Arquivo de Poesia

Lembrar de esquecer

10/11/2010 - 9:06 Por:

Categoria(s): Poesia

Preciso de um lembrete para esquecer
O mal que me pagaram
A dor que deixaram
A maldade estampada
A traição dissimulada
A injustiça causada
Ainda não aprendi esquecer
Preciso lembrar que tenho que esquecer
A dor que vai e volta
A dor que sofri
Foi porque eu esqueci de mim
Elisandra Villela Gasparetto S̩ Р08/09/2010


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Persistência

10/11/2010 - 9:01 Por:

Categoria(s): Poesia

A vida não dá tempo pra sentir
Perceber é automático
É ser carrasco com o próprio coração
Se eu viver o presente pensando no passado
Eu volto ao passado e não vivo o presente
Se eu viver o presente pensando
somente no futuro
e esquecer o passado,
eu me apago
Então como ficam as lembranças
e as promessas do presente
Como ficam os projetos
e a vida do aqui e agora
Como não lembrar que o passado está presente
A memória e o pensamento
não tem calendário.
Elisandra Villela Gasparetto Sé – 01/06/2010


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Retrato da Maturidade (Acróstico)

21/10/2010 - 17:36 Por:

Categoria(s): Arte, Gerontologia, Poesia

Maestro Urban

Combatendo na estrada da vida
A sorrir vai o idoso passando,
Nos embates da luta renhida,
Tanto amor e esperança, sonhando.
O destino lhe foi bom amigo.

Realizou sempre seu ideal,
Enfrentou a ilusão e o perigo,
Alcançou a vitória, final.
Ladeado de filhos e netos

Desfrutando carinho e afeição,
Amizades e braços abertos

Mais amor dentro do coração.
Atingiu tanta idade sorrindo,
Tendo ao lado uma intensa paixão
Um segredo na alma curtindo,
Repassado de afeto e emoção.
Inspirado na mãe natureza,
Dando a todos lições de bondade
Assim vive, fruindo a beleza,
Dias lindos de encanto e saudade:
Este é o retrato da maturidade.


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Envelhecer sorrindo – Hino ao idoso

19/10/2010 - 10:29 Por:

Categoria(s): Gerontologia, Poesia

Maestro Urban

Felicidade é envelhecer sorrindo
Tudo encarando com ternura e com prazer
Amando a vida e um bom lazer curtindo
Com gargalhada e muita gana de viver.

É tão gostoso envelhecer sorrindo
Ser bom exemplo de honradez e de virtude
Já ser idosos, velhice não sentindo
Este é o segredo da perene juventude.

Amar a vida, viver o amor.
E os desalentos suplantar com alegria
Saborear os bons momentos.
Sonhar um lindo e róseo sonho a cada dia.

Viver contente, viver feliz.
A todo instante mais amor usufruindo
Em paz com Deus, de bem com a vida.
Eis a ventura de envelhecer sorrindo.


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Soneto da fidelidade

19/10/2010 - 8:50 Por:

Categoria(s): Poesia

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa (me) dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Vinicíus de Moraes


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Resiliência

15/10/2010 - 13:42 Por:

Categoria(s): Poesia

A vida por vezes me bateu.
Quis dela, mais do que poderia me oferecer.
E quis de mim, mais do que poderia ser.
Houve dias de desespero.
Houve noites de sol.
Houve vazio na alma.
Compreendi algumas coisas, outras ainda não.
Respondi algumas perguntas.
Não tive respostas para outras tantas.
Fugaz, foram os meus dias.
Nas decepções, encontrei a rudeza do cotidiano.
Na descoberta, a resiliência da minha alma.
Tornei-me descobridor de mim mesmo.
Dos meus caminhos, e de minha lucidez.
Das minhas fraquezas, e de minha eterna força.
Deparei com os meus limites, e minha sensatez.
Descobri que não poderia ser além do que eu era.
Encontrei os meus limites.
Adaptei ao meu tamanho.
Sem abandonar o sonho.
E a vida que por vezes me abandonou.
Fez de mim o que sou.
Nem mais, nem menos, me fez assim…

Ari Mota
http://aalmaresiliente.blogspot.com/search/label/RESILI%C3%8ANCIA


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O buscador

8/10/2010 - 16:18 Por:

Categoria(s): Poesia, Reflexão

Esta é a história de um homem a quem eu definiria como um buscador… Um buscador é alguém que busca, não necessariamente alguém que encontra. Também não é necessariamente alguém que sabe o que está buscando; é simplesmente alguém para quem sua vida é uma busca permanente.
Um dia o buscador sentiu que devia ir à cidade de kammir. Ele tinha aprendido a obedecer rigorosamente a estas sensações que surgiram de algum lugar desconhecido de si mesmo, de maneira que abandonou tudo e partiu. Após dois dias de marcha em empoeirados caminhos, lá longe divisou Kammir. Um pouco antes de chegar à cidade, chamou-lhe poderosamente a atenção uma colina que se encontrava à direita do caminho. Ela estava coberta de um verde maravilhoso, com numerosas árvores, pássaros e flores encantadoras; tudo estava rodeado por uma pequena cerca envernizada… Uma pequena porta de bronze o convidava a entrar. De repente sentiu que esquecia da cidade e não resistiu à tentação de descansar um momento naquele lugar.
O buscador atravessou o portal e começou a caminhar lentamente entre as brancas pedras distribuídas como que aleatoriamente entre as árvores. Permitiu que seus olhos pousassem como borboletas em cada detalhe desse paraíso multicolor. Seus olhos eram olhos de um buscador e, talvez por isso, descobriu sobre uma daquelas pedras aquela inscrição: “Abdul Tareg viveu 8 anos, 6 meses, 2 semanas e 3 dias”.
Sentiu-se um pouco angustiado ao perceber que essa pedra não era simplesmente uma pedra, era uma lápide. Sentiu pena ao pensar em uma criança tão nova enterrada naquele lugar. Olhando ao redor, o homem se deu conta de que a pedra seguinte também tinha uma inscrição. Aproximou-se e viu que estava escrito: “Yamir Kalib, viveu 5 anos, 8 meses e 3 semanas”.
O buscador sentiu-se terrivelmente transtornado. Esse belo lugar era um cemitério e cada pedra era uma tumba. Uma por uma começou a ler as lápides. Todas tinham inscrições similares: um nome e o exato tempo de vida do morto. Porém, o que lhe causou maior espanto foi comprovar que quem mais tinha vivido, apenas ultrapassava os 11 anos… Invadido por uma dor muito grande, sentou-se e começou a chorar. A pessoa que tomava conta do cemitério, que nesse momento por ali passava, aproximou-se. Permaneceu em silêncio enquanto olhava o homem chorar e, após algum tempo, perguntou-lhe se chorava por alguma pessoa da família.
Não, ninguém da família. – respondeu o buscador – O que se passa nessa cidade? Que coisa tão terrível acontece aqui? Por que tantas crianças mortas enterradas neste lugar? Qual a horrível maldição que pesa sobre essas pessoas que as obrigou a construir um cemitério de crianças? O velho sorriu e falou:
– Pode acalmar-se. Não existe nenhuma maldição. O que acontece é que aqui temos um antigo costume que lhe contarei… Quando um jovem completa seus quinze anos, ganha de seus pais uma caderneta, como esta que eu mesmo levo aqui, pendurada no pescoço. É uma tradição entre a gente, que a partir desse momento, cada vez que você desfruta intensamente de alguma coisa, abre sua caderneta e escreve nela: À esquerda o que foi desfrutado… À direita, o tempo que durou o prazer. Conheceu uma moça e se apaixonou por ela. Quanto tempo durou essa enorme paixão e o prazer de conhecê-la? Uma semana? Duas? Três semanas e meia?… E depois…, a emoção do primeiro beijo, quanto durou? O minuto e meio do beijo? Dois dias? Uma semana?… E a gravidez ou o nascimento do seu primeiro filho…? E o casamento dos amigos? E a tão desejada viajem? E o encontro com o irmão que retorna de um longínquo país? Quanto tempo desfrutou dessas situações…? Horas? dias…? Assim, vamos anotando na caderneta cada momento que desfrutamos… cada momento. Quando alguém morre, é nosso costume abrir a caderneta e somar o tempo desfrutado para gravá-lo sobre a pedra, porque este é, para nós, o único tempo VIVIDO.


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Linguagem

13/07/2010 - 14:57 Por:

Categoria(s): Poesia

Linguagem é um vir a ser.
É referência.
É a arte de conhecer.
Linguagem é comportamento, um ser no mundo.
É interferência.
Linguagem é descobrimento e transformação.
É emoção.
É malabares, manipulação
Linguagem é coordenação.
Linguagem é ferramenta e também invenção.
Linguagem é interação.
É consciência e asserção.
Linguagem é significação.
Atividade constitutiva.
Manifestação.
É produção, observação.
Linguagem é intersubjetiva.
Linguagem é trabalho
É história e biologia
É memória e psicologia
É propriedade e sociologia
Linguagem é um mistério
É uma via
Linguagem é uma verdadeira alquimia.

Elisandra Villela Gasparetto Sé – 01/07/2010


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Expressão

11/07/2010 - 8:00 Por:

Categoria(s): Poesia

Colecionamos sons que saem das mentes desvairadas
A mente é uma caixa preta de palavras
Dizem-nos o que quer
Expressam o seu ser
A gente se ilude com os sentidos
São ódios reprimidos
Rancores passivos
Significados de dor e de prazer
Sons ásperos da dialética morta
Porque as palavras saem de onde saem os beijos?
Com as palavras me reinvento
A linguagem muda com o tempo
Nos labirintos retorcidos se escondem
Inventam o ser no mundo
Palavras são surpresas, improvisos do pensamento.
Pulsações, ilusões domadas, formas moldadas,
Os sons que saem da boca são muito barulho por nada.

Elisandra Villela Gasparetto Sé – 01/12/2009


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Nova vida…

14/06/2010 - 8:00 Por:

Categoria(s): Poesia

Nossa caminhada pode ser igual ao céu azul puro, como o mais brilhante e resplandecente voar de uma águia. Às vezes, ela pega ma chuva, trovoadas, turbulências que desviam sua trajetória, mas depois tudo volta ao normal. Desde que sempre deixemos nossa essência e coração falar e agir, do contrário o Ego poderá destruir o que Deus construiu de mais belo!

(Escrito por Wanda Patrocinio, num momento de iluminação da mente em Nazaré Uniluz, em 22 de abril de 2005)


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