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Musculação também pode proteger o cérebro

14/06/2011 - 11:50 Por:

Categoria(s): Dicas, Gerontologia, Qualidade de Vida

 Contribuição enviada por Daliane Batista Cardoso*
Pesquisas demonstram que, já a partir dos 25 anos, o cérebro inicia um processo gradual e lento de declínio cognitivo, ou perda de desempenho, que evolui com a idade. Na população idosa, o declínio cognitivo já é um importante assunto de saúde pública e uma bem reconhecida manifestação clínica desse declínio são as quedas. Idosos com comprometimento cognitivo caem duas vezes mais do que os que não possuem. Um estudo publicado no ano passado pesquisou o efeito em idosos de um treino de resistência de 12 meses no desempenho cognitivo e risco de quedas. Seus resultados mostraram que o treino realizado uma ou duas vezes por semana melhorou o desempenho cognitivo, principalmente as características de atenção seletiva e solução de conflitos.
Após a conclusão deste estudo, os participantes foram acompanhados durante mais um ano e os resultados desse acompanhamento foram liberados recentemente. Idosos que participaram do programa de exercícios de resistência conseguiram manter os benefícios cognitivos e tiveram menos quedas, gerando economia para o sistema de saúde. O estudo contou com 155 mulheres com idades entre 65 a 75 anos. O treino de resistência foi feito em aulas de 60 minutos utilizando um aparelho para as pernas (leg press) e pesos livres. Dentro dos que faziam o treino de resistência, havia um subgrupo que treinava uma vez por semana e outro que treinava duas vezes por semana. Esse grupo foi comparado a um grupo de controle que fazia treino de tonificação e equilíbrio duas vezes por semana, realizando exercícios de alongamento, amplitude de movimento, fortalecimento básico e equilíbrio, bem como de técnicas de relaxamento.
Surpreendentemente, o grupo que conseguiu sustentar os benefícios cognitivos foi o que treinava apenas uma vez por semana, ao invés de duas. Os autores do estudo especulam que este grupo provavelmente foi mais bem sucedido em manter o mesmo nível de atividade física obtido no estudo original.

Benefícios econômicos

Além dos benefícios cognitivos, os benefícios econômicos do grupo de uma vez por semana também foram mantidos um ano após o estudo original. O grupo de uma vez por semana gerou menos gastos relacionados ao uso do sistema de saúde e tiveram menos quedas do que o grupo de duas vezes por semana e o de tonificação. Este estudo mostra mais uma vez que um corpo em forma está diretamente relacionado com um cérebro em forma. Em todas as idades, exercitar o corpo beneficia o cérebro. O treino aeróbico é geralmente associado a um melhor desempenho cognitivo, mas o interessante é que este novo estudo mostra que a musculação também pode ser adicionada à nossa lista de exercícios.

Fonte: Cerebromelhor.com.br
* Educadora física, colaboradora semanal com artigos na área, parceira da GeroVida

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Açúcar não é açúcar: o simples e o complicado

13/06/2011 - 12:58 Por:

Categoria(s): Qualidade de Vida

 Açúcar não é açúcar. Parece confuso? Concordo, a culpa é da teoria dos açúcares. Açúcar de verdade, aquele de que seu corpo necessita e que fornece energia para você viver, só existem dois: a glicose e a frutose. Apenas esses dois açúcares foram preparados pela natureza para consumo humano, se é que isso existe. Glicose e frutose são chamados de açúcares simples porque já estão prontos para ser utilizados pelo organismo. Do jeito que forem ingeridos serão assimilados, não sofrem nenhuma ação de enzimas digestivas, não dão trabalho ao organismo. Glicose e frutose são irmãos gêmeos, possuem a mesma fórmula química (isomeria) e são fontes diretas de energia. A rigor, açúcar em última instância é a glicose; a frutose, apesar de ser assimilada enquanto tal pelo organismo, no fígado se transforma em glicose. Esses dois açúcares de verdade é que são oferecidos a você de bandeja, nas frutas maduras e no mel das abelhas.
Ainda hoje alguns médicos e nutricionistas referem-se ao açúcar do açucareiro como sendo um açúcar simples . Estão enganados. Açúcar simples é um conceito científico. Simples são os açúcares que não são hidrolisáveis a unidades menores, espécies de átomos de açúcar que não podem mais ser divididos. Chamam-se também de monossacarídeos por constituírem uma unidade. Exemplos desses açúcares são glicose, frutose, manose e galactose. Se você ligar dois monossacarídeos por meio de uma ligação glicosídica terá um dissacarídeo, exemplos: sacarose, maltose e lactose; se ligar três terá um trissacarídeo, e assim por diante. Todos eles são chamados também de açúcares. Os açúcares constituídos de dois até seis monossacarídeos são chamados de oligossacarídeos. De seis para cima são os polissacarídeos: por exemplo, amido e celulose no reino vegetal e glicogênio no animal. Os mono e os oligossacarídeos têm gosto doce, já entre os açúcares da classe dos polissacarídeos, alguns são até amargos. Por outro lado existem substâncias que não são açúcares, isto é, carboidratos, mas que são tão doces que põem o açúcar no chinelo. Taumatina e monelina, proteínas extraídas de plantas africanas, são três mil vezes mais doces que açúcar. O açúcar complicado (ele mesmo, o do açucareiro) não é açúcar de verdade. A sacarose, como o açúcar é conhecido pelos químicos é, a rigor, uma substância de reserva dos vegetais. A sacarose antes de ser utilizada pelas plantas ou pelo organismo humano tem que ser decomposta (hidrolisada) em suas partes constituintes, justamente glicose e frutose. A sacarose, portanto, é fonte de glicose e frutose; estas duas é que são fontes de energia. Em outras palavras, sacarose não é açúcar e sim fonte ou reserva de açúcares. Poderíamos chamá-la também de substância precursora de açúcar. A sacarose segundo Lehninger, clássico da bioquímica, é a principal forma de transporte de açúcar das folhas para as demais partes das plantas, via sistema vascular (…); sua propriedade não redutora a protege do ataque oxidativo ou hidrolítico por parte de enzimas vegetais até que ela atinja seu destino no interior da planta (1).
O destino da sacarose nos vegetais, portanto, é transformar-se em glicose e frutose. Enquanto circula nos vegetais ela é instável. A cana-de-açúcar, por exemplo, depois que é cortada no canavial, tem que ser levada às pressas para a usina a fim de ser espremida e misturada com produtos químicos antes que a sacarose comece a transformar-se em açúcares redutores (glicose e frutose) como dizem os químicos. Lehninger considera um enigma da natureza o fato de a sacarose também não ser um açúcar redutor. Na verdade o açúcar é um enigma semântico ou um caso de falsidade ideológica: deram o nome de açúcar a uma substância de reserva de açúcares. E a sacarose em estado natural, como no caldo de cana, por exemplo, acompanhada de nutrientes é digerível embora tenha contra-indicações. O Dr. João Curvo alerta que caldo de cana deve ser evitado durante as diarréias e que em excesso pode acarretar vômito e flatulência. O problema é a sacarose refinada A cana e a beterraba em si são alimentos; a sacarose refinada é apenas a parte combustível do alimento cirurgicamente isolada. Outro problema é que todos os alimentos já fornecem energia, de modo que o açúcar acrescentado transforma os alimentos açucarados numa bomba calórica patogênica (2). Do exposto fica claro que o açúcar ideal para o consumo humano são apenas dois: a glicose e a frutose, presentes nas frutas e no mel. Aliás os melhores méis de abelha são justamente aqueles em que a sacarose está ausente, como o mel da abelhinha Jataí. As abelhas possuem enzimas que hidrolisam a sacarose para oferecer no mel apenas glicose e frutose; e o teor de sacarose numa fruta é residual quando ela está madura e docinha. Por que então os homens fizeram questão de industrializar uma substância de reserva e não os verdadeiros açúcares? Pela simples razão de que a sacarose é muito mais abundante na natureza. A glicose e a frutose encontram-se no fruto maduro e doce. A sacarose se encontra em todas as plantas, nas folhas, nas raízes, nos caules. O açúcar do açucareiro vem de onde? Vem do colmo de uma gramínea (a cana), no fundo um capim duro, ou da raiz da beterraba. Não está claro nisso tudo um recado da mãe natureza de que o açúcar que ela preparou para consumo de seus filhos está nas frutas e no mel?
Outra substância de reserva de açúcar dos vegetais é o amido, uma espécie de reserva estratégica, estacionária. O amido concentra muitas moléculas de glicose; depois de lentamente digerido ele fornece glicose ao organismo, é o famoso alimento que na barriga vira açúcar. O amido contido nos cereais naturais, porém, não é açúcar puro; é um alimento importante, rico em fibras, vitaminas e sais minerais. O amido puro, isolado, como é o caso da famosa Maizena, é um alimento pobre, sem fibras, vitaminas e sais minerais. O açúcar do leite, a lactose, também não é um açúcar de verdade. A lactose, como a sacarose, é um dissacarídeo (açúcar composto de outros açúcares) e tem que ser hidrolisada no intestino antes de ser assimilada e metabolizada pelo organismo. O verdadeiro açúcar do leite é a galactose, monossacarídeo que, assim como a frutose, no organismo humano se transforma em glicose. Estou aqui a defender que açúcar de verdade são apenas os monossacarídeos? Sim e não, porque monossacarídeos existem mais de duzentos na natureza, mas do ponto de vista de quem tem fome ou da dieta e nutrição humana apenas dois monossacarídeos têm valor: glicose e frutose, os dois naturalmente presentes nas frutas e no mel. A galactose, monossacarídeo do leite, embora tenha reconhecida importância dietética, não existe livre na natureza. Os naturalistas, as donas de casa e até médicos, nutricionistas e químicos, pelo fato de o açúcar provir da cana e da beterraba, acham que se trata de um alimento, um produto natural. Estão todos enganados. Querem ver? Raciocinem junto comigo: o que é que o açúcar tem em comum com a cana-de-açúcar? NADA. Açúcar é igual a sacarose menos a cana.
Açúcar é 99,5% de sacarose e os outros 0,5% sequer são cana, mas lixo químico fino, cinzas e outros produtos tóxicos, inclusive metais pesados. Com o açúcar de beterraba a mesma coisa: é sacarose menos a beterraba. Os dois açúcares, o de cana e o de beterraba, são iguaizinhos, ambos têm a forma de um pó branco. Se houver alguma diferença entre os açúcares de cana e o de beterraba deve-se ao seguinte: como nos processos de refinamento usam químicas diferentes – um usa sulfitação, e o outro carbonatação – a diferença estará no lixo químico fino. Ou então o açúcar não foi purificado a contento e o de cana ficou com um cheirinho de cana e o outro com um cheirinho de beterraba. Já li que o açúcar de beterraba é um pouquinho alcalino comparando com o de cana. E uma curiosidade: não existe açúcar bruto ou mascavo feito de beterraba por causa de um princípio amargo nela contido.
Portanto, naturalistas e artificialistas, olho vivo!

(1) Lehninger, A. Bioquímica. São Paulo: Edgar Blucher, 1976, p. 487.
(2) Curvo, J. Magros Yin e Yang. Rio de Janeiro: Rocco, 1990, p. 74.

Retirado de “O livro negro do açúcar”, de Fernando Carvalho. Rio de Janeiro, 2006. P. 24.
http://www.uefs.br/docentes/jmarcia/2007/O_livro_negro_do_acucar1.pdf

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A teoria dos açúcares

9/06/2011 - 10:16 Por:

Categoria(s): Qualidade de Vida

Segundo essa teoria existem diversos tipos de açúcar. A glicose ou dextrose, a frutose ou levulose, que são os açúcares das frutas. A lactose, que é o açúcar do leite. Há a sacarose ou sucrose, que é o açúcar comum de mesa, feito de cana ou de beterraba. Há mais outros tantos tipos de açúcar, como maltose, dextrina, ribose, xilose (açúcar de madeira), arabinose (açúcar de goma), manose (açúcar de coco), etc. Tem até açúcar-álcool. Sem contar aquela história de que tudo o que você come, pão, batata, verduras e legumes, em sua barriga vai tudo virar açúcar.
A teoria dos açúcares existe em consequência de um engano dos químicos oriundo do século XIX, quando batizaram a classe dos compostos orgânicos de fórmula geral Cn(H2O)n (carbono, hidrogênio e oxigênio) de hidratos de carbono (ou carboidratos) ou ainda açúcares .
A confusão aconteceu porque nos compostos da família, apesar de os átomos de hidrogênio e oxigênio estarem presentes na mesma proporção que na água, neles não existem moléculas de água, não são átomos de carbono hidratados, como o nome supõe, e sim átomos de carbono unidos a outros grupos químicos. Usar a propriedade do sabor doce para caracterizar os carboidratos e chamá-los de açúcares, também gera confusão, porque na família há substância que não é doce, ao passo que existem substâncias mais doces que açúcar em compostos de outras classes. Os químicos em convenção decidiram adotar o termo glicídios cuja etimologia ainda remete a doce em grego (glykys).
Essa confusão conceitual veio a calhar para a ditadura do açúcar, que pôde expandir e consolidar seu império em segurança. Quando algo de errado no campo da patologia vinha à tona epidemia de cárie, obesidade, diabetes – a culpa era dos açúcares .
Chamar qualquer carboidrato de açúcar é um verdadeiro absurdo. Carboidrato é uma classe de compostos abundante e diversificada na natureza. Celulose, por exemplo, é carboidrato; logo, papel e tecido teriam que ser chamados de açúcares . Há carboidrato (quitina) até no exoesqueleto (carapaça) de escorpiões e lagostas. Por outro lado, chamar açúcar de carboidrato, como faz a indústria de alimentos, tem o objetivo de ocultar a quantidade de açúcar que você está ingerindo. Numa barra de chocolate ou numa lata de leite condensado se informa o teor de carboidratos mas esconde-se a quantidade de açúcar.
Atualmente a Food and Drug Administration (FDA) e a União Européia chamam de açúcar o açúcar mesmo e de açúcares aqueles naturalmente presentes nos alimentos.
E os nutricionistas já distinguem os acúcares intrínsecos (os naturais) dos extrínsecos (os adicionados). Quanto aos açúcares-álcoois, poliálcoois ou polióis (manitol, sorbitol, xilitol) a União Européia, que detém a patente, considera-os carboidratos. A FDA não.
O objetivo dessa teoria complexa é ocultar por mimetismo o único açúcar que faz mal ao ser humano. Ele mesmo, o açúcar propriamente dito, o habitante do açucareiro, que os químicos chamam de sacarose refinada. O açúcar encontra-se camuflado na floresta dos açúcares , mas o objetivo deste livro é justamente segurá-lo pelo rabo, sacudi-lo e denunciá-lo, repito, como sendo o único açúcar nocivo à espécie humana.
Retirado de “O livro negro do açúcar”, de Fernando Carvalho. Rio de Janeiro, 2006. P. 24.
http://www.uefs.br/docentes/jmarcia/2007/O_livro_negro_do_acucar1.pdf

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Musculação na Terceira Idade

7/06/2011 - 15:27 Por:

Categoria(s): Dicas, Gerontologia, Qualidade de Vida

 Contribuição enviada por Daliane Batista Cardoso*
A aplicação da musculação para o idoso não foi descoberta há muito tempo, porém a sua eficiência como ferramenta para a diminuição dos declínios de força e massa muscular relacionados com o avanço da idade está definitivamente comprovada. Um estudo feito nos Estados Unidos, realizado com 97 pessoas acima de 60 anos, comprova que os idosos que praticam exercícios sentem menos dores e aumentam sua resistência.  A expectativa de vida dos brasileiros passou dos 70 anos. Isso tudo comprova que exercícios devem ser praticados diariamente, em todas as idades.
Conforme vamos envelhecendo, se torna mais difícil manter a massa muscular e a força da juventude, diminuição da massa muscular, densidade óssea, força e flexibilidade. O metabolismo acaba ficando mais lento e diminuindo, com isso a tendência é ganhar mais gordura, o que aumenta o risco de quedas e fraturas, porém esses efeitos podem ser minimizados com a musculação. Segundo pesquisadores  o problema acontece por dois motivos: menor produção de musculatura e quebra mais acelerada.
O problema se intensifica após os 65 anos e, por isto, os cientistas indicam o treinamento com pesos para este grupo. Com isso as academias de ginásticas estão abrindo cada vez mais espaço para trabalhar com atividades voltadas para terceira idade, descobrindo um novo mercado com grande potencial. Tanto que hoje existem academias especializadas, com trabalhos voltados somente para a terceira idade.
Fonte: Site Musculação e Cia
* Educadora física, colaboradora semanal com artigos na área, parceira da GeroVida

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Alimento versus calorias

6/06/2011 - 21:56 Por:

Categoria(s): Qualidade de Vida

Desde que a humanidade existe – pode ir bem longe, ao tempo do Australopitecus, por exemplo – que o organismo animal está adaptado à relação matemática existente entre alimentos e calorias. A relação é: 1 grama de carboidrato ou proteína equivale a 4 calorias e 1 grama de gordura equivale a 9 calorias. Todo e qualquer alimento, glicídio, lipídio ou protídio, fornece a energia de que o corpo necessita. Quando o Australopitecus capturava um animal e o comia cru ou assado, ou um chinês, há cinco mil anos, comia uma tigela de arroz, o pâncreas dele sabia qual a quantidade de insulina que deveria produzir para aquela quantidade de comida. Uma espécie de calculadora biológica (nós não temos um relógio biológico?), combinada com uma espécie de sistema endócrino de injeção eletrônica preparado pela evolução das espécies, entrava em ação prontamente. O organismo lidava com um bolo de alimento que ao mesmo tempo nutria e fornecia energia. Esse mecanismo biológico veio a ser perturbado depois da introdução do açúcar, ou melhor, da intromissão do açúcar na mesa da humanidade. Isso porque o açúcar não era um novo alimento que estava chegando à mesa, mas um produto químico, uma substância não nutritiva que apenas adicionava calorias aos alimentos, além de sabor doce. Calorias inúteis que se revelaram nocivas à saúde. O açucareiro deu uma cotovelada no pote de mel da mesa e se instalou como um adoçante com pretensões hegemônicas. Com o advento do açúcar na mesa da humanidade o ser humano se viu diante de uma situação nova, para a qual seu organismo não estava preparado: a de lidar com um bolo de alimentos que quebrava aquela antiga relação alimento-caloria, com a qual estava acostumado desde seu avô Australopitecus. O açúcar adicionado à comida provoca reações complexas nos sistemas hormonais endócrino, parácrino e autócrino. Mas há quem pense diferente, o médico americano Barry Sears autor da, com licença da palavra, Dieta da Zona, acha que os cereais é que são os responsáveis pelo conflito entre alimentos e funcionamento hormonal. Ele chega a lamentar a revolução agrícola, acontecida há dez mil anos, pela introdução dos grãos na dieta humana. E é completamente cego para o produto químico que caiu de paraquedas na mesa da humanidade há apenas quinhentos anos (1). Com o açucaramento da dieta a calculadora biológica entrou em pane ao passar a lidar com um bolo de alimentos estranhamente enriquecido de calorias, o que demandava mais insulina. Conforme Arthur Guyton, o trânsito de glicose para o interior das células, quando o pâncreas secreta grandes quantidades de insulina, é dez ou mais vezes mais rápido que o normal (2). A dieta açucarada criou uma situação de estresse permanente no metabolismo. Segundo a médica portuguesa Luísa Sagreira a hiperinsulinemia é responsável por alterações lipídicas e das proteínas, aumento de VLDL-colesterol e de triglicerídeos, diminuição de HDL-colesterol, hipertensão arterial, possibilidade de se acompanhar de tolerância diminuida à glicose; e por último é responsável por uma mortalidade cardiovascular aumentada e prematura (3). Desde que os europeus passaram a produzir açúcar aos milhares de sacos no Novo Mundo recém descoberto até os atuais 200 bilhões de toneladas métricas por ano, o açucaramento da dieta humana tem sido progressivo. E o doutor Atkins adverte: Quanto mais açúcar você come mais anormal torna-se a resposta do organismo ao açúcar.
Ante a dieta açucarada, o pâncreas reagia produzindo uma quantidade de insulina maior para fazer face às calorias extras, funcionava em ritmo de trabalho forçado e a insulina ajudava a transformar o açúcar extra em gordura, gerando obesidade e seus corolários mórbidos. A continuidade desse processo torna a insulina cada vez menos eficaz. Essa resistência insulínica provoca pane no próprio mecanismo de administração da insulina. Perturbando o funcionamento do metabolismo, através da dieta açucarada, a revolução do açúcar inaugurou na história da humanidade a era das doenças crônicas, metabólicas e degenerativas, uma série de novas doenças não transmissíveis para as quais a medicina não estava preparada. Começando pelas cáries dentárias o açúcar abre caminho para o lento desenvolvimento dessas doenças num leque bem conhecido: sobrepeso, obesidade, hipertensão, diabetes e doenças cardiovasculares. Tais doenças são tão relacionadas entre si que a medicina já criou o conceito de Síndrome X ou plurimetabólica que empacota várias delas. Resta à humanidade lutar contra essa situação patológica através do movimento Açúcar zero. Ele não defende nenhuma dieta nova, apenas recomenda que se elimine o açúcar da mesa. Quanto ao mais, cada um deve comer de acordo com suas inclinações, apetite, idade, sexo, trabalho, clima, geografia, cultura, etnia etc. Se for guloso será gordo, porém saudável. É o açúcar que gera doentes gordos ou magros. O movimento Açúcar zero pretende contrarrestar a ditadura do açúcar. É um saudável movimento de fuga da imposição da dieta açucarada. Como um primeiro passo basta que você, que está lendo esse texto, por exemplo, pare de comer açúcar e além disso, ajude a causa tirando o doce da boca das crianças.

(1) Sears, B. O ponto Z, a dieta. Rio de Janeiro: Campus, 1997.
(2) Guyton, Artur. Tratado de Fisiologia Médica. Rio de Janeiro: editora Guanabara, 1989, p. 642.
(3) Dislipidemia. In: Duarte, Rui (org.). Diabetologia clínica. Lisboa: Lidel, p. 296.

Retirado de “O livro negro do açúcar”, de Fernando Carvalho. Rio de Janeiro, 2006. P. 22-23.
http://www.uefs.br/docentes/jmarcia/2007/O_livro_negro_do_acucar1.pdf

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O conceito de alimento

4/06/2011 - 16:20 Por:

Categoria(s): Qualidade de Vida

 Definir alimento, convenhamos, é um assunto meio complicado, mas nesse terreno até os nutricionistas concordam em algumas questões suficientes para uma definição satisfatória. E talvez ela ajude a deixar claro pelo menos o que não é alimento. O Dr. Cleto Seabra Veloso assim define alimento: Toda e qualquer substância, orgânica ou mineral, que introduzida no organismo em proporções convenientes é capaz de assegurar-lhe o desenvolvimento e a conservação normais no meio em que vive. Para completar sua definição o Dr. Cleto pede a ajuda do seu colega Dr. Sebastião Barroso: O alimento deve ser comível, ser digerível, e ser nutriente (1). A nutricionista Dra Rebeca de Angelis diz que alimento é aquilo que entra no organismo para fornecer energia, matéria viva de crescimento, manutenção, reparo, reprodução e excreção (2). Dessas duas definições depreende-se que os alimentos desempenham papéis no organismo: plástico, energético, regulador e protetor. O papel plástico (construção do corpo) cabe, grosso modo, às proteínas; o papel energético aos carboidratos e gorduras; e o papel regulador e protetor às vitaminas e sais minerais. Um assunto polêmico envolve o papel energético dos alimentos, certamente uma subversão do conceito de alimento inventada para que o açúcar entrasse de contrabando no rol dos produtos alimentícios. Segundo o fundador da medicina experimental, Claude Bernard desde Lavoisier que se repete a comparação entre alimento e combustível. Essa comparação é pouco exata, porque o organismo não emprega para as suas atividades o calor de combustão dos próprios alimentos, mas utiliza diretamente a energia química neles contida e no oxigênio, energia química que por comodidade é medida calorimetricamente, mas que no corpo realiza outras transformações: distribui-se em soluções de concentrações diversas, em sistemas complexos; transforma-se abundantemente em energia de superfície que, por sua vez, cria forças tensoras e atrativas (absorção); estabelece potenciais de membranas e finalmente reflui irreversivelmente no mar morto da energia menos nobre, a mais degradada, que é a energia térmica, e sob essa forma, se não há trabalho externo, abandona o organismo (3).
E aprofundando o assunto com nosso Dr. Seabra Veloso: Na máquina mecânica o combustível desenvolve energia que se traduz em força, em trabalho, em movimento, mas as peças se gastam; na máquina orgânica, porém, além da energia e do calor resultantes, o alimento repõe os gastos ocorridos, e refaz as células, tecidos e órgãos. De modo que esses se renovam automaticamente. Constitui isso uma das maravilhas da vida (4). Levando em consideração o exposto, faço a pergunta: açúcar pode ser considerado um alimento? Acredito que não. Se levarmos em consideração todas as definições de alimento que vimos, de Cleto Seabra Veloso, Rebeca de Angelis, Sebastião Barroso e Claude Bernard, o açúcar não se enquadra em nenhuma delas; sai reprovado em todas. A alma do conceito de alimento é ser fonte de nutrientes e o teor de nutrientes do açúcar é ZERO! Aquilo a que o açúcar se propõe – fornecer energia – é uma proposta de fazer chover no molhado, posto que TODOS os alimentos (carboidratos, gorduras e proteínas) já fornecem a energia de que o corpo precisa ao mesmo tempo em que o nutrem. A capacidade do açúcar de repor os gastos ocorridos, e refazer as células, tecidos e órgãos é igualmente ZERO! E o que é pior: o açúcar além de não fornecer nenhum nutriente ainda vai precisar de nutrientes das reservas do corpo para poder ser metabolizado, desvitaminizando, desmineralizando e desidratando o organismo. O açúcar, a meu ver, sequer pode ser considerado um alimento concentrado ou um alimento derivado, como erroneamente o qualifica o mencionado Dr. Cleto Veloso. A partir de determinado ponto em seu processo de refinação ele deixa de ser alimento e assume o caráter de um composto químico puro.
O açúcar engana muita gente pelo fato da sacarose ser constituída de duas moléculas uma de glicose e outra de frutose, dá a falsa impressão de que o açúcar é uma fonte desses nutrientes. O mel, um alimento de verdade, é fonte de glicose e frutose. Acontece que o mel oferece esses açúcares simples já prontos para uso, previamente hidrolisados pelas abelhas que possuem enzimas específicas para tanto; além de ser rico em outros nutrientes. O famigerado do açucareiro terá que ser hidrolisado pelo nosso organismo. A maioria dos médicos pensa que a fácil e rápida hidrólise da sacarose é gratuita. Deixando de lado o fato de ser fator sine qua non de cárie dentária, o açúcar para ser aproveitado pelo corpo necessita de uma hidrólise onerosa para o organismo. O açúcar é depletor de nutrientes, rouba vitaminas, sais minerais e até desidrata, e vem acompanhado de resíduos de produtos químicos de implicações toxicológicas desconhecidas.
A ingestão de açúcar como vimos altera o funcionamento das glândulas endócrinas, pâncreas, supra-renais, pituitária e até do fígado. Puxado pela hiperinsulinemia o sistema glandular endócrino, com o tempo, entra em pane, e o pâncreas perde a sintonia fina que existe entre níveis de glicose e doses de insulina, o glucagon e até a adrenalina entram nessa dança. E o abuso de oferta de insulina faz com que, com o tempo, ela perca a eficácia. O equilíbrio ácido/base e o equilíbrio osmolar, também são alterados e nuvens de radicais livres invadem seu corpo. A glicação que toma conta de proteínas do sangue, de órgãos e tecidos é algo semelhante a cupim atacando móvel de madeira ou ferrugem atacando uma máquina de ferro. O sistema imunológico e o metabolismo também são debilitados. A festa que o açúcar faz no corpo humano ainda está para ser mapeada pela medicina com ajuda da bioquímica. Um bom critério para deixar clara a nulidade nutricional do açúcar é examiná-lo a partir de um ponto-de-vista negativo. Quando uma pessoa deixa de ingerir um nutriente essencial contrai uma doença, são as chamadas doenças carenciais ou avitaminoses. Assim, quem deixa de consumir alimentos que contenham vitamina A contrai cegueira noturna. Povos cujo alimento básico da sua dieta era o arroz integral, rico em vitaminas do complexo B, ao transitar para o arroz branco polido e pobre dessas vitaminas contraíram beribéri. A falta de vitamina C gera escorbuto. E assim por diante. Sabem o que acontece a uma pessoa que deixa de comer açúcar? Não só não vai contrair doença nenhuma como ainda vai ficar livre da possibilidade de cáries dentárias, obesidade, diabetes, doenças cardíacas e outras do largo espectro das doenças crônicas, não transmissíveis.
Com certeza todos os órgãos do seu corpo vão cantar em coro para o açúcar aquele verso de conhecido samba: Sabe quem perguntou por você?Ninguém.

(1) Veloso, Cleto Seabra. Trinta regimes alimentares. Rio de Janeiro: Leitura, 1968, p. 40.
(2) Angelis, Rebeca C. de. Fisiologia da nutrição. São Paulo: Edart/USP, 1977, p. 22.
(3) Apud Veloso, Cleto Seabra. Op. cit., p. 40.
(4) Veloso, C. S. Op. cit., p.40.

Retirado de “O livro negro do açúcar”, de Fernando Carvalho. Rio de Janeiro, 2006. P. 20-22.
http://www.uefs.br/docentes/jmarcia/2007/O_livro_negro_do_acucar1.pdf

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A revolução, a ditadura e a civilização do açúcar

2/06/2011 - 12:44 Por:

Categoria(s): Qualidade de Vida

 A civilização do açúcar não foi apenas um hiato na história do Brasil – o datado e localizado Ciclo do açúcar, com aquela sociedade, cultura, ecologia e paisagem que emolduravam o engenho de açúcar, tendo como núcleo duro o senhor de engenho com seu chicote, seus capitães-do-mato e seus escravos. O que aconteceu no Brasil nos séculos XVI e seguintes foi apenas o capítulo inicial da revolução do açúcar, um processo de vocação histórico-universal de caráter permanente e expansivo. A humanidade ao longo da História conheceu outras revoluções tecnológicas, como a que instituiu a agricultura, superando o nomadismo, ou a que introduziu a eletricidade, deixando para trás o vapor. Mas a revolução do açúcar, pouco destacada na historiografia, ainda vai dar o que falar especialmente por causa de suas implicações patológicas. Essa revolução abrange a trajetória do açúcar desde seu começo como uma estranha droga doce vinda do Oriente para consumo de reis e nobres europeus, sua evolução para a condição de fármaco, dando corpo e sabor doce a xaropes, o posterior avanço para a condição de especiaria apreciada pelas elites burguesas e finalmente o salto para a mesa de refeições. Tal trajetória só foi possível graças a uma produção de açúcar que ganhou escala cada vez maior depois que espanhóis e portugueses trouxeram para o Novo Mundo a cultura da cana-de-açúcar. O açúcar extraído da cana já era produzido desde a Antiguidade por indianos e persas. Os árabes é que o apresentaram aos europeus por volta do século X como uma especiaria exótica e caríssima. No século XIV um quilo de açúcar equivalia a dez cabeças de gado. Poucos séculos depois os europeus já estavam fabricando açúcar na bacia do Mediterrâneo. Quando o Brasil foi descoberto os portugueses já eram os principais produtores de açúcar da época, faziam-no na Ilha da Madeira. Com a entrada em cena do açúcar produzido, em larga escala, no Novo Mundo, especialmente no Brasil e nas Antilhas, teve início o processo de açucaramento da mesa do europeu. E como se não bastasse o açúcar de cana para encharcar a mesa da humanidade, por ocasião do Bloqueio Continental imposto aos ingleses Napoleão Bonaparte incentivou o desenvolvimento da tecnologia de extração do açúcar de beterraba: em decorrência disso, já em 1850 14% da produção mundial eram de açúcar de beterraba, e na virada do século esta percentagem já tinha saltado para 62%. Ao longo do século XX esse quadro se inverteu, passando o açúcar de cana a ser hegemônico.
Na revolução que o uso generalizado do açúcar causou na Europa do século XVI, o Brasil, principalmente o Nordeste, desempenhou papel importante – diz Gilberto Freyre. Sabe-se que antes de 1500 o europeu adoçava seus alimentos e suas bebidas com um pouco de mel: desconhecia o açúcar (1). A comilança de açúcar na Europa foi lentamente aumentando ao longo do século XVI. O século XVII marca um grande aumento do consumo de açúcar, sobretudo depois que a população começou a consumir bebidas também tropicais como chocolate, café e chá da Índia. O historiador alemão Edmund von Lippmann descreve em detalhes a evolução do que ele chama de consumo generalizado de açúcar na Europa . E cita um professor da época: Hoje em dia, não há banquete em que não se gastem muitos artigos de açúcar (…) quase nada se come sem açúcar, usa-se nos temperos, no vinho, em vez de água se bebe água com açúcar, carne, peixes e ovos são servidos com açúcar, finalmente não se usa mais sal que açúcar . E um livro de culinária de 1570: açúcar com canela, amêndoa, uva, açafrão e água de rosa é usado em torta, bolos, pastelões, etc., como também em pratos de carne, aves, peixe, manjar branco, etc., sempre segundo o princípio: antes mais que menos (2). É dessa época a advertência do Dr. Hurt. Em 1633, o médico naturalista britânico James Hurt disse em livro que o açúcar, ao ser usado em grandes proporções, provoca efeitos nocivos no corpo; ou seja, o uso desmesurado dele, e igualmente de outros produtos adocicados, aquece o corpo, engendra caquexias, consunções, apodrece os dentes, tornando-os negros, provocando às vezes, um hálito terrivelmente desagradável. Sendo, portanto, aconselhável que os jovens estejam atentos para não se envolver demasiadamente com ele (3). O enorme aumento do consumo de açúcar, que causou logo de saída uma epidemia de cárie dentária, é que deve ter motivado o Dr. Hurt a fazer o alerta. Ele provavelmente foi um dos primeiros a diagnosticar as primeiras manifestações do que seria uma nova era na história da humanidade, a era das doenças do açúcar ou doenças crônicas, metabólicas e degenerativas. Voltando a Gilberto Freyre, a fartura de açúcar acirrou a tendência ao açucaramento da dieta dos portugueses e dos brasileiros. A expansão da indústria de cana estimulou a mesma tendência na Louisiana, nos Estados Unidos. (…) Na Europa o açúcar, tendo começado a aparecer quase exclusivamente como remédio, nos boticários, passando de artigo de farmácia a especiaria invadiu cozinhas de gentes aristocráticas, de burgueses e de quase toda a população, tornando-se ingrediente importante não só de pudins, doces, sobremesas como de molhos e acompanhamentos adocicados, de carnes de carneiro e de pato (4). O advento e a expansão do açúcar de um ponto-de-vista geohistórico foi assim resumido pelo autor de Casa Grande&Senzala: Com a manufatura do açúcar de cana, o açúcar tornou-se presente e, depois de presente, importante na alimentação do homem civilizado. No da Europa, principalmente; e nas sub-Europas que, do Século XVI ao começo do Século XX, tornaram-se grandes extensões coloniais no Oriente, na América e na África (5).
O aspecto mais imediato dessa revolução foi a substituição do mel de abelha pelo açúcar como adoçante. Mas longe de limitar-se à simples substituição do mel na mesa da humanidade, a revolução do açúcar desencadeou a partir do século XVII um processo de açucaramento de tudo o que entra pela boca do ser humano: alimentos, bebidas, medicamentos e até pasta de dente e fumaça de cigarro. Empenhada neste processo de açucaramento da vida moderna, a sucroquímica vive a descobrir novas aplicações para o açúcar, o produto químico puro mais abundante e barato do mundo. A sacarose e seus polímeros hoje estão espalhados pelos mais diversos setores da economia. Produto químico polivalente, o açúcar pode ser aproveitado nas indústrias de plástico, cosmético, fertilizante, inseticida, cimento, adoçante artificial e até como explosivo. Durante os séculos XVI e XVII, quando a produção mundial de açúcar ainda se contava em milhares de sacos, aquela fartura de açúcar, segundo Gilberto Freyre, originou uma tendência ao açucaramento da dieta de brasileiros, norte-americanos e europeus. Hoje a fartura de açúcar produzida anualmente, incluindo os açúcares de cana e de beterraba, se aproxima dos 200 bilhões de toneladas para uma humanidade de menos de sete bilhões de bocas. Ensacada e enfileirada essa quantidade de açúcar dá para ir até a lua e voltar. Na mesa da humanidade aquela tendência avançou, inexoravelmente, com a lógica de uma ditadura, num crescendo que vem até os dias de hoje. Assim, o médico americano, Robert Atkins viu esse processo: De dois quilos de açúcar por ano passou-se a oitenta quilos por pessoa por ano, em apenas onze gerações. Esta pode ser, talvez, a mais drástica mudança dietética na evolução do homem em seus cinquenta milhões de anos de existência (6). O açúcar não é o que pensam dele: um alimento inocente para a maioria das pessoas ou um carboidrato como outro qualquer para a maioria dos médicos, dos químicos e dos nutricionistas. É um agente químico agressor do organismo, um corpo estranho na mesa que transformou o alimento do ser humano de meio de vida em meio de doença e morte. A ditadura do açúcar, uma ditadura de pacote tecnológico, impôs goela abaixo da humanidade a dieta açucarada moderna, a ração patogênica que empurrou o ser humano para a era das doenças crônicas, metabólicas e degenerativas. A historiadora Elsa Avancini referiu-se à sociedade colonial brasileira como uma sociedade montada para a produção de açúcar. Hoje, quinhentos anos depois, o mundo vive o apogeu da civilização do açúcar. Nas palavras do doutor Leão Zagury uma sociedade estruturada afetivamente em torno do consumo de açúcar.

(1) Freyre, Gilberto. Civilização do Açúcar. In: Enc. Barsa. Rio de Janeiro: Encicl. Britânica, 1967, p. 65.
(2) Lippmann, Edmund von. História do açúcar. Rio de Janeiro: IAA, 1942, tomo II, p. 40.
(3) Apud Dufty, William. Sugar blues. Rio de Janeiro: Ground, 1978, p. 56.
(4) Freyre, Gilberto. Açúcar, Coleção canavieira nº 2. Rio de Janeiro: IAA, 1969, p. 17.
(5) Freyre, Gilberto. Op. cit. p. 27.
(6) Atkins, Robert. A Dieta Revolucionária do Dr. Atkins. Rio de Janeiro: Artenova, 1980, p. 61.

Retirado de “O livro negro do açúcar”, de Fernando Carvalho. Rio de Janeiro, 2006. P. 17-20
http://www.uefs.br/docentes/jmarcia/2007/O_livro_negro_do_acucar1.pdf

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Dicas de como ativar a região do CORE

25/05/2011 - 12:07 Por:

Categoria(s): Dicas, Qualidade de Vida

 Contribuição enviada por Daliane Batista Cardoso*
Olhe na direção do seu umbigo. Passe a mão ao redor da cintura  e, com os dedos, sinta os músculos desta região. Percebeu algo especial? Se não notou nada, talvez esteja aí a explicação para a demora nos resultados do seu treino ou para as dores nas costas, que incomodam depois da musculação: esta área do corpo concentra o xodó mais recente dos professores de educação física, o chamado core. “Trata-se de um cinturão de força, um conjunto de músculos abdominais  e dorsais que, juntamente aos do quadril, formam o núcleo do corpo”, afirma o professor Isaías Leme. Ativar esse grupo durante os exercícios  traz muitas vantagens e você consegue ver a diferença rapidinho. O abdômen fica mais tonificado e as estruturas da coluna (como as vértebras e os discos) são preservadas de impactos e sobrecargas, aliviando as dores que são comuns na região lombar, principalmente. E, como conta com um apoio extra de músculos, é possível aumentar a carga do treino com mais facilidade. “Há tonificação e diminuição das dores articulares”, diz Isaías.
A dica do professor, para quem está em busca de uma força no treino, começa pela concentração. Antes de realizar os movimentos (seja para fortalecer bíceps, pernas ou mesmo a barriga), pense no seu abdômen e volte o foco para ele, inicialmente. “Mantenha os músculos abdominais contraídos e sugados, em direção às costas, durante todo o treino”, ensina o especialista. E o retorno do esforço vem, em igual medida, entre homens e mulheres. A dificuldade inicial tende a se dissolver conforme você pega o costume. “A partir do momento em que o aluno consegue manter uma postura neutra, com as estruturas ósseas em posição ideal, há necessidade de mais concentração”, afirma o professor da Bio Ritmo. Só vale lembrar que a ativação do core não substitui os exercícios abdominais. Para isso, realmente precisamos dos movimentos tradicionais com flexão da coluna.
Um treino que ignora o core, entretanto, não chega a ser um problema (ou seus amigos que nunca ouviram falar disso e frequentam academia há anos jamais teriam visto o efeito dos exercícios). O segredo está na eficiência do trabalho físico entre as pessoas que já foram apresentadas aos poderes deste cinturão de força, a produtividade cresce e a motivação para seguir no pique, também. “O abdômen dos alunos que ativam o core é mais definido e a postura, mais bonita. Além disso, o aluno ganha mais consciência motora. Mas deixar de pensar neste grupo de músculos não faz do treino algo errado, apenas deixa os movimentos menos abrangentes”, afirma Isaías Leme.

Postura alinhada, barriga chapada

A postura tende a melhorar com o hábito de manter o abdômen ativado. Isso porque um dos fatores que colabora e muito para que a coluna fique alinhada, por mais tempo, é a ativação do abdômen: com este músculos fortalecidos, a coluna não tomba para a frente ou gera compensações. Mas não se cobre demais. “Manter o abdômen contraído durante o dia todo é praticamente impossível, pois seria preciso manter o foco nisso direto. Sem esquecer que, assim como os outros, os músculos abdominais estão sujeitos à fadiga. Por isso, já é de grande valia e traz bons resultados mantê-lo acionado durante o treino”, diz o especialista.
Fonte: MSN – Minha Vida
* Educadora física, colaboradora semanal com artigos na área, parceira da GeroVida

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Motivos para fortalecer a região do Core

18/05/2011 - 19:24 Por:

Categoria(s): Dicas, Qualidade de Vida

 Contribuição enviada por Daliane Batista Cardoso*
Cada músculo do nosso corpo exerce uma função específica, funciona de maneira integrada, coordenada pelo cérebro. É muito bonito observar uma bailarina dançando, fazendo movimentos incríveis, como saltos, piruetas, elevações de pernas, ao ritmo da música, com graça, harmonia e beleza. O mesmo acontece com os esportistas que fazem maravilhas com o corpo. É sem dúvida, incrível um gol de bicicleta ou mesmo uma cortada no vôlei. Tudo isso acontece graças ao fortalecimento dos músculos que dão ao corpo uma capacidade de combinar e executar centenas de movimentos diferentes. Apesar disso, milhares de pessoas estão impossibilitadas de praticar esportes ou mesmo fazer exercícios. Elas sofrem porque um grupo muscular, que exerce um papel fundamental para o bom funcionamento do corpo, não é exercitado de forma adequada. Estou me referindo aos músculos profundos localizados numa região do corpo conhecida como “core”. O “CORE” é uma unidade integrada composta de 29 pares de músculos que suportam o complexo quadril-pélvico-lombar.
Tem as seguintes funções: 1) Manter um adequado alinhamento da coluna lombar contra a ação da gravidade; 2) Estabilizar a coluna e pélvis durante os movimentos e 3) Gerar força para os movimentos do tronco e prevenir lesões. Os músculos são responsáveis também em dar o formato da cintura, proteger a cavidade abdominal, manter o quadril na posição correta e ajudar a manter o tronco controlado em inúmeros movimentos esportivos. Vários esportistas treinam bastante esses músculos, como é o caso dos lutadores de boxe, ginastas, jogadores de vôlei, futebol e basquete. Para a maioria dos esportes, ter o CORE  forte é fator de ajuda para um melhor rendimento. O enfraquecimento dos músculos do core trás consequências um tanto quanto desagradáveis: alterações na posição do quadril, flacidez abdominal, dores na região da coluna lombar e até mesmo favorecendo o aparecimento de hérnias de disco.
Os homens, quando engordam, tendem a aumentar a quantidade de gordura ao redor da cintura, com predominância acima do umbigo, formando o famoso “pneuzinho”, sobrecarregando ainda mais a região lombar, principalmente quando os músculos do core, particularmente os profundos estão enfraquecidos. Nas mulheres, durante o período de gravidez, os músculos da parede abdominal são distensionados na medida em que o feto vai aumentando de tamanho provocando um aumento acentuado da curvatura da região lombar. Por todas essas razões é fundamental que seja dada uma atenção especial aos músculos do core. É importante lembrar que ao fazer os exercícios chamados “abdominais tradicionais” estará fortalecendo os músculos superficiais e não, como a maioria imagina, protegendo a coluna ou mesmo queimando gordura ou, como dizem “tirando a barriga”. Para queimar gordura é necessário fazer exercícios do tipo aeróbicos (caminhada, corrida, bicicleta, etc.), que estimulam a mobilização da gordura como fonte de energia.

O que mudou no treinamento

As novas pesquisas mostram que alguns músculos localizados nesta região do corpo, denominada CORE, particularmente os internos do tronco  na estabilização da coluna. Em particular o transverso do abdome, multifido e rotatores  da região lombar foram identificados como sendo absolutamente essenciais na própria função e controle da região lombar. Isto significa que fazer os exercícios abdominais tradicionais, flexão do tronco sobre o quadril, com as mãos na nuca, e suas variações enfatiza o fortalecimento da musculatura superficial, ou seja, o reto e oblíquo abdominal. Diante dessas evidencias, para prevenir dores na coluna, fortalecer os músculos que dão sustentação para a coluna lombar, é importante iniciar o treinamento utilizando exercícios isométricos (estáticos) que enfatizam o desenvolvimento da estabilidade e força de resistência dos músculos citados. Os exercícios denominados “prancha”, realizados na posição ventral, dorsal e lateral devem ser incluídos no inicio do treinamento para, primeiro, fortalecer os músculos profundos, estabilizadores da região do core e, à partir daí, incluir exercícios para aumentar a força e posteriormente a potencia do “CORE”. Esta é a nova recomendação para o treinamento equilibrado da região mais importante do corpo sob o ponto de vista funcional.
Fonte: Método Mais Vida.com.br
* Educadora física, colaboradora semanal com artigos na área, parceira da GeroVida

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Como evitar lesões durante a execução das tarefas domésticas

12/05/2011 - 15:09 Por:

Categoria(s): Dicas, Doenças e problemas de saúde, Qualidade de Vida

 Contribuição enviada por Daliane Batista Cardoso*
Especialista ensina a postura correta de fazer cada atividade em casa
Varrer o chão, abrir armários, carregar compras, trocar lâmpadas, pendurar roupas no varal. As atividades, bem conhecidas das donas de casa, podem causar sérias lesões como tendinite, bursite e artrite.
Cerca de 80% dos problemas de dores na coluna lombar são causados por músculos fracos no tronco, agravados pela maneira errada de carregar peso. É comum que as pessoas flexionem somente a coluna na hora de levantar uma criança ou algo pesado. O correto é se abaixar, dobrar os joelhos, trazer o peso perto do tronco e só assim levantar.
Quando uma pessoa levanta um peso de maneira errada, alguns pontos da coluna sofrem uma compressão equivalente a cinco vezes o peso dela – afirma Luciano D´Elia, educador físico e especialista em treinamento funcional.
Lavar a louça, por exemplo, é uma das atividades que mais pode sobrecarregar a coluna. A altura da pia deve ser calculada para ficar pelo menos na altura do quadril da dona de casa, para não sobrecarregar.
De acordo com Luciano, os exercícios de alongamento e flexibilidade ajudam no fortalecimento do quadril e coluna além de prevenir riscos de lesões. A maneira incorreta de pegar um pacote de açúcar no armário, por exemplo, pode causar até uma bursite.
Os músculos abdominais são responsáveis por grande parte dos movimentos e também pela postura. A regularidade de exercícios abdominais, combinados a atividades cíclicas e alimentação adequada, proporcionam vários benefícios: equilíbrio, eficiência respiratória, prevenção contra traumatismos, eficiência no processo digestivo, entre outros.
Fonte: Clicrbs.com.br
* Educadora física, colaboradora semanal com artigos na área, parceira da GeroVida

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