvolvimento urbano, planejamento, seguro social, comunicação, informática, é se adaptar ao mundo que envelhece muito rápido. Em 2050 teremos mais de 85% dos 2 bilhões de idosos em países como o Brasil.  
Mais de 80%?
— Por volta de 85%. É 1,7 bilhão de pessoas. E estarão em países em desenvolvimento. A grande diferença da França é que primeiro eles enriqueceram e depois envelheceram.   
O Brasil tem quantos idosos hoje?
— Em torno de 18 milhões. E vamos para 33 milhões em 2022. Não dá para esperar até chegar a 20% da população de idosos. Teremos de adaptar e desenvolver as políticas já. Inclusive discutir seriamente e sem medo a questão da Previdência Social e a idade da aposentadoria, que precisa ser revista.
Por Neldson Marcolin/ Edição Impressa 145 – Março 2008
Fonte: FAPESP Pesquisa On Line, 14/03/2008. Disponível em: 
http://www.revistapesquisa.fapesp.br/?art=3469&bd=1&pg=1&lg=

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Uma política para o bem-envelhecer (Parte 4/6)

3/06/2010 - 15:16 Por:

Categoria(s): Gerontologia

Continuação da entrevista com Alexandre Kalache
A aplicação do programa leva as diferenças sociais em conta? 
— Deste prédio onde estamos, em Copacabana, é possível ver a favela de Pavão-Pavãozinho muito perto da gente. Todos os contrastes e as contradições do Brasil estão presentes aqui no bairro. Em 150 metros em linha reta é possível ir ao coração da favela, onde há uma das grandes bocas de tráfico do Rio. O Rio está cercado de favelas e o estudo foi feito também com o morador favelado. Vale para todos.
É fato que o idoso rico vive mais do que o idoso pobre mesmo quando este tem toda a assistência médica?
— Esse é um bom tema para discussão hoje. Michael Marmot, da Universidade de Londres, é provavelmente o maior especialista em saúde pública atualmente. Ele deu uma grande contribuição ao tema ao medir cientificamente essa situação. Marmot demonstrou que se pegarmos um ônibus, daqueles vermelhos de Londres, e rodarmos de Kilburn, que é um bairro pobre, para Hamstead, que é um bairro de rico, a cada 200 metros se ganha 1 ano de vida.  
Quanto mais perto do bairro rico, maior a expectativa de vida? 
— É isso aí. Há uma diferença de 10 anos na esperança de vida. Isso mesmo depois de ajustarmos os dados para excesso de peso, dieta inadequada, consumo de fumo e álcool, tudo o que há de ruim para a saúde, que são os fatores importantes para as doenças crônicas, majoritariamente as dos adultos. Ainda assim continuamos com uma diferença de esperança de vida maior para os ricos. Por que isso ocorre não se compreende muito bem ainda. Mas a suspeita é que tenha a ver com a autoestima. É aí que entra a cidade amiga do idoso valorizando a cidadania e o auto-respeito. Não é apenas aos 65 anos que uma pessoa se dá conta das desigualdades que se dão ao longo da vida. É duro chegar à velhice. É quando percebemos que nosso tempo passou e a esperança de antes se transforma em desespero. É importante atuar nas sociedades que estão envelhecendo, de modo a poder oferecer alguma segurança de que estaremos amparados quando mais precisarmos de amparo – e não só para conhecer os fatores que indicam quem é que vai morrer mais cedo ou mais tarde. À medida que envelhecemos, nosso interesse é não somente somar mais anos de vida, mas sim mais vida aos anos. É como assegurarmos um mínimo de qualidade de vida a nossos últimos anos. Este é o grande desafio.
É a isso que se refere o termo envelhecimento ativo? 
— A definição precisa de envelhecimento ativo é o processo de melhorar as oportunidades de saúde, participação, segurança, de forma a aumentar a qualidade de vida à medida que se envelhece. É um processo de otimização. As oportunidades estão sempre lá. Na sua idade, na minha, na de um jovem de 16 anos ou na de uma criança de 5 anos. Quanto mais cedo e com mais eficácia se aproveitar essas oportunidades, maiores serão os efeitos para a saúde. O segundo pilar do envelhecimento ativo é a participação. A saúde é a chave que lhe permite participar da vida da sociedade. Quer dizer, não é só a saúde pelo fato de estar saudável, mas para aproveitar, estar com energia, participar da vida da sua sociedade, pegar um ônibus quando for preciso, ter acesso a uma biblioteca, a um show ou ir à praia quando se tem vontade; estar inserido, e não ser excluído como ocorre tantas vezes com o incapacitado.
Por Neldson Marcolin/ Edição Impressa 145 – Março 2008
Fonte: FAPESP Pesquisa On Line, 14/03/2008. Disponível em: 
http://www.revistapesquisa.fapesp.br/?art=3469&bd=1&pg=1&lg=

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Uma política para o bem-envelhecer (Parte 3/6)

26/05/2010 - 16:43 Por:

Categoria(s): Gerontologia

Continuação da entrevista com Alexandre Kalache
Os relatórios do estudo se constituíam em quê? 
— Fizemos 1º uma pesquisa básica para ver quais são, de acordo com a literatura especializada, os elementos principais que fazem com que um ambiente possa ser mais amigo do idoso. Coisas como moradia, transporte, participação cívica, acesso a informação, acesso a serviços médicos, acesso a serviços sociais, engajamento na vida pública, questão de comunicação e de adaptação na vida da informática para uma população envelhecida. Pegamos estes 8 temas e realizamos estudos qualitativos, de grupos focais e com idosos mais jovens, com idosos mais idosos, dos diversos níveis socioeconômicos, em grupos só de mulheres, só de homens, mistos, e depois com prestadores de serviços e com cuidadores do idoso. Depois fizemos outro estudo, usando a mesma metodologia, em torno dos 8 temas, que foram aplicados nas 35 cidades. Quando os relatórios retornaram, juntamos todos para encontrar os denominadores comuns do que se pode fazer para um meio urbano se tornar mais amigo do idoso.
Foi esse estudo que resultou no guia?
— Sim. O guia foi lançado em outubro do ano passado. Agora está se transformando num movimento internacional ainda maior. 
Mas isso, por enquanto, é uma tendência. O senhor já tem resultados visíveis desse movimento?
— Em Nova York já. Estive lá na primeira semana de fevereiro e o prefeito Michael Bloomberg fez o State of the City – a prestação de contas anual – centrado no projeto Age Family in New York. Ele estabeleceu 8 comitês, cada um deles voltado para um dos temas do Guia da Cidade Amiga do Idoso. Há o comitê house, sobre a questão de moradia, o de parques abertos, sobre a questão de acessibilidade aos parques, de como fazer com que sejam mais adequados para o idoso. No Central Park há pistas de patinação, de skate, pessoas correndo. Isso não é voltado para o idoso. O que foi mostrado no estudo das 35 cidades é que se deveriam criar vias específicas para quem deseja correr, andar de skate ou bicicleta. Assim o idoso também teria uma via segura para caminhar, sem medo de ser abalroado por quem está praticando esportes. Eles pedem banco a cada 200 metros para poder descansar. Em Nova York, no Central Park, não há ainda um número suficiente deles. Mas há mais do que, digamos, no Parque do Ibirapuera (SP), ou no Aterro do Flamengo (RJ). Portanto, tudo é relativo e há que respeitar a percepção do idoso que vive naquela localidade específica. Por exemplo, a pesquisa mostrou que os idosos de Genebra acham que a cidade não está suficientemente limpa. Vá explicar isso para um visitante da periferia de uma de nossas cidades. No entanto, o que vale é como se sente o idoso local. O guia tem uma lista com itens que devem ser checados por quem é o responsável por políticas de segurança, de vias públicas, de espaços abertos, de transporte, de moradia etc. É um instrumento para o desenvolvimento de políticas para aquele setor específico e deve ser contextualizada para a realidade local. Por isso farei a peregrinação pelo Rio Grande do Sul.  
O senhor já sente alguma dessas melhorias em Copacabana? 
— Há duas coisas imediatas que foram feitas com base no estudo. A primeira foi a criação de um posto policial, 24 horas por dia, 7 dias por semana, dedicado ao idoso. É para resolver problemas de segurança, como as pequenas infrações em geral. A segunda iniciativa, também baseada no Copacabana Amiga do Idoso, será a inauguração em março de um posto de saúde, também aberto 24 horas por dia, 7 dias por semana, perto do metrô, numa área central. 
Essas reivindicações foram dos próprios idosos?
— Também. Em Copacabana hoje se um idoso tem um problema de saúde urgente as pessoas não sabem o que fazer. Geralmente acaba sendo levado para algum pronto-socorro e, às vezes, quando chega lá leva uma bronca, porque PS é lugar para emergências. Queremos fazer agora um Centro de Saúde Amigo do Idoso, com base num outro estudo da OMS, que desenvolvi nos últimos 5 ou 6 anos. Normalmente nos centros de saúde não há um lugar adequado para o idoso esperar, às vezes nem onde sentar, mal tem banheiro. Não raro ele chega cedo, recebe uma senha e, depois de algumas horas, a recepcionista grita, sem o menor respeito, avisando que o atendimento já acabou. Isso depois de 5, 6 horas de espera. Os letreiros são pouco visíveis, tudo é ruim. É como alguns aeroportos que não estamos familiarizados e não sabemos para onde ir. De repente, uma voz anuncia alguma coisa que você não ouve bem. A gente acaba se irritando. Mas o idoso, não. Ele se sente diminuído, humilhado, culpado de não estar conseguindo entender esse sistema. Nosso objetivo é tornar esse sistema mais amigo do idoso por um lado. Por outro, é preciso treinar o trabalhador de atenção primária, desde o médico de família até o enfermeiro e nutricionista, de um modo que eles ajam de modo mais adequado. Este é um grave problema da transição demográfica. Os trabalhadores da saúde continuam sabendo tudo sobre atenção infantil e muito pouco sobre usuários mais velhos.  
Por Neldson Marcolin/ Edição Impressa 145 – Março 2008
Fonte: FAPESP Pesquisa On Line, 14/03/2008. Disponível em: 
http://www.revistapesquisa.fapesp.br/?art=3469&bd=1&pg=1&lg=

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