Velho, Idoso, Terceira Idade, o quê é?

8/02/2008 - 5:30 Por:

Categoria(s): Educação, Gerontologia

Nossa sociedade está imbricada em torno da idade que carregamos, idades estas que precisam seguir alguns papéis sociais, é o que nos faz sermos socialmente velhos, ou jovens, ou adolescentes, ou crianças etc. Assim, por que as pessoas mais velhas, atualmente, não aceitam serem chamadas de velhas? Por que a utilização de outros conceitos como idosos, terceira idade?

A palavra velho traz uma conotação um tanto pejorativa e desvalorizada, sendo que a associação entre velhice e decadência, segundo PEIXOTO (1998) atinge todos os domínios da sociedade brasileira. É velho aquele que está decrépito, que não presta para nada, como um objeto mesmo; quando nos referimos a um objeto como velho é porque ele está estragado e quase não dá mais para ser usado.

Por outro lado, podemos perceber que a utilização de outros conceitos parece ser mais fácil do que voltarmos a valorizar o velho com um significado belo e essencial, do que realmente é ser velho: é estar vivendo e já ter passado por uma porção de experiências que nos permitem ver o mundo de uma outra forma, talvez mais humana, amorosa e menos competitiva.

Segundo PEIXOTO (1998), o termo velho era usado para a população pobre, já o termo idoso era usado para uma classe social mais abastada, então isto significa que usar o termo idoso hoje, igualmente para todos, passa uma noção de maior respeito com a categoria de pessoas que estão na velhice.

Segundo a mesma autora, a Terceira Idade é um termo que vem a fazer um corte na velhice, separando os jovens velhos dos mais velhos, ou seja, aquele recém aposentado, que continua em atividade é considerado pertencente à Terceira Idade e aqueles que já avançam um pouco mais na idade, que começam a ter mais problemas de saúde, estes são considerados Idosos.

Escrito por Wanda Patrocinio


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Oração para ser um velho legal

7/02/2008 - 5:24 Por:

Categoria(s): Poesia

(Autor desconhecido)

Ó senhor, tu sabes melhor do que eu que estou envelhecendo a cada dia.

Sendo assim, senhor, livra-me da tolice de achar que devo dizer algo, em toda e qualquer ocasião.

Livra-me, também, senhor, deste desejo enorme que tenho de querer pôr em ordem a vida dos outros.
Ensina-me a pensar nos outros e ajudá-los, sem jamais me impor sobre eles, mesmo considerando com modéstia a sabedoria que acumulei e que penso ser uma lástima não passar adiante.

Tu sabes, senhor, que desejo preservar alguns amigos e uma boa relação com os filhos, e que só se preserva os amigos e os filhos… Quando não há intromissão na vida deles.

Livra-me, também, senhor, da tolice de querer contar tudo com detalhes e minúcias e dá-me asas para voar diretamente ao ponto que interessa.

Não me permita falar mal de alguém.

Ensina-me a fazer silêncio sobre minhas dores e doenças; elas estão aumentando e, com isso, a vontade de descrevê-las vai crescendo a cada ano que passa.

Não ouso pedir o dom de ouvir com alegria a descrição das doenças alheias; seria pedir muito.

Mas, ensina-me, senhor, a suportar ouvi-las com paciência.

Ensina-me a maravilhosa qualidade de saber que posso estar errado em algumas ocasiões.

Já descobri que pessoas que acertam sempre são maçantes e desagradáveis.

Mas, sobretudo, senhor, nesta prece de envelhecimento, peço:

Mantenha-me o mais amável possível.

Livrai-me de ser santo. É difícil conviver com santos!

Mas um velho rabugento, senhor, é obra prima do diabo!

Me poupe!!!

Amém.


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O mercado da Terceira Idade.

6/02/2008 - 4:26 Por:

Categoria(s): Gerontologia, Reflexão

O casal de adolescentes que se apaixonam no filme Amor, eterno amor não pode viver esta relação, pois o pai de Andreas acreditava que ele ainda não tinha idade para isto, que na juventude, ele deveria estar lutando por uma profissão. Mas por que em nossa sociedade somos marcados pelas idades que temos? Por que aqueles adolescentes do filme não puderam viver seu grande amor? O que tem por trás da idade? Será que Andreas não conseguiria tanto viver sua juventude amorosa e buscar uma profissão?

Segundo DEBERT (1998), os recortes de idades e a definição de práticas legítimas associadas a cada etapa da vida não são conseqüências de uma evolução científica; a manipulação das categorias de idade envolve uma verdadeira luta política, na qual está em jogo a redefinição dos poderes ligados a grupos sociais distintos em diferentes momentos do curso de vida.

Em se tratando da velhice, a força política está em colocarmos em ação, cada vez mais, esta ótica capitalista que nos cerca, na qual o consumismo é uma categoria muito forte. Nesse sentido, surge um novo termo para a velhice, que seria a chamada “Terceira Idade” e, de acordo com DEBERT (1998) esta invenção implica em criação de uma nova etapa na vida que se interpõe entre a idade adulta e a velhice e é acompanhada de um conjunto de práticas, instituições e agentes especializados que se encarregam de definir e atender as necessidades dessa população.

Dessa forma, essa “Terceira Idade” é vista como a idade do lazer, de se colocar em prática todos os anos que ficaram presos numa empresa, fábrica etc. Agora é hora de viver, como se antes não fosse. Com isto, vemos surgir o mercado da Terceira Idade que vem assumindo lugar de destaque na mídia, com suas crescentes ofertas. Agências de viagens lançam “pacotes da terceira idade”, Universidades Abertas são criadas, as Igrejas e outras instituições religiosas vêm aumentando o espaço dedicado ao idoso.

Acredito que se todo este movimento estivesse sendo feito em prol do amor e verdadeira preocupação com nossos velhos, não haveria críticas a esses movimentos, mas o que há por trás da grande parte deste conjunto de práticas é o tratamento da velhice de forma puramente mercadológica ou assistencialista.

Escrito por Wanda Patrocinio


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DO-IN: livro dos primeiros socorros

5/02/2008 - 5:01 Por:

Categoria(s): Sugestão de leituras, Terapias Complementares

Semanalmente, disponibilizaremos sugestões de leituras para aquelas pessoas que queiram se aprofundar nas áreas relativas ao blog GeroVida: arte, educação, gerontologia, qualidade de vida e terapias alternativas.

Sugestão de Leitura 3

3) Para quem quiser aprender técnicas básicas de auto-cuidado, sugerimos o estudo do livro “Do-In: livro dos primeiros socorros”, de Juracy Cançado, Editora Ground, São Paulo, 1993, 29ª edição.


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Envelhecer com amor – 2

4/02/2008 - 4:05 Por:

Categoria(s): Dicas, Gerontologia, Qualidade de Vida

Sobre o filme “Amor, eterno amor” e o bem envelhecer.

A história trata de um casal que se apaixonou na adolescência, ele era um jovem estudante de música e ela filha de um diplomata na Bélgica pós II Guerra; eles se amaram muito, mas por razões diversas não puderam continuar juntos. Os anos passaram e eles voltaram a se encontrar, cinqüenta anos depois, na velhice e aí o amor entre Andreas e Claire volta de maneira majestosa; contudo não se limita a um gênero “piegas” em relação ao amor, pois traz mensagens jamais imaginadas por nossa tradicional visão sobre o envelhecimento humano.

Da narrativa, podemos apreender mensagens para um envelhecimento bem sucedido. Mas será que existe alguma receita para se envelhecer bem? PARK (s.d.) ilustra essa questão ao ressaltar uma “receita” interessante do geriatra e gerontólogo Renato Maia Guimarães:

“Basicamente é assim: Correr e brincar como uma criança (pela importância da atividade física e da brincadeira propriamente dita); comer como um índio (comer menos e alimentar-se de produtos o mais natural possível); descansar como um gato (deitar, esticar e ao levantar-se fazer um alongamento como fazem os gatos); ter a persistência de um camelo (manter seus compromissos consigo mesmo da atividade física e da dieta); ter a alegria de um golfinho (não posso afirmar que a alegria aumente a esperança de vida, mas que o mau – humor diminui é certo); ter a independência de um pássaro (depender o menos possível dos outros); ter a solidariedade de um cão (ser solidário sempre). E, por último, fugir da sombra, fugir da escuridão. Não ficar apático, escondido, achando que a vida quem vive são os outros. É preciso voltar para o palco e viver a vida de maneira brilhante”.(s.d.)

Autoras francesas, de acordo com PEIXOTO (1998), há séculos atrás, escreveram sobre elementos para se ter uma velhice tranqüila, a marquesa de Lambert diz que é preciso paz e piedade, já a baronesa de Maussion acrescenta a questão da sociabilidade entre velhos e jovens, complementando tais idéias, BALLONE (2003) diz: “Envelhece-se como se vive”. Contudo, quando nos referirmos ao envelhecimento social e aos relacionamentos humanos observamos que estas receitas, muitas vezes, são impossibilitadas pelas condições circundantes de nossa realidade, como as políticas públicas, barreiras físicas, arquitetônicas e emocionais frente aos idosos e, talvez, dos próprios idosos entre si.

Escrito por Wanda Patrocinio


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Envelhecer com amor – 1

3/02/2008 - 17:47 Por:

Categoria(s): Educação, Gerontologia, Qualidade de Vida

Amor, eterno amor e a problemática do envelhecimento.

Atualmente, nossa sociedade ainda não sabe lidar com a categoria social que é a velhice, desta forma, a proposta desta leitura é instigar os leitores para uma reflexão sobre o envelhecimento no âmbito de afetos mais ausentes em nosso cotidiano. Mais particularmente, este ensaio versa sobre o amor no contexto do envelhecer. O conceito de amor aqui enfocado não é apenas o amor como um simples sentimento, mas também aquilo que gera movimento e mudança, o amor num sentido mais amplo, complexo, cheio de plenitude, capaz de fazer a vida girar.

Talvez, tenha sido ao assistir um filme sobre esse amor é que colhi reflexões que permitem a compreensão do mundo circundante. O filme “Amor, eterno amor”, de Paul Cox, foi a película que permeou o caminhar de tais reflexões compartilhadas daqui em diante. Assim, esta leitura pode apresentar-se como um momento de prazer, descobertas, reflexões, amor… não deixe chegar na velhice para se preocupar como a qualidade de vida que você leva. Aproveite cada momento como se fosse único e sigamos em frente.

Faça um exercício… de hoje para amanhã, quando será publicada a continuidade deste texto, pense sobre o seu processo de educação para o amor. Como você tem se educado para amar as pessoas, amar a si mesmo, amar a vida?

Escrito por Wanda Patrocinio


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Nosso dia depende de nós…

2/02/2008 - 14:39 Por:

Categoria(s): Poesia, Qualidade de Vida, Reflexão

Hoje levantei cedo pensando no que tenho a fazer antes que o relógio marque meia noite.

É minha função escolher que tipo de dia vou ter hoje.

Posso reclamar porque está chovendo ou agradecer às águas por lavarem a poluição.

Posso ficar triste por não Ter dinheiro ou me sentir encorajado para administrar minhas finanças, evitando o desperdício.

Posso reclamar sobre minha saúde ou dar graças por estar vivo.

Posso me queixar dos meus pais por não terem me dado tudo o que eu queria ou posso ser grato por ter nascido.

Posso reclamar por ter que ir trabalhar ou agradecer por ter trabalho.

Posso sentir tédio com o trabalho doméstico ou agradecer a Deus por ter teto para morar.

Posso lamentar decepções com amigos ou me entusiasmar com a possibilidade de fazer novas amizades.

Se as coisas não saíram como planejei posso ficar feliz por ter hoje para recomeçar.

O dia está na minha frente esperando para ser o que eu quiser.

E aqui estou eu, o escultor que pode dar forma.

Tudo depende só de mim”

Autor: Charles Chaplin


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Você sabia que…

1/02/2008 - 13:03 Por:

Categoria(s): Curiosidades, Gerontologia

… existe uma relação entre Idade e Redução de nossas Funções Vitais?

Veja abaixo as alterações que acontecem entre os 30 e os 80 anos:

– Perda de 30% do peso muscular;

РDiminui̤̣o de 50% dos n̩frons (unidades funcionais dos rins);

РPercep̤̣o gustativa cai 75%;

– Bombeamento cardíaco reduz 50%;

РDiminui̤̣o de 50% da fun̤̣o pulmonar.

Por tudo isto, cuide-se e aproveite aquilo que o envelhecimento trás de bom… sabedoria, crescimento, evolução!


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Musicalidade e Movimento Corporal – Final

31/01/2008 - 11:49 Por:

Categoria(s): Arte, Gerontologia, Qualidade de Vida

Resultados e Discussão

Em primeiro lugar, o projeto pretendeu otimizar a criatividade, a sonoridade, a espontaneidade e estimular a experimentação de cada participante. O projeto promoveu a ampliação do conhecimento e da capacidade artística dos adultos e idosos. Favoreceu a reflexão e auxiliou no desenvolvimento de pessoas mais sensíveis e criativas. Em segundo lugar, teve como objetivo estimular as emoções individuais, o pensamento e a memória, bem como desenvolver a consciência interna de si mesmo, liberando a afetividade. Após encerramento das vivências foi perceptível a melhoria na qualidade da educação e do conhecimento artístico dos adultos e idosos, bem como do conhecimento de si mesmo, de suas limitações e potencialidades. Por fim, almejou-se favorecer a alegria da criação, as lembranças e motivações de canções, a liberdade e a plasticidade que o movimento proporciona. Na avaliação final do projeto, os participantes relataram que houve ampliação do conhecimento artístico, de práticas terapêuticas e do cuidado com o corpo por meio do movimento. Em um grupo específico com mulheres com depressão, a psicóloga relatou que suas pacientes haviam apresentado melhoras no estado de humor.

O Projeto Musicalidade e Movimento Corporal para adultos e idosos, ao longo de três meses, promoveu mudanças qualitativas tais como estimular o pensar em si mesmo e no próprio bem-estar por, pelo menos, duas horas por semana. Alguns idosos relataram que jamais haviam pensado que poderiam criar algo, pois não se achavam capazes e, tampouco, se imaginavam numa apresentação, mas com os resultados descobriram que estavam errados.

A seguir apresentamos alguns relatos avaliativos dos participantes do projeto:

“O projeto promoveu equilíbrio físico e emocional; entrosamento e aprendizagem de vivências em grupo; evolução na expressão corporal” (Luiz, 42 anos).

“Eu fiquei mais animada” (Dona Tereza, 66 anos).

“O projeto me fez bem, contra a depressão e sinto alegria com a turma” (Dona Vera, 60 anos).

“Foi muito ótimo estar aqui no projeto, onde fiquei conhecendo muitas coisas boas” (Durvalina, 76 anos).

“Porque tive uma tarde diferente do cotidiano” (Alaíde, 65 anos).

“Mais disposição, mais alegria” (Isabel, 61 anos).

“Eu era uma pessoa acanhada, me soltei mais, estou falando mais alto” (Marinalva, 67 anos).

“Aprendi bastante, eu consegui ficar menos tímida. Gostei dos exercícios que fizemos, gostei das peças que encenamos” (D. Neusa, 57 anos).

Com estas frases e com os resultados alcançados com este projeto podemos concluir que por meio da dança e do movimento corporal pode-se resgatar lembranças, sensações e sentimentos que acompanham os participantes em toda sua história de vida, proporcionar prazer, felicidade, satisfação, alegria e realização. A dança e o movimento corporal permeado pela musicalidade é um instrumento importante na vida dos participantes, por proporcionar-lhes aumento do bem-estar físico, social e psicológico. Essa prática é benéfica para a saúde, trazendo satisfação pessoal, superação de limites e desenvolvimento de potencialidades e capacidades.

(Para saber mais, leia a apresentação deste trabalho no artigo postado neste blog em 24/01/2008; encontro introdutório postado no dia 26/01/2008; vivência das flores postado no dia 27/01/2008; vivência das fitas postado no dia 28/01/2008; vivência das saias postado no dia 29/01/2008; encontro de encerramento postado no dia 30/01/2008).


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Musicalidade e Movimento Corporal 6

30/01/2008 - 12:14 Por:

Categoria(s): Arte, Gerontologia, Qualidade de Vida

Encontro de Encerramento – Festa Baile

No último dia do projeto, realizamos uma avaliação escrita, com re-aplicação de algumas questões do questionário inicial, para levantamento dos resultados da pesquisa. Cada participante preencheu um questionário que continha perguntas sobre: se o projeto atendeu as expectativas, aspectos positivos e negativos e se o projeto auxiliou na saúde percebida, na qualidade de vida e no bem-estar subjetivo.

Como em todos os encontros as vivências e atividades foram fotografadas, as melhores fotos foram selecionadas e foi montada uma projeção destas imagens, como forma de retornar ao grupo o potencial criativo e artístico de cada um dos participantes. Todos ficaram ávidos por se ver, se reconhecer enquanto membros do grupo, alegres e contemplativos durante a projeção, comentários e comemorações de conquistas e superação de limites.

Após a projeção das imagens e conversa final, demos início a um baile de encerramento, para o qual todos se embelezaram. Foram apresentados vários ritmos e possibilidades e houve muita diversão. Os idosos puderam colocar em prática movimentos e técnicas aprendidas, bem como continuar experimentando o próprio corpo, que no início era tímido e acanhado, terminando mais desenvolto, forte, flexível e saudável.

(Para saber mais, leia a apresentação deste trabalho no artigo postado neste blog em 24/01/2008; encontro introdutório postado no dia 26/01/2008; vivência das flores postado no dia 27/01/2008; vivência das fitas postado no dia 28/01/2008; vivência das saias postado no dia 29/01/2008).


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