A Verdadeira Filosofia de Vida

20/06/2017 - 8:34 Por:

Categoria(s): Arte, Poesia

A Verdadeira Filosofia de Vida

Trabalhar com nobreza, esperar com sinceridade, sentir as pessoas com ternura, esta é a verdadeira filosofia.
1 РṆo tenhas opini̵es firmes, nem creias demasiadamente no valor das tuas opini̵es.
2 РS̻ tolerante, porque ṇo tens certeza de nada.
3 РṆo julgues ningu̩m, porque ṇo v̻s os motivos, mas sim os atos.
4 – Espera o melhor e prepara-te para o pior.
5 РṆo mates nem estragues, porque ṇo sabes o que ̩ a vida, excepto que ̩ um mist̩rio.
6 РṆo queiras reformar nada, porque ṇo sabes a que leis as coisas obedecem.
7 – Faz por agir como os outros e pensar diferentemente deles.

Fernando Pessoa (Anotações de Fernando Pessoa)

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A Máquina do Mundo

30/05/2017 - 11:15 Por:

Categoria(s): Poesia, Sugestão de leituras

 

E como eu palmilhasse vagamente uma estrada de Minas, pedregosa,

e no fecho da tarde um sino rouco se misturasse ao som de meus sapatos

que era pausado e seco; e aves pairassem no céu de chumbo, e suas formas pretas

lentamente se fossem diluindo na escuridão maior, vinda dos montes

e de meu próprio ser desenganado, a máquina do mundo se entreabriu

para quem de a romper já se esquivava e só de o ter pensado se carpia.

Abriu-se majestosa e circunspecta, sem emitir um som que fosse impuro

nem um clarão maior que o tolerável pelas pupilas gastas na inspeção

contínua e dolorosa do deserto, e pela mente exausta de mentar

toda uma realidade que transcende a própria imagem sua debuxada

no rosto do mistério, nos abismos.

Abriu-se em calma pura, e convidando quantos sentidos e intuições restavam

a quem de os ter usado os já perdera e nem desejaria recobrá-los,

se em vão e para sempre repetimos os mesmos sem roteiro tristes périplos,

convidando-os a todos, em coorte, a se aplicarem sobre o pasto inédito

da natureza mítica das coisas.

(Trecho de A Máquina do Mundo, de Carlos Drummond de Andrade)

 

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Poesia Envelhecer

27/04/2017 - 12:17 Por:

Categoria(s): Arte, Poesia

“Envelhecer é o único meio de viver muito tempo.
A idade madura é aquela na qual ainda se é jovem, porém com muito mais esforço.
O que mais me atormenta em relação às tolices de minha juventude, não é havê-las cometido é sim não poder voltar a cometê-las.
Envelhecer é passar da paixão para a compaixão.
Muitas pessoas não chegam aos oitenta porque perdem muito tempo tentando ficar nos quarenta.
Aos vinte anos reina o desejo, aos trinta reina a razão, aos quarenta o juízo.
O que não é belo aos vinte, forte aos trinta, rico aos quarenta, nem sábio aos cinquenta, nunca será nem belo, nem forte, nem rico, nem sábio.
Quando se passa dos sessenta, são poucas as coisas que nos parecem absurdas.
Os jovens pensam que os velhos são bobos; os velhos sabem que os jovens o são.
A maturidade do homem é voltar a encontrar a serenidade como aquela que se usufruía quando se era menino.
Nada passa mais depressa que os anos.
Quando era jovem dizia:
“verás quando tiver cinquenta anos”.
Tenho cinquenta anos e não estou vendo nada.
olhos dos jovens arde a chama, nos olhos dos velhos brilha a luz.
A iniciativa da juventude vale tanto a experiência dos velhos.
Sempre há um menino em todos os homens.
A cada idade lhe cai bem uma conduta diferente.
Os jovens andam em grupo, os adultos em pares e os velhos andam sós.
Feliz é quem foi jovem em sua juventude e feliz é quem foi sábio em sua velhice.
Todos desejamos chegar à velhice e todos negamos que tenhamos chegado.
Não entendo isso dos anos: que, todavia, é bom vivê-los, mas não tê-los.”

Autor: Albert Camus

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Desejos Vãos | Florbela Espanca

8/03/2017 - 16:25 Por:

Categoria(s): Poesia

Desejos Vãos

Eu queria ser o Mar de altivo porte
Que ri e canta, a vastidão imensa!
Eu queria ser a Pedra que não pensa,
A pedra do caminho, rude e forte!
Eu queria ser o Sol, a luz imensa,
O bem do que é humilde e não tem sorte!
Eu queria ser a árvore tosca e densa
Que ri do mundo vão e até a morte!
Mas o Mar também chora de tristeza …
As árvores também, como quem reza,
Abrem, aos Céus, os braços, como um crente!
E o Sol altivo e forte, ao fim de um dia,
Tem lágrimas de sangue na agonia!
E as Pedras … essas … pisa-as toda a gente!…

(Florbela Espanca, in “Livro de Mágoas”)

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Canção do Exílio | Gonçalves Dias

10/02/2017 - 9:55 Por:

Categoria(s): Arte, Poesia, Reflexão

Canção do Exílio

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

(Gonçalves Dias)

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Memória | Maria Thereza Noronha

27/01/2017 - 10:05 Por:

Categoria(s): Poesia, Reflexão

Memória

Quando foi aquele tempo
em que eu me olhava, sonhando,
nas águas desta bacia
e via o rosto da moça
que, do fundo, me sorria?

Onde foi parar o sonho?
Pra onde foi a magia?
Pra onde o rosto da moça
que, do fundo, me sorria?

Em que águas refletida
sorri agora, tardia,
a face que me sorria
lá no fundo da bacia?

(Maria Thereza Noronha)

De A Face na Águ, 1990.

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Sísifo | Miguel Torga

3/01/2017 - 9:13 Por:

Categoria(s): Dicas, Poesia, Reflexão, Sem categoria

SÍSIFO

Recomeça….

Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças…

(MIGUEL TORGA)

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Sonhar | Helena Kolody

28/11/2016 - 10:37 Por:

Categoria(s): Poesia, Reflexão

SONHAR

sonharmar
Sonhar é transportar-se em asas de ouro e aço
Aos páramos azuis da luz e da harmonia;
É ambicionar o céu; é dominar o espaço,
Num vôo poderoso e audaz da fantasia.
Fugir ao mundo vil, tão vil que, sem cansaço,
Engana, e menospreza, e zomba, e calunia;
Encastelar-se, enfim, no deslumbrante paço
De um sonho puro e bom, de paz e de alegria.
É ver no lago um mar, nas nuvens um castelo,
Na luz de um pirilampo um sol pequeno e belo;
É alçar, constantemente, o olhar ao céu profundo.
Sonhar é ter um grande ideal na inglória lida:
Tão grande que não cabe inteiro nesta vida,
Tão puro que não vive em plagas deste mundo.

HELENA KOLODY
(In Viagem no Espelho e vinte e um poemas inéditos, 2001).

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Hilda Hilst | Sem título

28/09/2016 - 9:27 Por:

Categoria(s): Poesia, Reflexão

abstrato

Lobos? São muitos.
Mas tu podes ainda
A palavra na língua
Aquietá-los.

Mortos? O mundo.
Mas podes acordá-lo
Sortilégio de vida
Na palavra escrita.

Lúcidos? São poucos.
Mas se farão milhares
Se à lucidez dos poucos
Te juntares.

Raros? Teus preclaros amigos.
E tu mesmo, raro.
Se nas coisas que digo
Acreditares.

(Hilda Hilst)

Referência:

Júbilo, Memória, Noviciado da Paixão
São Paulo, Massao Ohno, 1974

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Dá-me a Tua Mão | Clarice Lispector

2/09/2016 - 12:00 Por:

Categoria(s): Poesia, Reflexão

Dá-me a Tua Mão
(Clarice Lispector)

maos-dadas

Dá-me a tua mão:
Vou agora te contar
como entrei no inexpressivo
que sempre foi a minha busca cega e secreta.
De como entrei
naquilo que existe entre o número um e o número dois,
de como vi a linha de mistério e fogo,
e que é linha sub-reptícia.

Entre duas notas de música existe uma nota,
entre dois fatos existe um fato,
entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam
existe um intervalo de espaço,
existe um sentir que é entre o sentir
– nos interstícios da matéria primordial
está a linha de mistério e fogo
que é a respiração do mundo,
e a respiração contínua do mundo
é aquilo que ouvimos
e chamamos de silêncio.

Referência:
A Paixão segundo GH, 8. ed, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1979, p. 94.

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