Arquivo de Reflexão

Fazer você mesmo tudo aquilo que é favorável, e por intermédio de terceiros o que é odioso

15/01/2011 - 17:00 Por:

Categoria(s): Reflexão

Assim se ganha apoio e se evita a malevolência.
Os grandes homens têm mais prazer em fazer o bem do que recebê-lo: é a felicidade da generosidade.
É raro desagradar outra pessoa sem desagradar a si mesmo, seja por compaixão ou por remorso.
Os princípios mais elevados são movidos pelo prêmio ou pelo castigo.
O bem deve influir diretamente e o mal de forma indireta.
Deve-se ter um testa de ferro para os golpes do descontentamento (o ódio e os rumores).
A raiva da multidão é como a dos cães.
Sem conhecer a causa do mal, ela costuma voltar-se contra seu instrumento.
Ainda que não tenha a maior parte da culpa, sofre o castigo de imediato.
Do livro A Arte da Prudência, de Baltasar Gracián, 2003

Veja Também:
O Autocuidado
O sábio se basta a si mesmo
Mil dicas para administrar melhor sua vida
Recomeçar
Metade do mundo ri da outra metade, e ambas são tolas
Conhecer os dias de má sorte
O homem pacífico tem vida longa
Política de Privacidade
Exigências da vida moderna: quem aguenta tudo isso?
Você e a fonte

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Conhecer os defeitos

22/12/2010 - 11:31 Por:

Categoria(s): Reflexão

A integridade deve reconhecer o vício ainda que esteja vestido com sedas.
Às vezes ele se enfeita com ouro, mas a ferrugem não pode ser disfarçada.
Os vícios podem aparecer com nobreza, mas não pertencem à nobreza.
Algumas pessoas veem que ele não é grande por causa do defeito.
O exemplo superior é tão eloquente que pode nos convencer a aceitar o que é feio.
A adulação imita até os defeitos do rosto, sem se dar conta de que aquilo que é tolerável nos grandes torna-se insuportável nos pequenos.
Do livro A Arte da Prudência, de Baltasar Gracián, 2003

Veja Também:
Nunca competir
Tolo não é aquele que comete uma tolice, mas o que não sabe disfarçá-la
Não ter defeitos
Descobrir o bom de cada coisa
Saber usar os inimigos
Não se enganar sobre a condição das pessoas
Nunca se entregar ao mau humor
Conhecer sua boa estrela
Saber que qualidade falta
É mais importante não errar nem uma vez do que acertar cem vezes

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Não ser teimoso

8/12/2010 - 7:58 Por:

Categoria(s): Reflexão

Todo tolo é obstinado e todo obstinado é tolo.
Quanto mais equivocada a opinião, maior a tenacidade em defendê-la.
Quando há evidências de erro, ceder é o mais honesto, pois demonstra elegância, sem perder a razão.
Perde-se mais insistindo teimosamente do que se pode ganhar convencendo o outro.
Insistir não é defender a verdade, mas a grosseria.
Existem cabeças-duras, pessoas difíceis de convencer, com uma veemência sem remédio.
Quando o capricho e a obstinação se juntam, casam-se para sempre com a tolice.
A firmeza deve estar na vontade e não na opinião.
Em alguns casos excepcionais, no entanto, não deve deixar-se perder.
Seria uma dupla derrota: na opinião e na execução.
Do livro A Arte da Prudência, de Baltasar Gracián, 2003

Veja Também:
Não seguir nunca, por obstinação, o pior partido
Ser claro
Não ser somente dócil
Não ser cansativo
O fracasso está em unir apreço e afeto
Proteção à pessoa cuidada
Não ter espírito de contradição
Melhor ser um louco entre muitos que sábio sozinho
Ser um pouco negociante
Na incerteza do amanhã, aproveite o hoje para ser feliz!

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Um pouco de audácia é uma forma importante de prudência

30/11/2010 - 11:32 Por:

Categoria(s): Reflexão

É preciso moderar a ideia que se tem dos outros para não colocá-los tão alto que se passe a temê-los.
Que a imaginação nunca vença o coração.
Alguns parecem importantes até que se comece a lidar com eles.
O contato, com frequência, provoca mais decepção do que amizade.
Ninguém excede os curtos limites de ser humano:cada um tem um senão, uns na inteligência e outros no caráter.
A posição social proporciona uma autoridade aparente que quase nunca é acompanhada de verdadeira autoridade.
A sorte costuma castigar quem ocupa altos cargos com méritos inferiores.
A imaginação sempre aumenta e pinta as coisas mais importantes do que são: não mostra apenas o que há, mas o que poderia haver.
A razão, curtida pela experiência, deve corrigir isso.
A tolice não pode ser atrevida, nem a virtude, temerosa.
Se a audácia é útil aos tolos, será ainda mais aos sábios e corajosos!
Do livro A Arte da Prudência, de Baltasar Gracián, 2003

Veja Também:
A arte da sorte
Pensar duas vezes
Se souber pouco na sua profissão, atenha-se ao mais seguro
Temperamento jovial
Falar com prudência
Nunca se entregar ao mau humor
Saber um pouco mais e viver um pouco menos
Nunca exagerar
Ser um pouco negociante
Conquistar a boa vontade dos outros

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Campanha: Eu e Nós podemos fazer um mundo melhor

24/11/2010 - 9:36 Por:

Categoria(s): Educação, Reflexão

 Por Will Bowen
“O segredo para transformar sua vida está em suas mãos. Não acredita? Pois eu já vi acontecer com muita gente. Li e-mails e cartas e recebi telefonemas de pessoas que encararam um desafio que mudou sua existência: ficar 21 dias consecutivos sem reclamar, criticar ou falar mal dos outros. No fim desse período, elas desenvolveram um novo hábito. Ao se tornarem conscientes de suas palavras e se esforçarem para mudá-las, modificaram sua forma de pensar e começaram a recriar suas histórias. Diversas pessoas me contaram sobre relacionamentos que melhoraram, carreiras que progrediram e vidas que se tornaram mais felizes. Conheci um homem que sofria de dor de cabeça crônica. Todas as noites, ao chegar em casa depois de um longo dia de trabalho, ele dizia à mulher quanto sua cabeça tinha doído. Ao perceber que se queixar não resolvia nada, ele decidiu fazer um esforço para deixar de falar nas dores de cabeça. Esse homem se chama Tom Alyea. Ele não sente mais dor de cabeça e se transformou no coordenador sênior do programa Mundo Sem Reclamações, um dos voluntários que ajudaram a fazer com que isso acontecesse. Menos dor, mais serenidade e alegria… Que tal? Não é apenas possível. É provável. Lutar conscientemente para reformatar seu disco rígido mental não é uma coisa fácil, mas você pode começar agora e em pouco tempo é provável que tenha uma vida muito melhor.
A ideia é simples. É preciso criar um sistema de monitoramente das reclamações, críticas e fofocas. Você pode usar uma pulseira roxa do movimento Sem Reclamações, utilizar de elástico no cabelo em volta do punho, ou colocar uma moeda ou pedrinha no bolso, mudar a posição da sua aliança e do seu relógio ou mesmo mover um peso de papel sobre a sua mesa. O importante é que você deve mudar algum objeto de posição sempre que se pegar reclamando, criticando ou falando mal dos outros. (…) É o ato de mudar a posição que planta as sementes no fundo da sua mente, tornando-a consciente de seu comportamento. (…) Para enfrentar o desafio dos 21 dias, você terá que seguir este passo-a-passo: Escolha um sistema de monitoramento e coloque o objeto escolhido numa posição. Se for uma pulseira, por exemplo, coloque-a em um dos braços; Ao perceber que está reclamando, falando mal dos outros ou criticando, mude o objeto de posição e comece a contagem de novo; Se você ouvir uma pessoa que está participando do desafio se queixar, pode avisá-la de que deve trocar sua pulseira, elástico, anel, peso de papel, etc. de lugar. MAS, se fizer isso, terá que mudar o seu objeto de posição primeiro, porque estará reclamando da reclamação dela; Comece agora e não desista. Podem se passar meses até você conseguir completar os 21 dias consecutivos. A média é de quatro a oito meses. E relaxe.
Estou me referindo apenas a reclamações, críticas e fofocas que verbalizamos. Se sair da sua boca, conta – e você terá que começar de novo. Se você só pensar, não tem problema. Mas logo descobrirá que mesmo a reclamação em pensamento vai desaparecer à medida que o processo avançar. A reclamação é uma epidemia no mundo de hoje, por isso não se espante quando descobrir que você também se lamuria bem mais do que imaginava. Neste livro, você aprenderá o que é uma reclamação, por que nos queixamos, quais são os benefícios que pensamos receber ao nos lamuriarmos, como a queixa é destrutiva e como podemos contribuir para que as pessoas à nossa volta parem de reclamar também. (…)
Reclamar é se concentrar no que não queremos, é falar sobre o que está errado. E tudo aquilo em que concentramos nossa atenção se expande. Assim, para ajudar as pessoas a eliminar a reclamação de suas vidas, essas pulseiras serão um ótimo estímulo. Vamos desafiar as pessoas a usar as pulseiras e tentar passar 21 dias sem reclamar, porque acredito que 21 dias é o prazo necessário para transformar um novo comportamento em hábito. Vamos encorajá-las a mudar a pulseira de braço sempre que se queixarem e a começar tudo de novo. E, se a pessoa reclamar, ela pode deixar para recomeçar no dia seguinte, ou seja, tirar uma folga e passar o resto do dia reclamando? Não. Ela deverá trocar a pulseira de braço e recomeçar na mesma hora. A idéia é nos conscientizarmos das ocasiões em que a reclamação acontece para, quem sabe, evitá-la da próxima vez que estiver prestes a ocorrer. (…) Juntem-se a mim. Vamos ficar 21 dias consecutivos sem reclamar, criticar ou falar mal da vida alheia. Mesmo que leve três meses ou três anos, nossa vida vai melhorar muito. Não desistam. Reclamar é falar de coisas que você não quer, em vez de falar daquilo que você quer.
Quando nos queixamos, usamos as palavras para nos concentrarmos no que não é como gostaríamos. Nossos pensamentos criam nossa vida, e nossas palavras revelam o que pensamos. Vou repetir essa frase, porque, se você não aprender nada mais com este livro, espero que guarde isto: NOSSOS PENSAMENTOS CRIAM NOSSA VIDA, E NOSSAS PALAVRAS REVELAM O QUE PENSAMOS. Estamos, cada um de nós, criando nossa própria vida, o tempo todo. O truque é pegar as rédeas e levar o cavalo na direção que queremos seguir, em vez de ir para onde não queremos. Sua vida é um filme escrito, dirigido, produzido e estrelado por – adivinhe? – VOCÊ. (…) Você está criando sua própria vida a cada momento por meio de seus pensamentos. Hoje, as pessoas estão mais atentas a esse fato, e isso deve promover uma importante mudança na consciência do mundo. Começamos a perceber que a vida, a sociedade, a política, a saúde, enfim, o estado do mundo é a materialização dos nossos pensamentos e das ações que eles produzem. Essa ideia não é nova – filósofos e professores repetem isso há milênios. Mas ela parece estar finalmente atingindo uma compreensão universal nos dias de hoje.
 “Vai! Como creste, assim te seja feito!” (Jesus, Mateus, 8:13)
“O universo é a mudança; a vida é o que o pensamento faz dessa mudança” (Marco Aurélio)
“Somos formados por nossos pensamentos. Nós nos tornamos o que pensamos”. (Buda)
“Mude seus pensamentos e você mudará seu mundo” (Norman Vicent Peale)
“Você está hoje onde seus pensamentos o trouxeram, e estará amanhã onde seus pensamentos o levarem”. (James Allen)
“Nós nos tornamos aquilo em que pensamos” (Earl Nightingale)
“O mais alto estágio da cultura moral é quando reconhecemos que precisamos controlar nossos pensamentos”. (Charles Darwin)
“Por que somos os mestres do nosso destino, os capitães de nossa alma? Porque podemos controlar nossos pensamentos”. (Alfred A. Matapert)
Nossas palavras revelam o que pensamos, e nossos pensamentos criam nossa vida. As pessoas oscilam entre ondas positivas e negativas. Na minha experiência, nunca conheci ninguém que assumisse ser negativo. As pessoas realmente não percebem quando seus pensamentos estão sendo mais destrutivos do que construtivos. As suas palavras podem transmitir isso aos outros, mas elas próprias não conseguem escutar. Essas pessoas podem reclamar sem parar – eu fui uma delas -, mas a maioria, eu inclusive, se considera positiva, animada, otimista e motivada. É vital controlar nossa mente se quisermos recriar nossa vida. O Movimento Sem Reclamações nos ajuda a perceber exatamente em que ponto nos encontramos e se estamos exprimindo nosso lado positivo ou negativo. E então, quando começamos a mudar a pulseira ou qualquer outro objeto de posição, passamos a prestar atenção em nossas palavras – e em nossos pensamentos. Quando prestamos atenção em nossos pensamentos, podemos mudar e remodelar nossa vida da forma que escolhermos. A pulseira, o elástico ou o anel ajudam a criar uma armadilha para a nossa própria negatividade – e a expulsá-la para que nunca mais volte. (…) Assim que lancei o desafio, descobri pessoalmente como essa transformação poderia ser difícil. No primeiro dia, fiquei cansado de tanto trocar a pulseira de um braço para o outro. Percebi que reclamava o tempo todo. Quis desistir, mas todos estavam me observando. Depois da primeira semana, o melhor que consegui fazer foi mudar a pulseira de posição apenas cinco vezes no mesmo dia. Mas, logo depois, voltei à marca de uma dúzia de trocas por dia. Mesmo assim, segui em frente. Nunca tinha me considerado uma pessoa muito propensa a reclamações, mas estava descobrindo o contrário.
Enquanto lutava para não reclamar, nem criticar, nem falar mal dos outros, sentia-me ao mesmo tempo desencorajado e feliz por não ter notícias da repórter do Star. Embora achasse a idéia do movimento boa, certamente não considerava meu próprio desempenho brilhante e não queria assumir isso publicamente. Perseverei. Finalmente, depois de quase um mês, consegui passar três dias consecutivos sem reclamar. (…) Descobri que tinha mais facilidade quando estava com determinadas pessoas, e menos com outras. Com tristeza, percebi que minhas relações com alguns indivíduos que eu considerava bons amigos eram pautadas pela expressão de nossa insatisfação sobre qualquer assunto do qual falávamos. Comecei a evitá-los. A princípio eu me senti culpado, mas notei que passei a reclamar menos. Mais importante: fui me sentindo mais feliz.
(…) Há duas coisas sobre as quais a maioria das pessoas concorda: 1. Há reclamações demais neste mundo. 2. O mundo não é do jeito que gostaríamos que fosse. Na minha opinião, existe uma correlação entre essa duas percepções. Nós nos concentramos no que está errado, em vez de dar atenção à nossa visão sobre o que é um mundo feliz, saudável e harmonioso. Agora você também faz parte disso. Você pode transformar o mundo simplesmente se tornando um exemplo de mudanças positivas. Pode ajudar a criar um Mundo Sem Reclamações. Faça isso em nome daqueles que estão à sua volta, mas, principalmente, faça por você mesmo. Enquanto se torna mais feliz, você também estará contribuindo para aumentar o nível de felicidade no planeta. Enviará vibrações de otimismo e esperança que ressoarão junto a outras pessoas com o mesmo intuito.
A antropóloga Margaret Mead escreveu certa vez que “nunca devemos duvidar que um pequeno grupo de cidadãos bem-intencionados e motivados possa mudar o mundo. De fato, essa é a única forma de fazê-lo”. “A onda continua a se espalhar”.
Fonte: http://stelalecocq.blogspot.com/

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Sem mentir, não dizer toda a verdade

22/11/2010 - 17:59 Por:

Categoria(s): Reflexão

Nada requer mais tato que a verdade, pois pode fazer sangrar o coração.
Tão importante quanto dizer a verdade é saber calá-la.
Com uma só mentira se perde toda a reputação de integridade.
O enganado é considerado sem juízo e o enganador é tomado por falso, o que é pior.
Não se podem dizer todas as verdades: umas porque nos afetam e outras porque afetam os demais.
Do livro A Arte da Prudência, de Baltasar Gracián, 2003

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Acreditar no coração, principalmente se ele é forte

16/11/2010 - 18:22 Por:

Categoria(s): Reflexão

Nunca se deve contradizer o coração, pois ele costuma prognosticar o mais importante: é um oráculo pessoal.
Muitos pereceram do que mais temiam, mas de que adiantou temer e não remediar?
Algumas pessoas têm um coração muito leal, que lhes previne de tudo e avisa do fracasso para evitá-lo.
Não é prudente ficar à procura de males, mas sim sair ao seu encontro para vencê-los.
Do livro A Arte da Prudência, de Baltasar Gracián, 2003

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Saber escutar quem sabe

15/11/2010 - 11:22 Por:

Categoria(s): Reflexão

Não se pode viver sem entendimento, próprio ou emprestado.
Muitas pessoas não têm consciência do que não sabem, e outras que sabem sem saber.
Os erros da estupidez são irremediáveis, pois como os ignorantes não se consideram assim, não procuram aquilo que lhes falta.
Alguns seriam sábios se não acreditassem sê-lo.
Por isso, os poucos oráculos de prudência vivem ociosos porque ninguém os consulta.
Pedir conselho não diminui a grandeza nem a capacidade de ninguém.
Ao contrário, fortalece a reputação.
É bom ouvir a razão para evitar o ataque da má sorte.
Do livro A Arte da Prudência, de Baltasar Gracián, 2003

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Envelhecendo na fila de votação

13/11/2010 - 12:08 Por:

Categoria(s): Gerontologia, Reflexão

 Domingo, 1º turno das eleições. Como sempre procuro ir cedo à votação para não enfrentar uma fila enorme, num dia ensolarado e inspirativo para reflexões sobre o país, seus desígnios e o exercício da cidadania. Há sempre um sentimento de orgulho, enquanto nos dirigimos às urnas: orgulho de poder escolher seu representante para dirigir a nação e, por outro, há um sentimento de descontentamento em relação ao desrespeito e impatriotismo com que as campanhas eleitorais são conduzidas: pouco instrutivas, pouco reveladoras de propostas para o governo e, às vezes, eu diria beirando a uma certa insanidade e loucura,  por vezes,  aceita  até  como uma via de descontentamento, como, por exemplo,  votar em Tiririca como voto de protesto.
Mas, vamos a uma outra faceta dessa mesma realidade, nem sempre tão promissora, como às vezes queremos sonhar. Eram 10:30 da manhã quando cheguei ao Colégio Pio XII para votar. A votação demoraria mais porque tínhamos que escolher 06 candidatos. Na eleição anterior chamou-me a atenção o número de idosos nesta sessão eleitoral. O Estatuto do Idoso em pleno exercício e vários idosos utilizando seu direito de preferência nas eleições. Como um país de 1º mundo, pensava eu. E como seria, neste ano, a participação cívica dos idosos quando os desafios do envelhecimento beiram a imprensa, a mídia televisa e virtual?
Eu deveria ser a 11ª da fila, à minha frente adultos de meia-idade ou idosos, atrás de mim um senhor, que se identificou dizendo ter mais de 60 anos. Ele queixava-se que a fila não andava e que, muitos idosos que passavam na frente, tinham na realidade somente 60 anos, eram saudáveis e poderiam estar ocupando a fila comum, como ele havia optado por fazer.
Olhei ao meu redor e pensei: “Como envelhecemos!!”, eu com meus 54 anos, me espelhava  naqueles homens e mulheres com meia-idade ou já idosos. A fila refletia a população brasileira – somos hoje 22 milhões de idosos!
De repente, chegou um idoso e mais outro, outro mais e, em pouco tempo, tínhamos em ângulo reto outra fila, agora daqueles que se autodenominavam idosos e, com certeza, exercendo seu direito de votar com preferência.
Meu vizinho de fila, impaciente, insistia que as pessoas saudáveis, mesmo com 60 anos deveriam ocupar a fila comum. Outra senhora, com mais de 60 anos (presumo eu), concordava com ele dizendo que, do contrário, a fila comum não andaria.
 O desconforto criou um bate-boca entre as pessoas da fila comum e começaram a expor facetas, não tão iluminadas do envelhecimento. Uma delas dizia que algumas empresas estavam contratando idosos para fazer serviços de banco, pois eles não tinham que se sujeitar a longa espera nas filas. Os ânimos estavam animados e, se tal situação continuasse, seria preciso inventar uma regra qualquer, como por exemplo: 2 de uma fila e  1 de outro, ou 1 de uma fila e 1 de outra.
Confesso ter ficado um tanto constrangida e meu primeiro impulso foi defender o direito do idoso de ter preferência ao voto, porém a questão era visivelmente mais complexa e apontava para outros aspectos. Fiquei antevendo um futuro que já é realidade. Temos que buscar outras formas para o enfrentamento do nosso envelhecimento e nos debater com questões como: O quer fazer quando o direito está sendo utilizado para favorecimento de alguns ou quando se torna absoluto ou discriminatório?
A fila na sessão eleitoral refletia indubitavelmente um dilema a ser vivido nos próximos anos: a idade não nos torna necessariamente melhores ou mais maduros. Sempre podemos nos valer do bom senso, da sabedoria e da tolerância como qualidades para enfrentamento dos dilemas do cotidiano. Oxalá a maturidade nos torne mais sábios para fazer este enfrentamento! 
Escrito por Arlete Portella Fontes no dia 03 de novembro de 2010.

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Não viver com pressa

10/11/2010 - 16:36 Por:

Categoria(s): Reflexão

Saber distribuir o tempo é saber aproveitá-lo.
Para muitos sobra vida e falta felicidade.
Desperdiçam as alegrias por não saber saboreá-las.
Quando estão à frente, gostariam de voltar atrás.
Querem comer em um dia o que só poderão digerir em toda a vida.
Vivem os prazeres apressadamente, devoram os anos que estão por vir e, como fazem tudo às pressas, logo acabam com tudo.
Até no desejo de conhecimento é preciso moderação para que as coisas não sejam mal aprendidas.
Há mais dias que alegrias.
Por isso, faça depressa e desfrute devagar.
O feito é melhor do que o por fazer, mas as alegrias, uma vez acabadas, ficam muito pior.
Do livro A Arte da Prudência, de Baltasar Gracián, 2003

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