A vida em acontecimento…

11/02/2008 - 12:30 Por:

Categoria(s): Educação, Gerontologia

Quem poderia dizer que viver a vida na velhice poderia ser tão efervescente e inovadora? Caros leitores, estou tratando da vida dos velhos do filme, Amor, eterno amor.

Aquele casal que foi separado na adolescência volta a se encontrar na velhice. Ele viúvo há trinta anos, ela mantendo um casamento cheio de afeto, mas ausente de toda paixão. A princípio, Claire renega um pouco o contato com Andreas, pois não acha justo tal atitude em relação ao marido, por outro lado, há mais de vinte anos que eles vivem como “amigos”. Apesar da resistência, não adiantou, o amor que estava guardado dentro de ambos volta agora com muito mais fervor e eles fazem amor como nos tempos de adolescência.

No outro dia, ela resolve contar para o marido John, mas este não acredita, acha que ela está ficando esclerosada, por simplesmente ter feito o que seu coração pediu, aliás, o que muitos de nós deveríamos fazer. Ficamos tão presos aos nossos compromissos, a nossa correria da sociedade moderna e nos esquecemos de viver com o coração, com a alma.

E esta é uma das lindas mensagens que o filme traz, mesmo na velhice, o casal (John e Claire) continua com seus afazeres, porém vão levando a vida à espera da morte e quando o antigo casal de adolescentes se redescobrem amando, parece que ambos renascem, começam a viver a vida com maior significado e plenitude.

Até mesmo a vida do marido abandonado se transforma, John começa a demonstrar sentimentos, a fazer atividades e ter atitudes imperceptíveis há mais de vinte anos, mas para tudo isto acontecer foi necessário uma perda muito grande, a da própria esposa.

Se, como eles, não deixarmos a vida passar com toda sua beleza, seremos capazes de olhar com mais profundidade e atenção para os fatos, neste sentido, cabe a cada um de nós agir com sinceridade perante nós mesmos, buscando “Aprender o que somos, o que nos estamos tornando agora e o que podemos fazer, mediante um conhecimento histórico – comparativo denso e justo” (BOSI, 1987:15) (grifo meu).

Escrito por Wanda Patrocinio


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Envelhecer: cultura e vida.

11/02/2008 - 12:15 Por:

Categoria(s): Educação, Gerontologia

O tratamento que é dado ao velho é muito forte em termos de idade e papel social. Partindo da ótica da produtividade que permeia nossa sociedade, GUSMÃO (2001) coloca que “…o caráter do mundo moderno em sua natureza capitalista está dado pela ordem produtiva que toma o jovem e o adulto como produtores e compreende o velho e a velhice como uma irrupção perigosa da ordem, posto que já não produtivos para o capital” (p. 117) e, por isto, o velho pode ser considerado como um “ser descartável”.

Infelizmente, é nesta cultura que estamos inseridos, a qual valoriza aqueles que produzem algo para a sociedade capitalista, mas o que é preciso fazer para que nossa cultura política seja mais solidária? Ou melhor, para que nossos velhos não sejam “seres descartáveis”? Acredito que se aproveitarmos os Programas e Atividades direcionados a esta faixa etária e neles engendrarmos, além do que já ocorre, discussões, trocas de experiências, explanações sobre a problemática do envelhecimento e o que podemos fazer para influenciar na mudança de paradigmas, estaríamos começando a dar um pequeno passo para a construção de uma forma de viver mais humana.

Por outro lado, cabe ressaltar que o velho não é tratado dessa forma (descartável) em todos os lugares. Se percorrermos nosso país, vamos encontrar formas diferenciadas de cuidado e atenção ao velho. Alguns respeitando, se sociabilizando, outros negando, rejeitando, talvez seja o que Bosi (1987) chama de cultura plural, “… não existe uma cultura brasileira homogênea, matriz dos nossos comportamentos e dos nossos discursos. Ao contrário: a dimensão do seu caráter plural é um passo decisivo para compreendê-la como um ‘efeito de sentido’, resultado de um processo de múltiplas interações e oposições no tempo e no espaço” (p. 7).

Escrito por Wanda Patrocinio


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Velho, Idoso, Terceira Idade, o quê é?

8/02/2008 - 5:30 Por:

Categoria(s): Educação, Gerontologia

Nossa sociedade está imbricada em torno da idade que carregamos, idades estas que precisam seguir alguns papéis sociais, é o que nos faz sermos socialmente velhos, ou jovens, ou adolescentes, ou crianças etc. Assim, por que as pessoas mais velhas, atualmente, não aceitam serem chamadas de velhas? Por que a utilização de outros conceitos como idosos, terceira idade?

A palavra velho traz uma conotação um tanto pejorativa e desvalorizada, sendo que a associação entre velhice e decadência, segundo PEIXOTO (1998) atinge todos os domínios da sociedade brasileira. É velho aquele que está decrépito, que não presta para nada, como um objeto mesmo; quando nos referimos a um objeto como velho é porque ele está estragado e quase não dá mais para ser usado.

Por outro lado, podemos perceber que a utilização de outros conceitos parece ser mais fácil do que voltarmos a valorizar o velho com um significado belo e essencial, do que realmente é ser velho: é estar vivendo e já ter passado por uma porção de experiências que nos permitem ver o mundo de uma outra forma, talvez mais humana, amorosa e menos competitiva.

Segundo PEIXOTO (1998), o termo velho era usado para a população pobre, já o termo idoso era usado para uma classe social mais abastada, então isto significa que usar o termo idoso hoje, igualmente para todos, passa uma noção de maior respeito com a categoria de pessoas que estão na velhice.

Segundo a mesma autora, a Terceira Idade é um termo que vem a fazer um corte na velhice, separando os jovens velhos dos mais velhos, ou seja, aquele recém aposentado, que continua em atividade é considerado pertencente à Terceira Idade e aqueles que já avançam um pouco mais na idade, que começam a ter mais problemas de saúde, estes são considerados Idosos.

Escrito por Wanda Patrocinio


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Oração para ser um velho legal

7/02/2008 - 5:24 Por:

Categoria(s): Poesia

(Autor desconhecido)

Ó senhor, tu sabes melhor do que eu que estou envelhecendo a cada dia.

Sendo assim, senhor, livra-me da tolice de achar que devo dizer algo, em toda e qualquer ocasião.

Livra-me, também, senhor, deste desejo enorme que tenho de querer pôr em ordem a vida dos outros.
Ensina-me a pensar nos outros e ajudá-los, sem jamais me impor sobre eles, mesmo considerando com modéstia a sabedoria que acumulei e que penso ser uma lástima não passar adiante.

Tu sabes, senhor, que desejo preservar alguns amigos e uma boa relação com os filhos, e que só se preserva os amigos e os filhos… Quando não há intromissão na vida deles.

Livra-me, também, senhor, da tolice de querer contar tudo com detalhes e minúcias e dá-me asas para voar diretamente ao ponto que interessa.

Não me permita falar mal de alguém.

Ensina-me a fazer silêncio sobre minhas dores e doenças; elas estão aumentando e, com isso, a vontade de descrevê-las vai crescendo a cada ano que passa.

Não ouso pedir o dom de ouvir com alegria a descrição das doenças alheias; seria pedir muito.

Mas, ensina-me, senhor, a suportar ouvi-las com paciência.

Ensina-me a maravilhosa qualidade de saber que posso estar errado em algumas ocasiões.

Já descobri que pessoas que acertam sempre são maçantes e desagradáveis.

Mas, sobretudo, senhor, nesta prece de envelhecimento, peço:

Mantenha-me o mais amável possível.

Livrai-me de ser santo. É difícil conviver com santos!

Mas um velho rabugento, senhor, é obra prima do diabo!

Me poupe!!!

Amém.


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O mercado da Terceira Idade.

6/02/2008 - 4:26 Por:

Categoria(s): Gerontologia, Reflexão

O casal de adolescentes que se apaixonam no filme Amor, eterno amor não pode viver esta relação, pois o pai de Andreas acreditava que ele ainda não tinha idade para isto, que na juventude, ele deveria estar lutando por uma profissão. Mas por que em nossa sociedade somos marcados pelas idades que temos? Por que aqueles adolescentes do filme não puderam viver seu grande amor? O que tem por trás da idade? Será que Andreas não conseguiria tanto viver sua juventude amorosa e buscar uma profissão?

Segundo DEBERT (1998), os recortes de idades e a definição de práticas legítimas associadas a cada etapa da vida não são conseqüências de uma evolução científica; a manipulação das categorias de idade envolve uma verdadeira luta política, na qual está em jogo a redefinição dos poderes ligados a grupos sociais distintos em diferentes momentos do curso de vida.

Em se tratando da velhice, a força política está em colocarmos em ação, cada vez mais, esta ótica capitalista que nos cerca, na qual o consumismo é uma categoria muito forte. Nesse sentido, surge um novo termo para a velhice, que seria a chamada “Terceira Idade” e, de acordo com DEBERT (1998) esta invenção implica em criação de uma nova etapa na vida que se interpõe entre a idade adulta e a velhice e é acompanhada de um conjunto de práticas, instituições e agentes especializados que se encarregam de definir e atender as necessidades dessa população.

Dessa forma, essa “Terceira Idade” é vista como a idade do lazer, de se colocar em prática todos os anos que ficaram presos numa empresa, fábrica etc. Agora é hora de viver, como se antes não fosse. Com isto, vemos surgir o mercado da Terceira Idade que vem assumindo lugar de destaque na mídia, com suas crescentes ofertas. Agências de viagens lançam “pacotes da terceira idade”, Universidades Abertas são criadas, as Igrejas e outras instituições religiosas vêm aumentando o espaço dedicado ao idoso.

Acredito que se todo este movimento estivesse sendo feito em prol do amor e verdadeira preocupação com nossos velhos, não haveria críticas a esses movimentos, mas o que há por trás da grande parte deste conjunto de práticas é o tratamento da velhice de forma puramente mercadológica ou assistencialista.

Escrito por Wanda Patrocinio


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DO-IN: livro dos primeiros socorros

5/02/2008 - 5:01 Por:

Categoria(s): Sugestão de leituras, Terapias Complementares

Semanalmente, disponibilizaremos sugestões de leituras para aquelas pessoas que queiram se aprofundar nas áreas relativas ao blog GeroVida: arte, educação, gerontologia, qualidade de vida e terapias alternativas.

Sugestão de Leitura 3

3) Para quem quiser aprender técnicas básicas de auto-cuidado, sugerimos o estudo do livro “Do-In: livro dos primeiros socorros”, de Juracy Cançado, Editora Ground, São Paulo, 1993, 29ª edição.


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Envelhecer com amor – 2

4/02/2008 - 4:05 Por:

Categoria(s): Dicas, Gerontologia, Qualidade de Vida

Sobre o filme “Amor, eterno amor” e o bem envelhecer.

A história trata de um casal que se apaixonou na adolescência, ele era um jovem estudante de música e ela filha de um diplomata na Bélgica pós II Guerra; eles se amaram muito, mas por razões diversas não puderam continuar juntos. Os anos passaram e eles voltaram a se encontrar, cinqüenta anos depois, na velhice e aí o amor entre Andreas e Claire volta de maneira majestosa; contudo não se limita a um gênero “piegas” em relação ao amor, pois traz mensagens jamais imaginadas por nossa tradicional visão sobre o envelhecimento humano.

Da narrativa, podemos apreender mensagens para um envelhecimento bem sucedido. Mas será que existe alguma receita para se envelhecer bem? PARK (s.d.) ilustra essa questão ao ressaltar uma “receita” interessante do geriatra e gerontólogo Renato Maia Guimarães:

“Basicamente é assim: Correr e brincar como uma criança (pela importância da atividade física e da brincadeira propriamente dita); comer como um índio (comer menos e alimentar-se de produtos o mais natural possível); descansar como um gato (deitar, esticar e ao levantar-se fazer um alongamento como fazem os gatos); ter a persistência de um camelo (manter seus compromissos consigo mesmo da atividade física e da dieta); ter a alegria de um golfinho (não posso afirmar que a alegria aumente a esperança de vida, mas que o mau – humor diminui é certo); ter a independência de um pássaro (depender o menos possível dos outros); ter a solidariedade de um cão (ser solidário sempre). E, por último, fugir da sombra, fugir da escuridão. Não ficar apático, escondido, achando que a vida quem vive são os outros. É preciso voltar para o palco e viver a vida de maneira brilhante”.(s.d.)

Autoras francesas, de acordo com PEIXOTO (1998), há séculos atrás, escreveram sobre elementos para se ter uma velhice tranqüila, a marquesa de Lambert diz que é preciso paz e piedade, já a baronesa de Maussion acrescenta a questão da sociabilidade entre velhos e jovens, complementando tais idéias, BALLONE (2003) diz: “Envelhece-se como se vive”. Contudo, quando nos referirmos ao envelhecimento social e aos relacionamentos humanos observamos que estas receitas, muitas vezes, são impossibilitadas pelas condições circundantes de nossa realidade, como as políticas públicas, barreiras físicas, arquitetônicas e emocionais frente aos idosos e, talvez, dos próprios idosos entre si.

Escrito por Wanda Patrocinio


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Envelhecer com amor – 1

3/02/2008 - 17:47 Por:

Categoria(s): Educação, Gerontologia, Qualidade de Vida

Amor, eterno amor e a problemática do envelhecimento.

Atualmente, nossa sociedade ainda não sabe lidar com a categoria social que é a velhice, desta forma, a proposta desta leitura é instigar os leitores para uma reflexão sobre o envelhecimento no âmbito de afetos mais ausentes em nosso cotidiano. Mais particularmente, este ensaio versa sobre o amor no contexto do envelhecer. O conceito de amor aqui enfocado não é apenas o amor como um simples sentimento, mas também aquilo que gera movimento e mudança, o amor num sentido mais amplo, complexo, cheio de plenitude, capaz de fazer a vida girar.

Talvez, tenha sido ao assistir um filme sobre esse amor é que colhi reflexões que permitem a compreensão do mundo circundante. O filme “Amor, eterno amor”, de Paul Cox, foi a película que permeou o caminhar de tais reflexões compartilhadas daqui em diante. Assim, esta leitura pode apresentar-se como um momento de prazer, descobertas, reflexões, amor… não deixe chegar na velhice para se preocupar como a qualidade de vida que você leva. Aproveite cada momento como se fosse único e sigamos em frente.

Faça um exercício… de hoje para amanhã, quando será publicada a continuidade deste texto, pense sobre o seu processo de educação para o amor. Como você tem se educado para amar as pessoas, amar a si mesmo, amar a vida?

Escrito por Wanda Patrocinio


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Nosso dia depende de nós…

2/02/2008 - 14:39 Por:

Categoria(s): Poesia, Qualidade de Vida, Reflexão

Hoje levantei cedo pensando no que tenho a fazer antes que o relógio marque meia noite.

É minha função escolher que tipo de dia vou ter hoje.

Posso reclamar porque está chovendo ou agradecer às águas por lavarem a poluição.

Posso ficar triste por não Ter dinheiro ou me sentir encorajado para administrar minhas finanças, evitando o desperdício.

Posso reclamar sobre minha saúde ou dar graças por estar vivo.

Posso me queixar dos meus pais por não terem me dado tudo o que eu queria ou posso ser grato por ter nascido.

Posso reclamar por ter que ir trabalhar ou agradecer por ter trabalho.

Posso sentir tédio com o trabalho doméstico ou agradecer a Deus por ter teto para morar.

Posso lamentar decepções com amigos ou me entusiasmar com a possibilidade de fazer novas amizades.

Se as coisas não saíram como planejei posso ficar feliz por ter hoje para recomeçar.

O dia está na minha frente esperando para ser o que eu quiser.

E aqui estou eu, o escultor que pode dar forma.

Tudo depende só de mim”

Autor: Charles Chaplin


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Você sabia que…

1/02/2008 - 13:03 Por:

Categoria(s): Curiosidades, Gerontologia

… existe uma relação entre Idade e Redução de nossas Funções Vitais?

Veja abaixo as alterações que acontecem entre os 30 e os 80 anos:

– Perda de 30% do peso muscular;

РDiminui̤̣o de 50% dos n̩frons (unidades funcionais dos rins);

РPercep̤̣o gustativa cai 75%;

– Bombeamento cardíaco reduz 50%;

РDiminui̤̣o de 50% da fun̤̣o pulmonar.

Por tudo isto, cuide-se e aproveite aquilo que o envelhecimento trás de bom… sabedoria, crescimento, evolução!


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