Conversando sobre odontogeriatria no Brasil 5

12/05/2008 - 10:18 Por:

Categoria(s): Educação, Gerontologia

Valter Salton Vieira, chefe da Editora Limay, entrevista o pesquisador mentor Fernando Luiz Brunetti Montenegro.

Por conversas prévias a esta matéria, soube que muitas são as opções protéticas para se reabilitar um paciente idoso, mas gostaria que o sr. falasse agora sobre os implantes em particular: o implante dentário é uma boa solução para os pacientes idosos? Podemos fazer próteses que se apóiem em dentes naturais e implantes numa peça única?

R: Os implantes são uma ótima opção restauradora das funções bucais, mas seu custo ainda é proibitivo para grande parte dos brasileiros. Mas como existem muitos cursos de implantes, uma boa parcela da população tem sido atendida neles. Na 3a Idade são um excelente meio reabilitador, mas tendem a estar associados às próteses totais, na forma de sobredentaduras, de custo bem mais acessível. Mas um grande problema em sua aplicação nos idosos está relacionada às condições de saúde atuais deles que podem impossibilitar uma boa técnica cirúrgica e uma previsibilidade de sucesso como o alcançado em outras faixas etárias. Este é um ponto VITAL na indicação dos implantes na 3a idade e tudo passa pela profunda anamnese com destaque para o real histórico médico dos pacientes. Conversar com os médicos deles é mais importante ainda. Sobre unir implantes aos dentes naturais devo salientar: os implantes têm um sistema de fixação ao osso semelhante a uma anquilose, que não permite qualquer movimentação (entenda-se amortecimento) quando se mastiga um alimento. Os dentes naturais não são assim tão rigidamente fixados ao osso – e sim presos por inúmeras fibras colágenas / elásticas à ele – por isto cedem até 0,2mm quando sofrem uma carga de mordida. Por isso, unir implantes aos dentes naturais em peça única, não é adequado, pois com o passar do tempo, um dos 2 suportes vai se perder (ou ambos) pois um sofre flexão (dente) enquanto o outro é rígido (implante). A regra deve ser sempre: “dente é dente, implante é implante” e não podem se misturar. Num primeiro momento tudo parece que deu certo, mas com o passar dos anos a frustação do CD e ainda mais do paciente idoso poderão ser enormes. E como as pessoas estão vivendo mais, a chance disto acontecer é bem factível e aí o paciente pode não ter condições de saúde geral para fazer os enxertos para repor o osso perdido e não poder receber qualquer prótese convencional ou implanto-suportada, com profundas repercussões na sua nutrição, inserção social, qualidade de vida e até sobrevida….

Quantos pacientes que o senhor atende e este atendimento demora, em média, mais do que os outros?

R: Para um bom atendimento aos idosos, cerca de 4 pacientes/dia seria uma média razoável, intercalando-os com outros adultos e jovens, para que pudéssemos manter uma produtividade semanal adequada aos nossos significativos e crescentes custos fixos. Como dito anteriormente, é preciso dar carinho, atenção maior aos idosos, mas tratando-os com o respeito que merecem e isto, com certeza, torna o atendimento mais longo em duração horária, mas extremamente prazeiroso e também no ponto de vista de ganho humano para o profissional.

Certamente sinto que o Sr. teria muito mais a expor, mas como, infelizmente, temos um limite de espaço, gostaria que tecesse seus comentários finais, deixando o assunto em aberto para outros gostosos “papos” nossos, como foi este de agora.

R: Caro Walter, concordo contigo que muito há para se falar sobre a Odontogeriatria, e suas inúmeras nuances, pois é o quê respiro no dia-a-dia de consultório e científico. Mas há muito o quê aprender e talvez só consiga chegar lá no dia do meu passamento, pois cada dia que vivemos é de uma riqueza única e acumulativa….. A Odontogeriatria é uma atividade nova e de grande potencial no nosso País e a convivência com profissionais de outras áreas de saúde, seja no ambiente clínico, hospitalar, asilar ou domiciliar gera uma guinada muito positiva em nossas crenças profissionais e pessoais.

OBS: Um resumo desta matéria foi publicado no Canal Arcoxia, periódico patrocinado pela Merck, Sharp & Dohme, na edição que circulou em Julho de 2006.

*Valter Salton Vieira – Editor-Chefe da Editora Limay. editora@limay.com.br

**Fernando Luiz Brunetti Montenegro РMestre e Doutor pela FOUSP. Coordenador de Cursos de Especializa̤̣o em Odontogeriatria. Membro da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia-SBGG. fbrunetti@terra.com.br

Para saber mais: www.portaldoenvelhecimento.net Coluna de Odontogeriatria.


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Conversando sobre odontogeriatria no Brasil 4

12/05/2008 - 10:09 Por:

Categoria(s): Educação, Gerontologia

Valter Salton Vieira, chefe da Editora Limay, entrevista o pesquisador mentor Fernando Luiz Brunetti Montenegro.

Os planos de saúde cobrem as despesas com a odontogeriatria? Você pode comentar este fato?

R: A grande maioria dos Planos de Saúde (Convênios) não cobrem a Odontogeriatria ainda, por ela ser muito recente, mas deveriam começar a pensar neste importante segmento, que pode render muitos clientes entre os funcionários antigos e aposentados das empresas a que dão cobertura médica/odontológica aos mais jovens. Mas capacidade comprovada, titulação e disposição REAL dos profissionais credenciados devem ser checadas antes de serem credenciados. Também uma tabela de procedimentos e valores de repasses que contemplem a realidade da Especialidade devem ser postas na mesa de discussões e não simplesmente transferir a tabela de outras faixas etárias para os dentistas que queiram atender aos idosos filiados. Especialmente uma atenção com todos os procedimentos de prótese, para que os credenciados em Odontogeriatria possam usar bons protéticos, com consequente, satisfação maior dos CDs e dos pacientes idosos. Mas todas as áreas de Clínicas Odontológicas devem se fazer presentes também, para chegar a bom termo de um plano de tratamento abrangente para a 3a Idade.

Vejo que o Sr. se preocupa muito com a higiene da língua e o limpador lingual está sendo bem aceito pelos idosos?

R: O limpador lingual é um importantíssimo meio de higiene bucal na 3a idade e deve ser aplicada em todos os idosos (a não ser daqueles muito debilitados em hospitais, para os quais existem outras opções, como o higienizador lingual). Ele ajuda indiretamente, mas seu poder não pode ser desprezado, em 3 pontos vitais entre os idosos: Controle da Hipertensão: como ele chega mais longe e sem a ânsia das escovas de dentes tradicionais, limpa as papilas gustativas melhor, permitindo que evitem colocar sal em excesso na sua dieta; na Diabetes, pelo mesmo motivo, só que pelo açúcar ingerido e na eliminação da saburra lingual, um verdadeiro criadouro de bactérias patogênicas para o pulmão, agindo na prevenção de pneumonias, que é uma das maiores causas de óbitos em idosos acamados (bem como as duas doenças acima). E por fim, mas não menos importante, ajuda a diminuir as bactérias bucais causadoras do mau hálito, que levam a um embotamento social do idoso (e depressão com o passar do tempo). São motivos de sobra para se usar os limpadores/ higienizadores linguais nos idosos! (e nas outras faixas etárias também…). Como diversos outros meios de higiene bucal complementares, ele é pouco conhecido e usado pelos idosos – normalmente é indicado por poucos CDs-, mas uma crescente indústria (mais de 15 empresas no Brasil) vem buscando colocar seus produtos nos pontos de venda e um dia os higienizadores bucais vão assumir seu papel junto à escova de dentes e o fio dental, na tarefa comunitária mais nobre que a Profissão tem que é a Prevenção!

*Valter Salton Vieira – Editor-Chefe da Editora Limay. editora@limay.com.br

**Fernando Luiz Brunetti Montenegro РMestre e Doutor pela FOUSP. Coordenador de Cursos de Especializa̤̣o em Odontogeriatria. Membro da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia-SBGG. fbrunetti@terra.com.br

Para saber mais: www.portaldoenvelhecimento.net Coluna de Odontogeriatria.


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Argila e dor lombar

10/05/2008 - 17:13 Por:

Categoria(s): Doenças e problemas de saúde, Terapias Complementares

Cheguei em meu local de trabalho com uma dor incalculável na região lombar. Diante do fato de saber que eu faria vários atendimentos em massoterapia, resolvi pedir uma orientação para a massoterapeuta e especialista em argila Mathilde L. Azoubel.

Ela preparou rapidamente uma pasta espessa com argila e água, espalhou em um pedaço de tecido improvisado e aplicou em minhas costas, por baixo da roupa, de uma forma que me permitia caminhar, trabalhar, etc.

O alívio foi imediato e continuei fazendo as aplicações até que a dor, em questão de sete dias, desapareceu… foi, sem dúvida, a experiência mais marcante que vivenciei após a introdução da terapia com argila em minha vida!

Relato de Silvia Krishna

Caro leitor, nosso blog se preocupa com a saúde e o bem estar de todas as pessoas. Desenvolvemos um trabalho na área de terapias complementares, porém gostaríamos de salientar que qualquer tratamento aqui sugerido não dispensa uma orientação médica ou qualquer orientação na área que você esteja precisando. Isto significa que os tratamentos com argila terapêutica e outros devem complementar o tratamento já realizado, mantendo sempre o acompanhamento médico.
Atenciosamente,
Equipe GeroVida.

OBS. 1: Não realizamos orientações de tratamentos à distância. O ideal é procurar um terapeuta pessoalmente para receber as informações para o seu caso e depois será possível dar seguimento ao tratamento em sua residência.

OBS. 2: Damos cursos à distância sobre terapias complementares e gerontologia. Os interessados deverão acessar o link: http://www.gerovida.com.br/gerontologia/cursos-distancia.html


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Conversando sobre odontogeriatria no Brasil 3

9/05/2008 - 8:10 Por:

Categoria(s): Educação, Gerontologia

Valter Salton Vieira, chefe da Editora Limay, entrevista o pesquisador mentor Fernando Luiz Brunetti Montenegro.

Existe algum preconceito da Classe Médica com a Odontogeriatria?

R: Como, infelizmente, a Odontogeriatria não é ensinada na maioria das faculdades brasileiras – também pelo imenso corte funcional que têm feito nos últimos tempos – as novas e antigas gerações de dentistas pouco sabem desta fascinante área da Odontologia e muitos CDs que encontro nos Cursos que ministro pelo Brasil (e já são mais de 130 até hoje) se pregam nos seguintes chavões: “odontogeriatria? É só colocar dentaduras nos velhinhos”, “pra que tratar os dentes se vão perdê-los com o passar dos anos?”. Só para citar dois dos mais comuns “chavões”… Ambos não correspondem em nada à Odontogeriatria que conheço e estudo e que é também aquela praticada nos países mais desenvolvidos do Mundo. Sobre o 1o preconceito, o nível de edentulismo tem caído em todo a Terra e no Brasil, mesmo com suas imensas carências na área de saúde, mais e mais pessoas chegam à 3a idade com dentes naturais seus e que vão precisar de intervenções clínicas muito diferentes de próteses totais (“dentaduras”). É isto que vemos nos pacientes idosos de consultório e na clínica dos Cursos de Especialização (mas é claro, existem muitas próteses totais a fazer, pois os pacientes não as revisam por 15/20/30 anos e, quando chegam aos nossos olhos, estão em péssimo estado bucal e facial…). Considerando agora o 2o ponto, é vital ponderar que nenhum de nós dentistas aprendeu que os dentes inevitavelmente vão se perder com o passar dos anos. Eles SÓ se perdem por falta de controles constantes, de revisão periodontal, de cáries, de oclusão e do estado das próteses que os pacientes possuem. A Prevenção tem resultados práticos REAIS – como se vê em todo o Mundo desenvolvido – e não podemos esquecer que as pessoas de 80/90/100 anos de hoje nunca tiveram contato com a Odontologia Preventiva, que só desabrochou no Brasil lá pelos anos 60/70 do século passado. Os pacientes destas idades NÃO tiveram formação preventiva e cabe à nós ensiná-la e é muito gratificante um idoso nos falar: “puxa, doutor, fui em dentistas por toda a minha vida (sic.) e só com o sr. vim a aprender como se cuida da boca e me sinto muito melhor com meus dentes hoje que nos últimos 20/30 anos!“. E não precisa ser um Odontogeriatra para ouvir isto: basta ser mais incisivo com medidas preventivas ao tratar dos adultos e dos mais idosos. Você vê nos crânios de homens pré-históricos que os dentes e osso de suporte estão lá há mais de 40/50/200.000 anos que faleceram… dentes bem cuidados duram bem mais que os 120 anos que podemos viver! Por isto, abaixo os preconceitos sem sustentação e mãos à obra: há MUITO o quê fazer pela condição bucal dos idosos brasileiros!

Quais as dicas que você daria para quem participa deste público diferenciado?

R: Primeiro: pensar nele como um ser humano único e JAMAIS como alguém que retornou à infância. Eles estão sedentos de saber coisas (e as “nossas coisas” ele não sabe ainda!). Segundo: faça excelente anamnese, com perfil de medicamentos e converse com os médicos dos pacientes: você vai se espantar como eles estão receptivos ao diálogo e é disto que os pacientes idosos precisam. Depois: pense simples, ou seja, não busque opções reabilitadores de difícil higienização se o paciente tem (ou vai ter breve, para muitos) um problema de coordenação motora, mas isto não quer dizer extrair e fazer próteses totais ou remover dentes bons (ou só com pequenas cáries) para colocar implantes! Ouça o paciente: ele tem uma história de vida riquíssima e que é diferente daquela da sua família. Marque um tempo longo para o idoso e deixe ele se soltar que você, seja de que idade for, tem muito a conhecer de um mundo que não viveu (porque nem era nascido, muitas vezes!). Isto cria uma intimidade, cooperação e uma fidelização fantásticas! Estude, aprofunde-se: existem inúmeros cursos de iniciação/aperfeiçoamento e de especialização na área atualmente e um mundo clínico novo pode se descortinar para você: basta você querer!

*Valter Salton Vieira – Editor-Chefe da Editora Limay. editora@limay.com.br

**Fernando Luiz Brunetti Montenegro РMestre e Doutor pela FOUSP. Coordenador de Cursos de Especializa̤̣o em Odontogeriatria. Membro da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia-SBGG. fbrunetti@terra.com.br

Para saber mais: www.portaldoenvelhecimento.net Coluna de Odontogeriatria.


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Velhice

8/05/2008 - 8:05 Por:

Categoria(s): Poesia

O tempo me disse para não parar

Não tenho como negar, um dia ela me terá

Amadurecer é como brotar

É alcançar o bem-estar

Minha mente incorporada alcançou longevidade

As marcas são selos de vitalidade

Meus investimentos pessoais também são longevos

Não passei como folhas ao vento

Soube aproveitar o tempo

Tenho hoje muito contentamento

Mesmo com meu envelhecimento

Elisandra Villela Gasparetto Sé – Setembro de 2007.


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Saúde e Qualidade de Vida na velhice

7/05/2008 - 8:00 Por:

Categoria(s): Gerontologia, Qualidade de Vida, Sugestão de leituras

Sugestão de leitura 16

Livro “Saúde e Qualidade de Vida na Velhice”, organizado por Anita Liberalesso Neri, Maria José Delboux Diogo e Meire Cachioni, Campinas: Alínea, 2004.

Esta coletânea apresenta o olhar das várias profissões da área da saúde com enfoque para a discussão da qualidade de vida na velhice.


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Responsabilidade, Educação e Participação do idoso no trânsito 2

6/05/2008 - 11:33 Por:

Categoria(s): Doenças e problemas de saúde, Educação, Gerontologia

Por Elisandra Villela Gasparetto Sé

Entre as doenças mais graves que representam fortemente a insegurança viária de idosos são as demências. A principal é a doença de Alzheimer que é bastante prevalente na população acima de 70 anos cujos sintomas principais são a perda de memória entre outras funções mentais, o que dificulta a pessoa de realizar de forma adaptativa algumas tarefas do dia-a-dia. A doença de Alzheimer é uma doença neuropsiquiátrica progressiva, cuja causa ainda não é completamente conhecida. As alterações na memória, na atenção dirigida, no controle mental, desorientação temporal e espacial e dificuldades em funções executivas (planejamento de ações) são sintomas da doença que contribuem para um comportamento inseguro no trânsito, pois fazem parte do quadro da doença a diminuição no processamento das informações, no tempo de reação e na velocidade de decodificação dos estímulos. Essas alterações podem dificultar a pessoa a se orientar na via, nas curvas, na ultrapassagem, estacionar, esperar o momento de atravessar o sinal, visualizar os retrovisores, sinalização, ler e entender o que uma placa significa, coordenar os movimentos e a visão, obedecer à quilometragem, tomada de decisão e utilizar os reflexos para reagir de forma rápida e adequada no trânsito (frear, acelerar, desviar). Nestes casos os riscos mais graves para o motorista idoso e que não percebe suas dificuldades devido ao processo de início de um quadro demencial é ele perder o controle do volante, sair da estrada, ficar confuso no trajeto, ziguezaguear ou trafegar na contramão.Outro quadro que também acarreta riscos para o idoso no trânsito é a doença de Parkinson. Uma doença que causa alterações motoras e também podem surgir declínio cognitivo.

Os sintomas de demência na maioria dos casos são percebidos pelos familiares, porque o processo de declínio cognitivo é acompanhado às vezes de dificuldade em autocrítica. A pessoa demora a reconhecer seu próprio estado de saúde mental, suas dificuldades e erros cometidos ao dirigir, negando tais situações, o que é difícil para a família manejar. Muitos idosos que apresentam tais dificuldades e não a reconhecem, não querem deixar de dirigir, pois implicam na perda da autonomia, independência, liberdade e privacidade. Daí a família enfrenta um desafio em orientar e convencer o idoso que ele necessita de uma avaliação e até mesmo deixar de dirigir. Nestes casos antes de renovar a carteira de habilitação é importante que a pessoa idosa consulte um médico neurologista e a família deve explicar o que tem acontecido, a dificuldade que tem surgido, os riscos, etc… Assim o médico juntamente com uma equipe multidisciplinar fará uma avaliação objetiva e subjetiva da cognição e fará orientações à família no que se refere à necessidade de outros exames e ou testes para a renovação da CNH e até mesmo quais procedimentos mais seguros a serem tomados. As informações fornecidas pela família têm de ser precisas e são fundamentais para a tomada de decisão sobre a capacidade do idoso de participar de forma ativa no trânsito ou não para sua melhor segurança.

Se o idoso apresenta dificuldades na visão e audição e isto esteja comprometendo a sua aptidão em dirigir, é importante que a família também adote estratégias alternativas para a segurança da pessoa idosa, como, por exemplo, não deixar que saia sozinho, dirigir durante a noite, dirigir em estradas, deixar que alguém leve ou busque-o no local e até mesmo oferecer alternativas compensatórias como a escolha de um meio de transporte e de melhores horas para seu uso. Claro que as medidas restritivas não são bem vistas pela pessoa que terá que deixar de fazer algo que sempre fez, mas a tomada de consciência das mudanças advindas com o avançar da idade, que as estratégias compensatórias que poderá utilizar é importante para a preservação da sua qualidade de vida, para eliminar os perigos de acidentes e maiores conseqüências. A família poderá ajudar nesta conscientização e explicar que aceitar a velhice não é a mesma coisa que se considerar velho.

Texto data: 10/03/2008


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Sono e Envelhecimento Parte 2

5/05/2008 - 12:18 Por:

Categoria(s): Dicas, Gerontologia, Qualidade de Vida

Denise Cuoghi de Carvalho Verissimo Freitas (Fisioterapeuta do Lar dos Velhinhos de Campinas, Mestre em Gerontologia pela Unicamp, membro do Grupo TEMPO – Estudos do Envelhecimento Unicamp)

Dicas úteis para uma boa qualidade de sono:

– procure deixar o quarto escuro e silencioso, e nem frio e nem quente.

– evite ingerir alimentos pesados no jantar e algumas horas antes de dormir.

– evite beber chá preto e café antes de ir para a cama.

– só tome comprimidos para dormir com orientação médica.

– evite exercícios físicos antes de dormir.

– tome um banho quente antes de deitar para estimular o sono.

Рse tiver ins̫nia na fique na cama. Procure ouvir m̼sica, rezar, ler.

– use roupas leves e confortáveis para dormis de acordo com a estação climática.

– verifica as condições do se colchão e dos lençóis deixem bem esticados.

– evite o consumo excessivo de líquidos após as 18:00 horas.

Рevite assistir TV antes de dormir para quem tem dificuldade em adormecer, pois pode mant̻-lo agitado.

– evite fumar e consumir bebida alcoólica antes de dormir, pode afetar seu sono noturno.

– estabeleça uma rotina para dormir, fazendo sempre o mesmo ritual, sabendo que é hora de tranqüilizar-se, sempre à mesma hora.

– use o quarto apenas para dormir, depois que apagou a luz se demorar mais de 15 minutos para adormecer, saia da cama e só volte quando tiver sono.

Рse tiver dor, ṇo tome rem̩dio para dormir, consulte um m̩dico para que ele lhe indique o tratamento mais adequado.

Fonte:

Guia Serasa de Orientação ao Cidadão – Dezembro 2003.

Ancoli-Israel S, Cooke JR. Prevalence and comorbidity of insomnia and effect on functioning in elderly populations. J Am Geriatr Soc July 2005; 53(7):5264-77.

Ceolim MF. Padrões de Atividade e de Fragmentação do Sono em Pessoas Idosas [tese doutorado]. São Paulo (SP): Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo; 1999.

Foley D, Ancoli-Israel S, Britz P, Walsh J. Sleep disturbances and chronic disease in older adults: results of the 2003 National Sleep Foundation Sleep in America Survey. J Psychosom Res 2004; (56):497-502.

Ceolim MF, Barreto LM. Sleep/Wake Cycle and Physical Activity in Healthy Elderly People. Sleep Res Online 2000; 3(3):87-95.


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Sono e Envelhecimento Parte 1

4/05/2008 - 21:50 Por:

Categoria(s): Gerontologia, Qualidade de Vida

Denise Cuoghi de Carvalho Verissimo Freitas (Fisioterapeuta do Lar dos Velhinhos de Campinas, Mestre em Gerontologia pela Unicamp, membro do Grupo TEMPO – Estudos do Envelhecimento Unicamp)

A qualidade do sono é um dos fatores considerados de necessidade humana básica para mantermos boa qualidade de vida. A experiência de um sono insatisfatório ou insuficiente é bastante desagradável e tem reflexos no desempenho, no comportamento e no bem estar durante as atividades da nossa vida diária. O sono é um ritmo biológico que difere entre os bebês, crianças, adultos e idosos. Com o envelhecimento o padrão de sono dos idosos altera, e algumas das alterações que ocorrem com o seu sono são naturais, próprias do envelhecimento, tais como:

– dificuldade de manter e conciliar o sono noturno,

– percepção do sono como mais leve e menos satisfatório,

– o despertar muito cedo,

Рmaior tend̻ncia a dormir durante o dia, intencionalmente ou ṇo.

Os médicos alertam, no entanto, que as sonecas ou “sono picado”, se ocorrem em exagero durante o dia, podem ser sinal de que algo com o organismo e o sono do idoso não vai bem, precisando procurar um médico especialista em sono. Com o envelhecimento, alguns problemas físicos como: dores nas costas, na cabeça, no pescoço, nas articulações, musculares e câimbras, artrite, osteoporose, azia, refluxo gastroesofágico, angina, bronquite, enfisema, varizes, problemas de próstata e incontinência urinária podem prejudicar o seu sono. Os problemas pessoais tais como o luto, a inatividade física, a perda de status social e renda, a depressão, e a deterioração física também podem afetar o sono noturno dos idosos. Quanto ao uso de medicamentos, a polifarmácia (várias medicações consumidas ao mesmo tempo e a interação de medicamentos) que é uma característica comum entre os idosos é um outro fator que pode estar contribuindo para a má qualidade de seu sono.Outro fator relevante que deve ser considerado e que são por vezes encontrados nos idosos são os distúrbios do sono, a insônia é um deles, apresentando entre esta população 38% de idosos acometidos por ela, e que está ligada a doenças neurológicas como o Mal de Parkinson e a doença de Alzheimer e com doenças cardiorrespiratórias. A insônia pode ser causada também por fatores psicológicos como a depressão, e por determinados medicamentos. Podemos também encontrar a apnéia do sono (caracterizada por paradas da respiração por no mínimo dez segundos, durante o sono), onde este distúrbio vem acompanhado com o ronco noturno e a sua ocorrência aumenta com o envelhecimento. A apnéia do sono atinge 4% dos homens de meia-idade, e 28% depois dos 65 anos. Nas mulheres a apnéia do sono atinge 2% as de meia-idade e 24% depois dos 65 anos, ocorre devido à perda dos hormônios femininos após a menopausa. As pessoas idosas às vezes relatam durante o sono noturno apresentar uma sensação de “arrastamento das pernas” que pode afetar seu sono noturno, esta sensação é característica de um outro distúrbio do sono que é o movimento dos membros inferiores ou síndrome das pernas inquietas, devendo este idoso procurar ajuda médica especializada.

Os distúrbios do sono relatados com maior freqüência entre os idosos podem levá-lo a apresentar a insônia, a irritabilidade, o cansaço em seu estado de vigília, afetando a sua qualidade de vida e do seu sono noturno.


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Argila Terapêutica e Hipotireoidismo

3/05/2008 - 17:07 Por:

Categoria(s): Doenças e problemas de saúde, Terapias Complementares

Tenho hipotireoidismo há 5 anos. Estou tratando com alopatia há 2 anos. Sempre que eu tomava o medicamento, pela manhã em jejum, após algum tempo me causava taquicardia, fraqueza e tontura.

Comecei a utilizar a argila (uso interno) com o propósito de regularizar minhas funções intestinais, pois sempre sofri de constipação crônica.

Resultado: meus intestinos passaram a funcionar regularmente e o mais interessante foi que o efeito colateral do medicamento para tireóide foi neutralizado.

Relato de Silvia Krishna, 28 anos

Caro leitor, nosso blog se preocupa com a saúde e o bem estar de todas as pessoas. Desenvolvemos um trabalho na área de terapias complementares, porém gostaríamos de salientar que qualquer tratamento aqui sugerido não dispensa uma orientação médica ou qualquer orientação na área que você esteja precisando. Isto significa que os tratamentos com argila terapêutica e outros devem complementar o tratamento já realizado, mantendo sempre o acompanhamento médico.
Atenciosamente,
Equipe GeroVida.

OBS. 1: Não realizamos orientações de tratamentos à distância. O ideal é procurar um terapeuta pessoalmente para receber as informações para o seu caso e depois será possível dar seguimento ao tratamento em sua residência.

OBS. 2: Damos cursos à distância sobre terapias complementares e gerontologia. Os interessados deverão acessar o link: http://www.gerovida.com.br/gerontologia/cursos-distancia.html


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