Arquivo de Gerontologia

Para além das perdas do envelhecer

3/06/2011 - 18:58 Por:

Categoria(s): Educação, Gerontologia

Pedagoga desenvolve trabalho com grupos de idosos em dois bairros de Campinas

Por Carmo Gallo Netto
A consci√™ncia da possibilidade de envelhecimento saud√°vel e o conhecimento de como consegui-lo s√£o ainda desconhecidos, mesmo por idosos de classes sociais mais favorecidas. O que esperar, ent√£o, de idosos residentes em regi√Ķes expostas ao risco de vulnerabilidade social? Quando fez o mestrado em gerontologia, a pedagoga Wanda Pereira Patrocinio inteirou-se dessa realidade ao pesquisar as representa√ß√Ķes sociais das pessoas com mais de 50 anos que, fora do mercado de trabalho, buscavam alternativas para sobreviver em cooperativas populares de Campinas. Trabalhou com cooperativas da periferia que se dedicavam √† costura, √† alimenta√ß√£o, √† reciclagem de res√≠duos s√≥lidos e √† sele√ß√£o de entulhos, realizando um perfil desses cooperados. A pedagoga focou, primordialmente, pela diversidade de atividades, as √°reas de costura e entulhos. Estudou a vis√£o que essas pessoas tinham sobre a velhice e o envelhecimento e como socialmente se viam e se sentiam vistas em rela√ß√£o √†s pessoas do seu entorno. Nessa oportunidade, pesquisou como esses idosos consideravam o envelhecimento em rela√ß√£o ao tratamento que recebiam do outro e os tipos de rela√ß√Ķes que mantinham com ele. Na ocasi√£o, Wanda se deu conta de que existiam v√°rias representa√ß√Ķes. Era a velhice associada √† doen√ßa, √† decrepitude, sendo vista como a √ļltima etapa do ciclo vital, a fase da vida em que se espera a morte. Poucos dos idosos distinguiam-lhe aspectos positivos e a viam como um processo natural da vida. Ela percebeu ent√£o que, apesar da significativa produ√ß√£o acad√™mica que desmistifica a velhice associando-a √† doen√ßa, aponta a possibilidade de se envelhecer de forma saud√°vel e atribui sua qualidade √†s condi√ß√Ķes de vida, essas informa√ß√Ķes n√£o chegavam ao idoso pobre, √†quele que mais precisa delas. Essa barreira n√£o fora ainda rompida. ‚ÄúFoi a√≠ que me perguntei: o que adiantam as conclus√Ķes dos estudiosos para a vida pr√°tica dos idosos se elas n√£o chegam a quem mais precisa? Essa foi a motiva√ß√£o da minha pesquisa no doutorado. Como pedagoga, acredito que a educa√ß√£o pode fazer alguma coisa para minimizar esse problema‚ÄĚ, afirma. Prop√īs-se ent√£o a realizar uma a√ß√£o pr√°tica, com embasamento te√≥rico-cient√≠fico, que possibilitasse a essas pessoas mudarem de atitudes e comportamentos de forma a encarar melhor e mais positivamente o envelhecimento. Por n√£o acreditar que apenas palestras sejam suficientes para mudar atitudes e comportamentos, Wanda queria desenvolver uma forma de ajudar esses idosos a mudarem o seu dia a dia vivenciando problemas concretos. Esta convic√ß√£o a levou √† implementa√ß√£o e an√°lise de um programa de educa√ß√£o popular em sa√ļde para um envelhecimento saud√°vel que n√£o utiliza apenas palestras, mas tamb√©m pr√°ticas. O trabalho deu origem √† elabora√ß√£o de tese de doutorado orientada pela professora Anita Liberalesso Neri da Faculdade de Educa√ß√£o (FE) da Unicamp. A pesquisadora desenvolveu o programa em duas comunidades centradas nos bairros Orosimbo Maia e Parque da Figueira, da regi√£o Sul de Campinas. Ambas apresentam alta incid√™ncia de idosos e possuem centros de sa√ļde. Desta forma, al√©m de contar com a colabora√ß√£o dos centros de sa√ļde na aglutina√ß√£o dos idosos, conseguia atingir os bairros pr√≥ximos. Nesses locais utilizou depend√™ncias cedidas por entidades religiosas que constitu√≠am refer√™ncia para as comunidades. No Orosimbo Maia, as atividades foram desenvolvidas no sal√£o social j√° utilizado para palestras e atividades de gin√°stica desenvolvidas pelo Centro de Sa√ļde. No Parque da Figueira, utilizou uma sala de aula destinada √† educa√ß√£o de jovens e adultos. Nesses locais, as atividades foram conduzidas por ela com apoio de uma auxiliar de pesquisa, durante cerca de duas horas e meia, uma vez por semana, durante cinco meses, para dois grupos com idades entre 60 a 75 anos e m√©dia de 66 anos, constitu√≠dos em sua maioria por aposentados ou pensionistas vi√ļvas.
Engajamento
O programa implantado baseou-se na perspectiva de Paulo Freire e na pol√≠tica de envelhecimento ativo proposta pela Organiza√ß√£o Mundial de Sa√ļde (OMS). Wanda explica que ‚Äúa educa√ß√£o popular na perspectiva de Paulo Freire visa a desenvolver o reconhecimento de si mesmo como sujeito, a vis√£o cr√≠tica sobre as estruturas sociais e o engajamento ativo‚ÄĚ. Para tanto, a pr√°tica educativa deve basear-se em rela√ß√Ķes de confian√ßa entre os participantes, no di√°logo e na utiliza√ß√£o de conte√ļdos de interesse dos educandos. Ao implantar em 2005 uma pol√≠tica de envelhecimento ativo, a OMS considera que para consegui-lo as pessoas precisam ter participa√ß√£o social, sa√ļde, seguran√ßa e receber educa√ß√£o cont√≠nua. Constituiu escopo do estudo verificar a influ√™ncia da pr√°tica sobre a mudan√ßa de atitudes dos idosos em rela√ß√£o √† velhice, √† sa√ļde, √† participa√ß√£o social e a aspectos psicossociais. Para tanto foram aplicados question√°rios e utilizadas escalas sobre vari√°veis sociodemogr√°ficas, psicossociais, de participa√ß√£o social, de sa√ļde e sobre atitudes em rela√ß√£o √† velhice. Esses dados foram colhidos em tr√™s momentos distintos: por ocasi√£o da forma√ß√£o do grupo e antes do in√≠cio das atividades propriamente ditas; decorridos os cinco meses de atividades programadas com base em temas escolhidos pelos idosos; e seis meses depois de sua conclus√£o. A pedagoga lembra que a educa√ß√£o popular parte sempre do que o educando sabe. Por isso, foram selecionados para cada um dos grupos os temas sugeridos pelos seus componentes durante a aplica√ß√£o do primeiro question√°rio. Embora se verificassem diferen√ßas na composi√ß√£o dos conte√ļdos tem√°ticos desses grupos, constaram das atividades pr√°ticas e das abordagens te√≥ricas temas como envelhecimento saud√°vel; alimenta√ß√£o saud√°vel; atividade f√≠sica; mem√≥ria; sa√ļde bucal; uso de medicamentos; problemas de sa√ļde e doen√ßas mais comuns na velhice; viol√™ncia e maus-tratos; sono e envelhecimento; imagem positiva da velhice; emo√ß√Ķes e sentimentos; e hist√≥rias de vida. Entre as atividades terap√™uticas, tamb√©m desenvolvidas no programa, realizaram-se sess√Ķes de alongamento, automassagem, lian gong, ritos tibetanos, tai chi chuan, argila medicinal e yoga, que tiveram como objetivo o enfrentamento de problemas musculares, articulares e posturais causadores da dor. Alem de participarem da discuss√£o dos temas por eles escolhidos ou sugeridos, os idosos fizeram exerc√≠cios e atividades pr√°ticas. Para verificar o que tinha sido incorporado pelos grupos em decorr√™ncia das experi√™ncias vividas, ela comparou, utilizando an√°lise estat√≠stica, os resultados obtidos por meio do mesmo question√°rio aplicado no pr√©-teste, na conclus√£o do programa e seis meses depois. As an√°lises estat√≠sticas e de conte√ļdo mostraram que em rela√ß√£o ao pr√©-teste houve mudan√ßas principalmente em rela√ß√£o √†s atitudes. Anteriormente os idosos, considerando o predom√≠nio das limita√ß√Ķes, entendiam que a velhice levava a mais perdas que ganhos. No p√≥s-teste o resultado se inverteu, com a grande maioria julgando que a velhice comporta ganhos e vantagens. Seis meses depois, eles constatavam que a velhice traz tanto perdas quanto ganhos. Segundo Wanda, o programa conseguiu eliminar a vis√£o negativa da velhice, porque, mesmo percebendo a ocorr√™ncia de perdas f√≠sicas, os idosos passaram a valorizar a maturidade, o conhecimento, a capacidade de enxergar a vida e de melhor compreens√£o do outro que a velhice proporciona. Os resultados mostraram-se igualmente positivos em rela√ß√£o ao aumento do tempo dedicado √† atividade f√≠sica, porque durante o programa os idosos foram orientados a melhorar o que j√° efetivamente faziam. Na alimenta√ß√£o verificou-se estatisticamente um aumento significativo no consumo de legumes e verduras, que ela atribui √† confec√ß√£o da cartilha realizada em conjunto durante o programa. A melhora das condi√ß√Ķes de sa√ļde tamb√©m foi avaliada de forma positiva. Entretanto, a recorr√™ncia aos sintomas depressivos se mostrou maior seis meses depois, para um dos grupos pesquisados. Ela acredita que durante a participa√ß√£o no programa os participantes se aproximaram e houve trocas, principalmente entre as vi√ļvas, que antes do programa se sentiam mais solit√°rias. A participa√ß√£o social aumentou o √Ęnimo, a disposi√ß√£o e a alegria. Embora com resultados n√£o satisfat√≥rios neste particular, a pesquisadora considera o resultado indicativo da import√Ęncia da participa√ß√£o cont√≠nua em atividades desse tipo.
Conclus√Ķes
Face ao trabalho desenvolvido a pedagoga se permite algumas conclus√Ķes. Em rela√ß√£o aos idosos estudados, entende que as an√°lises estat√≠sticas e de conte√ļdo mostraram mudan√ßas nas atitudes em rela√ß√£o √† velhice, com diminui√ß√£o de posturas negativas e aumento das positivas; percep√ß√£o de que a velhice comporta tanto ganhos como perdas; melhora no tempo di√°rio da pr√°tica da atividade f√≠sica; melhora no consumo di√°rio de verduras e legumes; melhora em rela√ß√£o √† satisfa√ß√£o com a vida e em rela√ß√£o √† sa√ļde. Acredita que o desenvolvimento de um programa educacional baseado no modelo de Paulo Freira e realizado de forma multidisciplinar, com conte√ļdos adequados e de interesse dos idosos, mostrou a import√Ęncia da pr√°tica do conceito de educa√ß√£o em sa√ļde, que visa a mudan√ßa de comportamentos individuais e que interven√ß√Ķes desse tipo podem favorecer a sa√ļde f√≠sica e mental dos idosos. Considera tamb√©m que o modelo de programa desenvolvido pode contribuir para outros programas educacionais, principalmente em rela√ß√£o √† metodologia de ensino e √† forma de desenvolvimento dos conte√ļdos tem√°ticos, descritos no trabalho de modo a possibilitar o aproveitamento por educadores. Ela defende ainda a utiliza√ß√£o da metodologia nos programas de educa√ß√£o de adultos, em salas em que exista predomin√Ęncia de idosos, cada vez mais presentes ‚Äď em que os conte√ļdos tem√°ticos podem ser utilizados como temas geradores ‚Äď, e na √°rea de educa√ß√£o em sa√ļde, em que pode contribuir para os servi√ßos oferecidos pelos centros de sa√ļde. Para Wanda, infelizmente, em muitos programas envolvendo qualidade de vida ainda prevalecem palestras informativas: ‚ÄúA metodologia que desenvolvemos utilizando a educa√ß√£o popular, e que descrevemos detalhadamente, pode tornar esses programas muito mais efetivos para a mudan√ßa de atitude. Trata-se do primeiro passo para a mudan√ßa de comportamento‚ÄĚ, conclui. A pesquisadora participa do Grupo Tempo/GER, parte integrante do Ambulat√≥rio de Geriatria do HC da Unicamp, que desenvolve estudos e pr√°ticas sobre envelhecimento. Ela afirma que, ‚Äúal√©m de estudos te√≥ricos, o grupo est√° querendo efetivar projetos de implementa√ß√£o pr√°tica em comunidades para que pesquisas como esta n√£o fiquem apenas em uma estante‚ÄĚ.

Publicado no Jornal da Unicamp
Campinas, 30 de maio a 5 de junho de 2011 ‚Äď ANO XXV ‚Äď N¬ļ 496
http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/maio2011/ju496_pag9.php#


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Dupla tarefa pontecializa riscos de idosos com doenças degenerativas

3/06/2011 - 12:02 Por:

Categoria(s): Doen√ßas e problemas de sa√ļde, Gerontologia

Contribuição enviada por Daliane Batista Cardoso*
Para os idosos portadores de Parkinson e Alzheimer realizar duas atividades ao mesmo tempo como, por exemplo, andar e segurar um copo d‚Äô√°gua, potencializa o risco de quedas e os sintomas da pr√≥pria doen√ßa. As constata√ß√Ķes foram feitas pelo fisioterapeuta Gustavo Christofoletti a partir de estudo de doutorado que investigou a influ√™ncia e o n√≠vel de comprometimento causado pela dupla-tarefa cognitiva e motora no equil√≠brio de pacientes com as s√≠ndromes. A tese foi defendida na Faculdade de Ci√™ncias M√©dicas (FCM), sob orienta√ß√£o do professor Antonio Guilherme Borges Neto.
O objetivo do estudo, segundo Christofoletti, foi entender os riscos de quedas de idosos ocasionadas pelas atividades complexas que realizam no cotidiano. Vem da√≠ a iniciativa de recorrer a duas categorias distintas de dist√ļrbios degenerativos do sistema nervoso central que representam condi√ß√Ķes cl√≠nicas graves, por provocar decl√≠nio de ordem neurops√≠quica. Os volunt√°rios somaram um total de 126 pessoas, divididas em tr√™s grupos ‚Äď um com Parkinson, outro com Alzheimer e um terceiro denominado grupo controle, uma vez que o objetivo era comparar o grau de risco entre os grupos.
Os volunt√°rios foram avaliados atrav√©s do teste Timed Get Up and Go, j√° consolidado na √°rea. ‚ÄúOs achados evidenciaram um pior equil√≠brio de pacientes com Parkinson e Alzheimer, como era de se esperar‚ÄĚ, afirma o fisioterapeuta. Em sua opini√£o, os resultados espec√≠ficos foram peculiares, uma vez que o maior grau de dificuldade dos sujeitos com Parkinson foi a realiza√ß√£o da dupla-tarefa motora, enquanto que os pacientes com Alzheimer desempenharam com ressalvas as tarefas cognitivas e funcionais mais complexas.
‚ÄúConclui-se que os pacientes apresentaram respostas adaptativas diferentes. Com as informa√ß√Ķes e entendendo as altera√ß√Ķes, √© poss√≠vel desenvolver tratamentos mais eficazes no controle das fun√ß√Ķes motoras e cognitivas dos portadores desses tipos de doen√ßa‚ÄĚ, declara.
Fonte: Jornal da Unicamp
* Educadora física, colaboradora semanal com artigos na área, parceira da GeroVida


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Como proceder em caso de óbito

1/06/2011 - 15:57 Por:

Categoria(s): Gerontologia

‚ÄĘ √ďbito na resid√™ncia, sem assist√™ncia m√©dica ‚Äď Procurar na sua cidade o servi√ßo de verifica√ß√£o de √≥bitos para a emiss√£o do atestado de √≥bito, caso n√£o haja esse servi√ßo, o atestado dever√° ser emitido por m√©dico do servi√ßo de sa√ļde p√ļblica mais pr√≥ximo ao local onde ocorreu o falecimento, ou na falta desse, por qualquer outro m√©dico da localidade. Em todos os casos dever√° constar no atestado que a morte ocorreu sem assist√™ncia m√©dica.
‚ÄĘ √ďbito no hospital ‚Äď No pr√≥prio hospital o familiar/cuidador receber√° orienta√ß√Ķes necess√°rias sobre como proceder para obter a declara√ß√£o de √≥bito.
Após a emissão da declaração de óbito, a família ou responsável pelo falecimento deverá levar o documento ao Cartório de registro mais próximo a fim de registrar o óbito.
Esse registro resultar√° na Certid√£o de √ďbito emitida pelo Cart√≥rio, documento essencial para que se proceda ao sepultamento e todas as outras provid√™ncias necess√°rias.
Fonte: Guia do Cuidador. Minist√©rio da Sa√ļde. Bras√≠lia, DF, 2008


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Reconhecendo o fim

31/05/2011 - 18:15 Por:

Categoria(s): Gerontologia

Diante da possibilidade de morte de alguém querido a família ou o cuidador passa pelo sentimento de incapacidade e isso gera sentimentos contraditórios, tais como raiva, culpa, alívio, etc.
A raiva é um sentimento que aparece quando se percebe que não se pode mudar o rumo das coisas e prolongar a vida. A culpa está relacionada com o sentimento de não ter cuidado mais e melhor. Por outro lado, a morte de alguém que está sofrendo pode representar um alívio para a família e para o cuidador.
Esses s√£o sentimentos comuns e normais nessa situa√ß√£o, dificilmente s√£o reconhecidos ou aceitos. √Č preciso que o cuidador e os familiares reconhe√ßam seus limites e entendam que mesmo que estejam fazendo tudo o que √© necess√°rio para o bem-estar da pessoa, pode ser que ela n√£o recupere a sa√ļde.
Ao longo da vida passa-se por v√°rias situa√ß√Ķes: algumas coisas s√£o perdidas e outras ganhadas, tais como: ao crescer se perde a inf√Ęncia e se ganha a adolesc√™ncia, ao mudar de casa ou de trabalho se pode ganhar mais espa√ßo ou melhor sal√°rio, mas se perde o lugar que gostava ou se deixam os amigos, ao terminar um relacionamento amoroso e iniciar outro, os sentimentos tamb√©m s√£o contradit√≥rios. Se sente tristeza pela perda do amor antigo, apesar de estar feliz com novo amor. Todas essas situa√ß√Ķes podem parecer insuport√°veis e insuper√°veis.
Esse momento de sofrimento pela perda de alguém é melhor suportado quando se tem com quem partilhar, pois esconder os sentimentos, chorar escondido, negar a perda não torna o sofrimento mais suportável.
Nessas horas cada pessoa tem seu jeito de procurar consolo para seu sofrimento como por exemplo, rezar, mudar de ambiente, pensar sobre a vida, conversar sobre a situação, reencontrar velhas amizades, cuidar de si mesmo e reorganizar a vida.
Fonte: Guia do Cuidador. Minist√©rio da Sa√ļde. Bras√≠lia, DF, 2008


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Envelhecimento est√° relacionado com problemas de temperatura

31/05/2011 - 11:54 Por:

Categoria(s): Doen√ßas e problemas de sa√ļde, Gerontologia

Contribuição enviada por Daliane Batista Cardoso*
Os idosos tendem a apresentar temperaturas corporais menores do que adultos jovens. Isto gera, segundo o estudo “Febre em idosos”, de Milton Luiz Gorzoni em parceria com outros pesquisadores, dificuldades para definir qual a varia√ß√£o da temperatura basal (aquela medida no momento que a pessoa acorda) e a quantifica√ß√£o de febre no idoso.
Segundo o estudo, que foi publicado nos Arquivos m√©dicos, ano passado, o ideal seria que todo idoso tivesse sua temperatura basal verificada semanal ou mensalmente. Isto porque, existe uma predisposi√ß√£o, relacionada ao envelhecimento, para s√≠ndromes com temperaturas at√≠picas como infec√ß√Ķes afebris e hipotermia.
O estudo ainda mostra que, al√©m do envelhecimento, existem outros fatores associadas √† redu√ß√£o da temperatura basal, como diabetes mellitus, doen√ßas neurol√≥gicas, desnutri√ß√£o, sarcopenia, imobilidade e medicamentos (barbit√ļricos, opi√≥ides, antidepressivos tric√≠clicos, benzodiazep√≠nicos, fenotiazidas e alfa-bloqueadores).
Segundo os autores, outro problema relacionado ao avan√ßo da idade diz respeito √†s t√©cnicas de medida da temperatura corporal, que podem sofrer interfer√™ncias de diversas situa√ß√Ķes e doen√ßas comuns em idosos. “A xerostomia (conhecida como boca seca), falhas de denti√ß√£o, respira√ß√£o pela boca e principalmente estados confusionais dificultam o posicionamento de term√īmetros na cavidade bucal”, exemplificam.
H√° tamb√©m, de acordo com a pesquisa, potenciais interfer√™ncias na aferi√ß√£o da temperatura corporal na regi√£o axilar como dobras de pele, volume da massa muscular e da adiposa, dist√ļrbios circulat√≥rios e temperatura ambiental. “Contudo, pela tradi√ß√£o e praticidade, a regi√£o axilar √© o local mais aceito e utilizado na pr√°tica cl√≠nica brasileira”, argumentam.
Segundo o estudo, a temperatura axilar normal de um adulto jovem aos 20 anos √© de 36,8¬įC. J√° em um idoso de 70 anos, √© de 36,05¬įC. Diante desse fato, os pesquisadores esclarecem que a detec√ß√£o de estados febris em idosos se d√° com temperaturas conceitualmente inferiores √†s definidas como febre em adultos jovens.
Fonte: Sa√ļde em Movimento
* Educadora física, colaboradora semanal com artigos na área, parceira da GeroVida


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Maus-tratos: o que fazer e como denunciar

30/05/2011 - 16:13 Por:

Categoria(s): Gerontologia

O que o cuidador pode fazer diante de situa√ß√Ķes de maus-tratos:
РTer consciência de que maus-tratos existem e que têm um efeito destrutivo na qualidade de vida das pessoas.
РRefletir diariamente se, mesmo sem querer, realizou algum ato que possa ser considerado como maus-tratos, procurando desculpar-se junto à pessoa cuidada.
– Identificar as raz√Ķes e buscar a ajuda da equipe de sa√ļde.
РCaso assista ou tenha conhecimento de alguma forma de maus-tratos à pessoa cuidada, denunciar, esse fato.

Den√ļncia em caso de maus-tratos:

Quanto mais dependente for a pessoa, maior seu risco de ser v√≠tima de viol√™ncia. O cuidador, os familiares e os profissionais de sa√ļde devem estar atentos √† detec√ß√£o de sinais e sintomas que possam denunciar situa√ß√Ķes de viol√™ncia. Todo caso suspeito ou confirmado de viol√™ncia deve ser notificado, segundo a rotina estabelecida em cada munic√≠pio, os encaminhamentos devem ser feitos para os √≥rg√£os e institui√ß√Ķes descriminados a seguir, de acordo com a organiza√ß√£o da rede de servi√ßos local:
a) Delegacia especializada da mulher
b) Centros de Referência da mulher
c) Delegacias Policiais
d) Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa
e) Centro de Referência da Assistência Social (CRAS)
f) Minist√©rio P√ļblico
g) IML e outros
O Minist√©rio P√ļblico √© um dos principais √≥rg√£os de prote√ß√£o, que para tanto, poder√° utilizar medidas administrativas e judiciais com a finalidade de garantir o exerc√≠cio pleno dos direitos das pessoas v√≠timas de viol√™ncia. Portanto, devem a sociedade civil, conselhos estaduais e municipais e demais √≥rg√£os de defesa dos direitos, procurar o Minist√©rio P√ļblico local toda vez que tiver conhecimento de discrimina√ß√£o e viol√™ncia.
Fonte: Guia do Cuidador. Minist√©rio da Sa√ļde. Bras√≠lia, DF, 2008


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Maus-tratos a idosos

26/05/2011 - 10:04 Por:

Categoria(s): Gerontologia

Maus-tratos s√£o atos ou omiss√Ķes que causem dano, preju√≠zo, afli√ß√£o, ou amea√ßa √† sa√ļde e bem-estar da pessoa. O mau trato pode ocorrer uma √ļnica vez ou se tornar repetitivo, pode variar de uma rea√ß√£o brusca, impensada, at√© uma a√ß√£o planejada e cont√≠nua e causar sofrimento f√≠sico ou psicol√≥gico √† pessoa cuidada. Os maus-tratos tanto podem ser praticados pelo cuidador, por familiares, amigos, vizinhos, como por um profissional de sa√ļde.
Os maus-tratos podem estar relacionados a diversas causas, tais como: conflitos familiares, incapacidade t√©cnica do cuidador em desempenhar as atividades adequadamente, problemas de sa√ļde f√≠sica ou mental da pessoa cuidada ou do cuidador, desgaste f√≠sico e emocional devido a tarefa de cuidar, problemas econ√īmicos, etc.
A viol√™ncia e os maus-tratos podem ser f√≠sicos, psicol√≥gicos, sexuais, abandono, neglig√™ncias, abusos econ√īmico-financeiros, omiss√£o, viola√ß√£o de direitos e autoneglig√™ncia.
‚ÄĘ Abusos f√≠sicos, maus-tratos f√≠sicos ou viol√™ncia f√≠sica: s√£o a√ß√Ķes que se referem ao uso da for√ßa f√≠sica como belisc√Ķes, pux√Ķes, queimaduras, amarrar os bra√ßos e as pernas, obrigar a tomar calmantes etc.
‚ÄĘ Abuso psicol√≥gico, viol√™ncia psicol√≥gica ou maus tratos psicol√≥gicos: correspondem a agress√Ķes verbais ou com gestos, visando aterrorizar e humilhar a pessoa, como amea√ßas de puni√ß√£o e abandono, impedir a pessoa de sair de casa ou tranc√°-la em lugar escuro, n√£o dar alimenta√ß√£o e assist√™ncia m√©dica, dizer frases como ‚Äúvoc√™ √© in√ļtil‚ÄĚ, ‚Äúvoc√™ s√≥ d√° trabalho‚ÄĚ etc.
‚ÄĘ Abuso sexual, viol√™ncia sexual: √© o ato ou jogo de rela√ß√Ķes de car√°ter h√©tero ou homossexual, sem a permiss√£o da pessoa. Esses abusos visam obter excita√ß√£o, rela√ß√£o sexual ou pr√°ticas er√≥ticas por meio de convencimento, viol√™ncia f√≠sica ou amea√ßas.
‚ÄĘ Abandono: √© uma forma de viol√™ncia que se manifesta pela aus√™ncia de responsabilidade em cuidar da pessoa que necessite de prote√ß√£o, seja por parte de √≥rg√£os do governo ou de familiares, vizinhos amigos e cuidador.
‚ÄĘ Neglig√™ncia: refere-se √† recusa ou omiss√£o de cuidados √†s pessoas que se encontram em situa√ß√£o de depend√™ncia ou incapacidade, tanto por parte dos respons√°veis familiares ou do governo. A neglig√™ncia frequentemente est√° associada a outros tipos de maus-tratos que geram les√Ķes e traumas f√≠sicos, emocionais e sociais.
‚ÄĘ Abuso econ√īmico/financeiro: consiste na apropria√ß√£o dos rendimentos, pens√£o e propriedades sem autoriza√ß√£o da pessoa. Normalmente o respons√°vel por esse tipo de abuso √© um familiar ou algu√©m muito pr√≥ximo em quem a pessoa confia.
‚ÄĘ Autoneglig√™ncia: diz respeito √†s condutas pessoais que ameacem a sa√ļde ou seguran√ßa da pr√≥pria pessoa. Ela se recusa a adotar cuidados necess√°rios a si mesma, tais como: n√£o tomar os rem√©dios prescritos, n√£o se alimentar, n√£o tomar banho e escovar os dentes, n√£o seguir as orienta√ß√Ķes dadas pelo cuidador ou equipe de sa√ļde.
Fonte: Guia do Cuidador. Minist√©rio da Sa√ļde. Bras√≠lia, DF, 2008


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Cresce o n√ļmero de idosos que t√™m investimento na Bolsa

25/05/2011 - 19:11 Por:

Categoria(s): Gerontologia

Editoria de arte/Folhapress
Por Maria Paula Autran (Colaboração para a Folha)
Quem pensa que o mercado de a√ß√Ķes √© s√≥ para jovens est√° enganado. Dados da BM&FBovespa mostram que o n√ļmero de investidores com mais de 66 anos foi o que mais cresceu nos √ļltimos 24 meses. De abril de 2009 at√© o m√™s passado, o aumento foi de 37%. Em seguida, as faixas que mais cresceram foram a dos 56 aos 65 anos e a dos 46 aos 55. Nas contas, est√£o inclu√≠dos os novos investidores e os que migraram de faixa.
De acordo com Jos√© Alberto Netto Filho, professor de educa√ß√£o financeira da BM&FBovespa, al√©m do trabalho de populariza√ß√£o da Bolsa, o ambiente macroecon√īmico do pa√≠s, est√°vel, influenciou o movimento. “Numa renda fixa, se ele conseguir 10% de rendimento no ano √© √≥timo. E a√≠ ele olha para a Bolsa e v√™ que ela pode oferecer mais”, diz, lembrando tamb√©m que uma pessoa com essa idade tem mais renda que um jovem.
O aposentado Daniel Gomes de Oliveira, 78, investe h√° cerca de oito em a√ß√Ķes. Ele conta que escolheu a Bolsa porque achou mais vantajoso que outros investimentos. “Leio algumas coisas e vejo empresas que d√£o alguns dividendos. Sobrava alguma coisinha e eu aplicava”, diz.
DIVIDENDOS
Para os investidores nessa faixa et√°ria, aplicar em empresas pagadoras de dividendos – que t√™m menos volatilidade – √© a orienta√ß√£o da estrategista-chefe da Ativa Corretora, M√īnica Ara√ļjo. Para ela, energia e telecomunica√ß√Ķes s√£o exemplos de setores menos vol√°teis, indicados para um investidor nessa idade.
“Pode ser bastante interessante para esse p√ļblico que come√ßa uma nova fase da vida buscando mais retorno sobre seu investimento”, diz. “Esse √© um investidor com um horizonte mais curto do que uma pessoa que entra no mercado com 25 anos”. Conhecer o n√≠vel de risco que o investidor aceita tomar e diversificar as aplica√ß√Ķes tamb√©m √© importante, dizem os analistas.
De acordo com o diretor operacional da SLW, Robson Queiroz, em toda aplica√ß√£o de renda vari√°vel √© preciso pensar no longo prazo, mas esse investidor tem caracter√≠sticas espec√≠ficas. “Esse perfil √© de uma estrat√©gia mais conservadora justamente para poder ter esses retornos e fazer um complemento da renda do investidor. A pessoa de mais idade procura um investimento, apesar de um certo grau de risco, com mais seguran√ßa.”
Os analistas recomendam s√≥ investir diretamente em a√ß√Ķes se a pessoa tiver condi√ß√£o de acompanhar o desempenho do mercado e das empresas. Caso contr√°rio, clubes e fundos de investimento – que funcionam como uma associa√ß√£o de investidores – podem ser boas op√ß√Ķes.
23/05/2011
http://www1.folha.uol.com.br/mercado/919397-cresce-o-numero-de-idosos-que-tem-investimento-na-bolsa.shtml


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Confus√£o mental

24/05/2011 - 12:36 Por:

Categoria(s): Doen√ßas e problemas de sa√ļde, Gerontologia

Na confusão mental a pessoa fica agitada, irritada, desorientada, não sabe onde está e fala coisas sem sentido, parece ativa num momento e logo a seguir pode estar sonolenta e com a atenção prejudicada.

A confus√£o mental pode acontecer no infarto do cora√ß√£o, desidrata√ß√£o, traumatismo do cr√Ęnio, infec√ß√£o, press√£o baixa, derrame ou outra doen√ßa grave.

√Č preciso que a pessoa seja avaliada pela equipe de sa√ļde. Com o tratamento dessas doen√ßas geralmente a pessoa sai do estado de confus√£o.

Fonte: Guia do Cuidador. Minist√©rio da Sa√ļde. Bras√≠lia, DF, 2008


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Desmaio e Sangramentos

20/05/2011 - 11:36 Por:

Categoria(s): Doen√ßas e problemas de sa√ļde, Gerontologia

Desmaio √© a perda tempor√°ria da consci√™ncia, pode ocorrer quando a pessoa tem uma queda da press√£o arterial, convuls√Ķes, doen√ßas do cora√ß√£o, hipoglicemia, derrame e outras. Por esse motivo √© preciso identificar a causa do desmaio.
Enquanto a pessoa estiver inconsciente, não ofereça líquidos ou alimentos, pois ela pode engasgar. Verifique se a pessoa apresenta ferimentos ou fraturas. Peça ajuda para levantar a pessoa e colocá-la na cama. Mantenha a pessoa deitada, com a cabeça no mesmo nível do corpo.
Se a pessoa que desmaiou for diab√©tica, espere recuperar a consci√™ncia, e ent√£o ofere√ßa a ela um copo de √°gua com a√ß√ļcar. Se for poss√≠vel, me√ßa a press√£o e sinta os batimentos do pulso. Se a pessoa n√£o melhorar, procure imediatamente a equipe de sa√ļde.

Sangramentos √© a perda de sangue em qualquer parte do corpo. Pode acontecer externamente ou internamente, resultante de feridas, cortes, √ļlceras ou rompimento de vasos sangu√≠neos.
O sangramento interno é mais grave e mais difícil de ser identificado.
Procure localizar de onde vem o sangramento e estancá-lo, apertando o local com as mãos. Para evitar contaminação proteja o local com um pano limpo. Para diminuir o sangramanto, utilize compressa com gelo ou água gelada, mantendo elevado.
Se a hemorragia acontecer num √≥rg√£o interno que se comunica com o exterior o sangramanto ser√° percebido na boca, nariz, fezes, urina, vagina ou p√™nis, dependendo do local onde rompeu o vaso sangu√≠neo. No sangramento do intestino √© poss√≠vel perceber fezes escuras e com cheiro f√©tido, o sangue que vem do est√īmago escuro como borra de caf√© ou vermelho vivo e pode ser observado no v√īmito. O sangue que sai do pulm√£o √© vermelho vivo e com bolhas de ar. Na hemorragia de bexiga o sangue sai pela urina.
O sangue que sai pela vagina pode ser de uma hemorragia da vagina, do √ļtero ou das trompas. Qualquer tipo de sangramento deve ser avaliado pela equipe de sa√ļde.
Fonte: Guia do Cuidador. Minist√©rio da Sa√ļde. Bras√≠lia, DF, 2008


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