Arquivo de Reflexão

Não ser o único a criticar o que agrada a muitos

31/08/2011 - 12:13 Por:

Categoria(s): Reflexão

Aquilo que agrada a muitos deve ter algo de bom.
Ainda que não se entenda, que se aproveite.
A singularidade é sempre odiosa e quando está errada, é ridícula.
Desacredita mais o autor da crítica do que o seu objeto, deixando-o sozinho com seu mau gosto.
Aquele que não sabe discernir o que há de bom nas coisas deve dissimular sua inteligência limitada.
Não se deve criticar sem consideração: o mau gosto normalmente nasce da ignorância.
O que todos dizem ou é, ou será.
Do livro A Arte da Prudência, de Baltasar Gracián, 2003

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Tirar partido da novidade

25/08/2011 - 12:35 Por:

Categoria(s): Reflexão

O apreço dura enquanto é novidade.
Ela agrada a todos porque varia e refresca o gosto.
Gosta-se mais de uma mediocridade nova do que de um prodígio conhecido.
Até o que é excelente se gasta e envelhece.
A glória da novidade durará pouco, ao final de quatro dias perderá o respeito.
Por isso, deve-se tirar o proveito do primeiro agrado fugaz.
Se o calor da novidade esfria, acaba a paixão, e o gosto se converte em rejeição.
Tudo tem seu momento e passa.
Do livro A Arte da Prudência, de Baltasar Gracián, 2003

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Não se descuidar nunca

19/08/2011 - 14:58 Por:

Categoria(s): Reflexão

A sorte gosta de pregar peças e fará o impossível para pegar alguém desprevenido.
A inteligência, a prudência e a coragem devem estar sempre alertas, inclusive a beleza, porque qualquer descuido será fatal.
Quanto mais se precisa de cuidado, menos se tem.
Não pensar é uma armadilha para se fracassar.
Os cautelosos costumam examinar rigorosamente nossas qualidades em um momento de descuido.
Os dias de ostentação são bem conhecidos, e a astúcia os deixa passar.
Mas, quando menos esperamos, o nosso valor é posto à prova.
Do livro A Arte da Prudência, de Baltasar Gracián, 2003

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Saber esquecer

10/08/2011 - 14:19 Por:

Categoria(s): Reflexão

É mais sorte que sabedoria.
As coisas que devíamos esquecer são as que lembramos com mais facilidade.
A memória é descortês (falta quando é mais necessária) e tola (vem quando não convém): detém-se no que faz sofrer e se descuida daquilo de que gosta.
Às vezes o remédio de uma desgraça é esquecê-la, mas se esquece o remédio.
É preciso, portanto, acostumar a memória a melhores hábitos, porque ela sozinha proporciona o céu ou o inferno.
Disto estão excluídos os satisfeitos consigo mesmos: são felizes em sua simplicidade.
Do livro A Arte da Prudência, de Baltasar Gracián, 2003

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Não explicar as ideias com demasiada clareza

2/08/2011 - 15:07 Por:

Categoria(s): Reflexão

A maioria das pessoas não aprecia aquilo que entende, mas venera o que não compreende.
Para ter valor, as coisas devem ser difíceis.
Sempre se deve parecer mais sábio e prudente do que o necessário para o interlocutor.
Mas é com moderação, e não com excesso, que se ganha reputação.
Os especialistas valorizam muito a inteligência, mas para a maioria das pessoas é necessário colocar-se numa posição superior: assim elas não têm espaço para a crítica, pois estão muito preocupadas procurando entender.
Muitos elogiam o que não podem explicar.
O oculto lhes parece um mistério e o elogiam porque ouvem outros fazê-lo.
Do livro A Arte da Prudência, de Baltasar Gracián, 2003

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A saúde além dos planos

27/07/2011 - 11:56 Por:

Categoria(s): Gerontologia, Reflexão

 Por Quem cuida de mim?
Bastava ter um amigo médico e a gente se sentia protegido. Agora, nem com os planos de saúde mais caros, os idosos conseguem marcar uma consulta médica. Eles são necessários apenas para exames e internação hospitalar. Geriatras são poucos no Brasil. Especialmente na rede pública. Se o médico é bom, tem agenda cheia, integra equipes de grandes hospitais, lidera pesquisas e dá aulas. Pode dispensar a burocracia dos convênios. Cuidando de meu pai, do meu padrasto e de minha mãe, descobri como as doenças depois dos 65 são difíceis de diagnosticar. São inúmeras as patologias, como da minha mãe: Alzheimer, diabetes, pressão e colesterol altos, osteoporose, artrose, depressão, entre outras. Consulta de idoso é demorada mesmo. Como a ida ao pediatra. Exige uma entrevista, a tal anamnse (do grego ana, trazer de novo e mnesis, memória). O médico precisa de técnica e muita paciência para investigar o passado, as cirurgias, uso de medicamentos e rotinas do paciente. Descobri que minha mãe tinha D. A. porque uma atenta geriatra, Sonia Cury, fez as perguntas certas e observou suas reações. E nem era ela a paciente. Estava como acompanhante do marido na consulta.
É mole lembrar que doenças você teve aos 78, 90 anos? Na Doença de Alzheimer, então, tudo se complica. Demorei anos para saber que minha mãe havia feito sete implantes dentários. Mas não colocou as próteses, que certamente pagou. Por acaso, descobri numa festa que ela e uma amiga tinham a mesma cardiologista. Marquei consulta para recuperar o histórico. Portadora de um stent, ela havia abandonado o controle da pressão arterial e do colesterol. Homens retardam ao máximo a ida ao médico. As mulheres é que traduzem os sintomas do marido. Essas aproveitam a consulta para falar das dores do corpo e da alma. Escondem escapadas da dieta. Confundem receitas, se automedicam e devoram bulas. Durante anos, uma querida empregada colocou diariamente sob a língua um Isordil, usado em emergências cardíacas. Minha tia dividia a dose do remédio caro com o marido: meio comprimido para cada um. Prática conhecida pelas enfermeiras da rede pública. Muitos pacientes alegam que o remédio de uso contínuo precisa durar todo o mês e tomam dia sim, dia não, Aliás, alguém explica como medicamento para tomar todo dia vem em embalagem de 28 comprimidos, quando sete meses têm 31 dias e quatro têm trinta? Minha mãe chegou a ter cardiologista, endocrinologista, dermatologista, oftalmologista, gastro, proctologista, psicóloga, dentista e fisioterapeuta. Todos particulares. A conta da farmácia, há anos, passa dos R$ 1.200 mensais por 14 remédios, em média. E com descontos! A equipe de enfermagem tem quatro profissionais que cuidam dela 24h por dia, 7 dias por semana, 365 dias por mês. Os gastos até cabiam na aposentadoria confortável dela. Mas consegui reunir o acompanhamento a uma consulta a cada três meses com uma competente geriatra, revisão semestral da endocrinologista, ida quase semanal à dentista e fisio três vezes por semana. Para controlar tanta informação criei planilhas, formulários, quadros de aviso e um sistema de-mail diário que circula entre a equipe. Registramos tudo: alimentação, pressão, glicemia, banho, higiene bucal e todas as rotinas adotadas. Essas informações têm sido úteis para as médicas adaptarem as dosagens de remédios e recomendarem exames necessários.
Fiz um histórico para levar às consultas. É uma forma de ajudar o médico, pois o doente de Alzheimer fica ansioso com o interrogatório. Se você cuida da mãe, do pai, ou acompanha a avó na consulta, vá construindo um relatório e compartilhando com a família. Em alguns anos, ninguém mais irá lembrar da alergia do papai a camarão ou que vovô já não tem um rim.
Se fosse depender de convênios médicos, minha mãe jamais teria a qualidade de vida que desfruta. Na verdade, os planos são de doença, porque pouco contribuem para a preservação da saúde. Dão é muita dor de cabeça e nos tiram o sono. Após os 65, a mensalidade chega perto dos R$ 1.000. A minha já está bem salgada. Todo mês, fico em dúvida se pago ou cancelo meu plano. E a cada aniversário, a conta fica mais alta: punição por continuar viva.
22/07/2011
http://www.observadorpolitico.org.br/2011/07/a-saude-alem-dos-planos/

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Não começar a vida por onde se deve terminar

26/07/2011 - 10:41 Por:

Categoria(s): Reflexão

Algumas pessoas descansam no princípio e deixam o trabalho para o fim.
O essencial deve vir primeiro e depois, se houver espaço, o acessório.
Outras querem triunfar antes de lutar.
Algumas começam aprendendo o que menos importa e os estudos úteis e importantes são deixados para o fim da vida.
Outros se orgulham quando nem bem começaram a fazer fortuna.
O método é essencial para saber e poder viver.
Do livro A Arte da Prudência, de Baltasar Gracián, 2003

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Saber um pouco mais e viver um pouco menos

15/07/2011 - 12:32 Por:

Categoria(s): Reflexão

Há quem pense o contrário.
Melhor é o ócio bem empregado do que o negócio.
Tudo o que possuímos é o tempo, único bem de quem não tem nada.
A vida é preciosa demais para ser desperdiçada tanto em trabalhos mecânicos quanto em excesso de tarefas sublimes.
Não devemos nos sobrecarregar nem de ocupações, nem de rivalidades: isso é maltratar a vida e sufocar o ânimo.
Alguns acreditam que também se deve evitar o saber, mas, se não se sabe, não se vive.
Do livro A Arte da Prudência, de Baltasar Gracián, 2003

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Não ser somente dócil

5/07/2011 - 11:20 Por:

Categoria(s): Reflexão

Deve-se alternar a astúcia da serpente com a candura da pomba.
Nada é mais fácil que enganar um homem de bem.
Quem nunca mente crê em tudo, e quem nunca engana confia plenamente.
Ser enganado nem sempre é sinal de tolice, às vezes demonstra bondade.
Dois tipos de pessoas previnem-se do perigo: os experientes (que aprenderam por conta própria) e os astutos (que aprenderam à custa dos outros).
Diante de certas situações é preciso ser extremamente cauteloso.
Uma pessoa não pode ser tão boa que, pelas suas costas, permita ao outro ser mau.
Seja uma mistura de serpente e pomba.
Não um monstro, mas um prodígio.
Do livro A Arte da Prudência, de Baltasar Gracián, 2003

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Perseguir a vitória

27/06/2011 - 12:38 Por:

Categoria(s): Reflexão

Alguns se esgotam ao começar e não acabam nada.
Começam, mas não persistem: têm um caráter instável.
Nunca recebem elogios porque nada concluem.
Terminam sempre por abandonar o começado.
Uns acabam as coisas, outros acabam com elas.
Suam até superar a dificuldade, depois se contentam em tê-la vencido, mas não sabem aproveitar a vitória; demonstram que podem, mas não querem.
É um defeito, não importa se por erro de cálculo ou insconstância.
Se a empreitada é boa, por que não se termina?
E se é ruim, por que se começou?
O homem sagaz não só espreita a perdiz – vai à caça.
Do livro A Arte da Prudência, de Baltasar Gracián, 2003

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