Artigo Mente e Matéria

8/07/2017 - 11:02 Por:

Categoria(s): Dicas, Reflex√£o

Mente e Matéria

Gostaria primeiro de colocar a questão da mente em termos físicos, materiais. A pergunta inicial é: o que é a matéria? Podemos definir matéria, em termos macroscópicos, como tudo aquilo que tem massa e ocupa lugar no espaço. Microscopicamente, matéria deixa de ocupar um lugar no espaço e passa a ser estudada como uma forma de energia. Existe um interessante experimento em que atira-se um elétron em uma parede com dois furos. O elétron passa pelos dois furos ao mesmo tempo e volta a se reunir do outro lado. Para este experimento, o elétron é modelado como uma onda. Pois bem, eis o homem, um monte de energia confinada a certos vales no espaço. Onde está a mente, onde ela fica?
Primeiro: o que se conhece sobre a mat√©ria? Muita coisa. Sabe-se que o movimento da mat√©ria √© regido por tr√™s for√ßas. For√ßas el√©tricas, gravitacionais e de coes√£o do n√ļcleo. A for√ßa de coes√£o do n√ļcleo √© uma for√ßa que faz com que os pr√≥tons, de cargas positivas, n√£o se afastem no n√ļcleo de um √°tomo. A for√ßa gravitacional √© bem conhecida de todos e as for√ßas el√©tricas s√£o as que geram maior n√ļmero de fen√īmenos f√≠sicos. Quando chuta-se uma bola, √© a for√ßa de repuls√£o el√©trica entre o p√© e a bola que n√£o deixa que o p√© entre na bola, impelindo esta para frente.
√Č bem sabido que todo ser humano √© composto de √°tomos, de mat√©ria. Se olharmos para cada pedacinho de n√≥s, somos estes fragmentos de energias preso em vales que v√£o de um lado para outro num movimento que depende das tr√™s for√ßas acima citadas. Analisando nosso corpo microscopicamente, todos os movimentos s√£o determin√≠sticos e os grandes movimentos e a√ß√Ķes nada mais s√£o que a soma destes pequenos movimentos determin√≠sticos.
Este determinismo mec√Ęnico te√≥rico, que ainda esbarra na teoria do caos e no princ√≠pio da incerteza da mat√©ria, apesar de seu valor filos√≥fico, n√£o tem valor pr√°tico nenhum. Modelar dois el√©trons em torno do n√ļcleo j√° d√° bastante trabalho, lembre que os dois el√©trons s√£o atra√≠dos pelo n√ļcleo e se repelem entre si. O que dizer de modelar uma quantidade impensavelmente grande de √°tomos e mol√©culas, um a um? Somos uma m√°quina meramente mec√Ęnica, sim, mas t√£o complicada que n√£o pode ser vista como tal. Todos n√≥s temos uma mente, este algo que cheira, v√™, sente, pensa, ama, tem medo e vive. Mesmo que ela n√£o exista de fato, no mundo f√≠sico, temos experimentado diariamente esta impress√£o de estar vivos e conscientes.
A vida surgiu e, por conseguinte, os seres conscientes surgiram na terra impulsionados por uma pequena for√ßa que vinha l√° do sol, que, enquanto se desorganizava, alguma mat√©ria aqui na terra foi, caprichosamente, se organizando. Para muitos parece paradoxal, contraria a segunda lei da termodin√Ęmica que fala em constante desorganiza√ß√£o da mat√©ria. Paradoxal que, com o passar do tempo, a vida tenha come√ßado a existir. Muitos falam que a exist√™ncia do homem e dos demais seres vivos seja um milagre. Milagre ou n√£o vemos que a vida foi se organizando de forma continua pelos milh√Ķes de anos e foram surgindo concentra√ß√Ķes nervosas que culminaram com o aparecimento da consci√™ncia.
Podemos dizer que a mente é uma ilusão e que, de fato, no mundo físico, não existe. Sim, isto que chamamos de mente, consciência, subconsciência e inconsciência, seria apenas uma ilusão adaptativa fruto de uma evolução biológica que tem por fim perpetuar as espécies.
A mente √© uma ilus√£o… E agora? O que √© esta ilus√£o?
Queria citar agora o pouco que compreendo sobre uma an√°lise dicot√īmica do Universo. Primeiramente temos o universo f√≠sico onde existe banana, vaca e demais coisas f√≠sicas. Fora este universo, existe um outro tipo de universo, onde as coisas n√£o s√£o, mas sim, significam. Uma pedra deixa de ser uma pedra e passa a ser um significado dentro de um dado universo que existe, por exemplo, dentro de uma pessoa. A pedra “n√£o √©”, a pedra “existe”. H√° uma ideia pante√≠sta de Deus que √© o ser que sustenta a uni√£o de todos os universos de significado atrav√©s de um √ļnico universo de exist√™ncia.
A mente não existe, ou não está, dentro do universo físico mas ela existe sendo um universo de significado, um universo metafísico, o universo de cada pessoa.
Podemos chamar mente de universo, universo simb√≥lico de cada ser humano. Algumas belas obras com cunho filos√≥fico ou religioso tentam alertar que o mundo f√≠sico n√£o √© o mais importante. Que existe um Deus, que existe um c√©u, que existe o bem, o mal, ou que, pelo contr√°rio, n√£o existe evid√™ncia de Deus, que o bem e o mal s√£o coisas relativas, que o ser humano vive dentro de um universo incompreens√≠vel e sem ter certezas de quase nada. Estas duas formas de se pensar, filos√≥fica e religiosa, diametralmente antag√īnicas, mas profundamente pr√≥ximas, levam o ser humano a refletir sobre quest√Ķes metaf√≠sicas. Seja a mente humana dotada de uma alma imortal que, ao final da jornada aqui na Terra vai se unir com uma alma de um ser superior, ou seja a mente finita no tempo e dependente biologicamente do corpo, quest√Ķes estas que cada um de n√≥s tem a liberdade de optar, ou, at√© mesmo de viver sem fazer uma op√ß√£o entre elas, temos que assumir que h√° um n√≠vel mais abstrato de exist√™ncia onde o ser humano existe em sua ess√™ncia e √© neste outro universo mais abstrato que podemos experimentar a exist√™ncia da mente atrav√©s de nossa pr√≥pria exist√™ncia.

Autor: Luís Augusto Angelotti Meira
Fonte: http://www.cerebromente.org.br/n13/opiniao/mente.html

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Atividade física: A reciclagem do corpo humano

24/04/2014 - 9:09 Por:

Categoria(s): Qualidade de Vida

Contribuição enviada por Daliane Batista Cardoso*

 Parte 2

renovadoUm remédio que imita a atividade física

Gra√ßas ao trabalho americano, no futuro talvez a gente encontre p√≠lulas que incitem a autofagia como uma corrida, o que ajudaria no combate a v√°rias doen√ßas. Por√©m, isso demorar√° para acontecer ‚ÄĒ se acontecer. Por isso, o esporte ainda √© o melhor medicamento.

A inanição serve como um exercício?

J√° existem evid√™ncias cient√≠ficas s√≥lidas de que ficar um bom tempo sem comer tamb√©m ativa a autofagia. “S√≥ que, nesse contexto, o processo √© deflagrado com o intuito de consumir o interior das c√©lulas para garantir um pouco mais de energia”, relata o educador f√≠sico Rafael Lambertucci. Ou seja, um est√īmago vazio por um per√≠odo prolongado n√£o preserva cada uma das partes que nos comp√Ķem, mas, sim, as queima aos poucos s√≥ para garantir a sobreviv√™ncia do indiv√≠duo.

O reaproveitamento do lixo

 Veja como a autofagia atua dentro da célula:

Ac√ļmulo de dejetos: Com o passar do tempo, certas mol√©culas de prote√≠na que participam de in√ļmeras tarefas das c√©lulas ou que formam sua maquinaria e seu DNA come√ßam a apresentar defeitos. √Č um enorme amontoado de res√≠duos t√≥xicos que, sem tratamento, gera um caos nada saud√°vel, capaz de repercutir na integridade celular e no tecido da qual ela faz parte.

Ameaças ensacadas: Ainda não se sabe exatamente como, mas o exercício auxilia o organismo a criar em maior quantidade autofagossomos mais eficientes e rápidos. Trata-se de membranas que englobam as sobras maléficas, impedindo que elas continuem a causar estragos.

Centro de compostagem: Os sacos de lixo ‚ÄĒ ou melhor, os autofagossomos ‚ÄĒ desembocam em lisossomos, que aproveitam o material antes perigoso para construir prote√≠nas novas. As principais fun√ß√Ķes delas voc√™ conhece abaixo:

¬†1. Mitoc√īndrias: Juntas, as mol√©culas recicladas podem formar a organela com o nome acima. E √© ela que, ao se valer de glicose e oxig√™nio, fabrica energia para as atividades do organismo, de uma contra√ß√£o muscular at√© o armazenamento de mem√≥rias.

 2. Energia extra: Se a célula necessitar de um gás a mais urgentemente, aquelas proteínas são quebradas em componentes menores, parecidos com carboidratos e gorduras. Ou seja, com potencial para se tornarem substratos energéticos.

 3. DNA: Nosso código genético é formado por uma grande sequência de aminoácidos. Quando um deles falha, outro pode ser obtido por meio daquelas partículas reaproveitadas, deixando nossos genes intactos.

Corpo renovado

A conversão do lixo celular em material aproveitável traz ganhos dos pés à cabeça:

Cora√ß√£o: Al√©m de oferecer g√°s extra para aqueles momentos mais desgastantes, a autofagia mant√©m as c√©lulas do peito com sa√ļde para dar e vender, o que aplaca o risco de complica√ß√Ķes.

P√Ęncreas: As c√©lulas beta desse √≥rg√£o produzem insulina, horm√īnio que controla a glicemia. Elas desempenham melhor seu papel quando n√£o h√° res√≠duos t√≥xicos por ali e toda a maquinaria est√° em ordem.

C√Ęncer: Os substratos reciclados substituem peda√ßos falhos do DNA que poderiam transformar uma c√©lula sadia em uma potencialmente cancerosa.

M√ļsculos: Suas fibras conquistam resist√™ncia por conseguirem aproveitar com efic√°cia a glicose. Assim, as caminhadas ficam mais longas – ou at√© viram corridas com o passar do tempo.

Metabolismo: Em tese, ele se tornaria acelerado quando somos ativos porque, entre outras coisas, células imaculadas simplesmente trabalham em dobro e, dessa forma, gastam mais calorias.

Fonte: Revista Sa√ļde

 * Educadora física, parceira da GeroVida no envio de artigos para o blog.

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