Arquivo de Gerontologia

Feminização da velhice

6/07/2011 - 18:48 Por:

Categoria(s): Gerontologia

 No sentido sociodemográfico, o termo feminização da velhice está associado aos seguintes conceitos:
- Maior presença relativa de mulheres na população idosa;
- Maior longevidade das mulheres em comparação com os homens;
- Crescimento relativo do número de mulheres que fazem parte da população economicamente ativa;
- Crescimento relativo do número de mulheres que são chefes de família.
Do ponto de vista médico-social, a feminização da velhice significa mais risco do que vantagem, uma vez que as mulheres são física e socialmente mais frágeis do que os homens. Os idosos de modo geral e as idosas em particular são objeto de um discurso ambíguo das instituições sociais e do Estado brasileiro, que ora os protege, ora os aponta como causadores dos males que afligem os sistemas públicos de saúde e de previdência.
Do ponto de vista sociopsicológico, o conceito de feminização da velhice está associado a evidências de mudanças nas normas e expectativas sociais relativas aos desempenhos esperados para mulheres na velhice e na passagem para a velhice que estamos vivendo no Brasil, na vida contemporânea. As alterações são atribuídas não somente ao aumento do contingente feminino na população idosa, mas à sua crescente integração em diversas esferas da vida social que excedem o âmbito da família, antes o reduto das mulheres idosas.
Essas mudanças em normas etárias refletem-se diretamente em alterações na identidade pessoal e no conceito de categoria etária que podemos observar no aparecimento e na disseminação de novas denominações relativas à velhice: maturidade, meia-idade, terceira idade, maioridade, idade legal, melhor idade. No entanto, o processo de transição que estamos vivendo não afeta de modo homogêneo as mulheres de diferentes classes sociais. De fato, elas recebem diferentes tratamentos das pessoas, da mídia e das instituições sociais, são alvo de diferentes exigências e oportunidades e tendem a se afirmar socialmente de maneiras diferentes.
Reprodução parcial de texto sob o mesmo título retirado de Neri, Anita L. Palavras-chave em gerontologia. Campinas, SP: Editora Alínea, 2005. pág. 87-89.

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Expectativa de vida

29/06/2011 - 14:29 Por:

Categoria(s): Gerontologia

 Para a Biologia, expectativa de vida é normalmente definida como a duração média de vida esperada para os membros de uma espécie, a partir do nascimento. Para a demografia, expectativa de vida é a estimativa sobre a duração média de vida de uma coorte por ocasião do nascimento.
Outra medida importante é a de expectativa de sobrevida para os idosos: aos 60 anos, em 1980, os homens poderiam esperar viver mais 14,2 anos, e as mulheres, mais 17,6; em 1996, foram de 16,3 para os homens e de 20,4 para as mulheres (Camarano et al., 1999).
A biodemografia oferece evidências interessantes sobre a perspectiva atual de duração máxima da vida humana. Segundo estudos populacionais feitos nos Estados Unidos, a eliminação de doenças cardíacas como causa de morte acrescentaria, em média, três anos de vida para a população feminina e três anos e meio para a masculina. A eliminação das doenças cardíacas e do câncer acrescentaria sete anos para as mulheres e oito para os homens. A observação de curvas populacionais mostra que na Suécia, na Inglaterra, no País de Gales e na França, países industrializados em que as populações já atingiram elevado nível de bem-estar, a duração máxima de vida observada entre homens e mulheres aumentou muito pouco nos últimos 130 anos. O que cresceu foi o número de pessoas que, em sucessivas coortes, conseguiram manter-se vivas depois dos 50, dos 60, dos 70 e, mais recentemente, dos 80 e 90 anos. Portanto, a não ser que ocorram extraordinárias descobertas biológicas, a duração máxima da vida humana não mudará. 
Reprodução parcial de texto sob o mesmo título retirado de Neri, Anita L. Palavras-chave em gerontologia. Campinas, SP: Editora Alínea, 2005. pág. 85-86.

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Eventos de vida

24/06/2011 - 11:17 Por:

Categoria(s): Gerontologia

 São definidos como acontecimentos significativos que ocorrem num momento particular, causando algum impacto na vida do indivíduo (Davies, 1996). O tipo, a intensidade, a duração e a generalidade do impacto dos eventos experimentados ao longo do curso da vida podem variar de acordo com a idade cronológica, o tempo histórico, aspectos educacionais e fatores individuais (tais como a vulnerabilidade, a rede de relações sociais disponível, a inteligência e a personalidade). Podem ser vividos como eventos esperados ou inesperados, positivos ou negativos, controláveis ou incontroláveis, ou como crise, oportunidade, desafio ou ameaça (Aldwin, 1994), dependendo da avaliação que o indivíduo faz deles, com base em seus valores, nos valores sociais, em condições do contexto e na sua história de vida. Eles diferem dos pequenos eventos da vida cotidiana pelo seu impacto sobre o self e sobre a história do indivíduo, uma vez que esses eventos dizem respeito às experiências práticas e emocionais e aos desafios enfrentados no dia a dia das relações com o mundo físico e social.
Os eventos normativos graduados por idade são aqueles que permitem ao indivíduo a aquisição de papéis e de competências sociais associados à idade cronológica (Neri, 2002). Eventos determinados socialmente, como o casamento na vida adulta e a aposentadoria no início da velhice, possuem um alto grau de controlabilidade ou previsibilidade, ou seja, são esperados ocorrer em determinada idade. Os eventos normativos graduados pela história são aqueles nos quais os determinantes biológicos e ambientais estão associados com o tempo histórico e com o contexto. Tais eventos geralmente são comuns a indivíduos pertencentes à mesma coorte ou contexto histórico, que vivem acontecimentos socialmente relevantes, tais como guerras, mudanças de governo, movimentos culturais e grandes descobertas científicas. Os eventos não-normativos representam a terceira fonte de influência do desenvolvimento, sendo também chamados de eventos críticos ou idiossincráticos (Diehl, 1999). Tais eventos não ocorrem da mesma maneira para todos os indivíduos nem em idade cronológica previsível. Muitos deles acarretam mudanças que são únicas. A principal característica dessas influências sobre o desenvolvimento é a imprevisibilidade. Acidentes, doenças repentinas, ou mesmo premiação da loteria são alguns exemplos de eventos idiossincráticos que podem ocorrer (ou não) ao longo do curso da vida (Fortes e Neri, 2004).
As evidências empíricas apontadas por Diehl (1999) mostram que, na velhice, eventos críticos de baixa controlabilidade estão geralmente relacionados a eventos de perdas e a déficits que acompanham o processo normal de envelhecimento. Mesmo diante de tais perdas, muitos idosos conseguem manter um nível elevado de autoestima, bem-estar subjetivo e senso de domínio. Adultos de meia-idade e idosos que estão enfrentando perdas relacionadas à idade (mudanças na saúde, perda de pessoas amadas) apresentam um grau considerável de estabilidade. Mesmo nos casos de idosos em fase terminal, com muitos problemas de saúde, não há evidências convincentes de um declínio geral na autoestima e na qualidade de vida subjetiva (Fortes e Neri, 2004), o que indica que há diferenças individuais no enfrentamento de situações consideradas estressantes no envelhecimento.
Reprodução parcial do texto escrito por Andréa Cristina Garofe Fortes
Retirado de Neri, Anita L. Palavras-chave em gerontologia. Campinas, SP: Editora Alínea, 2005. pág. 81-84.

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Saiba ser velho

21/06/2011 - 10:03 Por:

Categoria(s): Gerontologia

 Poupe um pouco para sempre ser independente financeiramente.
Não precisa ser muito, não comprometa o prazer que o dinheiro pode lhe dar em razão de um tempo maior de velhice, que pode até não acontecer, se você morrer breve.
Além disso, um idoso não consome muito além do plano de saúde e dos remédios.
Provavelmente, você já tem tudo e mais coisas só lhe darão trabalho.
Pare também de se preocupar com a situação financeira de filhos e netos, não se sinta culpado em gastar consigo mesmo o que é seu de direito.
Provavelmente, você já lhes ofereceu o que foi possível na infância e juventude, assim como uma boa educação.
Portanto, a responsabilidade agora é deles. Não seja arrimo de família, seja um pouco egoísta, mas não usurário.
Tenha uma vida saudável, sem grandes esforços físicos. Faça ginástica moderada, alimente-se bem,  mas sem exagero.
Tenha a sua própria condução, até quando não houver perigo.
Nada de estresse por pouca coisa. Na vida tudo passa, sejam os bons momentos que devem ser curtidos, sejam os ruins que devem ser rapidamente esquecidos.
Namore sempre, independente da idade, com sua “velha” (ou velho) companheira de caminhada. O amor verdadeiro rejuvenesce.
As “Maria-gasolina” estão por ai e, um idoso, mesmo da classe média, é sempre uma garantia de futuro para as espertalhonas.
Esteja sempre limpo, um banho diário pelo menos, seja vaidoso, frequente barbeiro (cabeleleiro), pedicure, manicure, dermatologista, dentista, use perfumes e cremes com moderação e por que não uma plástica?
Já que você não é mais bonito, seja pelo menos bem cuidado.
Nada de ser muito moderno, tente ser eterno.
Leia livros e jornais, ouça rádio, veja bons programas na TV, acesse a internet, mande  e responda e-mails, ligue para os amigos.
Mantenha-se sempre atualizado sobre tudo.
Respeite a opinião dos jovens, eles podem até estar errados, mas devem ser respeitados.
Não use jamais a expressão “no meu tempo”, pois o seu tempo é hoje.
Seja o dono da sua casa por mais simples que ela possa ser, pelo menos lá você é quem manda. Não caia na besteira de morar com filhos, netos, ou seja lá o que for. Não seja hóspede, só tome esta decisão quando não der mais e o fim estiver bem próximo.

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Musculação também pode proteger o cérebro

14/06/2011 - 11:50 Por:

Categoria(s): Dicas, Gerontologia, Qualidade de Vida

 Contribuição enviada por Daliane Batista Cardoso*
Pesquisas demonstram que, já a partir dos 25 anos, o cérebro inicia um processo gradual e lento de declínio cognitivo, ou perda de desempenho, que evolui com a idade. Na população idosa, o declínio cognitivo já é um importante assunto de saúde pública e uma bem reconhecida manifestação clínica desse declínio são as quedas. Idosos com comprometimento cognitivo caem duas vezes mais do que os que não possuem. Um estudo publicado no ano passado pesquisou o efeito em idosos de um treino de resistência de 12 meses no desempenho cognitivo e risco de quedas. Seus resultados mostraram que o treino realizado uma ou duas vezes por semana melhorou o desempenho cognitivo, principalmente as características de atenção seletiva e solução de conflitos.
Após a conclusão deste estudo, os participantes foram acompanhados durante mais um ano e os resultados desse acompanhamento foram liberados recentemente. Idosos que participaram do programa de exercícios de resistência conseguiram manter os benefícios cognitivos e tiveram menos quedas, gerando economia para o sistema de saúde. O estudo contou com 155 mulheres com idades entre 65 a 75 anos. O treino de resistência foi feito em aulas de 60 minutos utilizando um aparelho para as pernas (leg press) e pesos livres. Dentro dos que faziam o treino de resistência, havia um subgrupo que treinava uma vez por semana e outro que treinava duas vezes por semana. Esse grupo foi comparado a um grupo de controle que fazia treino de tonificação e equilíbrio duas vezes por semana, realizando exercícios de alongamento, amplitude de movimento, fortalecimento básico e equilíbrio, bem como de técnicas de relaxamento.
Surpreendentemente, o grupo que conseguiu sustentar os benefícios cognitivos foi o que treinava apenas uma vez por semana, ao invés de duas. Os autores do estudo especulam que este grupo provavelmente foi mais bem sucedido em manter o mesmo nível de atividade física obtido no estudo original.

Benefícios econômicos

Além dos benefícios cognitivos, os benefícios econômicos do grupo de uma vez por semana também foram mantidos um ano após o estudo original. O grupo de uma vez por semana gerou menos gastos relacionados ao uso do sistema de saúde e tiveram menos quedas do que o grupo de duas vezes por semana e o de tonificação. Este estudo mostra mais uma vez que um corpo em forma está diretamente relacionado com um cérebro em forma. Em todas as idades, exercitar o corpo beneficia o cérebro. O treino aeróbico é geralmente associado a um melhor desempenho cognitivo, mas o interessante é que este novo estudo mostra que a musculação também pode ser adicionada à nossa lista de exercícios.

Fonte: Cerebromelhor.com.br
* Educadora física, colaboradora semanal com artigos na área, parceira da GeroVida

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Musculação na Terceira Idade

7/06/2011 - 15:27 Por:

Categoria(s): Dicas, Gerontologia, Qualidade de Vida

 Contribuição enviada por Daliane Batista Cardoso*
A aplicação da musculação para o idoso não foi descoberta há muito tempo, porém a sua eficiência como ferramenta para a diminuição dos declínios de força e massa muscular relacionados com o avanço da idade está definitivamente comprovada. Um estudo feito nos Estados Unidos, realizado com 97 pessoas acima de 60 anos, comprova que os idosos que praticam exercícios sentem menos dores e aumentam sua resistência.  A expectativa de vida dos brasileiros passou dos 70 anos. Isso tudo comprova que exercícios devem ser praticados diariamente, em todas as idades.
Conforme vamos envelhecendo, se torna mais difícil manter a massa muscular e a força da juventude, diminuição da massa muscular, densidade óssea, força e flexibilidade. O metabolismo acaba ficando mais lento e diminuindo, com isso a tendência é ganhar mais gordura, o que aumenta o risco de quedas e fraturas, porém esses efeitos podem ser minimizados com a musculação. Segundo pesquisadores  o problema acontece por dois motivos: menor produção de musculatura e quebra mais acelerada.
O problema se intensifica após os 65 anos e, por isto, os cientistas indicam o treinamento com pesos para este grupo. Com isso as academias de ginásticas estão abrindo cada vez mais espaço para trabalhar com atividades voltadas para terceira idade, descobrindo um novo mercado com grande potencial. Tanto que hoje existem academias especializadas, com trabalhos voltados somente para a terceira idade.
Fonte: Site Musculação e Cia
* Educadora física, colaboradora semanal com artigos na área, parceira da GeroVida

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Para além das perdas do envelhecer

3/06/2011 - 18:58 Por:

Categoria(s): Educação, Gerontologia

 Pedagoga desenvolve trabalho com grupos de idosos em dois bairros de Campinas
 
Por Carmo Gallo Netto
A consciência da possibilidade de envelhecimento saudável e o conhecimento de como consegui-lo são ainda desconhecidos, mesmo por idosos de classes sociais mais favorecidas. O que esperar, então, de idosos residentes em regiões expostas ao risco de vulnerabilidade social? Quando fez o mestrado em gerontologia, a pedagoga Wanda Pereira Patrocinio inteirou-se dessa realidade ao pesquisar as representações sociais das pessoas com mais de 50 anos que, fora do mercado de trabalho, buscavam alternativas para sobreviver em cooperativas populares de Campinas. Trabalhou com cooperativas da periferia que se dedicavam à costura, à alimentação, à reciclagem de resíduos sólidos e à seleção de entulhos, realizando um perfil desses cooperados. A pedagoga focou, primordialmente, pela diversidade de atividades, as áreas de costura e entulhos. Estudou a visão que essas pessoas tinham sobre a velhice e o envelhecimento e como socialmente se viam e se sentiam vistas em relação às pessoas do seu entorno. Nessa oportunidade, pesquisou como esses idosos consideravam o envelhecimento em relação ao tratamento que recebiam do outro e os tipos de relações que mantinham com ele. Na ocasião, Wanda se deu conta de que existiam várias representações. Era a velhice associada à doença, à decrepitude, sendo vista como a última etapa do ciclo vital, a fase da vida em que se espera a morte. Poucos dos idosos distinguiam-lhe aspectos positivos e a viam como um processo natural da vida. Ela percebeu então que, apesar da significativa produção acadêmica que desmistifica a velhice associando-a à doença, aponta a possibilidade de se envelhecer de forma saudável e atribui sua qualidade às condições de vida, essas informações não chegavam ao idoso pobre, àquele que mais precisa delas. Essa barreira não fora ainda rompida. “Foi aí que me perguntei: o que adiantam as conclusões dos estudiosos para a vida prática dos idosos se elas não chegam a quem mais precisa? Essa foi a motivação da minha pesquisa no doutorado. Como pedagoga, acredito que a educação pode fazer alguma coisa para minimizar esse problema”, afirma. Propôs-se então a realizar uma ação prática, com embasamento teórico-científico, que possibilitasse a essas pessoas mudarem de atitudes e comportamentos de forma a encarar melhor e mais positivamente o envelhecimento. Por não acreditar que apenas palestras sejam suficientes para mudar atitudes e comportamentos, Wanda queria desenvolver uma forma de ajudar esses idosos a mudarem o seu dia a dia vivenciando problemas concretos. Esta convicção a levou à implementação e análise de um programa de educação popular em saúde para um envelhecimento saudável que não utiliza apenas palestras, mas também práticas. O trabalho deu origem à elaboração de tese de doutorado orientada pela professora Anita Liberalesso Neri da Faculdade de Educação (FE) da Unicamp. A pesquisadora desenvolveu o programa em duas comunidades centradas nos bairros Orosimbo Maia e Parque da Figueira, da região Sul de Campinas. Ambas apresentam alta incidência de idosos e possuem centros de saúde. Desta forma, além de contar com a colaboração dos centros de saúde na aglutinação dos idosos, conseguia atingir os bairros próximos. Nesses locais utilizou dependências cedidas por entidades religiosas que constituíam referência para as comunidades. No Orosimbo Maia, as atividades foram desenvolvidas no salão social já utilizado para palestras e atividades de ginástica desenvolvidas pelo Centro de Saúde. No Parque da Figueira, utilizou uma sala de aula destinada à educação de jovens e adultos. Nesses locais, as atividades foram conduzidas por ela com apoio de uma auxiliar de pesquisa, durante cerca de duas horas e meia, uma vez por semana, durante cinco meses, para dois grupos com idades entre 60 a 75 anos e média de 66 anos, constituídos em sua maioria por aposentados ou pensionistas viúvas.
Engajamento
O programa implantado baseou-se na perspectiva de Paulo Freire e na política de envelhecimento ativo proposta pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Wanda explica que “a educação popular na perspectiva de Paulo Freire visa a desenvolver o reconhecimento de si mesmo como sujeito, a visão crítica sobre as estruturas sociais e o engajamento ativo”. Para tanto, a prática educativa deve basear-se em relações de confiança entre os participantes, no diálogo e na utilização de conteúdos de interesse dos educandos. Ao implantar em 2005 uma política de envelhecimento ativo, a OMS considera que para consegui-lo as pessoas precisam ter participação social, saúde, segurança e receber educação contínua. Constituiu escopo do estudo verificar a influência da prática sobre a mudança de atitudes dos idosos em relação à velhice, à saúde, à participação social e a aspectos psicossociais. Para tanto foram aplicados questionários e utilizadas escalas sobre variáveis sociodemográficas, psicossociais, de participação social, de saúde e sobre atitudes em relação à velhice. Esses dados foram colhidos em três momentos distintos: por ocasião da formação do grupo e antes do início das atividades propriamente ditas; decorridos os cinco meses de atividades programadas com base em temas escolhidos pelos idosos; e seis meses depois de sua conclusão. A pedagoga lembra que a educação popular parte sempre do que o educando sabe. Por isso, foram selecionados para cada um dos grupos os temas sugeridos pelos seus componentes durante a aplicação do primeiro questionário. Embora se verificassem diferenças na composição dos conteúdos temáticos desses grupos, constaram das atividades práticas e das abordagens teóricas temas como envelhecimento saudável; alimentação saudável; atividade física; memória; saúde bucal; uso de medicamentos; problemas de saúde e doenças mais comuns na velhice; violência e maus-tratos; sono e envelhecimento; imagem positiva da velhice; emoções e sentimentos; e histórias de vida. Entre as atividades terapêuticas, também desenvolvidas no programa, realizaram-se sessões de alongamento, automassagem, lian gong, ritos tibetanos, tai chi chuan, argila medicinal e yoga, que tiveram como objetivo o enfrentamento de problemas musculares, articulares e posturais causadores da dor. Alem de participarem da discussão dos temas por eles escolhidos ou sugeridos, os idosos fizeram exercícios e atividades práticas. Para verificar o que tinha sido incorporado pelos grupos em decorrência das experiências vividas, ela comparou, utilizando análise estatística, os resultados obtidos por meio do mesmo questionário aplicado no pré-teste, na conclusão do programa e seis meses depois. As análises estatísticas e de conteúdo mostraram que em relação ao pré-teste houve mudanças principalmente em relação às atitudes. Anteriormente os idosos, considerando o predomínio das limitações, entendiam que a velhice levava a mais perdas que ganhos. No pós-teste o resultado se inverteu, com a grande maioria julgando que a velhice comporta ganhos e vantagens. Seis meses depois, eles constatavam que a velhice traz tanto perdas quanto ganhos. Segundo Wanda, o programa conseguiu eliminar a visão negativa da velhice, porque, mesmo percebendo a ocorrência de perdas físicas, os idosos passaram a valorizar a maturidade, o conhecimento, a capacidade de enxergar a vida e de melhor compreensão do outro que a velhice proporciona. Os resultados mostraram-se igualmente positivos em relação ao aumento do tempo dedicado à atividade física, porque durante o programa os idosos foram orientados a melhorar o que já efetivamente faziam. Na alimentação verificou-se estatisticamente um aumento significativo no consumo de legumes e verduras, que ela atribui à confecção da cartilha realizada em conjunto durante o programa. A melhora das condições de saúde também foi avaliada de forma positiva. Entretanto, a recorrência aos sintomas depressivos se mostrou maior seis meses depois, para um dos grupos pesquisados. Ela acredita que durante a participação no programa os participantes se aproximaram e houve trocas, principalmente entre as viúvas, que antes do programa se sentiam mais solitárias. A participação social aumentou o ânimo, a disposição e a alegria. Embora com resultados não satisfatórios neste particular, a pesquisadora considera o resultado indicativo da importância da participação contínua em atividades desse tipo.
Conclusões
Face ao trabalho desenvolvido a pedagoga se permite algumas conclusões. Em relação aos idosos estudados, entende que as análises estatísticas e de conteúdo mostraram mudanças nas atitudes em relação à velhice, com diminuição de posturas negativas e aumento das positivas; percepção de que a velhice comporta tanto ganhos como perdas; melhora no tempo diário da prática da atividade física; melhora no consumo diário de verduras e legumes; melhora em relação à satisfação com a vida e em relação à saúde. Acredita que o desenvolvimento de um programa educacional baseado no modelo de Paulo Freira e realizado de forma multidisciplinar, com conteúdos adequados e de interesse dos idosos, mostrou a importância da prática do conceito de educação em saúde, que visa a mudança de comportamentos individuais e que intervenções desse tipo podem favorecer a saúde física e mental dos idosos. Considera também que o modelo de programa desenvolvido pode contribuir para outros programas educacionais, principalmente em relação à metodologia de ensino e à forma de desenvolvimento dos conteúdos temáticos, descritos no trabalho de modo a possibilitar o aproveitamento por educadores. Ela defende ainda a utilização da metodologia nos programas de educação de adultos, em salas em que exista predominância de idosos, cada vez mais presentes – em que os conteúdos temáticos podem ser utilizados como temas geradores –, e na área de educação em saúde, em que pode contribuir para os serviços oferecidos pelos centros de saúde. Para Wanda, infelizmente, em muitos programas envolvendo qualidade de vida ainda prevalecem palestras informativas: “A metodologia que desenvolvemos utilizando a educação popular, e que descrevemos detalhadamente, pode tornar esses programas muito mais efetivos para a mudança de atitude. Trata-se do primeiro passo para a mudança de comportamento”, conclui. A pesquisadora participa do Grupo Tempo/GER, parte integrante do Ambulatório de Geriatria do HC da Unicamp, que desenvolve estudos e práticas sobre envelhecimento. Ela afirma que, “além de estudos teóricos, o grupo está querendo efetivar projetos de implementação prática em comunidades para que pesquisas como esta não fiquem apenas em uma estante”.

Publicado no Jornal da Unicamp
Campinas, 30 de maio a 5 de junho de 2011 – ANO XXV – Nº 496
http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/maio2011/ju496_pag9.php#

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Dupla tarefa pontecializa riscos de idosos com doenças degenerativas

3/06/2011 - 12:02 Por:

Categoria(s): Doenças e problemas de saúde, Gerontologia

 Contribuição enviada por Daliane Batista Cardoso*
Para os idosos portadores de Parkinson e Alzheimer realizar duas atividades ao mesmo tempo como, por exemplo, andar e segurar um copo d’água, potencializa o risco de quedas e os sintomas da própria doença. As constatações foram feitas pelo fisioterapeuta Gustavo Christofoletti a partir de estudo de doutorado que investigou a influência e o nível de comprometimento causado pela dupla-tarefa cognitiva e motora no equilíbrio de pacientes com as síndromes. A tese foi defendida na Faculdade de Ciências Médicas (FCM), sob orientação do professor Antonio Guilherme Borges Neto.
O objetivo do estudo, segundo Christofoletti, foi entender os riscos de quedas de idosos ocasionadas pelas atividades complexas que realizam no cotidiano. Vem daí a iniciativa de recorrer a duas categorias distintas de distúrbios degenerativos do sistema nervoso central que representam condições clínicas graves, por provocar declínio de ordem neuropsíquica. Os voluntários somaram um total de 126 pessoas, divididas em três grupos – um com Parkinson, outro com Alzheimer e um terceiro denominado grupo controle, uma vez que o objetivo era comparar o grau de risco entre os grupos.
Os voluntários foram avaliados através do teste Timed Get Up and Go, já consolidado na área. “Os achados evidenciaram um pior equilíbrio de pacientes com Parkinson e Alzheimer, como era de se esperar”, afirma o fisioterapeuta. Em sua opinião, os resultados específicos foram peculiares, uma vez que o maior grau de dificuldade dos sujeitos com Parkinson foi a realização da dupla-tarefa motora, enquanto que os pacientes com Alzheimer desempenharam com ressalvas as tarefas cognitivas e funcionais mais complexas.
“Conclui-se que os pacientes apresentaram respostas adaptativas diferentes. Com as informações e entendendo as alterações, é possível desenvolver tratamentos mais eficazes no controle das funções motoras e cognitivas dos portadores desses tipos de doença”, declara.
Fonte: Jornal da Unicamp
* Educadora física, colaboradora semanal com artigos na área, parceira da GeroVida

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Como proceder em caso de óbito

1/06/2011 - 15:57 Por:

Categoria(s): Gerontologia

 • Óbito na residência, sem assistência médica – Procurar na sua cidade o serviço de verificação de óbitos para a emissão do atestado de óbito, caso não haja esse serviço, o atestado deverá ser emitido por médico do serviço de saúde pública mais próximo ao local onde ocorreu o falecimento, ou na falta desse, por qualquer outro médico da localidade. Em todos os casos deverá constar no atestado que a morte ocorreu sem assistência médica.
• Óbito no hospital – No próprio hospital o familiar/cuidador receberá orientações necessárias sobre como proceder para obter a declaração de óbito.
Após a emissão da declaração de óbito, a família ou responsável pelo falecimento deverá levar o documento ao Cartório de registro mais próximo a fim de registrar o óbito.
Esse registro resultará na Certidão de Óbito emitida pelo Cartório, documento essencial para que se proceda ao sepultamento e todas as outras providências necessárias.
Fonte: Guia do Cuidador. Ministério da Saúde. Brasília, DF, 2008

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Reconhecendo o fim

31/05/2011 - 18:15 Por:

Categoria(s): Gerontologia

 Diante da possibilidade de morte de alguém querido a família ou o cuidador passa pelo sentimento de incapacidade e isso gera sentimentos contraditórios, tais como raiva, culpa, alívio, etc.
A raiva é um sentimento que aparece quando se percebe que não se pode mudar o rumo das coisas e prolongar a vida. A culpa está relacionada com o sentimento de não ter cuidado mais e melhor. Por outro lado, a morte de alguém que está sofrendo pode representar um alívio para a família e para o cuidador.
Esses são sentimentos comuns e normais nessa situação, dificilmente são reconhecidos ou aceitos. É preciso que o cuidador e os familiares reconheçam seus limites e entendam que mesmo que estejam fazendo tudo o que é necessário para o bem-estar da pessoa, pode ser que ela não recupere a saúde.
Ao longo da vida passa-se por várias situações: algumas coisas são perdidas e outras ganhadas, tais como: ao crescer se perde a infância e se ganha a adolescência, ao mudar de casa ou de trabalho se pode ganhar mais espaço ou melhor salário, mas se perde o lugar que gostava ou se deixam os amigos, ao terminar um relacionamento amoroso e iniciar outro, os sentimentos também são contraditórios. Se sente tristeza pela perda do amor antigo, apesar de estar feliz com novo amor. Todas essas situações podem parecer insuportáveis e insuperáveis.
Esse momento de sofrimento pela perda de alguém é melhor suportado quando se tem com quem partilhar, pois esconder os sentimentos, chorar escondido, negar a perda não torna o sofrimento mais suportável.
Nessas horas cada pessoa tem seu jeito de procurar consolo para seu sofrimento como por exemplo, rezar, mudar de ambiente, pensar sobre a vida, conversar sobre a situação, reencontrar velhas amizades, cuidar de si mesmo e reorganizar a vida.
Fonte: Guia do Cuidador. Ministério da Saúde. Brasília, DF, 2008

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