Ergonomia e envelhecimento 1

17/02/2008 - 14:12 Por:

Categoria(s): Gerontologia, Qualidade de Vida

A ergonomia na adequação e prevenção de riscos gerados pelo processo de envelhecimento do ser humano no trabalho.

Autora: Sylvia Volpi (professora de ergonomia e consultora do Instituto Brasileiro de Ergonomia – IBRAERGO).

Publicado na Revista Cipa nº 388

Parte 1

Tudo e todos envelhecem. Tendo a ergonomia a função de levar ao ser humano, em qualquer fase de sua vida, a saúde psicofisiológica, o envelhecimento do ser humano em sua existência e no trabalho faz parte dos estudos nesta ciência.

É lamentável constatar que ainda existe, para muitos, o conceito de que a Ergonomia é “a ciência do ajuste de mesa e cadeira” e não se buscar a sua amplitude, sendo que preservar o ser humano, em toda e qualquer situação, é sua verdadeira função.

É sabido que a população brasileira está cada vez mais idosa e também visível que cada vez mais o percentual de trabalhadores idosos nas empresas aumenta a cada dia.

Estima-se que a população de idosos do Brasil no ano de 2025 será a sexta em termos absolutos no mundo e em 2050, segundo estimativas das Nações Unidas, a população brasileira terá 42,2 milhões de idosos, 17,3% do contingente nacional. Tornou-se comum nas empresas os trabalhadores se aposentarem e continuarem trabalhando, a empresa valoriza sua experiência, mas não sabe lidar com os fatores diferenciais gerados com a idade que podem criar inúmeros fatores de risco. Esta situação, nos dias de hoje, é fator de grande preocupação das empresas que investem em prevenção. Muitas empresas confessam total despreparo para lidar com a situação e suas conseqüências.

Entender este processo e saber como se adaptar e adaptar o trabalho aos diferenciais destes trabalhadores, evitando riscos diversos, se torna um fator imprescindível.

Para os Seres Humanos e para a Empresa, este pode ser um processo gratificante, onde a experiência de vida e a sabedoria de ambos se acumulam ou pode ser até mesmo destrutivo, quando não há adaptação e surgem problemas.

O resultado deste processo influi na Qualidade de Vida Global e na saúde psicofisiológica do indivíduo, na empresa e na sociedade.


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Passagem do tempo…

16/02/2008 - 5:40 Por:

Categoria(s): Gerontologia, Reflexão

Passagem do tempo… (Clique aqui, baixe o pps e leia esta linda mensagem!)

Contribuição enviada pela amiga Juciane de Campos Castilho.


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Dicas para escapar do Alzheimer

15/02/2008 - 5:30 Por:

Categoria(s): Dicas, Gerontologia, Tratamento de Doenças

Autor: Roberto Goldkorn (psicólogo e escritor)

Uma descoberta dentro da Neurociência vem revelar que o cérebro mantém a capacidade extraordinária de crescer e mudar o padrão de suas conexões. Os autores desta descoberta, Lawrence Katz e Manning Rubin (2000), revelam que NEURÓBICA, a ‘aeróbica dos neurônios’, é uma nova forma de exercício cerebral projetada para manter o cérebro ágil e saudável, criando novos e diferentes padrões de atividades dos neurônios em seu cérebro. Cerca de 80% do nosso dia-a-dia é ocupado por rotinas que, apesar de terem a vantagem de reduzir o esforço intelectual, escondem um efeito perverso; limitam o cérebro.

Para contrariar essa tendência, é necessário praticar exercícios ‘cerebrais’ que fazem as pessoas pensarem somente no que estão fazendo, concentrando-se na tarefa. O desafio da NEURÓBICA é fazer tudo aquilo que contraria as rotinas, obrigando o cérebro a um trabalho adicional.

Tente fazer um teste:

– use o relógio de pulso no braço direito;

– escove os dentes com a mão contrária da de costume;

– ande pela casa de trás para frente; (vi na China a pessoa treinando isso num parque);

– vista-se de olhos fechados;

– estimule o paladar, coma coisas diferentes;

Рveja fotos de cabe̤a para baixo;

– veja as horas num espelho;

Рfa̤a um novo caminho para ir ao trabalho.

A proposta é mudar o comportamento rotineiro.

Tente, faça alguma coisa diferente com seu outro lado e estimule o seu cérebro.

Vale a pena tentar!

Que tal começar a praticar agora, trocando o mouse de lado?

“Critique menos, trabalhe mais. E, não se esqueça nunca de agradecer!”

Sucesso para você!!!


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Alzheimer

14/02/2008 - 7:07 Por:

Categoria(s): Doenças e problemas de saúde, Gerontologia, Reflexão

Sobre o Alzheimer

Autor: Roberto Goldkorn (psicólogo e escritor)

Leia com atenção!!

Cuidado com o “ALEMÃO”

Meu pai está com Alzheimer.

Logo ele, que durante toda vida se dizia ‘o Infalível’.Logo ele, que um dia, ao tentar me ensinar matemática, disse que as minhas orelhas eram tão grandes que batiam no teto. Logo ele que repetiu, ao longo desses 50 anos de convivência, o nome do músculo do pescoço que aprendeu quando tinha treze anos e que nunca mais esqueceu: esternocleidomastóideo.
O diagnóstico médico ainda não é conclusivo, mas, para mim, basta saber que ele esquece o meu nome, mal anda, toma líquidos de canudinho, não consegue terminar uma frase, nem controla mais suas funções fisiológicas, e tem os famosos delírios paranóicos comuns nas demências tipo Alzheimer. Aliás, fico até mais tranqüilo diante do ‘eu não sei ao certo’ dos médicos; prefiro isso ao ‘estou absolutamente certo de que….’, frase que me dá arrepios.

Há trinta anos, não ouvia sequer uma menção a essa doença maldita… Hoje, precisaria ter o triplo de dedos nas mãos para contar os casos relatados por amigos e clientes em suas famílias. O que está acontecendo? Estamos diante de um surto de Alzheimer? Finalmente nossos hábitos de vida ‘moderna’ estão enviando a conta? O que os pesquisadores sabem de verdade sobre a doença? Qual é o lado oculto dessa manifestação tão dolorosa?

Lendo o material disponível, chega-se a uma conclusão: essa é uma doença extremamente complexa, camaleônica, de muitas faces e ainda carregada de mistérios. Sabe-se, por exemplo, que há um componente genético. Por outro lado, o Dr. William Grant fez uma pesquisa que complicou um pouco as coisas. Ele comparou a incidência da doença em descendentes de japoneses e de africanos que vivem nos EUA, e com japoneses e nigerianos que ainda vivem em seus respectivos países. Ele encontrou uma incidência da doença da ordem de 4,1 para os descendentes de japoneses que vivem na América, contra apenas 1,8 de japoneses do Japão. Os afro-americanos vão mais longe: 6,2 desenvolvem a doença, enquanto apenas 1,4 dos nigerianos são atingidos por ela.

Hábitos alimentares? Stress das pressões do Primeiro Mundo? Mas o Japão não é Primeiro Mundo? Não tem stress?

A alimentação parece ser sem dúvida um elo nessa corrente, e mais ainda o alumínio. Segundo algumas pesquisas, a incidência de alumínio encontrada nos cérebros de portadores da doença é assustadoramente alta. Pesquisas feitas na Austrália e em alguns países da Europa mostraram que, em ratos alimentados com uma dieta rica, o sulfato de alumínio (comumente colocado na água potável para matar bactérias) danificou os cérebros dos roedores de forma muito similar à causada nos humanos pelo Alzheimer.
Pesquisas do Dr. Joseph Sobel, da Universidade da Califórnia do Sul, mostraram que a incidência da doença é três vezes maior em pessoas expostas à radiação elétrica (trabalhadores que ficavam próximos a redes de alta tensão ou a máquinas elétricas).

Mas não param por aí as pesquisas, que apontam à arma em todas as direções. Porém, a que mais me chocou e me motivou a fazer minhas próprias elucubrações foi o estudo das freiras. Esse estudo, citado no livro A Saúde do Cérebro, do Dr. Robert Goldman, Ed. Campus foi feito pelo Dr. Snowdon, da Universidade de Kentucky. Eles estudaram 700 freiras do convento de Notre Dame. Na verdade, eles leram e analisaram as redações autobiográficas que cada freira era obrigada a escrever logo ao entrar na ordem. Isso ocorria quando elas tinham em média 20 anos. Essas freiras (um dos grupos mais homogêneos possíveis, o que reduz muito as variáveis que deveriam ser controladas) foram examinadas regularmente e seus cérebros investigados após suas mortes. O que se constatou foi surpreendente. As que melhor se saíram nos testes cognitivos e nas redações – em termos de clareza de raciocínio, objetividade, vocabulário, capacidade de expressar suas idéias, mesmo apresentando os acidentes neurológicos típicos do Alzheimer (placas e massas fibrosas de tecido morto) não desenvolveram a demência característica da doença. Ou seja, elas tinham as mesmas seqüelas que as outras freiras com Alzheimer diagnosticado (e que tiveram baixos escores em testes cognitivos e na redação), mas não os sintomas clássicos, como os do meu pai.

A minha interpreta̤̣o de tudo isso: ṇo temos muito como controlar todos os fatores de risco apontados como os vil̵es Рalimenta̤̣o, presṣo alta, contamina̤̣o ambiental, stress, e a gen̩tica (por enquanto). Mas podemos colocar o nosso c̩rebro para trabalhar.
COMO?
Lendo muito, escrevendo, buscando a clareza das idéias, criando novos circuitos neurais que venham a substituir os afetados pela idade e pela vida ‘bandida’. Meu conselho: é para vocês não serem infalíveis como o meu pobre pai; não cheguem ao topo nunca, pois dali, só há um caminho: descer. Inventem novos desafios, façam palavras cruzadas, forcem a memória, não só com drogas (não nego a sua eficácia, principalmente as nootrópicas), mas correndo atrás dos vazios e lapsos. Eu não sossego enquanto não lembro do nome de algum velho conhecido, ou de uma localidade onde estive há trinta anos. Leiam e se empenhem em entender o que está escrito, e aprendam outra língua, mesmo aos sessenta anos. Não existem estudos provando que o Alzheimer é a moléstia preferida dos arrogantes, autoritários e auto-suficientes, mas a minha experiência mostra que pode haver alguma coisa nesse mato. Coloquem a palavra FELICIDADE no topo da sua lista de prioridades: 7 de cada 10 doentes nunca ligaram para essas ‘bobagens’ e viveram vidas medíocres e infelizes – muitos nem mesmo tinham consciência disso. Mantenha-se interessado no mundo, nas pessoas, no futuro. Invente novas receitas, experimente (não gosta de ir para a cozinha? Hum… Preocupante.)

Lute, lute sempre, por uma causa, por um ideal, pela felicidade. Parodiando Maiakovski, que disse ‘melhor morrer de vodca do que de tédio’, eu digo: melhor morrer lutando o bom combate do que ter a personalidade roubada pelo Alzheimer.


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E aí, o quê você pode fazer?

13/02/2008 - 5:49 Por:

Categoria(s): Educação, Gerontologia, Reflexão

Enquanto a ótica capitalista de nossa sociedade não mudar, nossos velhos não terão um lugar próprio e significativo. E o que fazer? Ficaremos parados esperando um milagre acontecer? É claro que não, a mudança pode começar através de nós mesmos e do conceito que nós temos de mundo, através daquilo que acreditamos e exteriorizamos, em relação a nós e aos outros com os quais construímos a vida.

Não adianta nada termos um belo discurso em prol de nossos velhos, se lá no fundo de nossos corações não é isto que acreditamos, pois o que acaba demonstrado por nossas ações e práticas sociais é o que está dentro de nós e não nas palavras. Nesse sentido, o amor torna-se uma ferramenta – chave na construção de uma sociedade mais justa e igualitária, na qual possamos agir com solidariedade e cumplicidade, não mais com egoísmo e competitividade, lutando pelos direitos dos idosos e exigindo políticas públicas para a categoria em discussão.

Segundo DUARTE JR (2001) ao discutir a necessidade de uma educação que valorize o sensível e não somente o racional, para atravessarmos os novos desafios do mundo moderno – podemos entender a questão do envelhecimento populacional como um novo desafio – as pessoas não podem mais ser entendidas como aquelas preconizadas pelo iluminismo, com toda a ênfase recaindo sobre a sua capacidade racionalizante e produtiva, para este autor, deve-se ser de forma diferente: “… necessita-se primordialmente de um sujeito antes de tudo sensível, aberto às particularidades do mundo que possui à sua volta, o qual sem dúvida nenhuma, deve ser articulado a humana cultura planetária” (p. 172)

Escrito por Wanda Patrocinio


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Psicologia e Educação: revendo contribuições

12/02/2008 - 10:52 Por:

Categoria(s): Sugestão de leituras

Semanalmente, disponibilizaremos sugestões de leituras para aquelas pessoas que queiram se aprofundar nas áreas relativas ao blog GeroVida: arte, educação, gerontologia, qualidade de vida e terapias alternativas.

Sugestão de Leitura 4

4) Para quem quiser estudar as contribuições de Wallon, Vygotsky, Rogers, Freud, Piaget e Skinner para o mundo da educação, sugerimos a leitura do livro “Psicologia e Educação: revendo contribuições”, organizado por Vera Maria Nigro de Souza Placco, Editora Educ, São Paulo, 2000.


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Mundo: representação e mudança.

11/02/2008 - 12:43 Por:

Categoria(s): Educação, Gerontologia

O filme “Amor, eterno amor” mostra várias representações da velhice: a primeira enxerga no velho aquela pessoa que vai seguindo suas atividades rotineiramente, sem novidades, mostrada nas relações de John e Claire.

Já nas relações do antigo casal de adolescentes, vemos a vida fluindo, brilhando, mesmo na iminência da morte (pois Andreas estava com câncer e com os dias contados). Mesmo assim, vivem momentos de plenitude, vemos a vida sendo representada como uma benção que é regada e aproveitada da melhor maneira possível.

De forma inesperada, mas ao mesmo tempo alegre, Claire falece e, ao morrer deixa uma carta, na qual descreve a simplicidade em que viveu e as formas diferentes de amor que ela encontrou. Ao final, não diz que amou um mais que o outro (John e Andreas), simplesmente amou-os de maneiras diferentes. Com este ato ela foi capaz de causar mudanças nas relações e nas representações de mundo dos dois homens que permaneceram vivos e mudados pela experiência e lição de vida de uma velha senhora.

Se considerarmos a relação de John e Claire, eles estavam casados, mas viviam de acordo com as “normas” ditadas pela cultura que faziam parte, um universo em que o amor num casal de velhos é apenas afeto, de que não é mais necessário intimidade, ou seja, a sociedade privando tudo e invadindo a vida das pessoas, as quais mantêm uma relação inteiramente subsumida pela ideologia existente, é como diz DURHAM (1984) “…tudo sendo ideológico e político, constrói-se um universo asfixiante de opressão, onde o poder permeia tudo e é tudo. Não há mais graus de dominação nem critérios de relevância” (p.81).

Nesse sentido, a situação que emerge do encontro com o passado, reconstrói o presente a partir de Claire, pelo que ela resgata da realidade social e pelo muito que ressignifica para si e para os seus – marido, filho e amante. Mostra o que a vida de cada um e de todos pode ser, enquanto liberdade e libertação. Seus atos, atos de amor, são, sobretudo atos de criação e mudança, nos quais a vida e a velhice são descobertas em nova dimensão.

Imaginemos, então, se o amor estivesse presente em cada um de nós e num novo mundo a ser criado, o quanto de mudança teríamos como força propulsora para uma nova realidade.

Escrito por Wanda Patrocinio


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A vida em acontecimento…

11/02/2008 - 12:30 Por:

Categoria(s): Educação, Gerontologia

Quem poderia dizer que viver a vida na velhice poderia ser tão efervescente e inovadora? Caros leitores, estou tratando da vida dos velhos do filme, Amor, eterno amor.

Aquele casal que foi separado na adolescência volta a se encontrar na velhice. Ele viúvo há trinta anos, ela mantendo um casamento cheio de afeto, mas ausente de toda paixão. A princípio, Claire renega um pouco o contato com Andreas, pois não acha justo tal atitude em relação ao marido, por outro lado, há mais de vinte anos que eles vivem como “amigos”. Apesar da resistência, não adiantou, o amor que estava guardado dentro de ambos volta agora com muito mais fervor e eles fazem amor como nos tempos de adolescência.

No outro dia, ela resolve contar para o marido John, mas este não acredita, acha que ela está ficando esclerosada, por simplesmente ter feito o que seu coração pediu, aliás, o que muitos de nós deveríamos fazer. Ficamos tão presos aos nossos compromissos, a nossa correria da sociedade moderna e nos esquecemos de viver com o coração, com a alma.

E esta é uma das lindas mensagens que o filme traz, mesmo na velhice, o casal (John e Claire) continua com seus afazeres, porém vão levando a vida à espera da morte e quando o antigo casal de adolescentes se redescobrem amando, parece que ambos renascem, começam a viver a vida com maior significado e plenitude.

Até mesmo a vida do marido abandonado se transforma, John começa a demonstrar sentimentos, a fazer atividades e ter atitudes imperceptíveis há mais de vinte anos, mas para tudo isto acontecer foi necessário uma perda muito grande, a da própria esposa.

Se, como eles, não deixarmos a vida passar com toda sua beleza, seremos capazes de olhar com mais profundidade e atenção para os fatos, neste sentido, cabe a cada um de nós agir com sinceridade perante nós mesmos, buscando “Aprender o que somos, o que nos estamos tornando agora e o que podemos fazer, mediante um conhecimento histórico – comparativo denso e justo” (BOSI, 1987:15) (grifo meu).

Escrito por Wanda Patrocinio


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Envelhecer: cultura e vida.

11/02/2008 - 12:15 Por:

Categoria(s): Educação, Gerontologia

O tratamento que é dado ao velho é muito forte em termos de idade e papel social. Partindo da ótica da produtividade que permeia nossa sociedade, GUSMÃO (2001) coloca que “…o caráter do mundo moderno em sua natureza capitalista está dado pela ordem produtiva que toma o jovem e o adulto como produtores e compreende o velho e a velhice como uma irrupção perigosa da ordem, posto que já não produtivos para o capital” (p. 117) e, por isto, o velho pode ser considerado como um “ser descartável”.

Infelizmente, é nesta cultura que estamos inseridos, a qual valoriza aqueles que produzem algo para a sociedade capitalista, mas o que é preciso fazer para que nossa cultura política seja mais solidária? Ou melhor, para que nossos velhos não sejam “seres descartáveis”? Acredito que se aproveitarmos os Programas e Atividades direcionados a esta faixa etária e neles engendrarmos, além do que já ocorre, discussões, trocas de experiências, explanações sobre a problemática do envelhecimento e o que podemos fazer para influenciar na mudança de paradigmas, estaríamos começando a dar um pequeno passo para a construção de uma forma de viver mais humana.

Por outro lado, cabe ressaltar que o velho não é tratado dessa forma (descartável) em todos os lugares. Se percorrermos nosso país, vamos encontrar formas diferenciadas de cuidado e atenção ao velho. Alguns respeitando, se sociabilizando, outros negando, rejeitando, talvez seja o que Bosi (1987) chama de cultura plural, “… não existe uma cultura brasileira homogênea, matriz dos nossos comportamentos e dos nossos discursos. Ao contrário: a dimensão do seu caráter plural é um passo decisivo para compreendê-la como um ‘efeito de sentido’, resultado de um processo de múltiplas interações e oposições no tempo e no espaço” (p. 7).

Escrito por Wanda Patrocinio


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Velho, Idoso, Terceira Idade, o quê é?

8/02/2008 - 5:30 Por:

Categoria(s): Educação, Gerontologia

Nossa sociedade está imbricada em torno da idade que carregamos, idades estas que precisam seguir alguns papéis sociais, é o que nos faz sermos socialmente velhos, ou jovens, ou adolescentes, ou crianças etc. Assim, por que as pessoas mais velhas, atualmente, não aceitam serem chamadas de velhas? Por que a utilização de outros conceitos como idosos, terceira idade?

A palavra velho traz uma conotação um tanto pejorativa e desvalorizada, sendo que a associação entre velhice e decadência, segundo PEIXOTO (1998) atinge todos os domínios da sociedade brasileira. É velho aquele que está decrépito, que não presta para nada, como um objeto mesmo; quando nos referimos a um objeto como velho é porque ele está estragado e quase não dá mais para ser usado.

Por outro lado, podemos perceber que a utilização de outros conceitos parece ser mais fácil do que voltarmos a valorizar o velho com um significado belo e essencial, do que realmente é ser velho: é estar vivendo e já ter passado por uma porção de experiências que nos permitem ver o mundo de uma outra forma, talvez mais humana, amorosa e menos competitiva.

Segundo PEIXOTO (1998), o termo velho era usado para a população pobre, já o termo idoso era usado para uma classe social mais abastada, então isto significa que usar o termo idoso hoje, igualmente para todos, passa uma noção de maior respeito com a categoria de pessoas que estão na velhice.

Segundo a mesma autora, a Terceira Idade é um termo que vem a fazer um corte na velhice, separando os jovens velhos dos mais velhos, ou seja, aquele recém aposentado, que continua em atividade é considerado pertencente à Terceira Idade e aqueles que já avançam um pouco mais na idade, que começam a ter mais problemas de saúde, estes são considerados Idosos.

Escrito por Wanda Patrocinio


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