Arquivo de Reflexão

Saber tirar proveito das amizades

8/09/2010 - 14:12 Por: Wanda Patrocinio

Categoria(s): Reflexão

É necessário sensatez, tato e inteligência.
Alguns amigos são bons para ficar longe, outros perto.
Aqueles que não são bons para a conversa podem ser para a correspondência.
A distância disfarça certos defeitos que a proximidade trona insuportáveis.
Não se deve buscar apenas prazer nas amizades, mas também utilidade.
O amigo é todas as coisas e deve tera as três qualidades do bem: unidade, bondade e verdade.
São poucos os que servem para bons companheiros e não saber escolhê-los reduz mais ainda as possibilidades.
Conservar as amizades é mais importante que fazê-las.
Devemos buscar laços duradouros e considerar que os novos amigos poderão se tornar velhos um dia.
Não há deserto comparável a viver sem amigos.
A amizade multiplica os bens e divide os males.
É o único remédio contra a adversidade e um alento para a alma.
Do livro A Arte da Prudência, de Baltasar Gracián, 2003

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Não se enganar sobre a condição das pessoas

18/08/2010 - 10:14 Por: Wanda Patrocinio

Categoria(s): Reflexão

Este é o maior equívoco e o mais fácil de cometer.
Mais vale ser enganado no preço do que na mercadoria.
Não há nada que exija um olhar mais profundo do que a alma humana.
Há diferença entre entender as coisas e conhecer as pessoas.
Compreender a personalidade e distinguir os humores é alta filosofia.
Tão necessário como estudar nos livros é conhecer a natureza humana.
Do livro A Arte da Prudência, de Baltasar Gracián, 2003

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O amor no terceiro milênio

9/08/2010 - 18:50 Por: Wanda Patrocinio

Categoria(s): Reflexão

 Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o início desde milênio. As relações afetivas também estão passando por profundas transformações e revolucionando o conceito de amor. O que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, e não mais uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar.
A ideia de uma pessoa ser o remédio para nossas felicidades, que nasceu com o romantismo, está fadada a desaparecer neste início de século. O amor romântico parte da premissa de que somos uma fração e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos. Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais a mulher. Ela abandona suas características para se amalgamar ao projeto masculino. A teoria da ligação entre opostos também vem dessa raiz: o outro tem de saber fazer o que eu não sei. Se sou manso, ele deve ser agressivo, e assim por diante. Uma idéia prática de sobrevivência, e pouco romântica, por sinal. A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos trocando o amor de necessidade pelo amor de desejo. Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso – o que é muito diferente.
Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo o pavor de ficar sozinhas, e aprendendo a conviver melhor consigo mesmas. Elas estão começando a perceber que se sentem fração, mas são inteiras. O outro, com o qual se estabelece um elo, também se sente uma fração. Não é príncipe ou salvador de coisa alguma. É apenas um companheiro de viagem. O homem é um animal que vai mudando o mundo, e depois tem de ir se reciclando para se adaptar ao mundo que fabricou. Estamos entrando na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo. O egoísta não tem energia própria, ele se alimenta da energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral. A nova forma de amor, ou mais amor, tem nova feição e significado. Visa a aproximação de dois inteiros, e não a união de duas metades. E ela só é possível para aqueles que conseguirem trabalhar sua individualidade. Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afetiva.
A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa. As boas relações afetivas são ótimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem. Relações de dominação e de concessões exageradas são coisas do século passado. Cada cérebro é único. Nosso modo de pensar e agir não serve de referência para avaliar ninguém. Muitas vezes, pensamos que o outro é nossa alma gêmea e, na verdade, o que fizemos foi inventá-lo ao nosso gosto.
Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando para estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força pessoal. Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo, e não a partir do outro. Ao perceber isso, ele se toma menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um. O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável. Nesse tipo de ligação, há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado. Nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo…
“A pior solidão é aquela que se sente quando acompanhado”.
Fonte: Dr. Flávio Gikovate, médico psicoterapeuta.
Enviado por Simplesmente Tetê

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A Lenda do Perdão

9/08/2010 - 16:59 Por: Wanda Patrocinio

Categoria(s): Reflexão

 Conta uma antiga lenda que existia uma cidade onde a palavra perdão nunca existiu.
As pessoas eram, portanto, donas da verdade, arrogantes e sofriam de uma terrível moléstia, complexo de superioridade.
A convivência era bastante complicada porque todos se consideravam perfeitos e com isso não enxergavam, nem admitiam seus defeitos, erros e equívocos.
Nessa cidade reinava a vaidade, a competição e a inimizade, por mais que elas andassem disfarçadas por detrás de sorrisos e manifestações de afeto.
Um dia uma mulher, vinda de outra cidade, foi morar lá.
Todos as tardes ia até a padaria e na volta sempre passava por uma praça onde um grupo de rapazes jogava bola.
Seu trajeto seria bem menor se ela cruzasse a praça, mas para não atrapalhar o jogo deles ela fazia o seu caminho contornando a praça. Claro que nenhum deles nunca percebeu ou deu valor à sua gentileza. Naquela cidade muito poucos entendiam desse assunto.
Certo dia essa mulher estava cheia de preocupações, com a cabeça bastante perturbada e na volta da padaria não se deu conta do caminho que tomou e atravessou a praça no exato momento em que um dos rapazes ia fazer um gol. O jogo parou, todos se olharam e o tal jovem, muito bravo, perguntou à ela:
A senhora não está vendo o que fez? Que falta de atenção, até mesmo de consideração! Custava dar a volta na praça?
E ela respondeu:
- Há cerca de seis meses que todos os dias eu dou a volta na praça para não atrapalhar o jogo de vocês. Hoje, no entanto, eu confesso que me distraí. Estava muito envolvida com meus pensamentos. Peço a todos vocês perdão por isso.
Ninguém entendeu o que ela quis dizer e um dos meninos perguntou:
- Perdão? O que é perdão? Nunca ouvimos essa palavra.
- Perdão é um ato de humildade, embora alguns julguem ser um ato de humilhação.
Os meninos foram para suas casas muito pensativos e contaram a seus pais sobre o perdão.
Errar, cometer injustiças, tomar atitudes precipitadas que podem prejudicar e magoar terceiros são coisas das quais todo ser humano está sujeito.
Reconhecer seus erros e pedir perdão, no entanto, nem todos os seres humanos são capazes. Para isso é necessária uma enorme dose de humildade, um coração sensato e um espírito elevado.
Só os grandes sabem pedir perdão!
Dizem que aquela cidade anda muito diferente, mais alegre, as pessoas mais amigas, menos rivalidades e que todos além de terem aprendido a pedir perdão, agora também estão aprendendo a perdoar.

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Arte ao se apaixonar

9/08/2010 - 12:19 Por: Wanda Patrocinio

Categoria(s): Reflexão

Sempre que possível, a reflexão prudente deve se antecipar à vulgaridade do ímpeto.
Para os sensatos, não será fácil.
O primeiro passo da moderação é perceber que você está se exaltando.
É assim que se entra na briga com pleno poder sobre si mesmo.
É preciso estabelecer um limite e não ir além dele.
Com essa cautela superior, o impulso da ira se esgota imediatamente.
Saber quando parar é o mais difícil durante os acessos de cólera que podem levar à loucura.
Todo excesso de paixão obscurece a razão.
Mas, com essa magistral precaução, nunca se atropelará a razão, nem se chegará ao limite do bom senso.
Para saber controlar uma paixão, é preciso ter as rédeas da cautela na mão.
Do livro A Arte da Prudência, de Baltasar Gracián, 2003

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Não acreditar nem amar facilmente

29/07/2010 - 8:00 Por: Wanda Patrocinio

Categoria(s): Reflexão

Conhece-se o bom senso pela demora em acreditar.
Como mentir é muito comum, é melhor que o acreditar seja algo extraordinário.
Quem tira conclusões apressadas depois se envergonha.
Não se deve pôr em dúvida as palavras do outro.
Mais que descortesia, é um insulto, pois se chama o interlocutor de enganado ou de enganador.
Este, entretanto, não é o maior inconveniente.
Não acreditar é indício de mentir, porque o mentiroso tem dois problemas: não acredita nem é acreditado.
O homem sensato não julga de imediato aquilo que ouve.
E também não tem pressa no querer.
Um autor diz que amar com facilidade é uma forma de imprudência*.
Mente-se com palavras e com atos, mas o último tipo de engano é o mais prejudicial.
Do livro A Arte da Prudência, de Baltasar Gracián, 2003
* Alusão a Cícero, que em De Amiticia (Sobre a amizade) aconheselha a conhecer uma pessoa antes de amá-la.

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Sabedoria de Viver – Tese de Guerdjef

27/07/2010 - 8:00 Por: Wanda Patrocinio

Categoria(s): Qualidade de Vida, Reflexão

 Veja o lindo pps ao lado: TesedeGuerdjef OU leia o texto abaixo:

Tese de um pensador russo chamado Guerdjef, que no início do século passado já falava em autoconhecimento e na importância de se saber viver. Dizia ele: Uma boa vida tem como base o sentido do que queremos para nós em cada momento e daquilo que, realmente vale como principal.

Assim sendo, ele traçou 20 regras de vida que foram colocadas em destaque no Instituto Francês de Ansiedade e Stress, em Paris. Dizem os experts; em comportamento que, quem já consegue assimilar 10 delas, com certeza aprendeu a viver com qualidade interna. Ei-las:

1) Faça pausas de dez minutos a cada duas horas de trabalho, no máximo. Repita essas pausas na vida diária e pense em você, analisando suas atitudes.

2) Aprenda a dizer não sem se sentir culpado ou achar que magoou. Querer agradar a todos é um desgaste enorme.

3) Planeje seu dia, sim, mas deixe sempre um bom espaço para o improviso, consciente de que nem tudo depende de você.

4) Concentre-se em apenas uma tarefa de cada vez. Por mais ágeis que sejam os seus quadros mentais, você se exaure.

5) Esqueça, de uma vez por todas, que você é imprescindível. No trabalho, casa, no grupo habitual. Por mais que isso lhe desagrade, tudo anda sem a sua atuação, a não ser você mesmo.

6) Abra mão de ser o responsável pelo prazer de todos. Não é você a fonte dos desejos, o eterno mestre de cerimônias.

7) Peça ajuda sempre que necessário, tendo o bom senso de pedir às pessoas certas.

8) Diferencie problemas reais de problemas imaginários e elimine-os porque são pura perda de tempo e ocupam um espaço mental precioso para coisas mais importantes.

9) Tente descobrir o prazer de fatos cotidianos como dormir, comer e tomar banho, sem também achar que é o máximo a se conseguir na vida.

10) Evite se envolver na ansiedade e tensão alheias enquanto ansiedade e tensão. Espere um pouco e depois retome o diálogo, a ação.

11) Família não é você, está junto de você, compõe o seu mundo, mas não é a sua própria identidade.

12) Entenda que princípios e convicções fechadas podem ser um grande peso, a trave do movimento e da busca.

13) É preciso ter sempre alguém em que se possa confiar e falar abertamente ao menos num raio de cem quilômetros. Não adianta estar mais longe.

14) Saiba a hora certa de sair de cena, de retirar-se do palco, de deixar a roda. Nunca perca o sentido da importância sutil de uma saída discreta.

15) Não queira saber se falaram mal de você e nem se atormente com esse lixo mental; escute o que falaram bem, com reserva analítica, sem qualquer convencimento.

16) Competir no lazer, no trabalho, na vida a dois, é ótimo… para quem quer ficar esgotado e perder o melhor.

17) A rigidez é boa na pedra, não no homem. A ele cabe firmeza, o que é muito diferente.

18) Uma hora de intenso prazer substitui com folga 3 horas de sono perdido. O prazer recompõe mais que o sono. Logo, não perca uma oportunidade de divertir-se.

19) Não abandone suas 3 grandes e inabaláveis amigas: a intuição, a inocência e a fé!

20) E entenda de uma vez por todas, definitiva e conclusivamente: Você é o que se fizer ser!

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Pensar adiante

22/07/2010 - 8:00 Por: Wanda Patrocinio

Categoria(s): Reflexão

A sorte se faz com horas de previsão.
Para os prevenidos não há circunstâncias ruins e para os preparados não há apertos.
O raciocínio não deve retornar até a ocasião crítica, mas deve se antecipar a ela.
Com o pensamento cuidadoso, pode-se prevenir os tempos mais difíceis.
É melhor dormir sobre as preocupações do que ficar acordado por causa delas.
Alguns fazem e depois pensam; procuram mais desculpas do que consequências.
Outros não pensam nem antes, nem depois.
Toda a vida deve consistir em pensar para acertar o rumo.
A prevenção e o pensamento cuidadoso são um bom recurso para viver antecipadamente.
Do livro A Arte da Prudência, de Baltasar Gracián, 2003

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Não ser inacessível

15/07/2010 - 8:00 Por: Wanda Patrocinio

Categoria(s): Reflexão

Ninguém é tão perfeito que não necessite de um conselho de vem em quando.
É próprio do tolo incorrigível não ouvir os outros.
O mais independente dos homens deve abrir espaço para os conselhos amistosos, e o soberano não deve se furtar a escutá-los.
Há homens que não tem remédio porque são inacessíveis, se precipitam porque ninguém se atreve a detê-los.
Mesmo o mais inflexível deve deixar uma porta aberta à amizade, de onde pode vir o socorro.
Um amigo deve ter liberdade para avisar e corrigir.
A confiança, respaldada pela fidelidade e pela prudência, lhe dá esa autoridade.
Mas não se deve outorgar respeito e autoridade a todos.
Com extrema cautela, é bom ter um confidente que nos sirva como espelho fiel.
Ele receberá estima e crédito por apontar nossos erros.
Do livro A Arte da Prudência, de Baltasar Gracián, 2003

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Não seguir nunca, por obstinação, o pior partido

5/07/2010 - 15:40 Por: Wanda Patrocinio

Categoria(s): Reflexão

Só porque o competidor se adiantou e escolheu o melhor.
Assim, você começa a luta já vencido, e depois será necessário render-se.
O bem nunca se vingará com o mal.
O oponente foi astuto ao antecipar-se escolhendo o melhor, e você seria tolo ao tomar partido para se defender.
Ser teimoso nas ações é mais perigoso do que em palavras porque corre-se mais riscos ao fazer do que ao falar.
É estupidez própria dos obstinados não se dar conta da verdade nem da utilidade, por estarem mais preocupados em contradizer e lutar.
O homem prudente está sempre do lado da razão, não da paixão.
Ou ele se previne ou corrige depois a rota.
Se o oponente é tolo, a própria insensatez o fará mudar de lado, mesmo que seja para tomar o pior partido.
Para fazê-lo abandonar a melhor posição, o único remédio é aderir à sua escolha.
A tolice e a teimosia farão com que abandone a causa e o levarão à ruína.
Do livro A Arte da Prudência, de Baltasar Gracián, 2003

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