Arquivo de Gerontologia

História oral

26/08/2011 - 19:13 Por:

Categoria(s): Gerontologia

 Uma das formas de resgatar a memória de fatos históricos a partir de relatos individuais é por meio do método biográfico denominado História Oral ou, como antigamente era chamado História de Vida, técnica que capta o que sucede na encruzilhada da vida individual com o social (Queiroz, 1988, p. 36).
A História Oral é uma ciência e arte do indivíduo (…), pois somos todos narradores costurando os fatos através dos tempos… (Portelli, 1997, p. 15), na medida em que se estabelece uma relação com o significado para as pessoas e os fatos históricos. Com isso, amplia-se e renova-se o saber sobre diferentes temas, assim como a partir de centros comunitários e associações é possível reconstruir a história local, bem como a consciência do grupo (Freitas, 2002).
Esse método biográfico busca captar imagens do passado o mais próximo da realidade, de forma dinâmica e envolvente, entre a parceria do entrevistador e entrevistado. Geralmente, o fato histórico que se espera resgatar requer vários testemunhos orais, por meio de uma rede de informantes que se estabelece com o propósito da pesquisa (Giglio e Von Simson, 2001).
No método de História Oral, todos os dados em relação ao evento são de fundamental importância, para que o pesquisador construa um quadro o mais enriquecedor possível na compreensão do fato histórico que se queira analisar. Assim, compromete-se a dar a voz aos diversos narradores das comunidades que vivenciaram acontecimentos de um determinado período histórico, possibilitando o registro das reminiscências das memórias individuais, a reinterpretação do passado, enfim, uma história alternativa à história oficial (Freitas, 2002, p. 82).
O uso da História Oral em Gerontologia possibilita um processo de resgate das memórias de pessoas idosas, tendo implicações sociais e também terapêuticas, uma vez que as entrevistas possibilitam aos idosos uma autoavaliação, um questionamento e um repensar da própria vida (Freitas, 2002). O resgate de memórias pode também proporcionar reflexões acerca de novas metas ou enfrentamentos, na medida em que estabelece uma ponte entre o que foi rememorado e o que está por vir, podendo muitas vezes, servir como revisão de vida e contribuir com impulsos para o agir. … Lembrar não é reviver, mas refazer, reconstruir, repensar, com imagens de hoje, as experiências do passado (Halbwacks 1990, p. 55).
Reprodução parcial de texto escrito por Denise Castanho Antunes.
Retirado de Neri, Anita L. Palavras-chave em gerontologia. Campinas, SP: Editora Alínea, 2005. pág. 105-108.

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Gerontotecnologia

20/08/2011 - 19:25 Por:

Categoria(s): Gerontologia

 O objetivo da Gerontotecnologia, como uma área intersdisciplinar de pesquisa e de intervenção psicossocial e clínica, é o desenvolvimento e a distribuição de produtos, ambientes e serviços, com tecnologia apropriada, para melhorar o cotidiano dos idosos, proporcionando um envelhecimento com qualidade de vida.
O campo da Gerontotecnologia é inerentemente multidisciplinar e advoga que a sustentabilidade de uma sociedade que envelhece depende da eficiência em se criar ambientes tecnológicos para uma vida independente e inovadora, para uma adequada participação social, com saúde, conforto e segurança. Abrange dimensões relacionadas à saúde, moradia, mobilidade, comunicação, lazer e trabalho. Trata-se de uma área extremamente dinâmica, tendo em vista a rapidez com que a tecnologia está sendo desenvolvida no mundo globalizado. O crescimento do uso de tecnologia é especialmente evidente nas áreas de desenvolvimento de materiais, de comunicação e de ambientes controlados e amigáveis.
As aplicações da Gerontotecnologia estão baseadas em cinco grandes objetivos e categorias:
1) Prevenir ou retardar o declínio funcional relacionado à idade.
2) Compensar as limitações funcionais existentes relacionadas à idade e à presença de incapacidade decorrente de doenças crônico-degenerativas.
3) Aumentar o engajamento e a satisfação na participação de atividades laborativas, de lazer e familiares, como forma de dar suporte na velhice para novas oportunidades educacionais, de expressão artística, de trabalho, proporcionando espaços adaptados e de interação social.
4) Dar suporte ao cuidador e aos idosos dependentes, provendo recursos tecnológicos (produtos e serviços) e ambientes apropriados.
5) Desenvolver pesquisa básica e aplicada sobre o envelhecimento e o uso de tecnologia.
Reprodução parcial de texto escrito por Monica Rodrigues Perracini.
Retirado de Neri, Anita L. Palavras-chave em gerontologia. Campinas, SP: Editora Alínea, 2005. pág. 103-104.

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Arteterapia com idosos – ensaios e relatos

18/08/2011 - 18:59 Por:

Categoria(s): Arte, Gerontologia

Sugestão de leitura 171
“Arteterapia com idosos – ensaios e relatos”, de Vanessa Coutinho. Wak Editora.
coletânea de histórias, casos e encontros entre pessoas, cujos temas centrais são: envelhecimento, arte e terapia. Essas três palavras-chave se relacionam de diversas formas para construir os capítulos que o compõem.
Com o avanço da tecnologia na área médica, a perspectiva de vida mais longa é uma realidade. E a demanda por profissionais especializados, preparados para lidar com esses sujeitos, torna-se maior.
“Arteterapia com idosos…” pretende ser mais uma ferramenta útil para aqueles que desejem se aprimorar no cuidado de sujeitos na terceira idade.

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Gerontologia, gerontologia social e geriatria

11/08/2011 - 18:59 Por:

Categoria(s): Gerontologia

 O termo Gerontologia foi usado pela primeira vez em 1903 por Metchnicoff que a compôs a partir do grego, língua em que gero significa velho e logia significa estudo.
Gerontologia é o campo multi e interdisciplinar que visa à descrição e à explicação das mudanças típicas do processo do envelhecimento e de seus determinantes genético-biológicos, psicológicos e socioculturais. Interessa-se também pelo estudo das características dos idosos, bem como pelas várias experiências de velhice e envelhecimento ocorridas em diferentes contextos socioculturais e históricos.
Gerontologia social: esse termo foi usado pela primeira vez por Clark Tibbits em 1954 para descrever a área da Gerontologia que se ocupa do impacto das condições sociais e socioculturais sobre o processo de envelhecimento e das consequências sociais desse processo. São temas importantes nesse campo: atitudes em relação à velhice, práticas e políticas sociais, formas de gestão da velhice pelas instituições sociais e pelas organizações governamentais e não-governamentais, índices de bem-estar das populações idosas, redes de suporte social, relações intergeracionais.
Geriatria: em 1909, o médico Nascher introduziu na literatura o neologismo Geriatria, para denotar o estudo clínico da velhice, por analogia com Pediatria, que é o estudo clínico da infância. Fundou a Sociedade de Geriatria de Nova Iorque em 1912 e publicou o livro Geriatrics em 1914. Em 1917, o The Medical Review of Reviwes criou uma sessão de Geriatria e convidou Nasser para editor. Hoje, o campo da Geriatria compreende a prevenção e o manejo das doenças do envelhecimento. É uma especialidade em Medicina e também em Odontologia, Enfermagem e Fisioterapia, que se desenvolvem à medida que aumenta a população de adultos mais velhos e idosos portadores de doenças crônicas e de doenças típicas da velhice, em virtude do aumento da longevidade desses segmentos populacionais.
Os principais desafios da Gerontologia na atualidade são:
- pulverizar a pesquisa e as teorias;
- construir e testar os modelos explicativos;
- conciliar os conceitos de desenvolvimento e envelhecimento;
- conciliar os vários conceitos de idade e tempo;
- vencer os preconceitos dos próprios pesquisadores;
- descrever diferenças intra e interindividuais do envelhecimento;
- integrar a velhice no curso de vida.
Reprodução parcial de texto sob o mesmo título retirado de Neri, Anita L. Palavras-chave em gerontologia. Campinas, SP: Editora Alínea, 2005. pág. 95-102.

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Itatiba tem 56 idosos para cada 100 crianças

10/08/2011 - 10:34 Por:

Categoria(s): Gerontologia

Um levantamento divulgado pela Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados) mostra que a população de Itatiba é a sétima que mais envelhece entre as 19 cidades da REgião Metropolitana de Campinas (RMC). O índice de envelhecimento – que mede a proporção de pessoas com mais de 60 anos para quem tem até 14 anos – chegou a 56,62% neste ano. Isso significa que, para cada grupo de 100 crianças, existem 56 idosos.

Para ler a matéria completa, clique no link: Itatiba tem 56 idosos para cada 100 criancas

Matéria publicada no Jornal de Itatiba, com entrevista da dra. Wanda Pereira Patrocinio ao JI-Diário.

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Gerontologia educacional e educação gerontológica

6/08/2011 - 15:27 Por:

Categoria(s): Educação, Gerontologia

 Gerontologia educacional é um campo interdisciplinar que se desenvolve no âmbito da evolução da educação de idosos, da formação de recursos humanos para lidar com a velhice, e na mudança das perspectivas das sociedades em relação aos idosos e ao envelhecimento.
O termo gerontologia educacional foi utilizado pela primeira vez em 1970, na Universidade de Michigan, por David Peterson, no contexto de um programa de doutorado, cuja finalidade era abordar questões acerca da educação e dos idosos. Ele faz tríplice classificação dos conteúdos próprios da gerontologia educacional:
- educação para os idosos: programas educacionais voltados a atender às necessidades da população idosa, considerando as características desse grupo etário;
- educação para a população em geral sobre a velhice e os idosos: programas educacionais que possibilitam à população mais jovem rever seus conceitos sobre a velhice e aos idosos rever o seu próprio processo de envelhecimento;
- formação de recursos humanos para o trabalho com os idosos: ocorre por meio da capacitação técnica de profissionais e da formação de pesquisadores.
Baseado em definições educacionais usadas na Inglaterra, Glendenning (1989) propôs que as categorias da gerontologia educacional deveriam ser reagrupadas em duas. Uma seria a gerontologia educacional, abrangendo os processos de aprendizagem dos adultos maduros e idosos. A outra seria a educação gerontológica, focalizando o ensino sobre uma sociedade que envelhece, por meio da formação de recursos humanos em gerontologia.
Em 1997, André Lemieux propôs o termo gerontagogia como mais pertinente para designar a educação voltada ao idoso. Segundo o pesquisador canadense, gerontagogia é a ciência educacional interdisciplinar cujo objeto de estudo é o idoso em situação pedagógica. A gerontologia educacional é uma especialidade da gerontologia, ao passo que a gerontagogia é situada como disciplina das ciências da educação.
No Brasil, existem várias possibilidades de realização de programas relacionados à gerontologia educacional, abrangendo educação não formal, reciclagem profissional, mudança de atitudes e apoio psicossocial, dentre outras.
A educação gerontológica é representada pelos programas de pós-graduação lato e stricto sensu. O papel dos cursos de pós-graduação para a consolidação da gerontologia como ciência e como profissão vem sendo lento, seletivo e gradual.
Reprodução parcial de texto escrito por Meire Cachioni.
Retirado de Neri, Anita L. Palavras-chave em gerontologia. Campinas, SP: Editora Alínea, 2005. pág. 92-94.

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Paciência é o melhor remédio

27/07/2011 - 17:45 Por:

Categoria(s): Doenças e problemas de saúde, Gerontologia

http://youtu.be/Lwb_V2GODkw

Por Quem cuida de mim?
Meu nome é Lisa, vídeo premiado que mostra uma menina cuidando da mãe com Alzheimer, chega e irritar quem desconhece a doença. Mas a impaciência da filha diante das confusões maternas é reação humana. Difícil conter a raiva diante das repetições ou de fraldas sujas guardadas em gavetas, bem sabemos nós, cuidadores de familiares com Doença de Alzheimer.
Esconder dinheiro e denunciar roubo; recusar comida e alegar fome; explosões de raiva ou crises de medo fazem parte da rotina. Difícil nessas horas manter a compaixão e a calma. Não é tarefa para menininhas. Mas assim nos sentimos – desamparadas – ao ver o terror da mãe diante de uma simples sombra na janela.
Não consigo esquecer o olhar apavorado da minha, quando a instruía a pegar uma calcinha na mala . “Eu não sei o que é isso. Não estou entendendo. Tô com medo. Você fica me confundindo; quero ir embora”, repetia ela, com um ar desolado cercada de peças íntimas. Compreendi que era nossa última viagem para visitar as irmãs na Bahia e no Rio.
Cuidar de uma pessoa querida com D.A exige uma imensa rede de apoio que envolve toda a família, amigos, vizinhos, prestadores de serviço e quem mais participe da vida do doente. Precisamos aprender a repetir quase como um mantra: “não é minha mãe agindo assim; é a apenas a doença”. E como Lisa, com muita paciência, pegar um livro, tentar contar uma história engraçada, mostrar o beija-flor pela milésima vez e repetir o quanto o dia está lindo.
23/07/2011
http://www.observadorpolitico.org.br/2011/07/paciencia-e-o-melhor-remedio/

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Recomeçar
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A saúde além dos planos

27/07/2011 - 11:56 Por:

Categoria(s): Gerontologia, Reflexão

 Por Quem cuida de mim?
Bastava ter um amigo médico e a gente se sentia protegido. Agora, nem com os planos de saúde mais caros, os idosos conseguem marcar uma consulta médica. Eles são necessários apenas para exames e internação hospitalar. Geriatras são poucos no Brasil. Especialmente na rede pública. Se o médico é bom, tem agenda cheia, integra equipes de grandes hospitais, lidera pesquisas e dá aulas. Pode dispensar a burocracia dos convênios. Cuidando de meu pai, do meu padrasto e de minha mãe, descobri como as doenças depois dos 65 são difíceis de diagnosticar. São inúmeras as patologias, como da minha mãe: Alzheimer, diabetes, pressão e colesterol altos, osteoporose, artrose, depressão, entre outras. Consulta de idoso é demorada mesmo. Como a ida ao pediatra. Exige uma entrevista, a tal anamnse (do grego ana, trazer de novo e mnesis, memória). O médico precisa de técnica e muita paciência para investigar o passado, as cirurgias, uso de medicamentos e rotinas do paciente. Descobri que minha mãe tinha D. A. porque uma atenta geriatra, Sonia Cury, fez as perguntas certas e observou suas reações. E nem era ela a paciente. Estava como acompanhante do marido na consulta.
É mole lembrar que doenças você teve aos 78, 90 anos? Na Doença de Alzheimer, então, tudo se complica. Demorei anos para saber que minha mãe havia feito sete implantes dentários. Mas não colocou as próteses, que certamente pagou. Por acaso, descobri numa festa que ela e uma amiga tinham a mesma cardiologista. Marquei consulta para recuperar o histórico. Portadora de um stent, ela havia abandonado o controle da pressão arterial e do colesterol. Homens retardam ao máximo a ida ao médico. As mulheres é que traduzem os sintomas do marido. Essas aproveitam a consulta para falar das dores do corpo e da alma. Escondem escapadas da dieta. Confundem receitas, se automedicam e devoram bulas. Durante anos, uma querida empregada colocou diariamente sob a língua um Isordil, usado em emergências cardíacas. Minha tia dividia a dose do remédio caro com o marido: meio comprimido para cada um. Prática conhecida pelas enfermeiras da rede pública. Muitos pacientes alegam que o remédio de uso contínuo precisa durar todo o mês e tomam dia sim, dia não, Aliás, alguém explica como medicamento para tomar todo dia vem em embalagem de 28 comprimidos, quando sete meses têm 31 dias e quatro têm trinta? Minha mãe chegou a ter cardiologista, endocrinologista, dermatologista, oftalmologista, gastro, proctologista, psicóloga, dentista e fisioterapeuta. Todos particulares. A conta da farmácia, há anos, passa dos R$ 1.200 mensais por 14 remédios, em média. E com descontos! A equipe de enfermagem tem quatro profissionais que cuidam dela 24h por dia, 7 dias por semana, 365 dias por mês. Os gastos até cabiam na aposentadoria confortável dela. Mas consegui reunir o acompanhamento a uma consulta a cada três meses com uma competente geriatra, revisão semestral da endocrinologista, ida quase semanal à dentista e fisio três vezes por semana. Para controlar tanta informação criei planilhas, formulários, quadros de aviso e um sistema de-mail diário que circula entre a equipe. Registramos tudo: alimentação, pressão, glicemia, banho, higiene bucal e todas as rotinas adotadas. Essas informações têm sido úteis para as médicas adaptarem as dosagens de remédios e recomendarem exames necessários.
Fiz um histórico para levar às consultas. É uma forma de ajudar o médico, pois o doente de Alzheimer fica ansioso com o interrogatório. Se você cuida da mãe, do pai, ou acompanha a avó na consulta, vá construindo um relatório e compartilhando com a família. Em alguns anos, ninguém mais irá lembrar da alergia do papai a camarão ou que vovô já não tem um rim.
Se fosse depender de convênios médicos, minha mãe jamais teria a qualidade de vida que desfruta. Na verdade, os planos são de doença, porque pouco contribuem para a preservação da saúde. Dão é muita dor de cabeça e nos tiram o sono. Após os 65, a mensalidade chega perto dos R$ 1.000. A minha já está bem salgada. Todo mês, fico em dúvida se pago ou cancelo meu plano. E a cada aniversário, a conta fica mais alta: punição por continuar viva.
22/07/2011
http://www.observadorpolitico.org.br/2011/07/a-saude-alem-dos-planos/

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Abra o olho e cuidado com as quedas

25/07/2011 - 17:01 Por:

Categoria(s): Doenças e problemas de saúde, Gerontologia

 Uma das boas notícias sobre diagnóstico precoce de Mal de Alzheimer vem de Paris, mas é resultado de um estudo australiano apresentado na Conferência Internacional da Associação pelo Alzheimer, realizada no último domingo na capital francesa. A Comunidade Científica e Organização de Pesquisa Industrial da Austrália acredita que é possível identificar alterações nos vasos sanguíneos da retina para detectar a doença mais cedo.
Segundo notícia do Globo,  a equipe do pesquisador Shaun Frost descobriu diferenças de calibre entre vasos na retina de pacientes saudáveis e de doentes. Para os cientistas, haveria também nos olhos dos doentes de Alzheimer grandes depósitos de plaquetas de uma proteína relacionada à doença. É mais fácil obter imagens da retina do que do cérebro, e isso facilitaria o diagnóstico.
Outro estudo voltado a detectar o Alzheimer antes que os problemas de memória comecem relaciona as quedas frequentes com possibilidades de desenvolver a doença. A Universidade de Washington em St. Louis, nos EUA, pesquisou tomografias e amostras de fluído espinhal de 125 pessoas que apresentavam sintomas pré-Alzheimer. E concluiu: quem sofre quedas frequentes pode ter duas vezes mais chances de apresentar a doença.
E nós com isso?
Atualmente, os médicos limitam-se a um diagnóstico de provável Alzheimer. Certeza, só na autópsia, o que tem sérias implicações legais. A família de portador de D.A. precisa vencer barreiras burocráticas para conseguir isenção de imposto de renda, acesso aos medicamentos caríssimos, licenças médicas, entre outros desafios cotidianos.
Obter a curatela também é um processo complexo e demorado de interdição com base em demência. Expõe o doente à insensibilidade dos tribunais, em situação constrangedora, estressante e inexplicável para quem se sente perfeitamente são. O doente de Alzheimer tem plena convicção de sua perfeita memória. Ainda que esqueça o nome, o dia da semana, ou quantos anos tem.
Diagnósticos precoces permitiriam maior qualidade de vida ao paciente, antecipando o uso da medicação capaz de retardar os efeitos da doença. Também dariam ao doente as condições e tempo de planejar o próprio futuro.
Precisamos de pesquisas sérias porque se as pessoas soubessem que têm risco de desenvolver o Mal de Alzheimer poderiam exigir políticas públicas e serviços privados de qualidade para garantir uma velhice digna. Apesar da doença, ainda sem cura.
http://www.observadorpolitico.org.br/2011/07/abra-o-olho-e-cuidado-com-as-quedas/

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Geratividade

18/07/2011 - 14:51 Por:

Categoria(s): Gerontologia

 O conceito de geratividade foi estabelecido por Erikson (1963). Diz respeito à motivação e ao envolvimento com continuidade e o bem-estar de indivíduos particulares, de grupos humanos, da sociedade de modo geral e de toda a Humanidade. Sua origem é uma necessidade interna de garantir a própria imortalidade, de ser necessário e de passar o bastão para a geração seguinte, tanto no sentido biológico quanto cultural. Juntamente com os conceitos de integridade e de envolvimento, a geratividade é um tema central ao desenvolvimento na vida adulta e na velhice.
Da interação entre a preocupação, a crença e o compromisso gerativo originam-se ações gerativas. O conceito de ação gerativa inclui três elementos: criação (de indivíduos, coisas, ações e idéias que sirvam para perpetuar a espécie humana, no sentido biológico e sociocultural); manutenção (traduzida em cuidar, amar, responsabilizar-se, cultivar, preservar, proteger, apoiar, ajudar, socorrer, promover e restaurar e se aplica a indivíduos, grupos, instituições, produtos culturais e a natureza) e oferta (envolve transmissão do que foi criado, aconselhamento, orientação, modelação e um legado pessoal, permitindo, porém, o uso autônomo desses produtos pelos beneficiários).
As narrativas pessoais têm como matéria-prima as experiências de duração, ritmo, intensidade, sequência e relevância associados à vivência dos eventos de vida, por parte de cada indivíduo e de cada coorte. A geratividade ocupa um lugar central nesses autorrelatos na medida em que cada adulto procura balizar-se quanto ao cumprimento dos desígnios naturais e culturais nessa direção. Cada pessoa desenvolve um roteiro peculiar, composto de elementos selecionados e ordenados de forma a terem um significado que justifique a trajetória existencial e que transcenda a própria existência material. Deixar um legado biológico e cultural é a forma pela qual a geratividade encontra sua expressão mais legítima e serve como veículo do significado de uma vida.
Reprodução parcial de texto sob o mesmo título retirado de Neri, Anita L. Palavras-chave em gerontologia. Campinas, SP: Editora Alínea, 2005. pág. 90-91. 

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